Maracujá Doce vs Azedo: Diferenças e Guia de Cultivo [2025]

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Índice

Qual a Real Diferença entre o Maracujá-Doce e o Azedo?

Você já deve ter ouvido no balcão da cooperativa alguém perguntar por que o maracujá-doce é tão mais “hospedeiro” de praga ou difícil de achar muda boa. A resposta está na origem da planta.

O maracujá-doce (Passiflora alata) e o azedo (Passiflora edulis) são parentes, mas são espécies diferentes. O segredo é entender que o maracujá-azedo já foi “amansado”. Ele passou por décadas de melhoramento genético aqui no Brasil e fora. Já o maracujá-doce ainda é praticamente silvestre.

O que isso muda na sua vida?

  • Domesticação: O doce quase não tem cultivares registradas. É uma cultura que ainda estamos aprendendo a lidar comercialmente.
  • Fruto: O doce tem polpa mais translúcida (quase transparente) e o sabor é doce mesmo, sem aquela acidez que faz a gente caretar. O azedo tem aquela polpa amarela forte e acidez alta.

Como Fazer Mudas Fortes e Produtivas?

Seu José, lá do interior de Goiás, plantou um pomar inteiro tirando sementes de apenas dois frutos lindos que ele colheu. O resultado? As plantas cresceram bonitas, deram flor, mas quase não seguraram fruto. Sabe por quê?

O maracujá-doce precisa de polinização cruzada. Ele não aceita bem o pólen de plantas parentes. Se você faz mudas de uma mãe só, cria um pomar “da mesma família”, e aí a fecundação falha.

Para não cair nesse erro, o segredo das mudas (seja por estaca ou semente) é a variedade:

  1. Escolha várias plantas-mães sadias e vigorosas.
  2. Quanto mais matrizes diferentes (e não aparentadas), melhor vai ser a polinização lá na frente.

O segredo do substrato

Não adianta ter genética boa e terra fraca no saquinho. A receita que funciona bem mistura partes iguais (1/3 de cada):

  • Adubo orgânico (esterco curtido ou húmus)
  • Areia lavada
  • Terra de subsolo

Se preferir, pode usar substrato comercial à base de vermiculita. E não esqueça: se fizer na mão, tem que corrigir a acidez com calcário.


Muda de Estaca ou Semente: Qual Caminho Seguir?

Essa é uma dúvida clássica. Vamos direto ao ponto sobre como fazer cada uma, usando o que a pesquisa indica.

Opção 1: Por Estaca (Clonagem)

Aqui você garante que a planta filha será idêntica à mãe produtiva.

  • O ramo certo: Pegue ramos novos, do ano. O caule tem que estar verde, nem muito fino, nem muito grosso (entre 0,5 cm e 1,0 cm).
  • O corte: A estaca precisa ter pelo menos duas gemas. O corte de cima é em bisel (inclinado) e o de baixo é reto.
  • As folhas: Deixe as folhas, tirando apenas a da base que vai entrar na terra.

Opção 2: Por Sementes

Aqui você tem variabilidade genética (mistura pai e mãe), o que é bom para evitar doenças.

  • Colheita: Tire a semente de frutos maduros. Um fruto bom rende umas 300 sementes.
  • Preparo: Tem que tirar a polpa (arilo). Esfregue na peneira e lave.
  • Plantio: Enterre a 1 cm de profundidade. A germinação gira em torno de 70%.

⚠️ ATENÇÃO: Semente de maracujá-doce perde a força rápido! Se você guardar na geladeira (4°C), a viabilidade cai drasticamente depois de 30 dias. O ideal é colher, limpar e plantar imediatamente.


O Manejo no Campo é Igual ao do Azedo?

Na maior parte, sim. Se você sabe plantar o azedo, sabe plantar o doce. O preparo do solo, o espaçamento, a adubação e o sistema de condução (espaldeira ou latada) são os mesmos.

Mas tem duas diferenças cruciais que pegam muito produtor de surpresa:

  1. Defensivos: Não existem agrotóxicos registrados especificamente para maracujá-doce. Isso deixa você com poucas ferramentas químicas e obriga a focar muito mais na prevenção e no manejo cultural.
  2. Colheita: Diferente do azedo, o maracujá-doce maduro não cai no chão. Se você esperar cair, vai perder a fruta.

Como colher certo? Você precisa ficar de olho na cor. Quando o amarelo começar a dominar a casca, é hora de ir lá e colher a fruta direto do ramo.


O Maior Inimigo: A Bacteriose (Mancha-Oleosa)

Aqui o assunto é sério. No verão, quando esquenta e chove, muitos produtores perdem o pomar inteiro para a bacteriose (Xanthomonas).

Por que ela é tão perigosa?

  • É endêmica: A bactéria já vive nas nossas matas, em maracujás silvestres, especialmente no Cerrado. Mesmo que seu pomar seja isolado, a doença pode aparecer.
  • Não tem cura: Depois que a planta pega, não existe produto químico que cure ou proteja totalmente.

Além da bacteriose, fique atento à mosca-das-frutas (que fura a ponta do fruto), percevejos, lagartas e viroses que endurecem o fruto.

O que dá para fazer?

Já que não tem remédio de farmácia, o remédio é o manejo:

  • Faça inspeções constantes. Viu planta doente? Arranque e tire do pomar imediatamente.
  • Use mudas sadias.
  • Evite ferimentos nas plantas durante as podas e capinas.

📊 NÚMEROS QUE IMPORTAM: A destruição por bacteriose pode ser total (100%) em pomares durante verões chuvosos. Não subestime essa doença; a prevenção e a erradicação de plantas doentes são suas únicas armas reais.


Glossário

Melhoramento Genético: Processo de seleção e cruzamento de plantas com características superiores para obter variedades mais produtivas, resistentes e adaptadas ao clima. É o que transforma uma planta silvestre em uma cultivar comercial eficiente.

Cultivares: Variedades de plantas que passaram por seleção humana para garantir características uniformes e estáveis em uma plantação. Diferente das espécies silvestres, as cultivares registradas oferecem maior previsibilidade de colheita e qualidade de fruto.

Polinização Cruzada: Necessidade de transporte de pólen entre flores de plantas com genéticas diferentes para que ocorra a formação do fruto. No maracujazeiro, é fundamental para evitar o abortamento de flores e garantir frutos bem cheios de polpa.

Vermiculita: Mineral processado utilizado em substratos para mudas devido à sua leveza e alta capacidade de retenção de água e nutrientes. Melhora a aeração das raízes, acelerando o desenvolvimento inicial das plântulas no viveiro.

Corte em Bisel: Tipo de corte inclinado realizado na extremidade superior da estaca durante a propagação vegetativa. Essa técnica evita o acúmulo de água na ponta do ramo, reduzindo drasticamente o risco de infecções fúngicas e podridão.

Espaldeira e Latada: Sistemas de condução que utilizam fios de arame para sustentar o crescimento das ramas do maracujazeiro. A espaldeira é vertical como uma cerca, enquanto a latada é horizontal como um teto, ambas visando organizar a planta para facilitar o manejo.

Manejo Cultural: Práticas de campo como podas, controle de plantas daninhas e eliminação de plantas doentes para manter a saúde da lavoura. É a base da produção sustentável, especialmente quando não há defensivos químicos específicos registrados para a cultura.

Arilo: Tecido suculento e aromático que envolve as sementes do maracujá, popularmente conhecido como polpa. Na produção de mudas, deve ser removido completamente para evitar a fermentação e garantir uma germinação uniforme.

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Cultivar maracujá-doce exige um cuidado redobrado com o que acontece no campo, já que a falta de defensivos registrados e o risco da bacteriose não permitem erros. Ferramentas como o Aegro ajudam a resolver esse desafio ao permitir o registro de inspeções de pragas e doenças diretamente pelo celular, facilitando o monitoramento constante e a erradicação rápida de plantas doentes. Além disso, como o manejo é intenso, centralizar o planejamento das atividades e o controle de custos de produção no sistema garante que você saiba exatamente quanto está investindo e qual a rentabilidade real de cada hectare, evitando surpresas financeiras no final da safra.

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Perguntas Frequentes

Por que o maracujá-doce muitas vezes floresce, mas não consegue segurar os frutos?

O maracujá-doce exige polinização cruzada, o que significa que ele raramente aceita o pólen de plantas da mesma ‘família’ ou clones. Para garantir a produção, é fundamental plantar mudas de diferentes matrizes no mesmo pomar, evitando que a semelhança genética impeça a fecundação das flores.

Como identificar o ponto de colheita ideal do maracujá-doce já que ele não cai do pé?

Diferente do maracujá-azedo, o doce deve ser colhido diretamente no ramo assim que a casca apresentar uma coloração predominantemente amarela. Se o produtor esperar o fruto cair naturalmente, corre o risco de perder a qualidade da polpa e sofrer com o apodrecimento da fruta ainda na planta.

É possível guardar sementes de maracujá-doce para plantar após alguns meses?

Não é recomendado, pois as sementes desta espécie perdem o poder germinativo muito rápido. Mesmo sob refrigeração, a viabilidade cai drasticamente após 30 dias; por isso, o ideal é realizar a extração, limpeza da polpa e o plantio imediato para garantir uma taxa de germinação próxima a 70%.

Quais são as principais diferenças no manejo de pragas entre o maracujá-doce e o azedo?

A principal diferença é a ausência de agrotóxicos registrados especificamente para o maracujá-doce, o que limita as opções de controle químico. Isso obriga o produtor a ser muito mais rigoroso no manejo preventivo, focando em inspeções constantes, eliminação de plantas doentes e manutenção da sanidade do pomar através de boas práticas culturais.

Qual a melhor estratégia para combater a bacteriose (mancha-oleosa) no pomar?

Como não existe cura química para a bacteriose, a única estratégia eficaz é o manejo preventivo e a erradicação. O produtor deve utilizar mudas certificadas e, ao identificar qualquer planta com sintomas, deve arrancá-la e retirá-la imediatamente da área para evitar que a bactéria se espalhe para o restante do cultivo.

A propagação por estaca é mais vantajosa que a por semente?

A escolha depende do objetivo: a estaca (clonagem) garante que a nova planta tenha exatamente a mesma produtividade e qualidade da planta-mãe. Já a semente promove maior variabilidade genética, o que pode ser positivo para a resistência natural do pomar, desde que as sementes venham de matrizes diferentes para não prejudicar a polinização.

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  • Sementes Salvas: O Que Muda com a Nova Lei? Guia Completo para o Produtor: Este artigo é uma resposta direta ao caso do ‘Seu José’ citado no texto principal, detalhando os riscos técnicos e legais de se utilizar sementes de frutos colhidos na própria fazenda. Ele expande a discussão sobre por que a semente ‘salva’ pode comprometer a polinização e a produtividade final.
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