Maracujá em Estufa: Guia de Custos e Produtividade [2025]

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Índice

Vale a pena investir em maracujá na estufa?

Você já deve ter se perguntado se todo esse gasto com estrutura se paga no final das contas. O custo assusta quem está acostumado com o plantio no tempo. Mas vamos falar de números reais que temos visto no campo.

A grande vantagem aqui é a produtividade. Enquanto no campo aberto a gente luta contra o clima, dentro da estufa, com o manejo certo, a produção média tem passado de 100 toneladas por hectare ao ano.

Isso dá cerca de três sacos de 12 kg por planta. Além da quantidade, a qualidade do fruto melhora muito, o que ajuda na hora da venda.

Mas nem tudo são flores. O custo para levantar a estufa é alto — cerca de 6 vezes maior que o sistema convencional. E tem mais trabalho braçal:

  1. Irrigação é obrigatória o ano todo (não chove lá dentro).
  2. Polinização manual é lei. Como não entram abelhas e mamangavas, você ou seu funcionário vão ter que fazer o serviço de polinização flor por flor.

📊 NÚMEROS QUE IMPORTAM: O retorno desse investimento costuma vir em 3 anos. É o mesmo tempo que se leva para pagar estufas de hortaliças. A conta fecha se você focar em alta tecnologia e produtividade máxima.


Qual a estrutura certa para começar?

Muita gente me pergunta: “Preciso de uma estufa especial para o maracujá?”. A resposta curta é: não invente moda.

A prática mostrou que as mesmas estufas usadas para hortaliças funcionam muito bem. O modelo ideal é o tipo “arco”, com cerca de 350 metros quadrados.

Para construir, o material mais usado é:

  • Parte de cima: Arcos de ferro industrial e filme agrícola.
  • Laterais: Fechamento com madeira de eucalipto tratado e tela clarite.

Não precisa de nada mirabolante. O segredo é ter uma estrutura firme que aguente o peso da planta carregada e proteja do vento.


Espaçamento e época de plantio: O segredo da produtividade

Um erro comum de quem está começando é querer colocar planta demais achando que vai colher mais. Não caia nessa. A planta precisa respirar e você precisa de espaço para andar lá dentro.

Depois de vários testes, chegamos no “filé” do espaçamento:

  • 1,6 metros entre as linhas.
  • 2 metros entre as plantas.

Nesse desenho, você consegue colocar 4 linhas de cultivo. Em uma estufa padrão de 350 m², cabem 100 plantas.

Qual variedade usar? Não existe uma semente mágica só para estufa. Você vai usar as mesmas variedades ou híbridos que já usa no campo aberto. O que muda é o ambiente, não a planta.

⚠️ ATENÇÃO: Você pode plantar em qualquer época. Mas, quem planta em maio ou junho sai na frente. Isso antecipa a colheita para pegar a época de preços melhores no mercado.


Como fazer a condução e a espaldeira?

Aqui temos um pulo do gato para economizar madeira. A espaldeira é parecida com a de fora, mas você não precisa de mourão a cada tantos metros.

Como montar:

  1. Coloque mourões apenas nas pontas das linhas.
  2. Entre eles, para segurar o arame, use ripões de 2 a 4 cm.
  3. Esses ripões são fixados nos arcos da própria estufa (ou em arames transversais).

Isso segura o peso da planta e alivia o bolso no custo do madeiramento.

E a poda? O serviço é igual ao do campo. Deixe a guia principal subir sozinha (tirando os brotos laterais). Quando chegar no arame, corte a ponta e deixe sair dois ramos secundários, um para cada lado. Quando esses encontrarem as plantas vizinhas, poda de novo para formar a “cortina” de ramos terciários.


Irrigação e Longevidade do Pomar

Dentro da estufa, a chuva não entra. Então, a água é responsabilidade sua, todo dia.

O sistema campeão é o gotejamento. Por que? Porque ele economiza água e, o mais importante: não molha as folhas. Folha seca significa menos doença fungosa atacando seu maracujazeiro.

Quanto tempo dura o plantio? Como a estufa protege a planta, ela adoece menos e dura mais.

  • Sem poda de renovação: chega a 3 ou 4 anos.
  • Com poda de limpeza (tirando ramos velhos): acredita-se que vá até 5 anos.

No campo aberto, a gente sabe que as doenças acabam com o pomar bem antes disso.

💡 DICA DE QUEM JÁ FEZ: Antes de decidir se renova ou arranca tudo após 4 anos, faça as contas. Compare quanto o pomar velho está produzindo versus o custo e o tempo de formar um novo.


Pragas e Doenças: A estufa resolve tudo?

Aqui precisamos ser honestos: estufa não é redoma de vidro blindada.

Ela diminui a quantidade e a força das pragas e doenças, com certeza. Mas não impede totalmente os ataques. Os bichos dão um jeito de entrar.

Manejo Integrado de Pragas (MIP)

Você precisa continuar monitorando a lavoura com atenção. Viu praga? Avalie se atingiu o nível de dano econômico e faça o controle. Não relaxe só porque tem plástico em cima.

O tempo até a colheita: A boa notícia é que na estufa tudo é mais rápido. A colheita começa cerca de 1 mês antes do que no campo aberto. Geralmente, de 5 a 7 meses após o plantio das mudas, você já está colhendo fruto.


Glossário

Espaldeira: Sistema de sustentação vertical composto por mourões e arames que serve de suporte para o crescimento das ramificações do maracujazeiro. É essencial para organizar a planta, facilitar a ventilação e permitir o manejo adequado dos frutos.

Híbridos: Plantas resultantes do cruzamento controlado entre duas variedades diferentes para obter características superiores, como maior produtividade e resistência a doenças. No Brasil, são amplamente utilizados para garantir frutos com melhor padrão comercial e doçura.

Polinização Manual: Processo de transferência física do pólen entre as flores realizado pelo trabalhador rural com as pontas dos dedos. É uma prática obrigatória em ambientes protegidos para substituir a ação natural de insetos e garantir a frutificação.

Nível de Dano Econômico (NDE): Densidade populacional de uma praga que começa a causar prejuízos financeiros superiores ao custo de controle. Serve como guia técnico para o produtor decidir o momento exato de aplicar defensivos, evitando gastos desnecessários.

Poda de Condução: Conjunto de cortes estratégicos feitos nos ramos secundários e terciários para formar a estrutura produtiva da planta e melhorar a iluminação. Ajuda a direcionar a energia da planta para os frutos e facilita o controle fitossanitário.

Filme Agrícola: Cobertura plástica de polietileno com aditivos que protegem a cultura contra raios UV e auxiliam no controle térmico. É fundamental para criar o microclima que acelera o ciclo de produção e protege as plantas de chuvas excessivas.

Mamangavas: Abelhas de grande porte (gênero Xylocopa) que são os polinizadores naturais mais eficientes do maracujazeiro. Em sistemas de estufa fechada, sua ausência é o principal fator que exige a substituição pelo trabalho manual.

Veja como o Aegro pode ajudar a superar esses desafios

Investir em uma estrutura de alto custo como a estufa exige um controle financeiro rigoroso para garantir que o retorno do investimento venha no tempo esperado. Ferramentas como o Aegro facilitam esse acompanhamento, permitindo que você registre cada custo de instalação e manutenção, transformando gastos complexos em relatórios simples que mostram a rentabilidade real de cada metro quadrado.

Além disso, como a estufa não elimina totalmente os riscos fitossanitários, o Aegro ajuda no monitoramento de pragas e doenças de forma digital. Você consegue registrar ocorrências pelo celular diretamente do campo, o que agiliza a tomada de decisão e evita que um problema localizado comprometa a produtividade recorde que o maracujá em estufa pode oferecer.

Vamos lá? Simplifique a gestão da sua propriedade e tenha o controle total da sua produção de maracujá na palma da mão. Experimente o Aegro gratuitamente e veja como nossa tecnologia pode ajudar você a colher resultados mais lucrativos.

Perguntas Frequentes

Por que o custo inicial para produzir maracujá em estufa é tão superior ao cultivo em campo aberto?

O investimento inicial é cerca de seis vezes maior porque exige uma estrutura física robusta, incluindo arcos de ferro, filmes agrícolas e telas de proteção. No entanto, esse custo é compensado pela altíssima produtividade, que pode ultrapassar 100 toneladas por hectare ao ano, permitindo que o produtor recupere o investimento em aproximadamente três anos.

Como deve ser feita a polinização do maracujazeiro dentro do ambiente protegido?

Como a estufa impede a entrada de polinizadores naturais, como as mamangavas, a polinização manual torna-se obrigatória. O produtor ou seus funcionários devem realizar o processo manualmente, flor por flor, para garantir a frutificação e a produtividade esperada no sistema de cultivo protegido.

Qual a vantagem estratégica de realizar o plantio nos meses de maio e junho?

Plantar em maio ou junho permite que a colheita se antecipe em relação ao ciclo tradicional de campo. Isso possibilita que o produtor coloque seu fruto no mercado em períodos de menor oferta, aproveitando preços mais elevados e garantindo uma rentabilidade superior para o negócio.

É necessário utilizar sementes especiais para o cultivo de maracujá em estufa?

Não há necessidade de sementes exclusivas para estufas; utilizam-se as mesmas variedades ou híbridos de alta performance do campo aberto. O grande diferencial está no ambiente controlado, que potencializa o desenvolvimento da planta, resultando em colheitas que começam até um mês mais cedo do que no sistema convencional.

Por que o sistema de gotejamento é considerado o ideal para a irrigação em estufas?

O gotejamento é o sistema campeão porque entrega água diretamente na raiz da planta, evitando o molhamento das folhas. Folhas secas são fundamentais dentro da estufa para reduzir drasticamente a incidência de doenças fúngicas, além de permitir um controle rigoroso do uso da água e fertilizantes.

Quanto tempo dura um pomar de maracujá sob proteção plástica?

Devido à proteção contra pragas, doenças e variações climáticas, o pomar em estufa tem maior longevidade. Em média, as plantas produzem bem por até 4 anos, mas, com a realização de podas de limpeza e manejo adequado de ramos velhos, é possível estender a vida útil do plantio para até 5 anos.

A estufa elimina totalmente a necessidade de controle de pragas e doenças?

Não, a estufa não é um ambiente blindado e pragas ainda podem entrar na estrutura. Embora a incidência de ataques seja menor e menos agressiva do que no campo aberto, o monitoramento constante continua sendo indispensável para identificar problemas no início e realizar o controle antes que atinjam o nível de dano econômico.

Artigos Relevantes

  • Irrigação por Gotejamento: O Guia Completo para o Produtor: Este artigo complementa perfeitamente o conteúdo principal ao detalhar tecnicamente o sistema de gotejamento, que o texto base aponta como o ‘campeão’ para o maracujá em estufa. Ele oferece o passo a passo sobre componentes e manejo hídrico, fundamental para evitar doenças foliares mencionadas na produção protegida.
  • Monitoramento de Pragas: O Guia Prático para Tomar a Decisão Certa na Lavoura: O artigo principal enfatiza que a estufa não é blindada e cita a importância do Nível de Dano Econômico (NDE). Este guia prático fornece a metodologia necessária para que o produtor saiba exatamente como e quando realizar o monitoramento e o controle, garantindo a produtividade recorde esperada.
  • Espaçamento entre Plantas: Como Definir a Distância Ideal para Sua Lavoura: Como o texto base define o espaçamento como o ‘segredo da produtividade’ para o maracujá (1,6m x 2m), este artigo expande o conceito explicando como a densidade de plantas afeta a competição por luz e nutrientes. Ele ajuda o produtor a entender a lógica agronômica por trás da ocupação otimizada do solo na estufa.
  • DRES: O Guia Completo do Diagnóstico Rápido da Estrutura do Solo: Considerando que um pomar de maracujá em estufa pode durar até 5 anos no mesmo local, a saúde física do solo é vital para a longevidade mencionada no texto. O método DRES oferece uma forma econômica e rápida de monitorar a estrutura do solo para evitar compactação em um sistema de cultivo intensivo.
  • Sistemas de Colheita: Do Manual ao Automatizado, Qual o Melhor para Sua Lavoura?: O cultivo de maracujá em estufa é caracterizado pelo alto uso de mão de obra manual, desde a polinização até a colheita seletiva. Este artigo oferece uma visão estratégica sobre a gestão da colheita, ajudando o produtor a planejar a logística necessária para colher as 100 toneladas por hectare previstas no investimento.