Manejo da soja sob El Niño forte em 2026/27: o que mudar

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Engenheiro Agrônomo, Mestre e Doutorando em Produção Vegetal pela (ESALQ/USP).
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O manejo da soja sob El Niño na safra 2026/27 exige atenção especial ao planejamento da semeadura, à conservação do solo e ao monitoramento das condições climáticas. Com a intensificação do fenômeno, produtores e profissionais da assistência técnica precisam considerar riscos relacionados tanto ao excesso quanto à irregularidade das precipitações, dependendo da região produtora.

Segundo o Climate Prediction Center (CPC), da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), o boletim de 8 de outubro de 2026 manteve o alerta de El Niño e indicou probabilidade superior a 83% de ocorrência de um evento forte a muito forte até o trimestre de janeiro a março de 2027. Para outubro a dezembro de 2026, a instituição estimou 83% de probabilidade de um episódio de intensidade histórica, considerando o índice RONI.

No Brasil, o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) também alertou para a intensificação do fenômeno durante a primavera e o verão, período que coincide com a implantação e o desenvolvimento de grande parte das lavouras de soja.

Entretanto, a ocorrência de um El Niño forte não significa necessariamente perdas de produtividade. Seus efeitos dependem da distribuição das chuvas, das características do solo, da cultivar utilizada e das decisões de manejo adotadas em cada propriedade.

Mas o que realmente precisa mudar no planejamento da soja em 2026/27? As recomendações são iguais para produtores do Sul e do Centro-Oeste? A seguir, entenda como ajustar as principais operações agrícolas para reduzir os riscos climáticos durante a safra.

Índice

El Niño 2026/27: qual é o cenário climático para a safra de soja?

O boletim da NOAA, publicado em 8 de outubro de 2026, indica que o El Niño continua em intensificação, com elevada probabilidade de permanecer forte durante parte importante do ciclo da soja brasileira.

O diagnóstico considera o aquecimento das águas do Pacífico Equatorial e alterações na circulação atmosférica associadas ao fenômeno. Entretanto, a própria NOAA ressalta que eventos intensos aumentam a probabilidade de impactos climáticos característicos, sem garantir que eles ocorram da mesma maneira em todas as localidades.

No Brasil, o Boletim nº 4 do Painel El Niño 2026/27, divulgado pelo Inmet e por outras instituições federais em 30 de setembro, apontou 95% de probabilidade de um evento muito forte no trimestre de outubro a dezembro.

A previsão indica maior possibilidade de precipitações acima da média no Sul e condições mais secas em áreas do centro-norte brasileiro, além de temperaturas elevadas em grande parte do território nacional.

Mapa do Brasil colorido por tendência de chuva: tons de azul acima da média no Sul, amarelo próximo da média no Centro-Oeste e laranja e vermelho abaixo da média no Norte e no Nordeste
Figura 1. Tendência de anomalias de precipitação no Brasil durante o El Niño na safra 2026/2027. Fonte: Ilustração esquemática elaborada pelo autor, com base nas tendências climáticas regionais associadas ao El Niño descritas pelo Inmet (2026). Nota: Representação ilustrativa, não correspondente a um mapa meteorológico oficial de previsão de precipitação.

Essas informações devem orientar o planejamento, mas não substituem o acompanhamento das previsões meteorológicas de curto prazo. Para compreender os mecanismos do fenômeno, consulte também o guia sobre El Niño e La Niña no Brasil.

Leia mais: “Fenômenos Meteorológicos na Agricultura: Um Guia do El Niño à Chuva Local”

Como o El Niño afeta a soja no Sul e no Centro-Oeste?

Os efeitos do El Niño sobre a soja variam regionalmente porque o fenômeno modifica os padrões de circulação atmosférica e distribuição das precipitações.

Segundo a Embrapa, o Sul apresenta maior tendência de chuvas acima da normalidade, enquanto Norte e Nordeste podem enfrentar redução e irregularidade das precipitações. No Centro-Oeste e Sudeste, os efeitos tendem a ser menos definidos, embora possam ocorrer temperaturas elevadas, atraso no início das chuvas e períodos de deficiência hídrica.

Região Sul: excesso de chuva e maior pressão fitossanitária

Nos estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, volumes elevados de precipitação podem dificultar a entrada de máquinas, aumentar o escoamento superficial e favorecer processos erosivos.

Solos excessivamente úmidos também podem apresentar menor disponibilidade de oxigênio, comprometendo a respiração radicular e o desenvolvimento das plantas.

Além disso, períodos prolongados de molhamento foliar podem favorecer determinadas doenças, exigindo maior atenção ao monitoramento fitossanitário.

Leia mais: “Doenças no início da safra de soja: previna antes de plantar”

Centro-Oeste: irregularidade das chuvas e risco de veranicos

Em Mato Grosso, Goiás e Mato Grosso do Sul, o principal cuidado está relacionado à distribuição temporal das precipitações.

Mesmo quando o volume acumulado de chuva é suficiente, intervalos prolongados sem precipitação podem provocar deficiência hídrica em fases importantes do desenvolvimento da cultura.

Temperaturas elevadas e maior demanda evaporativa da atmosfera também aumentam a necessidade de água pelas plantas.

Portanto, a estratégia deve priorizar conservação da umidade, escolha adequada da época de semeadura e distribuição dos riscos ao longo do ciclo.

O que mudar no manejo da soja antes da semeadura?

O planejamento deve começar pela avaliação do histórico climático, das condições físicas do solo e da capacidade operacional da propriedade.

Em anos de maior risco climático, antecipar decisões permite reduzir a exposição da cultura a condições desfavoráveis durante germinação, emergência e desenvolvimento reprodutivo.

Respeitar o Zoneamento Agrícola de Risco Climático

O Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC) identifica períodos de semeadura associados a diferentes níveis de risco, considerando município, características do solo e ciclo das cultivares.

A recomendação não deve ser interpretada como garantia de produtividade, mas como instrumento para reduzir a probabilidade de perdas relacionadas principalmente a condições climáticas adversas.

Em anos de El Niño, respeitar o ZARC continua sendo fundamental. O fenômeno não justifica automaticamente antecipar ou atrasar a semeadura fora das janelas recomendadas.

Além do aspecto agronômico, a observância do zoneamento integra requisitos de enquadramento em programas como o Proagro e em determinadas modalidades de seguro rural subvencionado, conforme as regras aplicáveis. Para entender os critérios utilizados, consulte o guia completo sobre ZARC.

Leia mais: “Proagro: o guia completo para proteger seu financiamento na safra 2025/26”

Não iniciar a semeadura apenas pelas primeiras chuvas

No Centro-Oeste, uma precipitação isolada pode umedecer superficialmente o solo sem garantir disponibilidade hídrica suficiente para sustentar a germinação e a emergência.

Quando a semeadura ocorre nessas condições, um período seco subsequente pode comprometer o estabelecimento da população de plantas.

Por isso, a decisão deve considerar a umidade efetiva na profundidade de deposição das sementes, a previsão meteorológica e a capacidade de armazenamento de água do solo.

O objetivo é favorecer uma emergência rápida e uniforme, reduzindo a exposição das plântulas aos estresses iniciais.

Gráfico de barras com a probabilidade de El Niño, neutralidade e La Niña em três trimestres: El Niño com 100% em outubro-dezembro de 2026 e em janeiro-março de 2027; em abril-junho de 2027, El Niño com 45%, neutro com 54% e La Niña com 1%
Figura 2. Probabilidade de ocorrência das diferentes fases do fenômeno El Niño–Oscilação Sul (ENOS) durante os trimestres de outubro a dezembro de 2026, janeiro a março de 2027 e abril a junho de 2027. Fonte: Elaborado pelo autor, com base no CPC/NOAA (2026), Official NOAA CPC ENSO Probabilities, edição de outubro de 2026. Nota: Probabilidades da fase do ENOS por trimestre, sujeitas a atualização nas próximas edições. O 83% citado no boletim de 8 de outubro refere-se à intensidade do evento (RONI de +2,5 °C ou mais), não à probabilidade da fase.

Leia mais: “Estabelecimento da soja: como garantir um estande uniforme”

Vale a pena escalonar a semeadura da soja em ano de El Niño?

A semeadura escalonada consiste em distribuir a implantação da lavoura em diferentes períodos, respeitando as janelas agronomicamente recomendadas.

Essa estratégia pode reduzir a concentração do risco climático, pois evita que toda a área alcance simultaneamente fases críticas do desenvolvimento.

A Embrapa destaca o escalonamento da semeadura e a utilização de cultivares com diferentes ciclos como alternativas para diminuir os impactos associados à seca e ao excesso de chuva.

Distribuir os períodos de floração e enchimento de grãos

As fases de florescimento, formação de vagens e enchimento de grãos apresentam elevada importância para a definição da produtividade da soja.

A deficiência hídrica durante esses estádios pode aumentar o abortamento de estruturas reprodutivas, comprometer a formação de grãos e reduzir o rendimento.

Ao utilizar diferentes épocas de semeadura e grupos de maturidade adequados, o produtor distribui essas fases ao longo do calendário.

Entretanto, o escalonamento não elimina o risco climático. Seu benefício depende das condições regionais, das cultivares escolhidas e da disponibilidade operacional.

Escolher cultivares considerando o ambiente de produção

A seleção de cultivares deve integrar grupo de maturidade, adaptação regional, potencial produtivo, resistência a doenças e características do sistema de produção.

No Sul, cultivares de ciclo mais curto podem, em determinadas situações, contribuir para estratégias de escape de períodos desfavoráveis. Entretanto, essa escolha precisa considerar o risco de exposição das fases reprodutivas e as condições de colheita.

No Centro-Oeste, diferentes ciclos podem auxiliar na distribuição da demanda hídrica e no planejamento da segunda safra. Para aprofundar os efeitos da deficiência de água sobre a fisiologia vegetal, consulte o artigo sobre estresse hídrico nas plantas.

Leia mais: “Enchimento de Grãos de Soja (R5): guia completo para proteger sua produtividade”

Manejo da soja no Sul: como reduzir os impactos do excesso de chuva?

O excesso de precipitação exige medidas que preservem a estrutura do solo, reduzam a erosão e favoreçam o desenvolvimento radicular.

A Embrapa recomenda práticas conservacionistas, incluindo semeadura em contorno, terraceamento e manutenção de cobertura vegetal.

Semeadura em nível e terraceamento

A semeadura em nível acompanha as curvas de nível do terreno, contribuindo para reduzir a velocidade do escoamento superficial.

O terraceamento, quando corretamente dimensionado, permite controlar a movimentação da água na paisagem e diminuir as perdas de solo por erosão.

Essas medidas são especialmente relevantes em áreas com declividade e histórico de enxurradas.

Entretanto, terraços precisam de manutenção e dimensionamento técnico, pois estruturas inadequadas podem concentrar água e provocar danos.

Leia mais: “Terraceamento: o guia completo para proteger seu solo e aumentar a produtividade”

Cobertura vegetal e proteção da estrutura do solo

A manutenção de palhada reduz o impacto direto das gotas de chuva, protege os agregados e contribui para preservar a infiltração.

Sistemas de plantio direto bem conduzidos também podem melhorar características estruturais do solo ao longo do tempo.

Contudo, a presença de cobertura não elimina problemas de compactação ou drenagem. Essas limitações precisam ser identificadas e corrigidas conforme diagnóstico específico.

Leia mais: “Erosão Hídrica: o que é, tipos e como proteger sua lavoura”

O El Niño aumenta o risco de ferrugem-asiática e outras doenças?

O El Niño pode modificar as condições ambientais que influenciam o desenvolvimento de doenças, mas não provoca automaticamente aumento de todas as enfermidades da soja.

A ocorrência depende da presença do patógeno, da suscetibilidade da cultivar e de condições favoráveis à infecção.

Na ferrugem-asiática, causada por Phakopsora pachyrhizi, a disponibilidade de umidade foliar e as condições de temperatura influenciam o processo infeccioso.

Assim, períodos chuvosos podem favorecer a doença quando os demais componentes epidemiológicos estão presentes.

Monitoramento e aplicação no momento adequado

O manejo deve integrar respeito ao vazio sanitário e ao calendário de semeadura, utilização de cultivares com características agronômicas adequadas, monitoramento e estratégias de controle recomendadas.

Em períodos chuvosos, a disponibilidade de janelas operacionais para pulverização pode diminuir.

Por isso, a tecnologia de aplicação precisa considerar velocidade do vento, temperatura, umidade relativa, possibilidade de chuva e intervalo necessário para absorção ou fixação do produto, conforme sua formulação.

O tratamento de sementes também merece atenção, especialmente diante de condições que favoreçam patógenos associados ao solo e à emergência.

Leia mais: “Ferrugem Asiática da Soja: guia de identificação e manejo”

Centro-Oeste e Sudeste: como proteger a soja da irregularidade hídrica?

Nas regiões Centro-Oeste e Sudeste, a principal preocupação está relacionada à possibilidade de temperaturas elevadas e distribuição irregular das chuvas.

O manejo deve favorecer o armazenamento de água no perfil e reduzir perdas desnecessárias por evaporação e escoamento.

Palhada e plantio direto ajudam a conservar a umidade

A cobertura do solo atua como barreira física contra a radiação direta e pode reduzir a evaporação da água da superfície.

Além disso, sistemas com boa estrutura e adequada quantidade de resíduos vegetais favorecem a infiltração e a conservação da umidade.

Entretanto, os benefícios dependem da quantidade e distribuição da palhada, da textura do solo, da compactação e do histórico de manejo.

Leia mais: “Palhada: guia definitivo para um solo mais produtivo”

Atenção especial às fases reprodutivas

O monitoramento das condições hídricas deve ser intensificado durante florescimento, formação de vagens e enchimento de grãos.

Nessas fases, a redução da disponibilidade de água pode comprometer processos fisiológicos associados à fotossíntese, à manutenção das estruturas reprodutivas e ao acúmulo de matéria seca nos grãos.

A avaliação deve considerar umidade do solo, desenvolvimento das plantas e previsões meteorológicas, evitando decisões baseadas exclusivamente no volume acumulado de chuva.

Como acompanhar o El Niño e tomar decisões durante a safra?

O acompanhamento climático precisa ser contínuo, pois as previsões sazonais apresentam incertezas e podem ser atualizadas conforme novas observações.

Para o produtor, a melhor estratégia é combinar informações de diferentes escalas temporais.

Previsão sazonal e previsão de curto prazo

Os boletins sazonais auxiliam na identificação de tendências de chuva e temperatura para os próximos meses.

Já as previsões de curto prazo são mais adequadas para decisões operacionais, como semeadura, pulverização e planejamento da colheita. Entre as principais fontes oficiais estão:

  • NOAA/CPC: acompanhamento do El Niño e perspectivas de intensidade;
  • Inmet: monitoramento meteorológico e boletins climáticos brasileiros;
  • CPTEC/Inpe: previsões meteorológicas e acompanhamento das condições atmosféricas.

Planejamento operacional reduz a exposição aos riscos

O produtor deve manter atualizados os registros de precipitação, umidade do solo, condições de tráfego de máquinas, desenvolvimento da cultura e ocorrência de doenças.

Essas informações permitem ajustar operações conforme as condições efetivamente observadas.

Também é importante conferir os períodos de semeadura estabelecidos pelo ZARC e as exigências específicas de contratos de crédito, Proagro e seguro rural. Para complementar o planejamento, consulte o guia de plantio por região, verificando as recomendações vigentes para a safra 2026/27.

Leia mais: “Seguro Rural 2025: guia para proteger lavoura, rebanho e investimento”

Conclusão

O manejo da soja sob El Niño forte em 2026/27 exige planejamento regionalizado e acompanhamento constante das condições climáticas.

No Sul, a prioridade está relacionada à conservação do solo, ao controle do escoamento superficial, à manutenção de condições adequadas de drenagem e ao monitoramento fitossanitário.

No Centro-Oeste e Sudeste, o planejamento deve considerar principalmente a irregularidade das precipitações, o risco de veranicos e a conservação da umidade do solo durante as fases críticas da cultura.

Em todas as regiões, respeitar o ZARC, utilizar cultivares adaptadas, manter cobertura vegetal e avaliar o escalonamento da semeadura são estratégias importantes para distribuir riscos.

O El Niño aumenta a probabilidade de determinadas condições climáticas, mas não determina isoladamente o resultado da safra. A produtividade dependerá da interação entre ambiente, cultivar e qualidade do manejo adotado.

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Perguntas frequentes sobre soja e El Niño

O El Niño sempre reduz a produtividade da soja?

Não. O El Niño aumenta a probabilidade de excesso de chuva no Sul e de irregularidade hídrica em parte do Centro-Oeste e Sudeste, mas o resultado depende da distribuição das chuvas, do solo, da cultivar e do manejo adotado em cada propriedade.

Em ano de El Niño forte, posso semear fora do ZARC?

Não é recomendado. O fenômeno não justifica antecipar ou atrasar a semeadura fora das janelas do ZARC, que também integram os requisitos de enquadramento no Proagro e em determinadas modalidades de seguro rural subvencionado.

Vale escalonar a semeadura da soja em 2026/27?

Pode valer, desde que respeitadas as janelas do ZARC. Distribuir a semeadura e usar cultivares de diferentes ciclos evita que toda a área chegue ao florescimento e ao enchimento de grãos ao mesmo tempo, mas o benefício depende da região e da capacidade operacional.

Como reduzir a erosão em lavouras de soja no Sul em ano chuvoso?

A Embrapa recomenda semeadura em contorno, terraceamento corretamente dimensionado e manutenção de cobertura vegetal. A palhada reduz o impacto das gotas e preserva a infiltração, mas não corrige compactação nem drenagem deficiente.

O El Niño aumenta o risco de ferrugem-asiática?

Períodos chuvosos podem favorecer a doença quando patógeno, cultivar suscetível e condições de temperatura e umidade foliar coincidem. O manejo combina vazio sanitário, calendário de semeadura, cultivares adequadas, monitoramento e aplicações no momento certo.

Onde acompanhar a evolução do El Niño durante a safra?

Use boletins sazonais da NOAA/CPC e do Inmet para a tendência e as previsões de curto prazo do CPTEC/Inpe e do Inmet para decidir semeadura, pulverização e colheita.

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