Manejo de Mato no Maracujá: Como Evitar Perdas [Guia 2025]

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Índice

Por que o mato compete tanto com o maracujá?

Você já notou que, às vezes, você aduba bem, a chuva vem na hora certa, mas o pomar parece travado? O problema pode estar debaixo do seu nariz: a competição. As plantas invasoras não estão ali só ocupando lugar. Elas bebem a água e comem o adubo que você comprou caro para o seu maracujá.

Além da competição, o mato alto vira um “hotel” para pragas. Insetos, fungos e nematoides se escondem ali antes de atacar sua lavoura. Mas atenção: não precisa limpar o chão até ficar na terra nua.

O segredo aqui é o equilíbrio. Algumas plantas no meio da rua ajudam a reciclar nutrientes e até abrigam inimigos naturais das pragas. O objetivo é controlar, não erradicar tudo.


Quando e como usar a enxada sem matar a planta?

Seu Zé, lá do interior de São Paulo, perdeu 10% das mudas novas porque o funcionário pesou a mão na enxada. Esse é um erro clássico. A enxada é ótima, mas precisa de cuidado redobrado, principalmente quando o pomar é novo.

A capina manual é a melhor pedida para mudas e plantios pequenos. O foco deve ser o coroamento.

Você deve limpar um raio de 80 cm em volta da planta. Isso garante que o pé de maracujá cresça sem vizinhos indesejados roubando nutriente.


Como fazer a roçagem do jeito certo?

Uma dúvida que sempre aparece na roda de conversa é: “Posso passar a roçadeira costal perto do pé?”. A resposta é: depende da habilidade de quem opera.

Nas entrelinhas (o espaço entre as fileiras), a roçagem é o manejo padrão. Mas chegando perto da planta, o risco aumenta.

Para fazer o serviço bem feito na linha de plantio:

  1. Use foices, facões ou estrovengas bem afiados para o corte manual cuidadoso.
  2. Se usar a roçadeira costal, o operador precisa ser muito bom para não “anelar” (cortar a casca) o caule do maracujá.

Um corte no caule pode matar a planta ou deixá-la fraca para o resto da safra.


Posso usar herbicida no maracujá? (Leia com cuidado)

Aqui é onde muito produtor perde a lavoura inteira tentando economizar mão de obra. A pergunta de um milhão de reais é: existe veneno registrado para matar o mato no maracujá?

A resposta curta e grossa é: Não.

Manejo Integrado de Pragas (MIP)

Não há herbicidas registrados para a cultura. E tem mais: o maracujá-azedo é extremamente sensível. Se você aplicar produtos à base de glifosato ou 2-4,D, mesmo com protetor para não respingar, o estrago é certo.

O uso desses produtos pode causar:

  • Bacteriose;
  • Virose;
  • Antracnose.

Em testes experimentais, herbicidas à base de paraquat deram menos problema, mas lembre-se: sem registro, o risco é todo seu.

💡 DICA DE QUEM JÁ VIU:

O “barato” do herbicida sai caro. O glifosato deixa a planta doente e fraca. Evite usar esses produtos químicos no seu pomar de maracujá.


Mulching: Vale a pena investir na lona plástica?

Você já deve ter visto vizinhos usando aquelas lonas no chão e se perguntou se o custo compensa. Essa técnica, chamada de mulching, é um santo remédio contra o mato.

O sistema funciona assim:

  1. Você prepara canteiros de até 1,10 m de largura e 20 cm de altura.
  2. Faz a adubação completa antes de cobrir.
  3. Coloca a lona plástica (geralmente de 1,6 m de largura) sobre o camalhão.
  4. As mangueiras de gotejamento ficam por cima do plástico (facilita o conserto).
  5. Planta as mudas nos buracos feitos na lona.

As melhores lonas são as de dupla face. Deixe a parte branca ou cinza para cima (ajuda na iluminação) e a preta para baixo.

É excelente para espaldeiras e latadas, inclusive para quem produz orgânico. Mas tem um detalhe:


O próprio maracujá pode abafar o mato?

Sabe aquele ditado “uma mão lava a outra”? No maracujá, a sombra da própria planta pode te ajudar a economizar na limpeza.

Se você reduzir o espaçamento entre as fileiras para 2,0 m a 2,5 m, a sombra das folhas do maracujá vai segurar o crescimento das invasoras. O mato cresce menos e com menos força.

Vantagens do plantio mais fechado (adensado):

  • Menos mato para limpar.
  • Menos frutos queimados pelo sol.
  • Maior produção no primeiro ano.

O lado ruim: Tratores grandes não passam. Você vai ter que usar máquinas menores. Além disso, com muita folha, o controle de pragas e doenças fica mais difícil e a vida útil da lavoura pode diminuir.


Sistema de Latada: O teto verde funciona?

No sul do país, principalmente em Santa Catarina, o sistema de latada (ou caramanchão) é muito forte. Nele, o maracujá forma um teto que, com o tempo, faz uma sombra tão densa que elimina quase todo o mato embaixo.

Mas não se iluda: no começo, até fechar o teto, você vai ter que capinar, roçar ou usar mulching do mesmo jeito.

📊 O QUE PESAR NA BALANÇA:

  • Vantagem: Alta produtividade no primeiro ano e proteção dos frutos contra geada, vento e granizo (as folhas protegem o fruto).
  • Desvantagem: É mais caro de fazer e difícil de consertar.

A pulverização na latada é complicada. Tem que jogar o produto de baixo para cima. Pulverizador costal manual não dá conta e é perigoso para quem aplica (o veneno cai em cima do operador). Precisa de turbo-atomizadores.

A polinização manual também complica depois de 12 meses, porque os ramos fecham muito.


Glossário

Nematoides: Vermes microscópicos que habitam o solo e atacam as raízes das plantas, prejudicando a absorção de água e nutrientes. No maracujazeiro, sua presença pode causar galhas e o definhamento precoce do pomar.

Coroamento: Prática de limpeza manual que consiste em remover as plantas invasoras em um círculo ao redor do tronco da muda. É essencial para eliminar a competição por nutrientes e água na zona de crescimento radicular inicial.

Cálculo de pulverização de defensivos

Anelar (Anelamento): Dano físico provocado pela retirada ou corte da casca em volta de todo o perímetro do caule. Isso interrompe o fluxo de seiva elaborada para as raízes, podendo levar à morte rápida da planta.

Mulching: Técnica de cobertura do solo com filmes plásticos ou material orgânico para impedir o crescimento de plantas daninhas e manter a umidade. Melhora o controle térmico do solo e reduz gastos com capinas manuais.

Camalhão: Elevação de terra feita na linha de plantio para melhorar a drenagem e facilitar o desenvolvimento das raízes. É a base estrutural necessária para a correta instalação do sistema de mulching e gotejamento.

Sistema de Latada: Método de condução onde o maracujazeiro cresce sobre uma rede de arames horizontal sustentada por mourões, formando uma cobertura suspensa. Favorece a produtividade por área, mas exige cuidados específicos na pulverização e polinização.

Turbo-atomizador: Equipamento de pulverização mecanizado que utiliza uma turbina de ar para lançar gotas de defensivos na folhagem. É fundamental em sistemas densos como a latada para garantir que o produto alcance todas as partes da planta.

Plantio Adensado: Estratégia de manejo que utiliza um espaçamento reduzido entre as plantas para aumentar a população por hectare. Visa maximizar a produtividade inicial e utilizar o sombreamento natural para suprimir o crescimento do mato.

Veja como o Aegro pode ajudar a superar esses desafios

Controlar a mato-competição e garantir que o adubo caro chegue apenas ao maracujá exige um acompanhamento rigoroso dos custos e do cronograma de atividades. Ferramentas como o Aegro facilitam essa organização, permitindo que você registre cada capina, monitore o estoque de insumos e visualize o custo real de cada hectare. Com tudo centralizado no celular, fica muito mais simples decidir o momento certo de investir no mulching ou ajustar o espaçamento, baseando-se no que realmente traz retorno para o seu bolso.

Além disso, como o mato pode servir de abrigo para insetos e fungos, o monitoramento operacional no aplicativo ajuda a planejar as pulverizações e as vistorias de pragas com precisão. Isso evita o uso desnecessário de produtos e protege a produtividade do pomar, garantindo uma gestão profissional mesmo em culturas sensíveis como o maracujá.

Vamos lá?

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Perguntas Frequentes

Por que o uso de herbicidas como o glifosato é tão perigoso para o maracujazeiro?

O maracujá-azedo é extremamente sensível a herbicidas sistêmicos. Mesmo que não atinja as folhas diretamente, a deriva ou o contato residual podem enfraquecer a planta, tornando-a muito mais suscetível a doenças graves como a bacteriose, viroses e antracnose, além de não haver produtos químicos desse tipo registrados para a cultura.

Qual é a profundidade ideal para a capina manual com enxada?

A capina deve ser o mais superficial possível, focando apenas em cortar a base das plantas invasoras. Como as raízes do maracujá ficam muito próximas à superfície, qualquer movimento profundo com a enxada pode feri-las, reduzindo a capacidade de absorção de nutrientes e abrindo canais para a entrada de doenças radiculares.

Por que não é recomendado deixar o solo totalmente limpo nas entrelinhas?

Manter o solo totalmente ’nu’ expõe a terra à erosão e ao calor excessivo do sol, o que prejudica a vida microbiana. O ideal é manter o mato roçado nas entrelinhas, pois essa cobertura vegetal ajuda na reciclagem de nutrientes, protege a estrutura do solo e ainda serve de abrigo para insetos que são inimigos naturais das pragas do maracujá.

O sistema de mulching pode ser utilizado em qualquer tipo de solo?

O mulching é excelente para o controle de mato, mas exige cautela em solos muito argilosos ou pesados. Nessas condições, a lona plástica pode reter umidade excessiva no pé da planta, favorecendo o apodrecimento das raízes. Por isso, é fundamental garantir uma drenagem eficiente e canteiros bem estruturados antes de aplicar a lona.

Quais são as desvantagens de usar o adensamento (plantio mais próximo) para controlar o mato?

Embora a sombra das plantas ajude a abafar o mato, o adensamento dificulta a circulação de ar e a entrada de luz solar direta no interior da lavoura. Isso pode aumentar a umidade interna, favorecendo o surgimento de fungos e pragas, além de limitar o uso de maquinários maiores e exigir pulverizadores mais potentes para atingir todas as folhas.

O que é o ‘anelamento’ do caule e como evitá-lo durante a roçagem?

O anelamento ocorre quando a roçadeira ou outra ferramenta corta a casca ao redor do tronco da planta, interrompendo a passagem de seiva e podendo levar à morte do maracujazeiro. Para evitar isso, recomenda-se fazer o coroamento manual (limpeza em volta do pé) com foice ou facão, deixando a roçadeira apenas para as áreas mais distantes do caule.

Artigos Relevantes

  • Drenagem Agrícola: Guia Completo para Manejar o Excesso de Água na Lavoura: Este artigo resolve diretamente o problema técnico levantado na seção de mulching do texto principal, que alerta sobre o apodrecimento de raízes em solos argilosos. Ele oferece o conhecimento necessário para implementar sistemas de drenagem que tornam o uso da lona plástica seguro e viável no maracujazeiro.
  • Inimigos Naturais: Seus Aliados Silenciosos no Controle de Pragas: O artigo principal menciona que manter algum mato nas entrelinhas ajuda a abrigar inimigos naturais; este texto complementa essa ideia detalhando quem são esses aliados e como manejá-los. Ele transforma uma recomendação genérica em um guia prático de controle biológico para o produtor.
  • Glifosato: Como Aplicar + Doses Recomendadas 2025: Considerando que o texto principal dedica uma seção inteira para desencorajar o uso de glifosato no maracujá devido à sua alta sensibilidade, este guia técnico explica o funcionamento sistêmico do produto. Isso ajuda o produtor a entender cientificamente por que a deriva e o contato residual são tão fatais para a cultura.
  • Corda-de-Viola: Guia Completo para Identificar e Controlar esta Planta Daninha: A corda-de-viola é uma das invasoras mais problemáticas para culturas conduzidas em espaldeira ou latada, como o maracujá, por seu hábito trepador que sufoca a planta. Este artigo oferece estratégias de identificação e controle de uma praga que representa um desafio específico para a estrutura vertical do pomar.
  • Manejo Integrado de Pragas (MIP): Uma Abordagem Estratégica e Sustentável: Este artigo fornece a estrutura estratégica para o conceito de ’equilíbrio’ citado no texto principal, onde o objetivo é controlar e não erradicar. Ele eleva a discussão do manejo de mato para um nível de gestão profissional, conectando a limpeza do pomar com a saúde fitossanitária global da lavoura.