Qual o híbrido de milho mais plantado do Brasil? A pergunta parece simples. A resposta é mais complicada do que qualquer lista de revendedora sugere. A Aegro mapeou 1.018 fazendas e 774,6 mil hectares de milho com semeadura em 2026 em seis estados — MT, MS, GO, MG, PR e SP — e dentro desse universo identificou a variedade semeada em 485 safras, cobrindo 279,9 mil hectares. O dado não veio de catálogo. Veio da operação de semeadura registrada no campo, por produtores que usam gestão digital.
O resultado mostrou duas verdades que convivem: o mercado é radicalmente pulverizado no nível do híbrido e, ao mesmo tempo, muito concentrado no nível das empresas. E, no final, o ranking de popularidade pode não ter nada a ver com o ranking de produtividade.
Boa leitura!
Índice
- O que os dados cobrem
- Panorama nacional: área vs. presença
- Estado a estado: cada fronteira, seu campeão
- Comportamento, fornecedores e dispersão
- O mais plantado é o mais produtivo?
- Nota metodológica
- Veja como o Aegro pode ajudar
- Perguntas frequentes
O que os dados cobrem
Os seis estados cobertos — MT, MS, GO, MG, PR e SP — respondem por parcela expressiva da produção nacional de milho safrinha. Dentro desse grupo, a variedade foi identificada em 485 safras e 416 fazendas. A representação por estado vai de cerca de 32% das fazendas em MT a aproximadamente 60% em SP.
Uma ressalva antes de qualquer conclusão: a base tende a refletir produtores que já usam gestão digital. Pode diferir do universo total de cada estado.
Panorama nacional: área vs. presença
Há duas formas de perguntar “qual o mais plantado”: por área (quantos hectares) e por presença (em quantas fazendas aparece). As respostas são diferentes. Juntas, contam a história.
Top 5 por área plantada
| Variedade | Fornecedor | % da área | Presença nas fazendas |
|---|---|---|---|
| P3707 | Pioneer (Corteva) | 5,7% | 5,8% |
| DKB 360 | Dekalb (Bayer) | 4,7% | 14,7% |
| MG 540 | Morgan (Longping) | 4,1% | 13,2% |
| AG 8701 | Agroceres (Bayer) | 3,7% | 21,6% |
| KWS 7510 | KWS | 3,5% | 4,6% |
Fonte: Aegro Insights — base de semeadura, safrinha 2026 (6 estados).
Top 5 por presença nas fazendas
| Variedade | Fornecedor | Presença nas fazendas | % da área |
|---|---|---|---|
| AG 8701 | Agroceres (Bayer) | 21,6% | 3,7% |
| DKB 360 | Dekalb (Bayer) | 14,7% | 4,7% |
| MG 540 | Morgan (Longping) | 13,2% | 4,1% |
| B2702 | Brevant (Corteva) | 11,8% | 3,5% |
| NK 501 | Syngenta | 11,5% | 2,3% |
Fonte: Aegro Insights — base de semeadura, safrinha 2026 (6 estados).
O que os dois rankings revelam juntos
Os cinco maiores por área somam apenas 21,7% do total. Nenhum híbrido isolado passa de 6%. Os outros 78% se distribuem por dezenas de materiais.
Os dois rankings quase não se conversam. Só três híbridos aparecem nas duas listas: DKB 360, MG 540 e AG 8701. O P3707 e o KWS 7510 vendem área, não presença — concentram muito hectare em poucas fazendas grandes. O B2702 e o NK 501 vendem presença, não área — estão em muitas fazendas de porte menor. O AG 8701 é a exceção que faz as duas coisas.
Estado a estado: cada fronteira, seu campeão
Quando os dados são filtrados por estado, o padrão nacional se dissolve. Cada região tem o seu próprio líder.
Mato Grosso: P3707 no maior mercado
MT é o maior mercado do levantamento: 105,5 mil hectares e 80 fazendas com variedade identificada.
| Variedade | Fornecedor | % da área | Presença |
|---|---|---|---|
| P3707 | Pioneer | 13,7% | 25,0% |
| KWS 7510 | KWS | 5,7% | 8,8% |
| AG 8480 | Agroceres | 5,2% | 12,5% |
| MG 447 | Morgan | 5,1% | 17,5% |
| AS 1868 | Agroeste | 4,4% | 18,8% |
| Demais variedades | — | 65,9% | — |
Fonte: Aegro Insights — base de semeadura, safrinha 2026.
O P3707 lidera em MT com 13,7% da área e 25% das fazendas — bem acima do que faz no consolidado nacional. A Forseed, players regionais como Morgan e Agroeste aparecem com presença relevante no estado.
Mato Grosso do Sul: Brevant na ponta
60,0 mil hectares e 53 fazendas identificadas em MS.
| Variedade | Fornecedor | % da área | Presença |
|---|---|---|---|
| B2702 | Brevant | 11,5% | 41,5% |
| DKB 255 | Dekalb | 8,6% | 20,8% |
| Supremo | Syngenta | 5,1% | 13,2% |
| NK 501 | Syngenta | 4,6% | 20,8% |
| B2701 | Brevant | 3,7% | 11,3% |
| Demais variedades | — | 66,5% | — |
Fonte: Aegro Insights — base de semeadura, safrinha 2026.
O B2702 está em 41,5% das fazendas de MS. É a segunda maior adoção de um único híbrido no levantamento. Syngenta aparece duas vezes no top 5 via NK 501 e Supremo.
Goiás: território Pioneer
54,0 mil hectares e 75 fazendas mapeadas em GO.
| Variedade | Fornecedor | % da área | Presença |
|---|---|---|---|
| P3898 | Pioneer | 11,7% | 22,7% |
| DKB 360 | Dekalb | 8,8% | 13,3% |
| P3808 | Pioneer | 4,3% | 6,7% |
| P3889 | Pioneer | 3,8% | 9,3% |
| AS 1868 | Agroeste | 3,6% | 13,3% |
| Demais variedades | — | 67,8% | — |
Fonte: Aegro Insights — base de semeadura, safrinha 2026.
Três dos cinco mais plantados em GO são Pioneer. O estado é também o mais disperso do levantamento: o top 5 captura apenas 32% da área — o menor índice de concentração entre todos os estados.
Minas Gerais: Agroceres lidera
16,6 mil hectares e 55 fazendas em MG.
| Variedade | Fornecedor | % da área | Presença |
|---|---|---|---|
| AG 8701 | Agroceres | 18,6% | 29,1% |
| DKB 358 | Dekalb | 11,0% | 18,2% |
| MG 540 | Morgan | 7,0% | 18,2% |
| AS 1820 | Agroeste | 6,5% | 10,9% |
| NK 501 | Syngenta | 5,3% | 20,0% |
| Demais variedades | — | 51,6% | — |
Fonte: Aegro Insights — base de semeadura, safrinha 2026.
O AG 8701 domina em MG com 18,6% da área e quase 30% das fazendas. Com 51,6% restantes para “demais variedades”, MG tem concentração intermediária.
Paraná: Dekalb concentra o topo
32,7 mil hectares e 108 fazendas em PR — a maior base de fazendas do levantamento.
| Variedade | Fornecedor | % da área | Presença |
|---|---|---|---|
| DKB 260 | Dekalb | 10,7% | 17,6% |
| DKB 255 | Dekalb | 10,5% | 9,3% |
| AS 1800 | Agroeste | 7,3% | 20,4% |
| DKB 360 | Dekalb | 6,9% | 21,3% |
| B2702 | Brevant | 6,7% | 20,4% |
| Demais variedades | — | 57,9% | — |
Fonte: Aegro Insights — base de semeadura, safrinha 2026.
PR tem o líder mais fraco do levantamento: o DKB 260 com apenas 10,7%. Mas três híbridos Dekalb aparecem no top 5 — e os materiais são mais precoces (DKB 255/260/358 vs. DKB 360 predominante no Cerrado). Isso não é coincidência. É a janela de plantio do Sul/Sudeste pedindo ciclos diferentes dos do Cerrado.
São Paulo: o mercado mais concentrado
11,2 mil hectares e 45 fazendas mapeadas em SP.
| Variedade | Fornecedor | % da área | Presença |
|---|---|---|---|
| AG 8701 | Agroceres | 28,1% | 48,9% |
| MG 540 | Morgan | 17,2% | 8,9% |
| MG 593 | Morgan | 4,5% | 15,6% |
| DKB 358 | Dekalb | 3,7% | 13,3% |
| MG 616 | Morgan | 2,7% | 8,9% |
| Demais variedades | — | 43,8% | — |
Fonte: Aegro Insights — base de semeadura, safrinha 2026.
SP é o mercado mais concentrado do levantamento. O AG 8701 está em quase metade das fazendas paulistas (48,9%) e ocupa mais de 1/4 da área. É a maior dominância de um único híbrido em qualquer estado do estudo. Morgan aparece três vezes no top 5, com forte posição regional.
Comportamento, fornecedores e dispersão
Pulverizado no híbrido, concentrado na empresa
No nível do híbrido, o mercado é fragmentado. O líder nacional não passa de 6%. Mas no nível das empresas detentoras, três grupos concentram quase dois terços da área:
| Grupo | % da área |
|---|---|
| Bayer (Dekalb + Agroceres + Agroeste) | 27,1% |
| Corteva (Pioneer + Brevant) | 24,5% |
| Syngenta (NK + Nidera + Supremo) | 13,6% |
| Demais (Morgan, KWS, Forseed, Limagrain e outros) | 34,8% |
Fonte: Aegro Insights — base de semeadura, safrinha 2026.
Bayer, Corteva e Syngenta somam 65,2% da área. O restante vai para players como Morgan/Longping, KWS e regionais como Forseed.
Dois modelos comerciais no mesmo mercado
Pioneer lidera em área (15,9% da base) com 356 hectares por fazenda. Agroceres tem a maior presença (34% das fazendas), mas com 182 hectares por fazenda — metade do ticket de área da Pioneer. Syngenta, somando NK, Nidera e Supremo, aparece em mais propriedades (31,5%).
Uma vende volume concentrado em grandes áreas. A outra vende capilaridade em fazendas menores. São estratégias diferentes, não um vencedor e um perdedor.
O ciclo decide antes da marca
A Dekalb ilustra bem o ponto: DKB 360 domina no Cerrado (GO e MT, safrinha com janela mais longa) e os DKB 255/260/358 aparecem no Sul/Sudeste (mais precoces, janela de plantio mais curta). O número do híbrido carrega a história agronômica. O produtor escolhe o ciclo antes de escolher a marca.
Regionais resistem
Forseed tem forte posição em MT e MS. Morgan/Longping domina em SP. Agromen e Tevo aparecem no Centro-Oeste. Há espaço para portfólio regional bem posicionado, em geral com preço mais competitivo que os grandes grupos.
O mais plantado é o mais produtivo?
Aqui está o problema com tudo que você acabou de ler.
Um híbrido vira “o mais plantado” por motivos que têm pouco a ver com produtividade. Preço de bag, bonificação da revendedora, hábito, disponibilidade no balcão, indicação do vizinho. O ranking de área é um ranking de decisão de compra, não de resultado na lavoura.
Quando a colheita entrar, a Aegro vai cruzar esses mesmos 280 mil hectares com a produtividade real (sc/ha) e montar o ranking que nenhum catálogo entrega: o de resultado, não o de popularidade. Esse ranking pode bagunçar bastante o pódio atual.
O mais plantado do Brasil pode não ser o mais produtivo na sua região. E seguir o lançamento da moda é apostar no que vende, não no que performou.
Leia sobre: Como calcular o custo de produção do milho safrinha | Milho safrinha: guia completo para o plantio e manejo da 2ª safra
Nota metodológica
Veja como o Aegro pode ajudar
Saber qual híbrido foi mais plantado na sua região é o primeiro passo. O segundo é cruzar essa escolha com o resultado real: quanto cada variedade produziu por hectare na sua fazenda, qual foi o custo por saca e qual a margem que ficou no final da safra.
No Aegro, você registra a semeadura com a variedade, a área do talhão e o insumo usado. Quando a colheita entrar, o sistema cruza automaticamente produção e custo, talhão por talhão. Você vê qual híbrido entregou mais resultado para você, com dado da sua própria lavoura, não do catálogo.
Teste o Aegro de graça e veja os números da sua fazenda em tempo real.
Perguntas frequentes
Qual o híbrido de milho mais plantado do Brasil na safrinha 2026?
Pelo levantamento da Aegro com 280 mil hectares identificados em seis estados, o P3707 da Pioneer (Corteva) lidera em área com 5,7% do total. Por presença nas fazendas, o AG 8701 da Agroceres (Bayer) é o líder, aparecendo em 21,6% das propriedades. Nenhum híbrido isolado passa de 6% da área nacional, o que mostra o quanto o mercado é pulverizado no nível da variedade.
Por que o ranking por área e o ranking por presença de fazendas são tão diferentes?
Porque refletem estratégias distintas. Híbridos como P3707 e KWS 7510 concentram muito hectare em poucas fazendas grandes — vendem área. Já B2702 e NK 501 estão em muitas propriedades de porte menor — vendem presença. O AG 8701 é o único que faz bem as duas coisas: está entre os cinco em área e lidera em presença.
O híbrido mais plantado no meu estado é o mais indicado para a minha fazenda?
Não necessariamente. O ranking de área reflete decisão de compra (preço de bag, disponibilidade, indicação de revendedora), não resultado agronômico confirmado. O ciclo do híbrido, a adaptação à sua região e o histórico de produtividade na sua lavoura têm muito mais peso do que a popularidade regional. A Aegro publicará o ranking de produtividade real quando a colheita fechar.
Por que o Paraná tem híbridos mais precoces no topo do ranking?
A janela de plantio da safrinha no Sul/Sudeste é mais curta do que no Cerrado. O PR precisa de ciclos mais precoces (DKB 255/260 vs. DKB 360 dominante em GO e MT) para fechar o ciclo antes das temperaturas mais frias. O número do híbrido carrega essa informação agronômica — e o produtor decide o ciclo antes de decidir a marca.
Quais empresas dominam o mercado de sementes de milho safrinha?
Três grupos concentram 65,2% da área levantada: Bayer (Dekalb + Agroceres + Agroeste) com 27,1%, Corteva (Pioneer + Brevant) com 24,5% e Syngenta (NK + Nidera + Supremo) com 13,6%. Os 34,8% restantes ficam com players como Morgan/Longping, KWS, Forseed e regionais — que resistem bem em nichos específicos por estado.
Quando sai o ranking de produtividade por híbrido?
A Aegro vai cruzar os mesmos 280 mil hectares com a produtividade real (sc/ha) assim que a colheita da safrinha 2026 fechar. Será o ranking de resultado, não de popularidade — e pode mudar bastante o pódio atual. Acompanhe o Aegro Insights para ser notificado quando sair.

