Nutrição de Gado de Corte: Volumoso vs Concentrado [2025]

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Índice

O Que Realmente Vai no Cocho: Volumoso ou Concentrado?

Sabe aquela conversa de porteira onde um vizinho diz que só dá milho e o outro jura que o pasto resolve tudo? Pois é, na prática, a conta não fecha se a gente não entender o básico. Muita gente joga dinheiro fora errando essa mistura.

Para descomplicar, a dieta do seu gado de corte se divide em dois grupos principais:

  1. Volumoso: É o que enche a barriga e faz o rúmen funcionar. Tem muita fibra. Aqui entra o pasto, o feno, a silagem, a capineira e até a palhada que sobra da colheita. Sem fibra, o boi não rumina e adoece.
  2. Concentrado: É a força, a energia e a proteína num pacote pequeno. Eles têm pouca fibra.
    • Energéticos: Milho, farelo de arroz, mandioca. Dão energia pura.
    • Proteicos: Farelo de soja, torta de algodão e a famosa ureia. Dão a “mistura” para formar carne.

Matéria Seca: O Erro Invisível que Custa Caro

Você já notou que o gado parece comer muito mais silagem do que feno, mas o ganho de peso é parecido? Muita gente acha que a silagem é “fraca” por isso, mas a verdade está na água.

Na nutrição animal, a gente desconta a água e olha só a Matéria Seca (MS). É o peso da comida “torrada”, sem umidade nenhuma.

Veja a diferença prática:

  • Pasto ou Silagem: Têm muita água. O boi precisa comer um volume enorme (tipo 30 kg de capim verde) para tirar os nutrientes que precisa.
  • Ração Seca: Tem pouca água. Comendo menos quilos, ele ingere a mesma quantidade de nutrientes.

Quanto o boi come por dia? A regra de bolso que funciona no campo é a seguinte: um animal adulto come cerca de 2% do seu Peso Vivo (PV) em Matéria Seca.


Ureia: Como Usar Sem Medo de Perder Gado

Todo pecuarista conhece alguém que perdeu animais por intoxicação com ureia. O medo existe, mas quando usada do jeito certo, a ureia é a ferramenta mais barata para manter o gado na seca. O segredo não é sorte, é manejo.

A ureia funciona como uma “proteína falsa”. Ela dá nitrogênio para as bactérias do rúmen, e elas fabricam a proteína para o boi. Mas cuidado: ela não pode ser dada sozinha e nem nas águas (quando o pasto já tem proteína demais).

Passo a passo da adaptação segura (2 semanas): Para evitar problemas, você nunca coloca a dose cheia de uma vez. O rúmen precisa “aprender” a processar a ureia.

  1. Semana 1: Misture 1 saco de sal mineral com ureia para 2 sacos de sal mineral comum.
  2. Semana 2: Misture meio a meio (1 saco com ureia para 1 saco comum).
  3. Semana 3: Pode servir o sal com ureia puro.

Silagem e Alternativas: O Que Pôr no Silo?

Chegou a hora de planejar a seca e a dúvida bate: silagem de milho, sorgo ou cana? Ou aproveito a mandioca?

O milho é o rei da silagem, padrão ouro. Mas e se a terra for mais fraca ou a chuva falhar? O sorgo e o milheto aguentam mais o tranco e produzem bem.

Agora, muita gente pergunta sobre a cana-de-açúcar.

  • Vantagem: O auge dela é justamente na seca, então muitas vezes nem precisa ensilar, pode dar no cocho picada fresca.
  • Se for ensilar: A cana fermenta muito e vira álcool se bobear. Tem que usar aditivo (cal virgem ou inoculante) e vedar muito bem.
  • Nutrição: A fibra da cana é ruim de digestão. O que vale nela é o açúcar (energia).

E a rama de mandioca? É um desperdício deixar a parte aérea da mandioca na roça. As folhas têm até 32% de proteína! Mas cuidado com a mandioca brava.

  • Como usar: Pique a rama e deixe murchar na sombra por pelo menos 24 horas. Isso elimina o veneno (ácido cianídrico). Depois pode servir ou fazer feno.

O Sal Mineral e o “Boi Comendo Osso”

Você já viu vaca roendo osso, madeira ou até pneu velho no pasto? Isso não é vício, é fome oculta. Geralmente, é falta de Fósforo.

Nossos pastos, principalmente no Cerrado, são pobres em minerais. O capim dá energia, mas falta o “tempero” químico para a máquina funcionar.

  • Falta de Fósforo: O gado para de comer, emagrece e a vaca não pega cria. Pior: ao roer ossos de carcaças no pasto, o animal pega Botulismo (a doença da vaca caída) e morre paralisado.
  • Consumo esperado: Um boi adulto deve lamber de 55g a 70g de mistura mineral por dia. Se comerem muito menos ou muito mais, tem algo errado na mistura ou na posição do cocho.

Cocho Coberto é Frescura? Não. É economia.

  1. Chuva estraga o sal: Molhou, empedrou. O gado não lambe pedra dura.
  2. Desperdício: A água lava os minerais caros embora.
  3. Segurança: Se tiver ureia, cocho molhado vira veneno (a “sopa” de ureia mata).

Fosfato de Rocha funciona? Cuidado com a economia porca. O fosfato de rocha é barato, mas tem muito Flúor. O excesso de Flúor causa a Fluorose: os dentes do gado ficam moles, manchados e gastos. O animal não consegue pastar direito e perde peso. Use apenas fontes de fósforo de qualidade (como fosfato bicálcico) ou respeite os limites rigorosos de mistura.


Glossário

Matéria Seca (MS): Representa a porção do alimento que resta após a retirada de toda a sua umidade (água). É o indicador real do valor nutricional, permitindo ao produtor comparar diferentes tipos de forragens e calcular a ingestão real de nutrientes pelo gado.

Rúmen: Primeiro e maior compartimento do estômago dos ruminantes, funcionando como uma grande câmara de fermentação biológica. Nele, bilhões de microrganismos transformam fibras e nitrogênio em energia e proteína aproveitáveis pelo animal.

Timpanismo: Distúrbio digestivo caracterizado pelo acúmulo excessivo de gases no rúmen, que provoca o estufamento visível do flanco esquerdo do animal. Pode ser causado por intoxicações ou dietas desequilibradas, levando à morte por compressão dos pulmões e coração se não tratado rapidamente.

Urease: Enzima que acelera a quebra da ureia em amônia dentro do sistema digestivo. O controle dessa reação é crítico, pois a presença de urease em excesso (como na soja crua) pode causar intoxicação fatal ao liberar amônia mais rápido do que o animal consegue processar.

Inoculante: Aditivo biológico composto por bactérias selecionadas que são aplicadas na silagem para acelerar a fermentação ácida. Melhora a conservação do material ensilado, reduzindo perdas de nutrientes e evitando o crescimento de fungos indesejados.

Ácido Cianídrico: Substância altamente tóxica encontrada em plantas como a mandioca brava e certas variedades de sorgo sob estresse. Sua eliminação no preparo do trato, geralmente via secagem ao sol ou ensilagem, é vital para evitar a morte súbita do rebanho por asfixia química.

Fluorose: Intoxicação crônica causada pelo excesso de flúor na dieta, comum quando se utiliza fontes minerais de baixa qualidade. Provoca o amolecimento e desgaste prematuro dos dentes, impedindo o animal de colher o capim e resultando em perda drástica de peso.

Como a tecnologia ajuda a fechar a conta do cocho

Planejar a dieta do gado e garantir o suprimento para a seca exige um controle rigoroso de estoque e de custos. Ferramentas como o Aegro simplificam essa gestão, permitindo que você registre a entrada de insumos e monitore o custo de produção de forma automática. Com dados precisos na palma da mão, fica muito mais fácil decidir entre investir em mais concentrado ou otimizar o uso do volumoso, garantindo que cada arroba produzida seja, de fato, lucrativa.

Além disso, a organização das atividades de manejo — como o cronograma de adaptação da ureia ou o planejamento da silagem — pode ser agendada e acompanhada pelo aplicativo. Isso centraliza as informações da fazenda e evita desperdícios, ajudando tanto quem está modernizando a gestão quanto quem busca mais agilidade na prestação de contas.

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Perguntas Frequentes

Qual é a principal diferença entre volumoso e concentrado na dieta bovina?

O volumoso, como pasto e silagem, é rico em fibras e essencial para o funcionamento do rúmen e a ruminação do animal. Já o concentrado, composto por grãos e farelos, fornece alta densidade de energia e proteína em pequenas porções. O equilíbrio entre os dois é o que garante ganho de peso sem comprometer a saúde digestiva do boi.

Por que o cálculo da Matéria Seca (MS) é mais importante que o peso total do alimento?

A água presente nos alimentos não nutre o gado, por isso olhamos para a Matéria Seca, que é o nutriente real após descontar a umidade. Como diferentes alimentos possuem teores de água distintos, como a silagem e o feno, o cálculo por MS evita que o produtor forneça menos nutrientes do que o animal precisa para ganhar peso.

Como fazer a adaptação segura do gado ao uso de ureia no cocho?

A adaptação deve durar duas semanas para que as bactérias do rúmen aprendam a processar o nitrogênio. Na primeira semana, misture um saco de sal com ureia para dois sacos de sal comum; na segunda, use a proporção de meio a meio. Somente a partir da terceira semana o sal com ureia deve ser servido puro, sempre em cocho coberto para evitar intoxicação pela chuva.

Quais são os cuidados necessários ao oferecer rama de mandioca para o gado?

Embora seja rica em proteínas, a rama de mandioca fresca possui ácido cianídrico, que é altamente tóxico. Para utilizá-la com segurança, é obrigatório picar a rama e deixá-la murchar à sombra por pelo menos 24 horas antes de servir. Esse processo elimina o veneno e transforma o resíduo em um excelente recurso alimentar para a seca.

O que a prática de ‘roer ossos’ indica sobre a saúde do rebanho?

Esse comportamento é um sinal claro de deficiência mineral, especialmente de fósforo, conhecida como fome oculta. Além de prejudicar o desenvolvimento e a reprodução, o hábito de roer ossos expõe o animal ao risco de botulismo, uma doença fatal. A solução é fornecer suplementação mineral de qualidade em cochos de fácil acesso e protegidos da umidade.

Vale a pena substituir a silagem de milho pela cana-de-açúcar?

A cana é uma alternativa barata e estratégica para o período de seca, mas possui fibra de baixa digestibilidade e requer correção proteica. Enquanto o milho é o padrão ouro em nutrição, a cana funciona bem se for bem manejada com aditivos (como cal ou inoculantes) para evitar a fermentação alcoólica. A escolha deve basear-se na disponibilidade de terra, clima e custos de produção da fazenda.

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