Índice
- Quais as Melhores Forrageiras para o Seu Sistema?
- O Gado Vai Compactar o Solo da Soja?
- Integração Pecuária-Floresta (IPF): O Pasto Aguenta a Sombra?
- Espaçamento das Árvores e Quando Soltar o Gado
- Terras Baixas: Lucro no Pousio do Arroz
- Glossário
- Veja como o Aegro pode ajudar a superar esses desafios
- Perguntas Frequentes
- Quais são as espécies de forrageiras mais indicadas para a rotação entre inverno e verão?
- O pisoteio do gado realmente pode prejudicar a produtividade da soja na safra seguinte?
- Como saber se a sombra das árvores na Integração Pecuária-Floresta (IPF) está prejudicando o pasto?
- Qual é o momento seguro para colocar os animais em áreas com plantio de árvores jovens?
- É possível utilizar o azevém em áreas de arroz irrigado logo após a colheita?
- Quais são os benefícios ambientais e econômicos de integrar gado no pousio do arroz?
- Artigos Relevantes
Quais as Melhores Forrageiras para o Seu Sistema?
Uma dúvida que sempre aparece na roda de conversa é: “Seu Antônio, qual capim eu planto para não faltar comida no inverno e ainda preparar o solo para a soja?”. A resposta depende se estamos falando de inverno ou verão, mas os números não mentem.
Nas regiões subtropicais, para o inverno, a dupla infalível continua sendo a aveia preta e o azevém. Mas não descarte as leguminosas como ervilhaca e trevo branco. Se você quer arriscar nos grãos, os cereais de duplo propósito (trigo, triticale, cevada) têm ganhado espaço.
Já no verão, quem manda são as braquiárias (principalmente a Brizantha Marandu) e os panicuns (Mombaça e Aruana). Se precisar de ciclo anual, vá de milheto ou sorgo forrageiro.
O Gado Vai Compactar o Solo da Soja?
“Dona Maria, se eu botar boi na lavoura, a terra vai virar um tijolo e a soja não nasce”. Você já deve ter ouvido esse medo de algum vizinho. Mas vamos aos fatos práticos, porque perder a receita do boi por medo infundado é prejuízo.
O pisoteio dos animais não prejudica a soja, desde que você maneje o pasto direito. O tal do adensamento acontece sim, mas é só na camada bem superficial (0 a 5 cm).

Sabe o que acontece depois? Durante o ciclo da soja, a própria raiz e o manejo corrigem isso. A porosidade do solo volta ao normal. A produtividade da soja muda muito pouco, mas o seu bolso sente a diferença com o dinheiro extra da pecuária.
Como fazer o manejo correto (Aveia + Azevém):
- Plante no início do outono.
- Espere cerca de 60 dias.
- Quando o pasto chegar a 20-30 cm de altura (mais ou menos um palmo e meio), pode soltar o gado.
- Mantenha o pasto nessa altura. Se baixar demais, tira o gado.
Integração Pecuária-Floresta (IPF): O Pasto Aguenta a Sombra?
Se você está pensando em colocar árvores no sistema (IPF), a pergunta de ouro é: “O capim cresce na sombra?”.
A resposta curta é: depende da quantidade de sombra. Não existe capim milagroso que cresça no escuro. Para ter um bom desempenho animal, a forrageira precisa receber pelo menos 50% da luz do sol. Se sombrear mais que isso, a produção cai.
O que plantar no meio das árvores?
- Verão: Grama missioneira gigante, Braquiária Brizantha, Aruana, Mombaça e Pensacola vão bem. O amendoim forrageiro também aguenta.
- Inverno: Azevém, aveia (branca e preta) e trevo branco.
Um ponto curioso: na sombra moderada, as gramíneas (capins) costumam até aumentar a proteína. Já as leguminosas fazem o contrário: na sombra, elas fixam menos nitrogênio e a qualidade cai.
Espaçamento das Árvores e Quando Soltar o Gado
Você plantou as mudas e o pasto está bonito. A vontade de soltar a boiada é grande, mas calma lá. Se soltar antes da hora, o prejuízo é duplo: gado com fome e árvores quebradas.
Qual o espaçamento ideal? Para quem está no Sul ou regiões subtropicais, a experiência mostra que o espaçamento entre as linhas de árvores deve ser de, no mínimo, 20 metros. Menos que isso, a sombra fecha rápido demais e o pasto acaba em poucos anos.
E a orientação do plantio?
- Leste-Oeste: Melhor para quem foca em pasto de verão (o sol “caminha” sobre a linha das árvores, deixando o pasto iluminado).
- Norte-Sul: Favorece pastos de inverno (no inverno o sol é mais inclinado e a sombra incomoda menos).
Quando posso colocar os animais? Não olhe para o calendário, olhe para a régua. A árvore precisa ter 1,5 vezes a altura do animal. Se o novilho tem 1,20m, a árvore precisa ter pelo menos 1,80m. Isso evita que eles comam o ponteiro ou quebrem galhos se coçando.
Enquanto a árvore cresce, você pode fazer feno ou silagem na entrelinha.
Terras Baixas: Lucro no Pousio do Arroz
Quem planta arroz irrigado sabe que a terra costuma ficar parada no inverno. Mas isso é dinheiro parado. Dá para fazer Integração Lavoura-Pecuária nas terras baixas e solos hidromórficos? Dá, e funciona bem.
O sistema campeão é usar arroz por 1 ou 2 anos e depois entrar com pastagem/soja por 3 a 6 anos.
O passo a passo para não atolar:
- Drenagem: É obrigatório. Pasto de boi não é arroz, ele não gosta de pé molhado. Use valetadeiras ou dreno torpedo.
- Azevém é rei: É a forrageira mais indicada para sucessão do arroz. Pode misturar com trevo branco ou cornichão.
- Cuidado com o Herbicida: Se você usou herbicidas do grupo das imidazolinonas no arroz, esqueça o azevém logo em seguida. Ele não aguenta o resíduo (fitotoxidade). Nesse caso, use leguminosas como trevo ou cornichão.
Taxa de Lotação nas Terras Baixas: Se fizer a drenagem e adubação direitinho, a capacidade de suporte surpreende.
- Inverno: Mais de 2 unidades animais (UA) por hectare.
- Verão: Pode chegar a 3 ou 4 UA/ha (1.500 a 2.000 kg de peso vivo).
Uma vantagem extra desse sistema é o Meio Ambiente. O solo drenado e com pasto verde emite menos metano que o solo alagado ou em pousio sujo. Além de ganhar com o boi, você melhora a matéria orgânica do solo para o próximo arroz.
Glossário
Matéria Seca (MS): Representa a porção do alimento que resta após a retirada de toda a sua umidade, sendo a medida real do valor nutricional disponível para o rebanho. É o padrão técnico utilizado para calcular a produtividade das pastagens e planejar o suporte animal por hectare.
Cereais de Duplo Propósito: Cultivares de cereais de inverno, como trigo e triticale, desenvolvidos para permitir o pastejo inicial pelo gado e a posterior colheita de grãos na mesma safra. Essa tecnologia otimiza o uso da terra e gera renda extra ao produtor durante o vazio outonal.
Adensamento do Solo: Processo de compactação da camada superficial do solo causado pela pressão do pisoteio animal ou tráfego de máquinas, reduzindo a porosidade. Em sistemas bem manejados, esse efeito é superficial e corrigido naturalmente pelo crescimento das raízes da cultura sucessora.
Solos Hidromórficos: Terrenos característicos de várzeas que permanecem saturados de água por longos períodos devido à deficiência de drenagem. São solos típicos para o cultivo de arroz irrigado, mas que exigem manejo de drenagem para a introdução de soja ou pastagens.
Fitotoxidade: Efeito tóxico ou dano causado às plantas por agentes químicos, como resíduos de herbicidas que permanecem no solo (efeito residual). Pode causar desde o amarelamento das folhas até a morte das plântulas em sucessão a culturas que utilizaram defensivos específicos.
Unidade Animal (UA): Unidade de medida padrão utilizada para calcular a carga animal em uma pastagem, equivalente a um animal de 450 kg de peso vivo. Permite ao produtor equalizar o consumo de diferentes categorias de gado com a capacidade de suporte do pasto.
Desbaste: Prática silvicultural que consiste na remoção planejada de parte das árvores de um sistema florestal para reduzir a competição por luz e nutrientes. No sistema de integração, é fundamental para garantir que a luminosidade atinja o pasto e mantenha sua produtividade.
Veja como o Aegro pode ajudar a superar esses desafios
Manter o equilíbrio ideal entre a altura do pasto e a carga animal exige um monitoramento rigoroso para que a produtividade da soja não seja comprometida por erros no manejo. Ferramentas como o Aegro facilitam essa organização, permitindo o registro de atividades de campo e o acompanhamento das rotações de pasto em tempo real. Isso ajuda a evitar o superpastoreio e garante que o solo permaneça em condições ideais para a sucessão com grãos, protegendo o seu investimento.
Além disso, gerenciar sistemas integrados e lidar com a volatilidade de preços exige um controle financeiro na ponta do lápis. O Aegro centraliza o controle de custos com insumos, sementes e manutenção de maquinário, gerando relatórios automáticos que mostram a rentabilidade real de cada talhão. Com dados precisos em mãos, fica muito mais fácil decidir o momento certo de ajustar a carga animal ou investir em novas forrageiras para maximizar o lucro da fazenda.

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Perguntas Frequentes
Quais são as espécies de forrageiras mais indicadas para a rotação entre inverno e verão?
Para o período de inverno, a aveia preta e o azevém são as opções mais seguras e produtivas, podendo ser complementadas por leguminosas como ervilhaca. No verão, o destaque fica para as braquiárias (como a Marandu) e os panicuns (como Mombaça e Aruana). A escolha deve considerar se o objetivo é apenas pastoreio ou se haverá sucessão com lavouras de grãos como soja ou milho.
O pisoteio do gado realmente pode prejudicar a produtividade da soja na safra seguinte?
Não, desde que o manejo da pastagem seja feito corretamente respeitando a altura mínima do pasto. O adensamento causado pelos animais ocorre apenas na camada superficial (0 a 5 cm) e é corrigido naturalmente pelo crescimento das raízes da soja e pela porosidade do solo. Manter o pasto entre 20 e 30 cm de altura garante que o gado engorde sem comprometer a estrutura da terra.
Como saber se a sombra das árvores na Integração Pecuária-Floresta (IPF) está prejudicando o pasto?
O limite crítico para a maioria das forrageiras é de 50% de luminosidade; abaixo disso, a produção de massa verde cai drasticamente. Visualmente, se o pasto começar a apresentar falhas ou crescimento muito lento, é um sinal de que a copa das árvores está muito fechada. Nesses casos, recomenda-se realizar o desbaste (corte de algumas árvores) ou a desrama (poda de galhos baixos) para permitir a entrada de luz.
Qual é o momento seguro para colocar os animais em áreas com plantio de árvores jovens?
A regra prática é soltar o gado apenas quando as árvores atingirem 1,5 vezes a altura dos animais. Por exemplo, se os novilhos têm cerca de 1,20m de altura, as árvores devem ter pelo menos 1,80m para evitar que os animais comam o ponteiro ou quebrem os galhos. Enquanto as árvores não atingem essa altura, a entrelinha pode ser aproveitada para a produção de feno ou silagem.
É possível utilizar o azevém em áreas de arroz irrigado logo após a colheita?
Sim, o azevém é a forrageira ideal para terras baixas, mas existe uma restrição química importante: o uso de herbicidas do grupo das imidazolinonas no arroz. Se esses produtos foram aplicados, o resíduo no solo (fitotoxidade) impedirá o desenvolvimento do azevém. Nestas situações, o produtor deve optar por leguminosas como trevo ou cornichão, que são mais tolerantes a esses resíduos.
Quais são os benefícios ambientais e econômicos de integrar gado no pousio do arroz?
Economicamente, o sistema permite uma lotação de até 4 unidades animais por hectare no verão, transformando terra parada em lucro com ganho de peso. Ambientalmente, o solo drenado e coberto por pastagem emite menos gás metano do que solos alagados ou em pousio sujo. Além disso, a presença do gado ajuda a melhorar a matéria orgânica, o que beneficia diretamente a próxima safra de arroz.
Artigos Relevantes
- Cultivo em Terras Baixas: Como o Sistema Sulco-Camalhão Aumenta a Produtividade: Este artigo é o complemento técnico ideal para a seção de Terras Baixas do texto principal, pois detalha o sistema sulco-camalhão, uma solução prática para o desafio de drenagem mencionado como obrigatório para o sucesso da pastagem após o arroz. Ele oferece o ‘como fazer’ para evitar o solo encharcado que prejudica as forrageiras.
- Rotação Arroz e Soja: Guia Completo para Aumentar a Produtividade e o Lucro: Enquanto o artigo principal foca na introdução do gado, este candidato aprofunda a estratégia de rotação Arroz-Soja, fornecendo a base de gestão agrícola necessária para equilibrar a fertilidade do solo e o manejo de plantas daninhas nesse sistema complexo de terras baixas.
- Capim-Arroz: Como Identificar e Controlar as 3 Espécies na Lavoura: O texto principal alerta sobre o perigo da ‘resteva’ e do pousio sujo; este artigo conecta-se diretamente a esse ponto ao ensinar o produtor a identificar e controlar o capim-arroz. Ele garante que a área esteja limpa e produtiva para a entrada das forrageiras de qualidade, como o azevém.
- Adubação de Arroz: Guia Completo para Lavoura de Sequeiro e Irrigada: O artigo principal menciona que a alta produtividade de biomassa no verão (10 a 15 t/ha) depende de ‘adubo em dia’. Este guia de adubação fornece os critérios técnicos para o manejo nutricional, garantindo que o sistema de integração tenha suporte de nutrientes tanto para os grãos quanto para a pastagem sucessora.
- Colheita de Arroz: Estratégias para Otimizar e Reduzir Perdas: A transição entre a colheita do grão e o plantio da pastagem de inverno é um momento crítico citado no texto principal. Este artigo ajuda o produtor a otimizar a colheita e reduzir perdas, permitindo uma janela de semeadura mais eficiente para a aveia e o azevém, maximizando o ganho de peso do gado no inverno.

![Imagem de destaque do artigo: Melhores Forrageiras para Gado: Guia Inverno e Verão [2025]](/images/blog/geradas/melhores-forrageiras-inverno-verao-gado.webp)