Milho na ILP: Guia para Integração Lavoura-Pecuária [2025]

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Índice

Por Que Apostar no Milho para Integrar com a Pecuária?

Você já parou no meio da lavoura, olhou para o pasto vizinho e pensou em como fazer essas duas atividades renderem mais na mesma área? Essa é a dúvida de muito produtor que quer intensificar o uso da terra sem ter dor de cabeça.

O milho é a peça-chave na Integração Lavoura-Pecuária (ILP) por um motivo prático: ele é agressivo. O milho tem um crescimento inicial muito rápido e porte alto. Enquanto isso, as forrageiras tropicais (os capins) demoram um pouco para “arrancar”.

Isso significa que o milho ganha a briga por luz e espaço no começo, vencendo a tal da “matocompetição” na fase crítica.

Além disso, a versatilidade é enorme. Você pode usar o milho para:

  • Vender o grão;
  • Fazer ração na fazenda;
  • Produzir silagem.

E se o capim tentar dominar? Hoje já existem herbicidas que seguram o capim sem machucar o milho. É tecnologia trabalhando a seu favor.


Vou Perder Produtividade no Milho se Plantar com Capim?

Uma pergunta que sempre aparece na roda de conversa é: “Seu Antônio, se eu colocar o capim no meio, ele não vai roubar o adubo do meu milho e diminuir minha colheita?”

A resposta curta é: depende de como você cuida do solo.

Se a fertilidade da sua terra for alta e o manejo for bem feito, a perda de produtividade do milho é zero. Isso mesmo, nula.

Agora, se as condições forem ruins — solo fraco, adubação “meia boca”, seca ou pragas — o milho sente mais. Nessas situações desfavoráveis, as perdas podem variar entre 10% e 15%.

Mas aqui está o “pulo do gato”: quando o milho sofre um pouco, geralmente a pastagem se desenvolve melhor. No final das contas, o que você perdeu em grão, você ganha em carne ou leite logo na sequência. O sistema se compensa.


Qual Capim Escolher Para Não Ter Dor de Cabeça na Colheita?

Imagine a seguinte cena: chega a hora de colher o milho, a máquina entra na roça e o capim está tão alto que começa a embuchar a plataforma. Ninguém quer perder tempo desentupindo colhedora, certo?

A escolha do capim define o sucesso da operação. Veja o que funciona melhor para cada objetivo:

  1. Para palhada e pasto de entressafra (o mais comum): Vá de Brachiaria ruziziensis. Ela compete pouco com o milho, cobre bem o solo e é fácil de secar (dessecar) para a próxima safra.
  2. Para pastagem mais duradoura (1 ou mais anos): As melhores opções são as B. brizantha (Marandu, Xaraés e Piatã).
  3. Para solos muito férteis: Pode usar o gênero Panicum (Mombaça, Tanzânia).

Preciso de Máquina Especial Para Plantar os Dois Juntos?

Muitos produtores desistem da integração achando que precisam comprar um equipamento importado ou caro. Isso é mito. Você pode usar o que já tem no galpão.

Existem, sim, semeadoras próprias que têm caixas separadas para milho e capim. Mas se você não tiver uma, aqui vão as soluções práticas:

  • Mistura no Adubo: Misture as sementes de capim junto com o fertilizante na hora do plantio.
  • Terceira Caixa: Adapte uma caixa extra na sua semeadora convencional (kit forrageira).
  • Plantio Intercalado: Se seu espaçamento for largo (70 a 90 cm), use as linhas da semeadora que ficariam vazias para plantar o capim na entrelinha.
  • A Lanço: Se o preparo for convencional, jogue a semente de capim a lanço antes de plantar o milho e incorpore levemente.

Como Fica a Adubação: O Milho Paga a Conta do Pasto?

Você já fez as contas de quanto custa reformar um pasto degradado do zero? É caro. Agora, e se a lavoura de milho pagasse essa reforma para você?

Essa é a grande mágica da integração. O adubo que você joga para o milho não desaparece na colheita. O efeito residual dos fertilizantes fica ali, pronto para o capim aproveitar.

Na prática, a venda do milho paga o custo da adubação e “entrega de brinde” um pasto reformado, produtivo e de alta qualidade para a seca.

A adubação muda? Basicamente, não. Você segue a recomendação para milho de alta produtividade. Porém, fique atento a dois cenários:

  1. Solos fracos: Vale a pena aplicar um adicional de 30% de Fósforo e Potássio.
  2. Produção de Silagem: Se for fazer silagem, a extração de nutrientes é muito maior (você leva a planta toda embora, não só o grão). Nesse caso, a adubação precisa ser mais pesada para não exaurir o solo.

Preparo do Solo: Cuidados em Áreas Degradadas ou Sujas

Seu João tentou plantar milho direto num pasto velho, cheio de cupim e toco, e quebrou a plantadeira no primeiro dia. Para não passar por isso, o preparo da área é fundamental.

Se você vai entrar em uma área de pastagem degradada para virar lavoura, o serviço começa cedo:

  1. Limpeza: Tire tocos, nivele trilheiros de gado e corrija erosões. Máquina agrícola não gosta de buraco.
  2. Correção: Aplique calcário com antecedência mínima de 12 meses. O objetivo é elevar a saturação por bases acima de 50%. Incorpore fundo (pelo menos 30 cm).
  3. Matéria Orgânica: Não plante logo após arar a terra cheia de massa verde. A decomposição da palhada velha pode “queimar” as sementes novas do milho. Faça uma gradagem uns 30 dias antes para incorporar e deixar o material curtir.

E se a área tiver muita planta daninha? Se for Plantio Direto, aplique o herbicida de manejo (dessecação) pelo menos 15 dias antes de plantar. Garanta que o milho nasça no limpo. Se o mato for muito forte, prefira plantar o capim só depois que o milho já tiver nascido (pós-emergência), assim você pode fazer um controle químico pesado antes de soltar a forrageira.


Glossário

Integração Lavoura-Pecuária (ILP): Sistema de produção que diversifica as atividades em uma mesma área, alternando ou consorciando culturas agrícolas com a criação de animais. Busca otimizar o uso da terra, melhorar a fertilidade do solo e aumentar a rentabilidade do produtor ao longo do ano.

Matocompetição: Concorrência entre a cultura principal e plantas invasoras (ou forrageiras) por recursos vitais como luz, água e nutrientes. O manejo correto visa reduzir essa disputa para que a planta de interesse não tenha seu desenvolvimento prejudicado.

Cálculo de Fertilizantes em Milho e Soja

Dessecação: Aplicação de herbicidas para eliminar a vegetação existente e preparar o terreno para o plantio direto. O objetivo é criar uma camada de palha seca que proteja o solo contra erosão e mantenha a umidade para a cultura sucessora.

Saturação por Bases (V%): Indicador da fertilidade do solo que mostra a porcentagem de nutrientes essenciais disponíveis em relação à capacidade total de retenção do solo. É o principal parâmetro técnico utilizado para calcular a quantidade necessária de calcário para corrigir a acidez da terra.

Efeito Residual: Permanência de nutrientes no solo provenientes de adubações feitas em safras anteriores que ainda podem ser aproveitados pela cultura atual. Na ILP, permite que a pastagem utilize as sobras de fertilizantes aplicados originalmente no milho.

Subdose de Herbicida: Aplicação de uma dosagem reduzida de produto químico utilizada especificamente para retardar o crescimento de uma planta sem matá-la. Técnica empregada para segurar o avanço do capim e evitar que ele sufoque o milho durante a fase inicial de crescimento.

Consórcio de Culturas: Prática de cultivar duas ou mais espécies vegetais simultaneamente na mesma área, como o milho e o capim. O sistema exige planejamento para que as plantas convivam sem que uma prejudique a produtividade da outra.

Veja como o Aegro pode ajudar a potencializar sua integração

Para que a integração lavoura-pecuária traga o retorno esperado, o planejamento financeiro e operacional deve ser impecável. O uso de um software de gestão agrícola como o Aegro permite acompanhar de perto se o milho está, de fato, cobrindo os custos da reforma do pasto, centralizando dados de insumos e produtividade em relatórios claros e fáceis de entender. Além disso, você pode organizar o cronograma de manutenção das máquinas e as datas de aplicação de herbicidas diretamente pelo celular, evitando que o capim atrapalhe a colheita e garantindo que sua frota esteja sempre pronta para o trabalho.

Vamos lá? Quer ter o controle total da sua fazenda e tomar decisões baseadas em dados reais? Experimente o Aegro gratuitamente e profissionalize sua gestão agora mesmo.

Perguntas Frequentes

Por que o milho é considerado a melhor cultura para iniciar a integração com a pecuária?

O milho é ideal por ser uma planta ‘agressiva’, com crescimento inicial muito rápido e porte alto, o que o faz vencer a competição por luz e nutrientes contra o capim. Além disso, sua versatilidade permite ao produtor escolher entre vender o grão, produzir ração própria ou fazer silagem, dependendo da estratégia da fazenda.

O plantio de capim junto com o milho pode reduzir a produtividade da colheita?

A perda de produtividade é nula se o solo estiver fértil e o manejo for bem executado. Em solos fracos ou condições climáticas desfavoráveis, pode haver uma redução de 10% a 15% no milho, mas esse valor geralmente é compensado pelo ganho de peso do gado no pasto de alta qualidade que se forma logo em seguida.

Qual é o capim mais indicado para quem deseja apenas palhada e um pasto de entressafra rápido?

A Brachiaria ruziziensis é a mais recomendada para esse fim, pois compete pouco com o milho e cobre o solo com eficiência. Outra grande vantagem é a facilidade de dessecação, o que simplifica o preparo da área para o plantio da safra seguinte.

Como realizar o plantio dos dois cultivos sem investir em máquinas novas e caras?

O produtor pode utilizar soluções práticas como misturar as sementes de capim diretamente no adubo ou adaptar uma ’terceira caixa’ na semeadora convencional. Também é possível fazer o plantio a lanço antes do milho, lembrando apenas de aumentar a quantidade de sementes em até 100% para garantir uma boa cobertura.

O investimento em adubação para o milho também beneficia a pastagem subsequente?

Sim, este é um dos maiores benefícios do sistema, pois o capim aproveita o efeito residual dos fertilizantes aplicados na lavoura. Na prática, a venda do milho paga o custo da adubação e entrega uma pastagem reformada e nutritiva ‘de brinde’, sem os altos custos de uma reforma de pasto convencional.

Quais são os cuidados básicos ao preparar uma área de pasto degradado para a integração?

O planejamento deve começar cedo, com a aplicação de calcário pelo menos 12 meses antes do plantio para corrigir a acidez do solo. É essencial também realizar a limpeza de tocos e cupins, além de fazer uma gradagem cerca de 30 dias antes da semeadura para que a matéria orgânica velha se decomponha e não prejudique as novas sementes.

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  • Integração Lavoura-Pecuária: Guia para Aumentar Produtividade: Este artigo funciona como a base teórica ideal, expandindo o conceito de ILP introduzido no texto principal. Ele oferece uma visão sistêmica sobre a recuperação de pastagens e o consórcio milho-braquiária, ajudando o produtor a compreender os benefícios de longo prazo para a fertilidade do solo.
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  • Preparo do Solo para Milho: Escolha o Sistema Ideal para sua Propriedade: Considerando que o texto principal dedica uma seção inteira aos cuidados em áreas degradadas, este artigo complementa o tema ao detalhar diferentes sistemas de manejo, como o plantio direto. Ele ajuda o produtor a escolher a estratégia de preparo que melhor preserva a estrutura do solo durante a transição de pasto para lavoura.
  • Safra de Milho: 7 Dicas de Manejo para Aumentar sua Produtividade: Este conteúdo oferece 7 dicas práticas de manejo que reforçam pontos cruciais do artigo principal, como o controle de plantas daninhas e o manejo do consórcio. Ele é valioso por fornecer uma visão operacional que garante que o milho se mantenha ‘agressivo’ o suficiente para vencer a matocompetição citada.
  • Como Escolher as Variedades de Milho Mais Produtivas Para a Sua Realidade: O artigo principal menciona que o milho pode ser usado para grãos, silagem ou ração, e este candidato ajuda o produtor na decisão estratégica de qual híbrido escolher para cada objetivo. Ele adiciona valor ao orientar a escolha da semente certa, garantindo que o potencial produtivo seja atingido mesmo em sistemas integrados.