Índice
- O Que o Maracujá Precisa para Encher o Bolso do Produtor?
- O Papel de Cada Adubo: Quem Faz o Quê?
- Análise de Solo: Não Dê Remédio sem Exame
- Calagem e Gessagem: Arrumando a Casa Antes da Festa
- Adubação Orgânica e Química: O Menu Completo
- Como Saber se a Planta Está com Fome? (Diagnose Visual)
- A Regra dos 4Cs
- Glossário
- Transforme o manejo em resultado no bolso
- Perguntas Frequentes
- O que acontece com o fruto do maracujá se houver falta de potássio no solo?
- Qual é a maneira correta de coletar amostras de solo para o cultivo de maracujá?
- Por que o uso do gesso agrícola é recomendado mesmo após a aplicação do calcário?
- Por que a aplicação de micronutrientes no solo costuma ser mais eficiente que a aplicação foliar?
- Como diferenciar a falta de nitrogênio da falta de cálcio apenas observando as folhas?
- Qual a importância de realizar o parcelamento da adubação de cobertura?
- Artigos Relevantes
O Que o Maracujá Precisa para Encher o Bolso do Produtor?
Sabe aquela história de que “saco vazio não para em pé”? Com o maracujazeiro é a mesma coisa. Se a planta não comer bem, ela não segura a flor, o fruto fica leve e o lucro vai embora.
Muitos produtores me perguntam: “Seu Antônio, joguei adubo e não virou nada, por quê?”. Muitas vezes, o problema não é a falta de adubo, mas o equilíbrio errado.
Vamos direto ao ponto: o maracujá é exigente. A ordem do que ele mais pede é essa aqui:
- Nitrogênio (N)
- Potássio (K)
- Cálcio (Ca)
- Enxofre (S)
- Fósforo (P)
- Magnésio (Mg)
Desses aí, os que mais limitam sua produção — ou seja, se faltar, a lavoura trava — são o Nitrogênio, o Potássio e o Cálcio.
E tem um detalhe importante: quando você colhe o maracujá e manda para o mercado, você está “exportando” nutrientes da sua terra. Para cada hectare, os frutos levam embora cerca de 73,8 kg de Potássio e 44,6 kg de Nitrogênio. Se você não repuser isso, a terra empobrece na hora.
O Papel de Cada Adubo: Quem Faz o Quê?
Você já viu lavoura bonita, cheia de folha, mas que não dá fruta? Ou planta que carrega, mas o fruto é “casca grossa e pouco suco”? Isso é desequilíbrio. Vamos entender a função de cada um para não errar a mão.
O “Arroz com Feijão”: NPK
- Nitrogênio (N): É o motor do crescimento. Ele faz a planta crescer, soltar guia e botar flor. Sem ele, a planta não desenvolve.
- Fósforo (P): É o “enraizador”. Ele é vital no começo do pomar. O sistema radicular (as raízes) precisa de fósforo para buscar água e comida. Por isso, a gente capricha no fósforo na cova de plantio.
- Potássio (K): É quem garante a qualidade. Ele enche o fruto e dá rendimento de suco. Se faltar potássio na hora da frutificação, o maracujá fica leve e o comprador reclama.
Os “Construtores”: Cálcio, Magnésio e Enxofre
- Cálcio (Ca): Dá estrutura. Ele deixa a parede da célula elástica e ajuda a raiz a aguentar o tranco de várias safras. Geralmente, a gente fornece ele via calagem (calcário) e gessagem.
- Magnésio (Mg): É o responsável pelo verde da folha (clorofila) e pela fotossíntese. A falta dele é comum no Brasil. O calcário dolomítico resolve bem isso.
- Enxofre (S): Ajuda a formar proteínas. Está presente na matéria orgânica e no gesso. Dificilmente falta, mas é bom ficar de olho.
Os “Temperos”: Micronutrientes
Não se engane pelo nome “micro”. Eles são usados em pouca quantidade, mas sem eles a planta não produz.
- Boro (B): Essencial para o florescimento. Ajuda a transportar o açúcar na planta.
- Zinco (Zn): Estimula o crescimento.
- Ferro, Manganês, Cobre e Molibdênio: Todos têm papel na saúde geral e na cor verde da planta.
💡 DICA DE QUEM JÁ FEZ: Como os micronutrientes andam pouco dentro da planta, aplicar na cova ou no sulco junto com o adubo orgânico funciona melhor do que só via folha. Se for usar foliar, tem que repetir a cada 15 dias, porque as folhas novas que nascem depois da aplicação ficam sem proteção.
Análise de Solo: Não Dê Remédio sem Exame
Você tomaria um remédio forte sem o médico pedir exame de sangue? Pois é, adubar sem análise de solo é jogar dinheiro no escuro.
O solo brasileiro, nas regiões que plantam maracujá, geralmente é ácido e pobre. A terra não consegue suprir tudo sozinha.
Como tirar a amostra do jeito certo:
- Separe a fazenda: Divida em glebas (pedaços) iguais. Não misture terra de baixada com terra de morro, nem terra vermelha com terra arenosa.
- Caminhe em ziguezague: Em cada gleba, colete terra em uns 20 pontos diferentes e misture tudo num balde limpo. Isso forma uma “amostra composta”.
- Profundidade: O ideal é fazer duas coletas: uma de 0 a 20 cm e outra de 20 a 40 cm.
- Cuidado: Não pegue terra perto de formigueiro, estrada, cocho ou galpão. Isso contamina a amostra e o resultado vem errado.
⚠️ ATENÇÃO: Em lavouras que já estão produzindo, tire a amostra na faixa onde você joga o adubo (onde as raízes estão comendo), uns 20 a 30 dias depois da última adubação.
Calagem e Gessagem: Arrumando a Casa Antes da Festa
Se o solo estiver ácido (pH baixo), você pode jogar o adubo mais caro do mundo que a planta não vai aproveitar. O calcário serve para três coisas:
- Tirar a acidez (aumentar o pH).
- Matar a toxicidade do Alumínio e Manganês.
- Fornecer Cálcio e Magnésio.
A meta é elevar a saturação por bases (V%) para 70%. Use preferencialmente calcário dolomítico, que já traz magnésio junto.
E o Gesso?
O calcário corrige a superfície. O gesso agrícola desce mais fundo. Ele melhora o ambiente para as raízes lá embaixo, nas camadas mais profundas, neutralizando o alumínio tóxico lá onde o calcário não chega. Isso faz a raiz descer mais e a planta aguentar mais seca.
A conta prática do gesso: Geralmente, usa-se 25% da quantidade de calcário pedida para a camada de 20-40 cm.
📊 NÚMEROS QUE IMPORTAM: Para aplicar calcário em área nova com mato alto:
- Roçar ou gradear levemente.
- Jogar a metade do calcário (profundidade 20-40 cm) + o gesso.
- Arar/Escarificar.
- Esperar 10-15 dias.
- Jogar a outra metade do calcário (0-20 cm).
- Gradear de novo.
- Esperar mais 15-20 dias para plantar.
Parece demorado, mas é a base de tudo.
Adubação Orgânica e Química: O Menu Completo
Adubo orgânico (esterco curtido, compostagem) é ouro. Ele melhora a terra fisicamente e segura a umidade.
Na Cova de Plantio: Misture o adubo orgânico com o Fósforo (superfosfato, por exemplo) e os micronutrientes (FTE BR12 é comum, cerca de 50g/cova). O Nitrogênio orgânico entra aqui. Se o solo for muito pobre em Potássio, coloca um pouquinho também.
Adubação de Cobertura (Depois que pegou): Aqui entra o parcelamento. O maracujazeiro come aos poucos.
- Fase de Formação (até 6 meses): Doses menores. Foco em NPK.
- Fase de Produção: Aumenta a dose. A planta exige muito mais quando está com fruta.
O segredo é parcelar. Quanto mais vezes você dividir a adubação, menos adubo se perde na chuva ou no sol, e mais a planta aproveita.
Como Saber se a Planta Está com Fome? (Diagnose Visual)
O produtor experiente bate o olho e sabe. A planta avisa quando falta comida. Veja os sinais mais comuns nas folhas:
- Folhas Velhas Amarelando: Geralmente é falta de Nitrogênio (planta fica verde-pálida inteira) ou Potássio (queima nas bordas).
- Folhas Novas com Problema: Se a ponta do ramo morre ou a folha nova nasce torta/deformada, pode ser falta de Cálcio ou Boro. Se as folhas novas ficam amareladas entre as nervuras, pode ser Ferro ou Manganês.
- Frutos Feios: Fruto que cai cedo, mumifica ou fica enrugado muitas vezes é falta de Potássio ou Cálcio.
A Regra dos 4Cs
Para fechar, grave isso na cabeça. A adubação só funciona se você respeitar os 4Cs:
- Fonte Certa: O adubo correto para aquela necessidade.
- Dose Certa: Nem de menos (planta passa fome), nem de mais (joga dinheiro fora e pode salinizar o solo).
- Época Certa: Aplicar quando a planta precisa (crescimento vs. frutificação).
- Lugar Certo: Onde a raiz consegue pegar (na faixa úmida ou projeção da copa).
Seguindo esse roteiro, Seu Antônio e Dona Maria, o maracujá vem forte, a casca fica lisa e o peso na balança garante o lucro da safra.
Glossário
Exportação de Nutrientes: Refere-se à quantidade de minerais que a planta retira do solo e que são efetivamente removidos da área durante a colheita dos frutos. Esse valor indica o quanto o produtor precisa repor via adubação para não empobrecer a terra.
Saturação por Bases (V%): Índice que indica o percentual do solo ocupado por nutrientes essenciais (Cálcio, Magnésio e Potássio) em relação à sua capacidade total. É o principal indicador usado para calcular a necessidade de calagem e medir a fertilidade do solo.
Calagem: Prática de aplicar calcário para corrigir a acidez do solo e fornecer Cálcio e Magnésio às plantas. Melhora a eficiência dos adubos e neutraliza elementos tóxicos, como o Alumínio, que impedem o crescimento das raízes.
Gessagem: Aplicação de gesso agrícola para melhorar o ambiente químico nas camadas profundas do solo, abaixo de 20 cm. Diferente do calcário, o gesso consegue descer no perfil do solo, ajudando a raiz a buscar água e nutrientes em profundidade.
Amostra Composta: Resultado da mistura de várias pequenas porções de terra (amostras simples) coletadas em diferentes pontos de uma mesma área homogênea. É o que garante que o resultado da análise de laboratório represente fielmente a realidade de toda a gleba.
Diagnose Visual: Método de identificação de deficiências nutricionais baseado na observação de sintomas externos, como manchas, cores e deformações nas folhas. Permite ao produtor identificar rapidamente qual nutriente está limitando o desenvolvimento da cultura.
Calcário Dolomítico: Tipo de corretivo de solo que possui teor de Magnésio superior a 12%, além do Cálcio. É amplamente utilizado na agricultura brasileira por corrigir a acidez e fornecer dois nutrientes vitais ao mesmo tempo.
Transforme o manejo em resultado no bolso
Seguir as recomendações técnicas é o primeiro passo, mas para garantir que o maracujá realmente ’encha o seu bolso’, é preciso ter controle sobre os custos e o cronograma do campo. Ferramentas como o Aegro ajudam a colocar a ‘Regra dos 4Cs’ em prática, permitindo que você planeje as adubações de cobertura e receba alertas das atividades diretamente no celular, garantindo que o parcelamento seja feito na época certa e sem desperdícios.
Além disso, ao centralizar o registro de compras de insumos e as análises de solo no sistema, o Aegro gera relatórios automáticos de rentabilidade. Isso permite que você visualize, de forma simples e clara, se o investimento em fertilizantes está se traduzindo em produtividade, ajudando a tomar decisões mais seguras para as próximas safras e a manter o financeiro sempre em dia.
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Perguntas Frequentes
O que acontece com o fruto do maracujá se houver falta de potássio no solo?
A falta de potássio afeta diretamente a qualidade comercial do maracujá, resultando em frutos leves, com casca grossa e baixo rendimento de suco. Como o potássio é o responsável por ’encher’ o fruto, sua deficiência prejudica o peso final na balança e a aceitação do produto pelo mercado.
Qual é a maneira correta de coletar amostras de solo para o cultivo de maracujá?
O produtor deve caminhar em ziguezague pela gleba, coletando terra em cerca de 20 pontos diferentes para formar uma amostra composta. É fundamental realizar a coleta em duas profundidades (0-20 cm e 20-40 cm) e evitar áreas contaminadas, como proximidades de formigueiros, estradas ou depósitos de adubo.
Por que o uso do gesso agrícola é recomendado mesmo após a aplicação do calcário?
Enquanto o calcário corrige a acidez apenas na camada superficial, o gesso consegue descer a profundidades maiores, neutralizando o alumínio tóxico no subsolo. Isso estimula o crescimento das raízes em camadas mais profundas, tornando a planta muito mais resistente a períodos de seca.
Por que a aplicação de micronutrientes no solo costuma ser mais eficiente que a aplicação foliar?
Os micronutrientes possuem baixa mobilidade dentro da planta, o que significa que as folhas novas que nascem após uma pulverização foliar ficam sem proteção. Ao aplicar no solo ou na cova junto com adubo orgânico, garante-se um fornecimento constante e duradouro para todo o ciclo de crescimento.
Como diferenciar a falta de nitrogênio da falta de cálcio apenas observando as folhas?
A falta de nitrogênio é percebida nas folhas mais velhas, que ficam amareladas ou verde-pálidas por inteiro. Já a deficiência de cálcio afeta as folhas novas e brotos, causando deformações, enrolamento ou até a morte das pontas dos ramos (ponteiros).
Qual a importância de realizar o parcelamento da adubação de cobertura?
O maracujazeiro absorve os nutrientes aos poucos e de forma contínua; por isso, parcelar a adubação evita perdas por lixiviação (lavagem pela chuva) ou volatilização. Essa prática garante que a planta tenha comida disponível tanto na fase de formação quanto nos picos de exigência durante a frutificação.
Artigos Relevantes
- Calcário Calcítico, Magnesiano e Dolomítico: Qual Usar na Sua Lavoura?: Este artigo complementa perfeitamente o conteúdo principal ao detalhar as diferenças entre os tipos de calcário (calcitico, magnesiano e dolomítico). Ele oferece o embasamento técnico necessário para que o produtor entenda por que o calcário dolomítico é o mais indicado para o maracujá, conforme mencionado no texto principal.
- Calagem: Como Fazer, Quando Aplicar e Doses: Ele expande a seção ‘Arrumando a Casa Antes da Festa’ ao fornecer um guia técnico sobre como calcular doses e as melhores épocas de aplicação. O valor único aqui é aprofundar o manejo do solo, garantindo que o investimento em adubos caros não seja desperdiçado por falta de correção de acidez.
- Calcário no Solo: Como Calcular + 5 Erros [2025]: Este artigo foca na prevenção de erros comuns na calagem, o que é fundamental para o sucesso do cultivo de maracujá discutido no texto. Ele serve como um guia de ‘melhores práticas’ que ajuda o produtor a evitar prejuízos financeiros durante a fase de preparo do solo.
- Adubação com Potássio para Milho: Guia Completo de Sintomas, Doses e Aplicação: Como o potássio é o nutriente mais exportado pelo fruto do maracujá (73,8 kg por hectare), este artigo oferece uma análise profunda sobre os sintomas de deficiência e o parcelamento da adubação potássica. Embora foque no milho, os conceitos de nutrição e os sinais visuais de carência são extremamente educativos e transferíveis para a gestão do maracujazeiro.
- Adubo para Milho: O Guia Completo para Máxima Produtividade e Lucro: Este guia complementa a ‘Regra dos 4Cs’ mencionada no artigo principal, detalhando o papel do NPK e a importância do parcelamento da cobertura. Ele ajuda o produtor a compreender a lógica por trás da fertilidade do solo, consolidando o aprendizado sobre o motor de crescimento das plantas.

![Imagem de destaque do artigo: Adubação de Maracujá: Guia Prático para Produzir Mais [2025]](/images/blog/geradas/maracuja-nutricao-adubacao-nitrogenio-potassio.webp)