Índice
- Até Quando Vale a Pena Manter a Vaca no Pasto?
- O Intervalo Entre Partos Está “Comendo” Seu Lucro?
- Como Fazer a Estação de Monta Funcionar na Prática?
- O Desafio das Novilhas de Primeira Cria
- IATF e Diagnóstico: Tecnologia que Paga a Conta?
- Abortos e Doenças: O Inimigo Invisível
- Glossário
- Como o Aegro ajuda você a transformar dados em bezerros no bolso
- Vamos lá?
- Perguntas Frequentes
- Qual é a idade limite recomendada para manter uma vaca no rebanho de cria?
- Como saber o momento exato de iniciar a estação de monta?
- Por que o intervalo entre partos longo é considerado um prejuízo para o produtor?
- Como garantir que as novilhas de primeira cria emprenhem novamente?
- Vale a pena investir em IATF mesmo não sendo criador de gado de elite?
- O que a retenção de placenta em várias vacas pode indicar?
- Qual a importância do diagnóstico de gestação precoce para o lucro da fazenda?
- Artigos Relevantes
Até Quando Vale a Pena Manter a Vaca no Pasto?
Você já olhou para aquela vaca mais velha no rebanho e se perguntou se ela ainda paga a conta ou se só está comendo capim de graça? Essa é uma dúvida dura, mas necessária para quem gere fazenda e não instituição de caridade.
No campo, a conta é simples: vaca boa é vaca que dá bezerro. No cenário do Pantanal, por exemplo, onde o sistema é bruto e extensivo, a recomendação técnica é direta: a “validade” da vaca vai até os 14 ou 15 anos.
Como a primeira cria costuma demorar um pouco mais nessas condições, a vida produtiva dela é de cerca de 10 anos. Nesse tempo, se tudo correr bem, ela vai te entregar de 6 a 7 bezerros.
O segredo aqui é o descarte estratégico:
- Por idade: Passou dos 15 anos? É hora de separar, engordar e vender.
- Por produção: Vaca que não emprenha e não desmama bezerro é prejuízo.
O Intervalo Entre Partos Está “Comendo” Seu Lucro?
Seu João, um produtor experiente, costuma dizer: “Vaca em férias longas é prejuízo certo”. E ele tem razão. O intervalo entre partos no sistema extensivo pode ser assustadoramente longo, variando de 585 a 660 dias em média. Isso é quase dois anos para um bezerro!
Por que isso acontece? Geralmente é um ciclo vicioso de nutrição ruim e saúde fraca. Mas tem jeito de melhorar. A prática mostra que encurtar esse tempo depende de três ações principais no manejo:
- Recria caprichada: Selecione as novilhas que crescem mais rápido.
- Estação de monta: Não deixe o touro solto o ano todo (falaremos disso já já).
- Desmama certa: Desmamar aos 6 meses alivia a vaca e ajuda ela a pegar cria de novo mais rápido.
Como Fazer a Estação de Monta Funcionar na Prática?
Muitos produtores ainda têm receio de tirar o touro do rebanho e “perder bezerro”. Mas a verdade é o contrário: quem organiza a monta, colhe mais. A estação de monta nada mais é do que definir a data certa para colocar a vacada com o touro.
Qual a melhor época? Não existe data fixa no calendário, quem manda é a chuva. O ideal é começar a estação cerca de 20 dias após a primeira chuva boa (aquela de 70 a 100 mm). É quando o capim rebrota, a proteína sobe e a vaca ganha força para ciclar.
Passo a passo para implantar sem medo:
- Primeiro ano: Faça uma estação longa, de 7 meses. Veja quando nascem mais bezerros na sua fazenda, volte 9 meses e meio no calendário (290 dias) e comece a estação 3 meses antes dessa data.
- Anos seguintes: Vá reduzindo 1 mês por ano.
- Meta final: Estabilizar a estação em 4 a 5 meses de duração.
Quem entra na estação?
- Novilhas: Precisam estar “lisas”, com as costelas cobertas. Peso ideal de 270 kg, mas se for recria em pasto cultivado, 230 kg bem nutridos já funcionam.
- Vacas: Olho vivo na condição corporal. Vaca “sentida”, muito magra, deve ser separada. Vaca gorda demais também é problema (a gordura atrapalha o ovário).
O Desafio das Novilhas de Primeira Cria
Aqui mora um dos maiores gargalos da pecuária de cria. A novilha emprenha a primeira vez, pare, mas depois não pega cria no ano seguinte. A taxa de reconcepção cai lá embaixo.
Isso acontece porque ela ainda está crescendo, tem que produzir leite e ainda se recuperar do parto. É muita demanda para o corpo dela.
Como resolver isso no campo?
- Pasto exclusivo: As primíparas (novilhas de primeira cria) não podem competir com vacas velhas. Dê a elas uma invernada separada e de melhor qualidade.
- Suplementação: Se possível, use um proteico-energético logo após a desmama.
- Genética: Use touros com DEP negativa para idade da primeira cria. Filhas de vacas precoces tendem a ser precoces também.
IATF e Diagnóstico: Tecnologia que Paga a Conta?
“Doutor, inseminação não é coisa só para gado de elite?” Essa pergunta é comum. A resposta é: não mais. A IATF (Inseminação Artificial em Tempo Fixo) virou ferramenta de produção em massa, inclusive no Pantanal.
Vantagens direto ao ponto:
- Você insemina 200 vacas num dia só.
- Não precisa ficar campeando cio no meio do mato.
- Usa sêmen de touro provado, melhorando a bezerrada.
- Ajuda a vaca que não está ciclando (em anestro) a “pegar no tranco”.
O custo varia (geralmente entre ¼ e ½ arroba por animal, dependendo do protocolo), mas o retorno vem na padronização dos bezerros e na concentração dos nascimentos.
E o diagnóstico de gestação? Não é só para saber quem está prenhe. É para saber quem não está. Fazer o toque (após 60 dias da estação) ou ultrassom serve para limpar o rebanho. Vaca vazia come o lucro da prenhe.
Abortos e Doenças: O Inimigo Invisível
Você roda o pasto e acha que está tudo bem, mas a taxa de natalidade fecha em 50%. Onde foram parar os outros bezerros?
Muitas vezes, o problema é sanitário. Estima-se que a taxa de aborto possa chegar a 10%, mas como o pasto é grande, a gente nem vê o feto.
Sinais de alerta para o peão:
- Vaca com retenção de placenta (o “pássaro” não caiu).
- Vaca solteira com útero para fora ou bicheira na região vaginal.
- Vaca gorda que nunca aparece com bezerro ao pé.
Causas comuns: Brucelose, Leptospirose, IBR/BVD e até deficiência de minerais.
O que fazer se achar um feto? Nunca jogue fora. Coloque em um saco limpo, refrigere (NÃO CONGELE) e mande para o laboratório junto com sangue da vaca. É o único jeito de saber se você tem uma doença comendo seu rebanho por dentro.
⚠️ ATENÇÃO COM A PLACENTA: Se a vaca reteve a placenta, cuidado ao puxar. O ideal é medicar com antibiótico. Se muitas vacas tiverem isso, desconfie da qualidade do seu sal mineral (falta de cálcio) ou de doenças como brucelose.
Manejo nas Águas e na Seca
Para fechar, o manejo básico de quem conhece a terra:
- Na Cheia: Lotação leve. Se a água subir muito, tire o gado. Não adianta teimar com a natureza.
- Na Seca: Use as áreas mais baixas (vazantes) que seguram o verde por mais tempo. E garanta água de qualidade. Gado com sede não come e não emprenha.
Glossário
Intervalo entre Partos (IEP): Período de tempo decorrido entre dois partos consecutivos de uma mesma vaca. É um dos principais indicadores de eficiência reprodutiva, sendo o ideal para o produtor aproximar esse índice de 12 meses.
Estação de Monta: Período do ano em que as fêmeas são expostas ao touro ou submetidas à inseminação. Serve para concentrar os nascimentos e as desmamas na época de melhor oferta nutricional do pasto.
Primíparas: Categoria de fêmeas bovinas que pariram pela primeira vez e estão em sua primeira lactação. Exigem atenção especial pois ainda estão em crescimento, o que gera um alto desafio metabólico para voltarem a emprenhar.
IATF (Inseminação Artificial em Tempo Fixo): Protocolo que utiliza hormônios para sincronizar a ovulação das vacas, permitindo inseminá-las em um horário agendado. Elimina a necessidade de observação de cio e ajuda a induzir a ciclicidade em vacas com dificuldade de emprenhar.
DEP (Diferença Esperada na Progênie): Indicador genético que estima o potencial de um reprodutor em transmitir características produtivas aos seus filhos. É essencial para selecionar touros que melhorem a precocidade e o peso dos bezerros do rebanho.
Anestro: Estado fisiológico em que a vaca para de apresentar o cio e não ovula, geralmente causado por nutrição deficiente ou estresse pós-parto. É o principal motivo de baixas taxas de prenhez em sistemas extensivos.
Escore de Condição Corporal (ECC): Avaliação visual e prática do estado de gordura e musculatura do animal. Serve para o produtor monitorar se a nutrição está adequada para que a vaca tenha energia suficiente para a reprodução.
Como o Aegro ajuda você a transformar dados em bezerros no bolso
Para que o controle sugerido acima não se perca em anotações de papel ou na memória, o uso de um software de gestão como o Aegro facilita muito a vida no curral. Com ele, você registra o histórico de cada animal e as atividades de manejo diretamente pelo celular, permitindo identificar rapidamente quais vacas estão falhando na reconcepção e acompanhar o custo de cada bezerro desmamado. Essa organização garante que o descarte estratégico e o planejamento da estação de monta sejam feitos com base em números reais, trazendo muito mais segurança para a tomada de decisão.
Vamos lá?
Gerenciar um rebanho de cria exige precisão para que cada vaca pague sua conta e gere lucro de verdade. Experimente o Aegro gratuitamente para organizar sua produção e ter o controle total da produtividade da sua fazenda na palma da mão.
Perguntas Frequentes
Qual é a idade limite recomendada para manter uma vaca no rebanho de cria?
A recomendação técnica, especialmente em sistemas extensivos como o Pantanal, é que a ‘validade’ produtiva da vaca vá até os 14 ou 15 anos. Após esse período, o desgaste físico natural reduz a eficiência reprodutiva, tornando o descarte estratégico a melhor opção financeira para a fazenda.
Como saber o momento exato de iniciar a estação de monta?
O início da estação de monta deve ser guiado pelo clima: o ideal é começar cerca de 20 dias após a primeira chuva significativa (entre 70 e 100 mm). Esse intervalo permite que o pasto rebrote e ofereça a nutrição necessária para que a vaca recupere sua condição corporal e entre no cio com mais facilidade.
Por que o intervalo entre partos longo é considerado um prejuízo para o produtor?
Um intervalo muito longo, que pode chegar a quase dois anos em sistemas precários, significa que a vaca está consumindo recursos sem entregar um produto. O objetivo da pecuária lucrativa é buscar um bezerro por vaca ao ano, otimizando o uso do pasto e aumentando o número de bezerros desmamados para venda.
Como garantir que as novilhas de primeira cria emprenhem novamente?
As primíparas devem ser tratadas como categoria VIP, recebendo pastos exclusivos e suplementação proteico-energética para evitar a competição com vacas adultas. Como elas ainda estão crescendo e amamentando, precisam de um aporte nutricional superior para que o corpo consiga priorizar uma nova gestação.
Vale a pena investir em IATF mesmo não sendo criador de gado de elite?
Sim, a IATF é uma ferramenta de produtividade que se paga através da padronização dos lotes e da melhoria genética dos bezerros de corte. Além disso, ela ajuda a tirar vacas do anestro (sem cio), aumentando a taxa de prenhez geral do rebanho e concentrando os nascimentos em períodos mais favoráveis.
O que a retenção de placenta em várias vacas pode indicar?
A retenção frequente de placenta pode ser um sinal de alerta para deficiências minerais, como a falta de cálcio, ou a presença de doenças infecciosas, como a brucelose. É fundamental revisar a qualidade do sal mineral oferecido e realizar exames sanitários para evitar que o problema evolua para abortos no rebanho.
Qual a importância do diagnóstico de gestação precoce para o lucro da fazenda?
O diagnóstico via toque ou ultrassom serve principalmente para identificar precocemente as ‘vacas vazias’, que consomem pasto sem gerar retorno. Ao identificar esses animais logo após a estação de monta, o produtor pode decidir pelo descarte ou venda, liberando espaço e recursos para as vacas que realmente trarão bezerros.
Artigos Relevantes
- Fazenda Quatro Maravilhas: Melhorando a Fazenda na Amazônia com Plantação, Gado e o Aegro: Este artigo complementa perfeitamente o conteúdo principal ao apresentar um caso real de pecuária em regiões de fronteira agrícola, similar ao contexto do Pantanal citado. Ele oferece uma visão prática de como a Integração Lavoura-Pecuária pode melhorar a nutrição do rebanho, atacando diretamente o problema do intervalo entre partos mencionado no texto principal.
- Fazenda Schangri-lá: Mais Lucro e Controle com a Ajuda de George Vital e do Programa Aegro: Ele expande a discussão sobre o ‘bezerro que paga a conta’ ao detalhar como uma gestão financeira rigorosa e o controle de custos transformam a produtividade biológica em lucro real. É essencial para o produtor que deseja aplicar o descarte estratégico baseado não apenas na idade, mas na rentabilidade de cada animal.
- Fazenda Mognon: Mais Controle e Lucro na Fazenda com o Aegro: Este artigo aborda a transição da desorganização para o uso de dados, validando a recomendação do texto principal sobre a importância de não confiar apenas na memória ou em anotações de papel. Ele demonstra como o controle de estoque e custos permite decisões mais seguras sobre investimentos em tecnologias como a IATF.
- 5G no Campo: Como a Primeira Antena Rural no Brasil Está Mudando o Agronegócio: Como o texto principal enfatiza o uso do software Aegro no curral e tecnologias como IATF e diagnóstico precoce, este artigo oferece a base tecnológica necessária. Ele explica como a conectividade no campo viabiliza o monitoramento em tempo real do rebanho, algo fundamental para o manejo de precisão em fazendas extensivas.
- Fazenda AgroQuiste: Como o Aegro Ajudou a Transformar Informação em Lucro: Este conteúdo foca na transformação de planilhas e dados dispersos em informação estratégica para o lucro. Ele conecta-se à seção final do artigo principal, mostrando na prática como a organização sugerida resulta na identificação de gargalos produtivos e na otimização da taxa de desmame.

![Imagem de destaque do artigo: Descarte de Vacas de Corte: 7 Dicas para Lucrar Mais [2025]](/images/blog/geradas/manejo-vacas-corte-descarte-estrategico.webp)