Índice
- Vale a pena formar pasto no Pantanal ou fico só no nativo?
- Qual o melhor capim para o seu solo?
- Adubação e Calagem: Precisa mesmo gastar com isso?
- Quantidade de semente: A conta que evita prejuízo
- O ponto de boi: Quando entrar e quando tirar o gado?
- Cigarrinha e “Requeima”: Como resolver sem veneno
- Degradação: Evite perder o investimento
- Glossário
- Como a tecnologia ajuda a transformar pasto em lucro
- Perguntas Frequentes
- Por que não é recomendado formar pastagens nas áreas de cordilheiras no Pantanal?
- Qual é a melhor opção de capim para solos arenosos e com drenagem deficiente?
- Realmente não é necessário fazer adubação ou calagem no Pantanal arenoso?
- Como funciona a estratégia do ‘coquetel’ de sementes na formação do pasto?
- Como identificar o momento certo de retirar o gado do pasto para evitar a degradação?
- É seguro manter cavalos em pastagens de braquiária?
- Existe uma forma natural de controlar a infestação de cigarrinhas?
- Artigos Relevantes
Vale a pena formar pasto no Pantanal ou fico só no nativo?
Você já deve ter se perguntado se o custo de limpar a área, comprar semente e passar a grade compensa em terras pantaneiras. Muita gente acha que o pasto nativo resolve tudo, mas quem vive a realidade das cheias e secas sabe que a conta nem sempre fecha.
A resposta direta é: em alguns casos, vale sim. O objetivo não é substituir tudo, mas complementar. O segredo é ter uma “reserva” estratégica.
Antigamente, o pessoal formava pasto nas cordilheiras (aquelas partes mais altas com mata). Esqueça isso. Além de ser caro desmatar, você tira o abrigo do gado e da fauna, e o impacto ambiental é alto.
Onde formar então? O “pulo do gato” é usar áreas onde você não precisa desmatar. Procure áreas de campo sujo, onde predominam:
- Capim-carona
- Capim-fura-bucho
- Capim-vermelho
- Capim-rabo-de-burro
Nesses lugares, a formação é mais barata e você preserva os capões e as árvores. É bom para o bolso e evita dor de cabeça com fiscalização.
Qual o melhor capim para o seu solo?
“Seu Antônio, qual semente eu compro?” Essa é a dúvida campeã no balcão da agropecuária. Se você errar na escolha da semente, não adianta rezar para chover: o pasto não vinga.
No Pantanal, a gente tem que dançar conforme a música (ou conforme o solo e a água). As nativas seriam o ideal, mas é difícil achar semente comercial. Então, vamos para as Braquiárias (gênero Urochloa), que são as guerreiras da nossa região.
Aqui está o “quem é quem” das sementes para a nossa realidade:
- Braquiária Humidicola (U. humidicola): É o “trator” do Pantanal. Aguenta solo arenoso, pobre e úmido (mal drenado). É a mais plantada. No começo ela é lenta, parece que não vai, mas depois cobre tudo e aguenta pisoteio.
- Braquiária Decumbens (U. decumbens): Vai bem em solo fraco, mas precisa ser bem drenado. O problema? A cigarrinha adora ela e pode dar “requeima” nos bezerros.
- Brizantão ou Marandú (U. brizantha): É a “carne de primeira”. Tem o melhor valor nutritivo (8% a 9% de proteína). Só que ela é enjoada: precisa de terra boa e não aguenta alagamento. Se você tem uma área mais alta e fértil, pode arriscar.
- Dictyoneura (U. dictyoneura): Uma opção para solos arenosos médios, boa para misturar com as outras.
⚠️ ATENÇÃO: O capim Pojuca e a U. ruziziensis não aguentaram o tranco nos solos arenosos e pobres do Pantanal. Não jogue dinheiro fora tentando.
Adubação e Calagem: Precisa mesmo gastar com isso?
Muitos consultores de escritório vão te mandar fazer análise de solo e aplicar toneladas de calcário e NPK. Mas quem põe a botina no barro sabe que a logística no Pantanal é outro mundo.
A boa notícia para o seu bolso: Não recomendamos adubação nem calagem na formação dessas pastagens no Pantanal arenoso.
Por que não?
- O solo ajuda: A maioria dos solos arenosos da região já tem um pH entre 5,5 e 6,5. A braquiária vai bem nessa faixa.
- O bolso agradece: O custo de levar calcário para essas áreas é proibitivo.
- A chuva leva: Como o solo é arenoso e tem muita água, o adubo que você jogar vai ser lavado (lixiviado) antes da planta aproveitar. É jogar dinheiro na enxurrada.
💡 DICA DE QUEM JÁ FEZ: Em vez de tentar corrigir o solo, corrija o animal. O cálcio e o magnésio que faltam no capim devem ser dados no cocho de sal mineral. Garanta um suplemento de qualidade e o gado vai responder.
Quantidade de semente: A conta que evita prejuízo
Você chega na loja e o vendedor quer te empurrar semente barata. Cuidado. O barato sai caro se o pasto nascer falhado e o mato tomar conta. Você precisa olhar o Valor Cultural (VC).
VC é a porcentagem de semente que realmente vai nascer. Se o VC é 25%, significa que num saco de 10kg, só 2,5kg são sementes vivas. O resto é palha e terra.
A regra de ouro:
- Para Humidicola: Nunca use semente com VC menor que 25%.
- Quantidade média: De 15 kg a 20 kg por hectare.
A mistura ideal (O “Coquetel”): Como a Humidicola demora para fechar o chão, o segredo é misturar com uma braquiária mais rápida.
- A Receita: 50% a 60% de Humidicola + 40% a 50% de Decumbens (ou Brizantha).
- O Resultado: A Brizantha/Decumbens nasce rápido, fecha o solo e você põe o gado mais cedo. Depois de uns 2 anos, a Humidicola domina a área e fica o pasto definitivo.
📊 NÚMEROS QUE IMPORTAM: Uma conta rápida para saber quantos quilos usar por hectare é dividir 400 pelo VC da semente. Exemplo: VC 50? 400 ÷ 50 = 8kg/ha (mas garanta uma margem de segurança, use pelo menos 10-15kg na mistura).
O ponto de boi: Quando entrar e quando tirar o gado?
Aqui é onde muito produtor perde a pastagem formada. Se botar o gado muito cedo, arranca a muda. Se deixar passar, o capim fica duro e perde valor.
1. O primeiro pastejo: O gado deve entrar de 90 a 120 dias após o plantio. Mas atenção: é um “pastejo leve”. É só para o gado despontar o capim, o que ajuda a planta a soltar mais perfilhos (brotar dos lados) e fechar o solo.

2. A altura certa de saída: Existe um ditado antigo no campo que vale ouro: “Vaca não gosta de vento na canela”. Se o pasto está tão baixo que você vê a canela da vaca inteira, você já passou do ponto e está degradando sua terra.
- Humidicola: Pode baixar até 15 cm do solo.
- Decumbens e Brizantha: Tire o gado quando estiver com 25 a 30 cm.
3. Lotação: A média anual é de 0,8 UA por hectare (quase uma vaca por hectare). Nas águas, pode chegar a 1 UA/ha. Na seca, tem que aliviar, senão acaba com o pasto.
Cigarrinha e “Requeima”: Como resolver sem veneno
Se você plantou Decumbens, fique esperto. Ela é a preferida das cigarrinhas e pode causar a fotossensibilização (requeima ou orelha frita), principalmente em bezerros.
O segredo do controle da cigarrinha: No Pantanal, a gente tem muito inimigo natural (pássaros, aranhas, formigas) que ajuda. Mas se a infestação apertar, o melhor remédio é o próprio gado. Faça um superpastejo (coloque bastante gado por pouco tempo) para baixar bem o capim.
- O motivo: A luz do sol penetra na base da touceira, seca a espuma da cigarrinha e mata as larvas.
- O cuidado: Depois desse “ataque”, tire o gado e deixe o pasto descansar (vedar) para recuperar.
E a Requeima (Fotossensibilização)? Se o bezerro aparecer com a orelha descascando ou feridas na pele:
- Tire ele imediatamente desse pasto (geralmente Decumbens).
- Coloque em um pasto com sombra.
- Use protetor hepático e pomada cicatrizante.
⚠️ ALERTA PARA QUEM TEM CAVALO: Braquiária não é pasto para equinos! Ela causa “cara inchada” por desbalanço de cálcio. Para cavalos, plante Grama-estrela, Tifton ou use áreas nativas. Se tiver que deixar na braquiária, o sal mineral tem que ser específico para corrigir isso.
Degradação: Evite perder o investimento
Pasto cultivado no Pantanal dura mais de 20 anos se bem cuidado. Mas se você abusar, perde tudo no primeiro ano.
A causa número 1 de pasto degradado é o excesso de lotação. Não adianta querer colocar mais gado do que o pasto aguenta. O capim perde força, a raiz enfraquece e o mato invade.
Se o pasto sujou muito:
- Passe uma roçadeira ou uma grade fechada.
- Dê um tempo de descanso (veda).
- Respeite a altura de entrada e saída na próxima rodada.
Glossário
Valor Cultural (VC): Índice que mede a qualidade real de um lote de sementes, multiplicando a pureza pela porcentagem de germinação. É essencial para o produtor calcular a densidade correta de semeadura e evitar o nascimento falhado do pasto.
Lixiviação: Processo de ’lavagem’ de nutrientes e minerais para as camadas profundas do solo pela água da chuva, tornando-os inacessíveis às raízes. É um fenômeno muito comum em solos arenosos, o que torna a adubação convencional menos eficiente nessas áreas.
Perfilhamento: Capacidade da gramínea de emitir novos brotos (perfilhos) a partir da base da planta original. Este processo é estimulado pelo primeiro pastejo leve e é fundamental para o fechamento total do solo e o adensamento da pastagem.
Unidade Animal (UA): Unidade padrão de medida de rebanho que equivale a um animal de 450 kg de peso vivo. Serve para o pecuarista calcular a taxa de lotação ideal, garantindo que o número de animais esteja em equilíbrio com a oferta de capim.
Fotossensibilização (Requeima): Enfermidade que causa lesões na pele e mucosas dos animais devido à ingestão de plantas ou fungos que reagem com a luz solar. No Pantanal, ocorre frequentemente em bezerros manejados em áreas de Braquiária decumbens, exigindo tratamento imediato e remoção para áreas sombreadas.
Vedação (Veda): Técnica de manejo que consiste em retirar o gado de uma área de pastagem por um período determinado para permitir a recuperação da planta ou formação de sementes. É uma ferramenta estratégica para garantir massa verde para o período de seca ou controlar pragas.
Calagem: Aplicação de calcário no solo para corrigir a acidez (elevar o pH) e fornecer cálcio e magnésio às plantas. Embora técnica fundamental na agricultura, sua viabilidade econômica deve ser avaliada no Pantanal devido ao alto custo de transporte e logística.
Campo Sujo: Fitofisionomia caracterizada por uma área de campo com a presença esparsa de arbustos e árvores de pequeno porte. No contexto pantaneiro, são áreas preferenciais para formação de pasto por exigirem menor intervenção mecânica e apresentarem menor impacto ambiental.
Como a tecnologia ajuda a transformar pasto em lucro
Formar pastagem no Pantanal exige um investimento alto e um planejamento minucioso para que o dinheiro não se perca na enxurrada. Para garantir que cada quilo de semente e cada hora de trator tragam retorno, a organização financeira é sua maior aliada. O software de gestão agrícola da Aegro permite que você registre todos os custos de formação e acompanhe o estoque de insumos em tempo real, garantindo que o valor investido por hectare esteja sempre sob controle e dentro do planejado.
Além do financeiro, o sucesso da pecuária pantaneira depende de um manejo operacional afiado, especialmente no controle do ponto de pastejo. Com o aplicativo da Aegro, você pode registrar as datas de entrada e saída do gado e monitorar o descanso de cada área diretamente pelo celular, mesmo sem internet no campo. Isso evita o superpastejo e a degradação, ajudando a manter a produtividade da braquiária por muito mais tempo.
Vamos lá?
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Perguntas Frequentes
Por que não é recomendado formar pastagens nas áreas de cordilheiras no Pantanal?
Formar pasto em cordilheiras não é aconselhável devido ao alto custo do desmatamento e ao forte impacto ambiental, já que essas áreas são refúgios naturais para a fauna e o próprio gado. O ideal é aproveitar áreas de ‘campo sujo’, onde a vegetação é rasteira, reduzindo gastos com limpeza e evitando problemas com a fiscalização ambiental.
Qual é a melhor opção de capim para solos arenosos e com drenagem deficiente?
A Braquiária Humidicola é a escolha mais segura para solos arenosos, pobres ou sujeitos a alagamentos temporários no Pantanal. Conhecida pela sua rusticidade, ela suporta bem o pisoteio e, embora demore mais para se estabelecer inicialmente, forma uma cobertura de solo muito persistente e duradoura.
Realmente não é necessário fazer adubação ou calagem no Pantanal arenoso?
Na maioria dos casos, não. O custo logístico para levar calcário e fertilizantes é proibitivo e o solo arenoso facilita a lixiviação, fazendo com que a chuva ’lave’ os nutrientes antes que as plantas os aproveitem. A estratégia mais eficiente e econômica é suprir as carências de cálcio e magnésio dos animais diretamente no cocho, através de um bom sal mineral.
Como funciona a estratégia do ‘coquetel’ de sementes na formação do pasto?
Essa técnica consiste em misturar sementes de Humidicola (60%) com variedades de crescimento mais rápido, como Decumbens ou Brizantha (40%). Isso permite que o solo seja coberto rapidamente pelas espécies mais ágeis, possibilitando a entrada do gado mais cedo, enquanto a Humidicola se desenvolve gradualmente para se tornar a pastagem definitiva em cerca de dois anos.
Como identificar o momento certo de retirar o gado do pasto para evitar a degradação?
A regra prática é observar a ‘canela da vaca’: se o capim estiver tão baixo que você consegue ver a canela inteira do animal, o pasto está sendo rapado excessivamente. Para a Humidicola, o limite de saída é de 15 cm de altura, enquanto para Decumbens e Brizantha o gado deve ser retirado quando o capim atingir entre 25 cm e 30 cm.
É seguro manter cavalos em pastagens de braquiária?
Não é recomendado, pois as braquiárias podem causar o desequilíbrio de cálcio conhecido como ‘cara inchada’ em equinos. Para cavalos, o ideal é utilizar áreas de pasto nativo ou plantar espécies específicas como a Grama-estrela e o Tifton, que não apresentam esse risco metabólico.
Existe uma forma natural de controlar a infestação de cigarrinhas?
Sim, o controle pode ser feito através do manejo do pastoreio, utilizando uma alta lotação de gado por um curto período para baixar a altura do capim. Isso permite que a luz solar penetre na base das plantas e seque a espuma onde as larvas da cigarrinha se protegem, eliminando-as sem a necessidade de defensivos químicos.
Artigos Relevantes
- Brachiaria: O Guia Completo para Pastagem, Palhada e Integração Lavoura-Pecuária: Como o texto principal foca extensivamente no uso de Braquiárias (Humidicola, Decumbens e Brizantha) para o Pantanal, este guia expande o conhecimento técnico sobre o gênero Urochloa. Ele oferece uma visão detalhada sobre o manejo dessas gramíneas, complementando as recomendações de pastejo e produtividade citadas no artigo base.
- Solo Arenoso: Características, Manejo e Correção: Este artigo fornece a base científica necessária para entender por que o texto principal desaconselha a adubação e calagem no Pantanal arenoso. Ele detalha os processos de baixa retenção de nutrientes e lixiviação, validando tecnicamente a estratégia de focar na suplementação via cocho em vez da correção do solo.
- Como Recuperar o Solo da Lavoura Após uma Enchente: Um Guia Prático: Considerando que o Pantanal é definido pelo ciclo de cheias mencionado no texto principal, este artigo preenche uma lacuna prática sobre como recuperar a estrutura do solo após o recuo das águas. Ele ajuda o produtor a lidar com as consequências físicas e químicas das inundações, garantindo a longevidade da pastagem formada.
- Sementes Piratas: O Guia Completo Sobre Riscos e Como Evitar Prejuízos: O artigo principal enfatiza fortemente o Valor Cultural (VC) e o perigo de sementes baratas que ’não vingam’. Este conteúdo complementar aprofunda os riscos técnicos e legais de sementes de baixa qualidade, reforçando a importância do investimento em insumos certificados para evitar o prejuízo na formação do pasto.
- Guia Completo: Como Identificar e Controlar o Capim-Rabo-de-Burro na Lavoura: O texto principal lista o Capim-rabo-de-burro como um dos principais indicadores de ‘campo sujo’ ideais para a formação de pasto com baixo custo. Este guia auxilia o produtor na identificação botânica precisa dessa espécie e no seu manejo, facilitando a escolha correta das áreas para expansão da pastagem sem desmatamento.

![Imagem de destaque do artigo: Pasto Cultivado x Nativo no Pantanal: Qual Escolher? [2025]](/images/blog/geradas/pasto-cultivado-x-nativo-vantagens-pantanal.webp)