Aproveitamento do Maracujá: Guia Prático para Lucro [2025]

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Índice

Você está deixando dinheiro no chão? Entenda o uso múltiplo do maracujá

Sabe aquela sensação de que a conta não fecha no final da safra porque o custo de produção subiu demais? Pois é. Muitos produtores focam apenas na polpa do maracujá e jogam fora cascas, sementes e folhas. Na prática, você pode estar jogando lucro no lixo.

Aqui entre nós, produtor: o uso múltiplo nada mais é do que aproveitar a planta inteira. Além do suco que todo mundo conhece, o maracujá serve para fazer remédios (fitoterápicos), artesanato, cosméticos e até ração animal.

Com a população crescendo e a terra ficando cara, quem diversifica sai na frente. Você consegue tirar mais produtos do mesmo hectare e aumenta a renda da propriedade sem precisar plantar mais. Vamos ver como isso funciona no dia a dia.


O que dá para aproveitar do Maracujá-Azedo?

Você já olhou para a pilha de resíduos depois de despolpar a fruta e pensou no que fazer com aquilo? A maioria vê lixo, mas a indústria vê matéria-prima.

No caso do maracujá-azedo, o aproveitamento vai muito além da polpa para sucos e doces. Veja o que o mercado procura:

  • Folhas: Usadas pela indústria de alimentos para chás e pela farmacêutica para remédios calmantes e cosméticos.
  • Sementes: Servem para alimentação humana e animal. O óleo extraído delas é valioso para cosméticos e produtos medicinais. Até o resíduo da semente vira esfoliante em cremes.
  • Casca: A parte branca é rica em pectina (para dar ponto em geleias) e pode virar farinha rica em fibras.
  • Flores e Planta: Pela beleza, servem para paisagismo em caramanchões e cercas.

Como baratear a ração animal com sobras do maracujá?

O preço do milho e da soja apertou seu orçamento na criação? Uma saída inteligente é usar a casca e a semente na alimentação dos bichos.

O uso desses resíduos pode baratear o custo da silagem. Não é para dar só casca, mas sim substituir uma parte do volumoso. Veja os números práticos:

  • Ovinos (Carneiros): Em cordeiros confinados, você pode substituir até 75% do volumoso da silagem por casca e restos de sementes trituradas. Os animais continuam ganhando peso normalmente.
  • Bovinos e Frangos: Também aceitam bem a ração com resíduos. No caso dos frangos, estudos mostram que a produtividade se mantém e a qualidade da carne melhora, aumentando os teores de ômega 3 e 6 (bons para a saúde).

Passo a passo: Como fazer farinha da casca (sem erro)

Dona Maria, vizinha de cerca, tentou fazer farinha de casca para vender, mas perdeu o lote por contaminação. O segredo aqui não é a receita, é a higiene.

Para a alimentação humana, o processo exige cuidado dobrado para evitar bactérias. Se você quer produzir farinha ou extrair pectina, siga este roteiro:

  1. Pré-lavagem: Lave os frutos em água corrente para tirar a poeira da roça.
  2. Sanitização (O Pulo do Gato): Deixe os frutos de molho por 15 a 20 minutos em água com cloro.
    • A RECEITA: Para cada 100 litros de água, use 250 mL de hipoclorito de sódio (8%) ou 800 mL de água sanitária (sem cheiro).
  3. Enxágue: Lave bem em água corrente para tirar o cloro.
  4. Despolpa: Abra os frutos e tire a polpa.
  5. Fervura: Lave as cascas e ferva. Isso retira a pectina e tira o amargor da farinha.
  6. Secagem: Seque as cascas em estufa com ar forçado, entre 55°C e 60°C, por 4 a 5 dias.
  7. Moagem: Depois de bem secas, triture no liquidificador ou moinho até virar pó.

Existe mercado real para vender esses subprodutos?

Muitos produtores perguntam: “Mas seu Antônio, quem é que compra casca e folha?”. A resposta é: depende da qualidade e do volume.

  • Pectina da Casca: O mercado usa muito pectina de laranja e maçã. A do maracujá é uma ótima alternativa para pequenas agroindústrias de doces e geleias.
  • Sementes: Existe procura por indústrias de cosméticos (óleos e esfoliantes) e alimentos.
  • Folhas: O SUS e grandes farmacêuticas buscam matéria-prima para fitoterápicos (calmantes). Mas atenção: o cultivo precisa ser focado nisso, evitando agrotóxicos.

Conheça o BRS Pérola do Cerrado: O “Maracujá do Sono”

Você quer fugir do comum e apostar em um nicho? A cultivar BRS Pérola do Cerrado é uma opção interessante de uso múltiplo.

Diferente do azedo, a polpa dele é mais doce, menos ácida e varia do amarelo-pálido ao creme. Ele é muito nutritivo e conhecido popularmente como “maracujá do sono” por ajudar a relaxar.

O que dá para fazer com ele?

  • Fruto: Consumo in natura (fresco), sucos e pratos doces/salgados.
  • Ramas: São resistentes e servem para artesanato.
  • Ornamental: É uma planta linda. As flores são brancas, abrem à noite e fecham de manhã. Os frutos são verde-amarelados com listras, parecem um limão-tahiti.

Fica muito bonito em pérgolas, muros e cercas. Se conduzido em pérgolas, os frutos ficam pendurados, criando um visual incrível. Também aceita vasos grandes (60 Litros).


Glossário

Pectina: Polissacarídeo presente na parede celular de vegetais, especialmente abundante na casca do maracujá, que atua como agente gelificante. É amplamente utilizado pelas indústrias alimentícia e farmacêutica para dar consistência a geleias, doces e cosméticos.

Fitoterápicos: Medicamentos produzidos exclusivamente a partir de matérias-primas vegetais com eficácia e segurança comprovadas. Na cultura do maracujá, as folhas são a principal fonte de compostos para a fabricação de sedativos e calmantes naturais.

Silagem: Processo de conservação de forragem úmida por meio da fermentação anaeróbica, realizado em ambientes chamados silos. Permite que o produtor armazene o resíduo do maracujá para alimentar o rebanho durante períodos de escassez de pasto.

Volumoso: Tipo de alimento para animais caracterizado pelo alto teor de fibras e baixo valor energético por volume, como pastagens e silagens. Representa a parte da dieta que pode ser reduzida ou substituída por cascas e sementes de maracujá para baratear os custos de produção.

Cultivar: Termo técnico para designar uma variedade de planta que foi selecionada ou melhorada geneticamente para apresentar características específicas e estáveis. Exemplos como a BRS Pérola do Cerrado garantem ao produtor maior previsibilidade de safra e qualidade de fruto.

Fecundação Cruzada: Processo de reprodução onde o pólen de uma planta precisa fertilizar a flor de outra planta da mesma espécie, mas com genética diferente. No maracujazeiro, essa dinâmica é essencial para a formação de frutos, exigindo o manejo de polinizadores ou polinização manual.

Boas Práticas de Fabricação (BPF): Conjunto de normas e procedimentos higiênico-sanitários que garantem a segurança e a qualidade de produtos processados. São requisitos obrigatórios da ANVISA e do MAPA para qualquer produtor que deseje transformar resíduos em subprodutos para consumo humano.

Como gerenciar a diversificação e os custos na sua lavoura

Aproveitar o uso múltiplo do maracujá é uma excelente estratégia para aumentar a margem de lucro, mas exige organização para que a nova atividade não gere prejuízos inesperados. Ferramentas como o Aegro auxiliam o produtor a monitorar de perto os custos de produção, permitindo comparar o gasto com insumos tradicionais e a economia real ao utilizar subprodutos da lavoura. Isso garante que a diversificação seja, de fato, lucrativa e baseada em dados reais do seu fluxo de caixa.

Além disso, para quem busca atender mercados exigentes de cosméticos ou fármacos, a organização dos processos é essencial para garantir a padronização. O software da Aegro facilita o planejamento e o registro das atividades operacionais, ajudando a manter o controle sobre o manejo e a garantir que os padrões de higiene e qualidade sejam seguidos à risca. Com tudo centralizado em um aplicativo intuitivo, fica muito mais simples gerenciar a fazenda e focar no que realmente traz retorno para a propriedade.

Vamos lá?

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Perguntas Frequentes

Como o conceito de uso múltiplo do maracujá pode aumentar o lucro do produtor?

O uso múltiplo consiste em aproveitar a planta inteira — cascas, sementes e folhas — em vez de focar apenas na polpa. Ao transformar o que seria resíduo em matéria-prima para as indústrias farmacêutica, de cosméticos e de alimentação animal, o produtor diversifica suas fontes de receita e aumenta o rendimento por hectare sem precisar expandir a área plantada.

Quais são as vantagens de utilizar os resíduos do maracujá na alimentação animal?

A principal vantagem é a redução drástica nos custos com silagem e rações à base de milho e soja, que costumam ser caras. No caso de ovinos, é possível substituir até 75% do volumoso por cascas e sementes trituradas sem perda de ganho de peso, enquanto em frangos, essa prática melhora a qualidade da carne com maiores teores de ômega 3 e 6.

O que é fundamental para produzir a farinha da casca do maracujá com segurança?

O segredo está no rigor higiênico e no controle da temperatura de secagem. É obrigatório realizar a sanitização dos frutos com hipoclorito de sódio ou água sanitária antes da despolpa e garantir que a secagem das cascas ocorra em estufa entre 55°C e 60°C para evitar contaminações bacterianas e garantir um produto final seguro para o consumo humano.

Quais são as particularidades do cultivo da variedade BRS Pérola do Cerrado?

Diferente do maracujá-azedo comum, o Pérola do Cerrado tem polpa mais doce, flores que abrem à noite e grande potencial ornamental para paisagismo. Um ponto técnico crucial é que ele exige polinização cruzada, o que significa que o produtor deve plantar pelo menos duas plantas próximas para garantir que haja produção de frutos.

Existe um mercado real para as sementes e folhas da planta?

Sim, há uma demanda crescente de indústrias farmacêuticas para a fabricação de calmantes fitoterápicos a partir das folhas, e do setor de cosméticos para a extração de óleos das sementes. Sementes limpas para fins decorativos ou artesanais, por exemplo, podem alcançar valores elevados no mercado internacional, chegando a custar cerca de US$ 28,00 o quilo.

Como as ferramentas de gestão auxiliam na diversificação dos subprodutos do maracujá?

Softwares de gestão agrícola, como o Aegro, permitem que o produtor monitore com precisão a economia gerada ao substituir insumos tradicionais pelos subprodutos da própria lavoura. Além de organizar o fluxo de caixa, essas ferramentas ajudam a padronizar processos operacionais, garantindo que as exigências de qualidade e higiene de mercados mais rigorosos, como o de fármacos, sejam atendidas.

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