Preço do Trigo: Guia Definitivo para Lucrar Mais [2025]

Foto de perfil de Redação Aegro
Equipe de especialistas da Aegro, dedicada a levar conhecimento, tecnologia e inovação para o produtor rural brasileiro.
Imagem de destaque do artigo: Preço do Trigo: Guia Definitivo para Lucrar Mais [2025]

Índice

Para onde vai o nosso trigo? (E por que isso importa pro seu bolso)

Você já parou para pensar se o trigo que você colhe vai virar pão na padaria ou ração no cocho? Essa é uma dúvida comum, mas a resposta define quanto vão pagar pela sua saca.

A gente sabe que a maior parte do trigo no mundo, cerca de 80%, vai para a alimentação humana. É pão, biscoito, macarrão e bolo. Aqui no Brasil, o consumo é de mais ou menos 56 kg por pessoa ao ano. É muita farinha.

Mas tem um outro lado que muito produtor esquece: a alimentação animal. O trigo pode entrar como forragem (pasto direto), grão ou farelo na ração. Em alguns países, o uso animal chega a passar de 40% do consumo.

Por que estou falando disso? Porque saber o destino do seu produto antes de plantar ajuda a escolher a semente certa e o manejo ideal. Se o foco é o moinho, a qualidade tem que ser top. Se é duplo propósito (pasto e grão), a estratégia muda.


O que manda no preço da saca?

Seu Antônio, produtor no Paraná, certa vez viu o preço do trigo despencar na semana da colheita, mesmo com a lavoura dele estando linda. A frustração foi grande. “Por que caiu se aqui não choveu na colheita?”, ele perguntou.

O problema é que o trigo é uma commodity. Funciona igual ao dólar, ouro ou petróleo: o preço não é decidido na porteira da sua fazenda, mas no mercado mundial.

Três coisas pesam na balança do preço:

  1. Bolsas Internacionais: O que acontece em Chicago (EUA) e Rosário (Argentina) reflete aqui.
  2. Dólar: Como somos grandes importadores, se o dólar sobe, o preço interno tende a acompanhar.
  3. Vizinhos: A oferta de trigo na Argentina, Uruguai e Paraguai mexe direto com o nosso mercado.

O Brasil é o que chamamos de “tomador de preços”. A gente não dita a regra, a gente segue. Somos um dos maiores importadores do mundo (junto com o Egito), trazendo de fora boa parte do que consumimos.

📊 NÚMEROS QUE IMPORTAM: O Brasil produz em média 5,3 milhões de toneladas, mas consome cerca de 11 milhões. Ou seja, a gente precisa comprar de fora mais da metade do que usa. Isso nos deixa dependentes do mercado externo.

Mas tem um detalhe que está na sua mão: a qualidade. O preço muda conforme a classificação (Trigo Pão, Melhorador, Brando, etc.). A Instrução Normativa nº 38 do Mapa define isso. Se o seu trigo tiver PH baixo ou pouca proteína, ele cai de categoria e o preço despenca.


O custo de produção: onde o dinheiro vai embora?

Uma pergunta que tira o sono de muito gestor rural é: “Será que vou conseguir pagar os custos e sobrar algum?”

Na prática, o que mais pesa no bolso do triticultor são dois itens:

  • Fertilizantes: Adubo de base e cobertura.
  • Sementes: Dependendo da tecnologia, a semente pode representar de 10% a 30% do custo total.

Um estudo da Embrapa mostrou que o custo pode variar até 85% de um lugar para outro. Isso acontece por causa do nível de tecnologia e da gestão.

Não adianta colher muito se gastou demais para produzir. A conta tem que fechar. Para garantir uma boa gestão, o ideal é monitorar o preço dos insumos o ano todo e comprar na hora certa, não só quando precisa aplicar.


Seguro Agrícola e Zoneamento: Precisa mesmo?

Quem já perdeu uma lavoura inteira para geada ou seca sabe que o prejuízo demora anos para recuperar. O risco no trigo é alto, principalmente no Sul.

A ferramenta número um para não errar é o Zarc (Zoneamento Agrícola de Risco Climático). Ele diz a época certa de plantar em cada município para fugir das geadas na floração e das chuvas na colheita. Seguir o Zarc é obrigatório para acessar o crédito e o seguro.

E falando em seguro, o produtor brasileiro tem ajuda para pagar a conta. Funciona assim:

  1. Proagro: Isenta o produtor de pagar o financiamento se houver perda climática.
  2. Subvenção Federal: O governo federal paga uma parte do prêmio do seguro (o valor que você paga para a seguradora).
  3. Subvenção Estadual: Em estados como Paraná e São Paulo, o governo estadual também ajuda.

Exemplo prático no Paraná: Se o seguro custar R$ 90,00 por hectare:

  • O Governo Federal paga R$ 63,00 (70%).
  • O Governo Estadual paga R$ 13,50 (15%).
  • Você, produtor, paga só R$ 13,50 (15%).

Venda e Comercialização: Como não ficar na mão?

Você colheu, o grão está no silo (ou no caminhão), e agora? Como vender bem?

Antigamente, o governo comprava tudo. Hoje, o mercado é privado. Mas o governo ainda entra em campo quando o preço cai demais, através da PGPM (Política de Garantia de Preços Mínimos).

Existem mecanismos que você precisa conhecer:

  • AGF (Aquisição do Governo Federal): O governo compra o produto e estoca.
  • PEP e VEP: São leilões para ajudar a escoar o trigo de onde tem muito (geralmente RS e PR) para onde falta, garantindo o preço mínimo ao produtor sem o governo precisar comprar o grão fisicamente.

O grande gargalo, especialmente para o pessoal do Rio Grande do Sul, é a logística. O estado produz mais do que consome. Para esse trigo chegar nos moinhos de São Paulo ou do Nordeste, o frete encarece. Às vezes, sai mais barato para um moinho no Nordeste trazer trigo da Argentina de navio do que comprar do gaúcho de caminhão.

Por isso, ficar atento aos leilões da Conab e ter onde armazenar o grão para não vender na boca da safra (quando o preço é menor) faz toda a diferença.


Glossário

Trigo de Duplo Propósito: Cultivares desenvolvidas para permitir o pastejo animal em uma fase inicial e a posterior colheita de grãos na mesma safra. É uma estratégia comum na integração lavoura-pecuária para otimizar o uso da terra e a rentabilidade no inverno.

Peso do Hectolitro (PH): Índice que mede a densidade dos grãos, representando o peso de 100 litros de cereal. É um dos principais critérios de classificação comercial no Brasil, pois indica o potencial de rendimento de farinha nos moinhos.

Trigo Melhorador: Classificação de trigo que possui alta força de glúten e qualidade superior para panificação. É muito valorizado pelas indústrias para ser misturado a trigos mais fracos, garantindo a elasticidade necessária para a produção de pães e massas industriais.

Zarc (Zoneamento Agrícola de Risco Climático): Instrumento de política agrícola que indica as datas ideais de plantio por município e cultura, cruzando dados de solo e clima. Seguir o Zarc reduz as chances de perdas por eventos climáticos e é obrigatório para acessar o crédito e o seguro rural.

PEP e VEP (Prêmio para Escoamento de Produto): Mecanismos de leilões públicos utilizados pelo governo para subsidiar o transporte do trigo de regiões com excesso de oferta para centros consumidores. Garantem que o produtor receba o preço mínimo sem que o governo precise comprar e estocar o grão fisicamente.

Proagro: Programa federal que exonera o produtor rural do pagamento de financiamentos de custeio quando a lavoura sofre perdas por fenômenos naturais. Atua como uma garantia básica de capital para o agricultor, cobrindo principalmente os recursos financiados em instituições financeiras.

Como a tecnologia ajuda a proteger sua margem no trigo

Como vimos, o sucesso na triticultura exige um equilíbrio delicado entre custos de produção elevados e a volatilidade do mercado global. Ferramentas como o Aegro ajudam a superar esses desafios ao centralizar a gestão financeira e operacional, permitindo que você acompanhe o custo de fertilizantes e sementes em tempo real para garantir que a conta feche no final da safra. Além disso, ao monitorar o estoque e os contratos de venda dentro da plataforma, você ganha clareza para decidir o melhor momento de comercializar sua produção, protegendo sua rentabilidade contra as oscilações inesperadas das bolsas e do câmbio.

Vamos lá?

Quer ter mais controle sobre os custos e lucros da sua fazenda? Experimente o Aegro gratuitamente e descubra como a gestão baseada em dados pode facilitar o seu dia a dia no campo.

Perguntas Frequentes

Qual a diferença prática entre produzir trigo para panificação e trigo para ração?

O trigo para panificação exige um padrão de qualidade superior, com níveis específicos de proteína e PH para atender aos moinhos, o que geralmente garante um preço melhor por saca. Já o trigo para ração ou duplo propósito tem exigências menores de qualidade industrial e serve como uma alternativa estratégica para integrar a lavoura com a pecuária ou salvar o investimento em anos de clima desfavorável.

Por que o preço do trigo no Brasil é tão influenciado pelo dólar e pelo mercado externo?

O trigo é uma commodity precificada em bolsas internacionais, como a de Chicago. Como o Brasil consome cerca de 11 milhões de toneladas por ano e produz apenas metade disso, precisamos importar grandes volumes; por isso, quando o dólar sobe ou a safra na Argentina (nosso principal fornecedor) oscila, o preço interno reage imediatamente para se equilibrar com o custo do produto importado.

Quais são os principais componentes do custo de produção e como reduzi-los?

Os fertilizantes e as sementes tecnológicas são os itens que mais pesam no bolso, podendo representar uma fatia considerável do custo total. A melhor forma de proteger sua margem é realizar uma gestão rigorosa, comprando insumos antecipadamente nos períodos de baixa e utilizando softwares de gestão para monitorar cada centavo gasto por hectare.

Como o Zarc auxilia na segurança financeira da lavoura de trigo?

O Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc) define as janelas ideais de plantio para evitar que a floração ocorra em épocas de geada ou a colheita em períodos de chuva excessiva. Além de mitigar riscos climáticos, seguir o Zarc é um pré-requisito obrigatório para que o produtor consiga contratar o Proagro ou acessar subvenções federais e estaduais ao seguro agrícola.

O que são os leilões de PEP e VEP e como eles ajudam o produtor?

São mecanismos da Política de Garantia de Preços Mínimos (PGPM) usados pelo governo para equilibrar o mercado. O PEP (Prêmio Escoamento de Produto) e o VEP (Valor de Escoamento de Produto) oferecem subvenções para que o trigo seja transportado de regiões com excesso de oferta, como o Sul, para centros de consumo que precisam do grão, ajudando a manter o preço pago ao produtor dentro do mínimo estipulado.

Qual a margem de lucro ideal para a cultura do trigo e como protegê-la?

Especialistas recomendam buscar uma margem de lucro acima de 10%. Para protegê-la, é aconselhável não apostar toda a produção na volatilidade do mercado; se o preço atual cobre seus custos e garante a margem desejada, o ideal é ’travar’ a venda de uma parte da safra antecipadamente, garantindo a rentabilidade mínima necessária.

Artigos Relevantes

  • Qualidade do Trigo: 3 Fatores que Definem o Preço da sua Safra: Este artigo aprofunda o debate sobre a classificação comercial mencionada no texto principal, detalhando como o PH e a proteína definem o preço. Ele oferece o conhecimento técnico necessário para o produtor alcançar as categorias ‘Pão’ ou ‘Melhorador’, que são as mais rentáveis citadas no guia de mercado.
  • Guia Completo da Adubação de Trigo: Do Plantio à Colheita: Como o artigo principal identifica os fertilizantes como o maior peso no custo de produção, este guia técnico oferece a solução prática para otimizar esse gasto. Ele ensina o manejo correto de NPK, essencial para garantir a rentabilidade e a margem de lucro de 10% sugerida pelo especialista.
  • Lavoura de Trigo: 5 Passos Essenciais para Garantir uma Safra de Sucesso: Este conteúdo conecta as decisões de gestão com a prática de campo, focando nos ‘5 passos’ que incluem o Zarc e a escolha de cultivares. Ele complementa a seção de seguro agrícola do texto principal, mostrando como o manejo correto do solo e o zoneamento protegem o investimento contra riscos climáticos.
  • Colheita de Trigo: Guia Completo para Evitar Perdas e Maximizar a Produtividade: O artigo principal alerta que a qualidade e o PH podem despencar na colheita; este guia prático ensina como evitar perdas e organizar a pós-colheita para manter o padrão exigido pelos moinhos. É o complemento ideal para garantir que o esforço de gestão financeira não seja perdido por falhas operacionais no final do ciclo.
  • Colheita de Trigo no Brasil: Cenário, Clima e Projeções para a Safra: Enquanto o texto principal foca no impacto individual no bolso, este artigo expande a visão para o cenário macroeconômico e climático nacional da safra. Ele ajuda o produtor a entender as projeções de mercado e a influência do clima no enchimento de grãos, validando a tese de que o Brasil é um ’tomador de preços’.