Condução do Maracujá: Espaldeira ou Latada? [Guia 2025]

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Índice

O Maracujá Precisa de Apoio? Entenda a Importância da Condução

Você já viu maracujá produzindo bem largado no chão? Provavelmente não. O maracujazeiro é uma planta trepadeira (semilenhosa). Na prática, isso significa que ela não se segura em pé sozinha.

Se você deixar a planta solta, vira uma confusão de ramos, a produção cai e as doenças tomam conta. Por isso, a estrutura de condução não é luxo, é ferramenta de trabalho. Ela garante que os ramos fiquem bem distribuídos, facilita a entrada de luz e, o mais importante: facilita a sua vida na hora de tratar e colher.

Vamos direto ao que interessa: como montar essa estrutura e como usar a tesoura para encher o bolso na colheita.


Espaldeira ou Latada: Qual Sistema Escolher para sua Lavoura?

Uma dúvida que sempre aparece na roda de conversa é: “Seu Antônio, qual sistema dá mais dinheiro: a cerca vertical ou aquele teto fechado?”. A resposta depende do seu bolso e da sua área.

Existem vários jeitos de conduzir: cercas, pérgulas, muros e até em outras árvores. Mas, para quem quer produzir de verdade, os dois campeões são a Espaldeira Vertical e a Latada.

1. Espaldeira Vertical (Cerca)

É o sistema mais usado e o mais barato. É como uma cerca com arames onde a planta sobe e os ramos caem como uma cortina.

  • Vantagens: É mais fácil de construir e muito melhor para trabalhar no dia a dia. Fazer adubação, aplicar remédio, podar e colher fica muito mais simples porque você anda livremente entre as linhas.

2. Latada (Caramanchão)

É aquele sistema que forma um “telhado” de ramas.

  • Vantagens: Ideal para áreas pequenas (chácaras e quintais). Protege melhor os frutos contra geadas (muito usado no Sul) e segura melhor o mato lá dentro. Se tiver bastante abelha mamangava na região, a produtividade pode ser maior.
  • O problema: Custa caro para fazer e manter. Se a latada for muito larga, consertar uma queda é um pesadelo.

Como Montar a Espaldeira Vertical (Passo a Passo)

Você já perdeu produtividade porque o vento derrubou sua estrutura no meio da safra? Isso acontece quando a gente economiza no mourão ou não estica o arame direito. Vamos fazer do jeito certo para durar.

O segredo aqui é firmeza e medidas certas:

  1. O Arame: Use um fio de arame liso galvanizado nº 12. Se ventar muito na sua região, use dois fios.
  2. Altura: O fio deve ficar entre 1,70 m e 2,0 m de altura, preso na ponta dos mourões.
  3. Mourões Fortes: Devem ser de madeira boa, colocados a cada 10 metros (no máximo).
  4. Estacas Intermediárias: Entre os mourões, para segurar o fio, use estacas de bambu ou madeira branca a cada 2,5 m ou 3,3 m. Finque elas uns 40 a 50 cm no chão.
  5. Comprimento da Linha: O ideal é fazer linhas de 100 m a 150 m. Mais que 250 m fica ruim de esticar.
  6. Esticadores: Nas pontas, os esticadores devem ser enterrados fundo (0,8 m a 1,0 m) e inclinados para fora.

Como Montar o Sistema de Latada sem Erro

Seu João, lá do interior de São Paulo, fez uma latada de 50 metros de largura. Quando precisou arrumar o arame do meio, teve que desmontar quase tudo. Não cometa esse erro.

Para fazer uma latada que funciona:

  • A Trama: Trance o arame formando quadrados de 50 cm.
  • Altura: Mantenha a 1,80 m do chão para passar trator pequeno e gente por baixo.
  • Mourões: Coloque a cada 5 metros.
  • Largura: Aqui está o pulo do gato. Não faça latadas gigantes. O recomendado é fazer módulos de no máximo 20 metros de largura. Minilatadas de 3 m a 5 m também funcionam muito bem e dão menos dor de cabeça.

Podas: Por Que Cortar se Eu Quero que Cresça?

Parece conversa de doido, mas é a pura verdade: para o maracujá produzir, você tem que cortar.

A fruta do maracujá só nasce em ramo novo. Se você não poda, a planta vira uma “moita” velha, cheia de praga e com pouca fruta. A poda força a planta a soltar brotos novos (secundários, terciários e quaternários). São esses ramos que formam a “cortina” onde vem a flor e o dinheiro.

Além disso, a poda abre a planta para o sol entrar e o ar circular, diminuindo a força das doenças.


A Primeira Poda (Formação): O Começo de Tudo

Sabe aquela pena de cortar a mudinha que acabou de pegar? Esqueça isso. A planta precisa de direção.

  1. Quando fazer: Cerca de 15 dias após o plantio.
  2. O que fazer: A muda vai soltar vários brotinhos laterais. Com uma tesoura, corte todos eles. Deixe apenas o ramo principal (a guia) subir forte. Repita isso a cada 15 dias.
  3. Subindo: Conduza essa guia com um barbante ou vara de bambu até o arame.
  4. Chegando no topo: Quando a ponta passar 10 cm do arame, corte a ponta (desponte). Prenda ela no arame com as gavinhas.

Depois desse corte no topo, a planta vai soltar brotos laterais lá em cima. Deixe apenas os dois mais fortes (um para cada lado do arame) e corte o resto. Esses serão seus braços principais.


Formando a Cortina Produtiva

Muita gente pergunta: “Dona Maria, até onde eu deixo esse braço crescer no arame?”.

O segredo é simples:

  1. Vá guiando os dois ramos sobre o arame, um para a direita, outro para a esquerda.
  2. Quando esse ramo atingir o comprimento de 1,0 m a 2,5 m (ou encontrar a planta vizinha), corte a ponta dele de novo.
  3. Isso vai forçar a planta a soltar os ramos para baixo (terciários).
  4. Esses ramos que descem formam a “cortina”. É neles que vai dar maracujá.

Poda de Renovação e Limpeza: Mantendo a Produção Alta

Na safra passada, você notou que os frutos começaram a dar muito perto do chão e ficaram menores? Isso é sinal de que faltou a poda de renovação.

Poda de Renovação (Cortina)

Os ramos que desceram (a cortina) crescem até encostar no chão. Isso é ruim porque pega doença do solo.

  • Quando: Após o pico da safra, quando os ramos estiverem tocando o chão. Nunca faça isso no pico da floração ou produção.
  • Como: Corte os ramos da cortina a mais ou menos 30 cm (0,3 m) do chão.
  • Resultado: A planta solta ramos novos (quaternários), que não tocam o chão e produzem com força total.

Poda de Limpeza

  • Quando: Na entressafra.
  • Como: Tire tudo que é ramo seco, doente ou praguejado.
  • Custo: Dá trabalho e gasta mão de obra, então faça as contas se vale a pena na sua propriedade.

Cuidados Finais e Alertar Importantes

Não adianta nada fazer a poda perfeita e deixar a ferida aberta para fungo entrar. O tratamento pós-poda é lei.

Logo depois de passar a tesoura na renovação ou limpeza:

  1. Aplique um fungicida à base de cobre, mancozeb ou triazóis registrados para maracujá.
  2. Repita a aplicação depois de 10 dias.

⚠️ ALERTA FINAL: A poda não faz milagre em planta moribunda. Se o seu pomar está muito debilitado, fraco e doente, a tesoura não vai resolver. Nesse caso, o recomendado é arrancar e fazer a renovação completa do pomar. Não gaste vela com defunto ruim.


Glossário

Planta Semilenhosa: Refere-se ao tipo de caule que possui consistência intermediária, não sendo totalmente verde nem totalmente lenhoso. No maracujazeiro, essa característica exige o uso de suportes, pois a planta não tem estrutura rígida para se sustentar sozinha.

Espaldeira Vertical: Sistema de condução que utiliza mourões e fios de arame esticados para formar uma estrutura semelhante a uma cerca. É o método mais comum no Brasil por facilitar o manejo fitossanitário e reduzir os custos de implantação.

Latada (Caramanchão): Sistema de suporte horizontal onde os arames formam uma rede no topo, criando uma cobertura vegetal suspensa. É eficiente para proteger frutos contra geadas e favorecer a polinização por abelhas, mas exige maior investimento estrutural.

Gavinhas: Estruturas em formato espiral que a planta utiliza para se fixar naturalmente em suportes. No manejo técnico, o excesso de gavinhas pode embaraçar os ramos, prejudicando a aeração e a entrada de luz solar.

Desponte: Operação de poda que consiste em cortar a ponta de crescimento (gema apical) de um ramo. Serve para interromper o crescimento linear e estimular a planta a emitir brotações laterais produtivas.

Ramos Terciários: São os ramos que brotam dos braços principais e descem em direção ao solo, formando a chamada ‘cortina’. São esses os ramos efetivamente produtivos, onde surgirão as flores e os frutos do maracujá.

Manejo Fitossanitário: Conjunto de práticas, como podas e aplicação de defensivos, voltadas ao controle de pragas e doenças na lavoura. No maracujazeiro, o manejo correto da copa é vital para evitar o acúmulo de umidade e fungos.

Polinização Cruzada: Processo de transferência de pólen entre flores de plantas diferentes, essencial para a formação do fruto no maracujá. Depende diretamente de insetos grandes, como a abelha mamangava, ou de polinização manual.

Como a tecnologia auxilia no manejo do maracujazeiro

Manter a estrutura de condução em dia e realizar as podas no momento certo exige um controle rigoroso de custos e de mão de obra. Ferramentas como o Aegro ajudam a resolver esse desafio ao centralizar a gestão financeira e o acompanhamento de custos de produção, permitindo que você saiba exatamente quanto está investindo em materiais e pessoal de forma simples e visual. Com isso, fica muito mais fácil decidir qual sistema de condução traz o melhor retorno para o seu bolso.

Além do financeiro, a organização das atividades de campo é fundamental para garantir que o manejo fitossanitário pós-poda seja feito sem atrasos. Com o Aegro, você consegue planejar e registrar as aplicações de defensivos e as podas de limpeza diretamente pelo celular, garantindo que nada seja esquecido e que o seu pomar receba a proteção necessária no tempo certo para manter a produtividade alta.

Vamos lá?

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Perguntas Frequentes

Qual a principal diferença entre os sistemas de condução Espaldeira e Latada?

A Espaldeira Vertical é mais econômica e facilita o manejo diário, como pulverizações e colheita, sendo a mais recomendada para produtores que buscam escala. Já a Latada, que forma um ’teto’ de ramos, é ideal para proteger a planta contra geadas em regiões frias e pode favorecer a polinização em áreas pequenas, apesar do custo de implantação mais elevado.

Por que a poda é considerada essencial para a produtividade do maracujá?

O maracujazeiro produz frutos exclusivamente em ramos novos. A poda estimula o surgimento de brotos secundários, terciários e quaternários, que formam a ‘cortina produtiva’, garantindo a renovação constante da planta e permitindo que a luz solar e o ar circulem melhor, o que reduz drasticamente a incidência de pragas e doenças.

Como deve ser feita a condução da muda logo após o plantio?

A partir de 15 dias após o plantio, você deve remover todos os brotos laterais, permitindo que apenas uma guia principal suba forte por um barbante ou vara. Quando essa guia ultrapassar cerca de 10 cm do arame da estrutura, deve-se realizar o desponte da ponta para que a planta comece a lançar os braços laterais sobre o arame.

Quando é o momento certo de realizar a poda de renovação na cortina produtiva?

A poda de renovação deve ser feita após o pico da safra, especificamente quando os ramos começam a tocar o solo, o que facilita a entrada de doenças. O ideal é cortar esses ramos a aproximadamente 30 cm do chão; no entanto, esse procedimento nunca deve ser realizado durante o pico da floração para não interromper a produção.

Quais cuidados sanitários são obrigatórios logo após realizar as podas?

Imediatamente após o uso da tesoura, é fundamental aplicar fungicidas à base de cobre, mancozeb ou triazóis registrados para a cultura do maracujá. Esse tratamento sela as ‘feridas’ abertas nos ramos, impedindo a entrada de fungos e bactérias, e deve ser repetido após 10 dias para garantir a proteção completa da planta.

Vale a pena podar um pomar de maracujá que está muito doente ou debilitado?

Não, a poda não é um milagre para plantas moribundas ou severamente infectadas por viroses. Se o pomar apresentar sinais graves de fraqueza sistêmica, o investimento em poda e mão de obra pode ser desperdiçado; nesses casos, o mais recomendado é a erradicação das plantas e a renovação total da área com mudas sadias.

Como o uso de softwares de gestão auxilia no manejo das podas e estruturas?

Ferramentas como o Aegro permitem que o produtor controle rigorosamente os custos com mão de obra para podas e os investimentos em materiais para a estrutura de condução. Além disso, o software ajuda a agendar e registrar o manejo fitossanitário pós-poda, garantindo que as aplicações de defensivos ocorram no momento certo para proteger a lavoura.

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