Manejo da Manga: Guia Prático do Solo à Colheita [2025]

Foto de perfil de Redação Aegro
Equipe de especialistas da Aegro, dedicada a levar conhecimento, tecnologia e inovação para o produtor rural brasileiro.
Imagem de destaque do artigo: Manejo da Manga: Guia Prático do Solo à Colheita [2025]

Índice

Começando pelo Solo: O Segredo Está na Raiz

Você já viu aquele produtor que joga adubo todo ano na mesma quantidade, mas a produção da manga não aumenta? Pois é, o Seu João, vizinho de cerca de muita gente, gastou uma fortuna em NPK e não viu resultado. O motivo? O solo estava travado.

Para não cair nesse erro, a regra é clara: análise de solo não é gasto, é investimento. Sem ela, você está dirigindo no escuro.

Para a manga, você precisa saber se tem Cálcio (Ca) suficiente. As variedades melhoradas exigem muito cálcio para o fruto não dar defeito por dentro (aquele colapso interno que deixa a polpa escura).

O que você precisa fazer:

  1. Amostragem: Faça a análise antes de plantar e, nos pomares formados, colete amostras nas profundidades de 0-20 cm e 20-40 cm. A amostra deve ser tirada onde o adubo cai (na projeção da copa).
  2. Calagem e Gessagem: Se a saturação por bases estiver abaixo de 60%, precisa corrigir. Mas atenção: no semiárido, tem solo arenoso que engana. A saturação parece alta, mas falta cálcio e magnésio.
  3. Dica de ouro: O gesso agrícola é o melhor amigo da qualidade do fruto, pois ele desce no solo e leva cálcio para as raízes fundas.

⚠️ ATENÇÃO: Se a análise foliar mostrar mais de 30 kg de Cálcio, você pode dispensar o gesso. Mas só confie na análise, não no “olhômetro”.


Adubação e Água: O Casamento Perfeito

Muitos produtores perguntam: “Vale a pena investir na fertirrigação ou continuo no adubo granulado convencional?”

A resposta curta é: a fertirrigação ganha de lavada em economia e eficiência. Jogar o nutriente na água (principalmente em gotejamento ou microaspersão) faz a planta comer na hora certa e evita desperdício por lixiviação (quando a chuva lava o adubo embora).

Mas cuidado com a “mistureba”. Nem todo produto se dissolve bem ou pode ser misturado com outro. Teste a compatibilidade antes de jogar no tanque.

Nitrogênio, Fósforo e Potássio (NPK):

  • Fósforo (P): Use superfosfato simples. Ele já traz Cálcio de “brinde”.
  • Nitrogênio (N): Cuidado com o excesso antes da floração. Faça análise foliar antes de aplicar se for induzir a florada.
  • Micronutrientes: Boro, Manganês e Zinco são os que mais faltam. Fique de olho neles.

Podas: Formando o Esqueleto da Produtividade

Sabe aquela mangueira “vassoura de bruxa”, cheia de galho fino e sem ar dentro? Isso é falta de poda ou poda errada. Tem produtor que tem dó de cortar, mas na manga, tesoura é ferramenta de lucro.

Como fazer sem errar:

  • Poda de Formação: As primeiras podas, para definir a base da copa, devem ser feitas abaixo dos nós. Isso faz os ramos nascerem espalhados, e não tudo num ponto só (que quebra fácil com o peso da fruta depois).
  • Poda de Produção (Pós-colheita): Assim que colher, limpe o que sobrou. Isso uniformiza a próxima brotação.
  • O Pulo do Gato: Nunca pode ramo verde! Espere o ramo lignificar (ficar maduro/lenhoso). Se podar no verde, a brotação demora e vem fraca.

💡 DICA DE QUEM JÁ FEZ: Em regiões úmidas, abra mais a copa. Se fechar muito (“adensar”), vira estufa para doença. O espaçamento mais comum hoje é 8m x 5m (250 plantas/ha), mas tem gente apertando mais para render mais cedo.


Indução Floral: Comandando a Planta

Aqui é onde se separa os meninos dos homens na mangicultura. O Seu Antônio me perguntou outro dia: “Como faço a planta florir na hora que o preço está bom?”.

A resposta envolve química e manejo de água. O “chefe” desse processo é o Paclobutrazol (PBZ).

Passo a passo do sucesso:

  1. Aplicação do PBZ: No solo é melhor que na folha. A planta absorve pela raiz. Garanta que tenha água logo em seguida para levar o produto pra dentro.
  2. Quando aplicar: Espere a planta emitir dois fluxos vegetativos depois da poda de colheita. Quando as folhas do segundo fluxo estiverem abertas (mas não velhas demais), é a hora.
  3. Dosagem: No primeiro ano, siga a bula. No segundo ano, a dose cai para 50% a 70% da inicial, porque sobra resíduo no solo. Cuidado: dose alta demais encrua a planta (compacta a panícula).
  4. Estresse Hídrico: Cerca de 70 dias após o PBZ, reduza a água. Isso diz para a planta: “Pare de crescer folha e prepare para florir”.
  5. Quebra de Dormência (Nitratos): Depois do tempo certo (80-120 dias após PBZ, dependendo do calor), entre com Nitrato (de Potássio ou Cálcio). É ele que “acorda” a gema floral.

⚠️ ATENÇÃO: Aplicações frequentes de PBZ sem controle podem travar o crescimento da sua planta. Use aminoácidos para ajudar a destravar se errar a mão.


Pragas e Doenças: O Olho do Dono Engorda a Manga

Não adianta fazer tudo certo e perder para o bicho na reta final. Vamos falar do que realmente dá dor de cabeça.

1. Mosca-das-frutas

É o terror da exportação. Se o índice MAD (Moscas por Armadilha por Dia) for maior que 0,5, você tem que agir.

  • O que fazer: Enterre frutos caídos (eles são berçário de larva), use armadilhas para monitorar e aplique iscas tóxicas nas ruas alternadas.

2. Embonecamento (Malformação)

Causado por fungo e espalhado por ácaro. A flor vira uma “bucha” ou “vassoura”.

  • Solução: Tesoura e fogo. Corte o ramo doente 30 a 60 cm abaixo da “boneca”, passe pasta cúprica no corte e queime o resto fora do pomar. Não deixe lá no chão!

3. Antracnose

Manchas pretas na folha e no fruto (parece lágrima escorrendo). Piora com chuva ou orvalho.

  • Controle: Poda de limpeza (para ventilar) e fungicidas preventivos na florada e início do fruto.

📊 NÚMEROS QUE IMPORTAM: Um pomar bem cuidado começa a produzir no 3º ou 4º ano e estabiliza a partir do 5º ano. A meta de produtividade boa é acima de 25 toneladas por hectare.


Colheita: Não Ponha Tudo a Perder Agora

Você cuidou o ano todo. Agora, na hora de tirar do pé, cuidado para não manchar a fruta com o leite (látex).

A queima pelo látex desvaloriza seu produto na hora. Não tem como “desqueimar”, só evitar.

  • Segredo: Colha com o cabinho longo (10 a 15 cm). Só corte rente lá no galpão, dentro de uma solução que neutraliza o leite (água com cal hidratada a 0,4% funciona bem e é barato).
  • Ponto de colheita: Para indústria, pode ser mais madura. Para mercado (e exportação), tem que ser no “ponto de vez” (estádio 2), quando a polpa começa a amarelar, mas ainda está firme. Se colher verde demais (estádio 1), ela não amadurece, só murcha e fica ruim.

Glossário

Saturação por Bases (V%): Indica a porcentagem do solo que está ocupada por nutrientes essenciais como Cálcio, Magnésio e Potássio. É o principal índice utilizado para calcular a necessidade de calagem e equilibrar a acidez da área de plantio.

Lixiviação: Processo em que os nutrientes aplicados via adubação são carregados pela água para camadas profundas do solo, longe do alcance das raízes. Ocorre com frequência em solos muito arenosos ou após chuvas intensas, causando desperdício de insumos.

Lignificar: Processo de maturação e endurecimento dos ramos da planta, transformando o tecido verde em lenhoso através do acúmulo de lignina. É o estágio fisiológico ideal para realizar podas de produção na manga, garantindo brotações mais fortes.

Paclobutrazol (PBZ): Regulador de crescimento que atua inibindo o desenvolvimento vegetativo da planta, forçando-a a concentrar energia na produção de flores. É a tecnologia mais utilizada na mangicultura brasileira para escalonar a produção e colher fora de época.

Fluxos Vegetativos: Ciclos naturais de crescimento da mangueira que resultam na emissão de novas folhas e ramos. O manejo correto da indução floral depende da contagem desses fluxos após a poda de colheita.

Índice MAD: Sigla para ‘Moscas por Armadilha por Dia’, um indicador técnico utilizado para monitorar a infestação da mosca-das-frutas. Quando o índice ultrapassa limites pré-estabelecidos, o produtor deve iniciar o controle para evitar perdas na produção e barreiras fitossanitárias.

Embonecamento (Malformação): Anomalia fisiológica e fitossanitária que transforma as inflorescências em massas compactas conhecidas como ‘bonecas’, impedindo a frutificação. É causada pela interação entre fungos e ácaros, exigindo a poda sanitária e destruição dos ramos afetados.

Como o Aegro potencializa sua produção de manga

Gerenciar o investimento em fertilizantes e corretivos, como o gesso e o NPK, exige um controle financeiro rigoroso para que a conta feche no final da safra. Ferramentas como o Aegro ajudam a monitorar esses custos de produção em tempo real, permitindo que você acompanhe o estoque de insumos e visualize o custo exato por hectare, evitando desperdícios e garantindo que cada real aplicado no solo traga retorno.

Além disso, para lidar com a complexidade da indução floral e o monitoramento de pragas, o Aegro permite registrar todas as atividades de campo diretamente pelo celular, mesmo sem internet. Ter o histórico de aplicações e o planejamento das podas centralizado facilita a tomada de decisão e ajuda a garantir que a produtividade supere as 25 toneladas por hectare com maior eficiência operacional.

Vamos lá?

Experimente o Aegro gratuitamente para profissionalizar a gestão da sua fazenda, desde o controle de custos até o monitoramento da lavoura – acesse aqui e comece agora.

Perguntas Frequentes

Por que o uso de gesso agrícola é tão recomendado para o cultivo de manga?

Enquanto o calcário corrige a acidez da superfície, o gesso é fundamental porque consegue descer no perfil do solo, levando cálcio para as raízes mais profundas. Isso é essencial para a manga, pois garante que a planta desenvolva um sistema radicular forte e produza frutos sem o temido colapso interno da polpa, mantendo a qualidade comercial.

O que acontece se eu realizar a poda em ramos que ainda estão verdes?

Realizar a poda em ramos verdes é um erro comum que atrasa o ciclo da planta e resulta em brotações muito fracas. O ideal é esperar o ramo lignificar, ou seja, tornar-se maduro e lenhoso, para garantir que a planta tenha energia suficiente para sustentar a próxima floração e suportar o peso dos frutos.

Como ajustar a dose de Paclobutrazol (PBZ) após o primeiro ano de aplicação?

Como o PBZ deixa resíduos ativos no solo, a dosagem no segundo ano deve ser reduzida para cerca de 50% a 70% da dose inicial. O excesso desse regulador de crescimento pode ’encruar’ a mangueira, resultando em panículas florais extremamente compactas e travando o desenvolvimento vegetativo da planta.

Qual é a importância do monitoramento do índice MAD para quem deseja exportar?

O índice MAD (Moscas por Armadilha por Dia) é o principal termômetro para o controle da mosca-das-frutas, uma praga que pode barrar a exportação de toda uma carga. Se o índice ultrapassar 0,5, o produtor deve agir imediatamente com iscas tóxicas e limpeza do pomar, pois mercados internacionais têm tolerância zero para a presença de larvas nos frutos.

Por que é necessário colher a manga com o cabinho (pedúnculo) longo?

Colher com o cabo de 10 a 15 cm evita que o látex (o ’leite’ da manga) escorra e queime a casca do fruto, o que causaria manchas pretas irreversíveis e desvalorização comercial. O corte definitivo só deve ser feito no galpão, preferencialmente dentro de uma solução neutralizante, para garantir que a fruta chegue limpa ao consumidor.

Qual a diferença entre colher a manga no estádio 1 e no estádio 2?

Frutos colhidos no estádio 1 estão verdes demais e não possuem reservas de amido suficientes para completar o amadurecimento, resultando em polpa sem sabor e casca murcha. O ideal para o mercado é colher no estádio 2 (‘ponto de vez’), quando a polpa começa a amarelar internamente, garantindo que a manga amadureça com doçura e firmeza ideais.

Artigos Relevantes

  • Gessagem: O Guia Completo para Melhorar seu Solo em Profundidade: Este artigo aprofunda o conceito de gessagem mencionado no texto principal, detalhando como o gesso atua na neutralização do alumínio e no fornecimento de cálcio em profundidade. Ele é essencial para o produtor de manga que deseja evitar o colapso interno do fruto, garantindo que as raízes profundas tenham acesso aos nutrientes descritos no manejo.
  • Calagem: Como Fazer, Quando Aplicar e Doses: Complementa a seção inicial sobre correção do solo, fornecendo os critérios técnicos para escolha do calcário e cálculo de doses para elevar a saturação por bases (V%). Como o artigo principal foca na manga, este guia oferece a base teórica necessária para atingir os 60% de saturação recomendados para a cultura.
  • Análise de Solo: O Guia Completo para Coleta, Interpretação e Manejo: O texto principal afirma que a análise de solo é o ‘ponto de partida’ e este artigo serve como o guia prático para realizar essa tarefa. Ele expande a explicação sobre a amostragem em diferentes profundidades (0-20 e 20-40 cm), garantindo que o produtor não cometa erros na coleta que invalidariam o planejamento da safra de manga.
  • Solo Arenoso: Características, Manejo e Correção: Considerando o alerta do artigo principal sobre os solos arenosos do semiárido (onde se concentra grande parte da produção de manga), este conteúdo explica as características físicas desse solo. Ele ajuda o produtor a entender por que a retenção de nutrientes é baixa e como adaptar a fertirrigação para evitar a lixiviação de fertilizantes caros.
  • Análise Química do Solo: O Guia Essencial para Aumentar sua Produtividade: Este artigo conecta-se diretamente à parte de adubação NPK e micronutrientes, detalhando como interpretar os níveis de fósforo, potássio e micronutrientes. Ele oferece o embasamento técnico para o produtor decidir entre o adubo granulado ou a fertirrigação, baseando-se na disponibilidade química real do solo mencionada no manejo da manga.