Piscicultura no Pantanal: Guia Completo para Lucrar [2025]

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Índice

Aqui está o corpo principal do artigo, focado na prática do dia a dia da fazenda, transformando os dados técnicos em orientações claras para o Seu Antônio e a Dona Maria.


Piscicultura no Pantanal: Por Onde Começar?

Você já deve ter olhado para aquele corpo d’água na fazenda e pensado: “Será que dá para tirar um dinheiro extra aqui com peixe?”. Essa é uma dúvida comum, mas cuidado. Criar peixe não é só jogar alevino na água e esperar crescer.

Piscicultura é Zootecnia pura: exige estrutura, ração, manejo e controle. O objetivo é mexer com a reprodução e o crescimento para ter lucro, usando viveiros ou tanques-rede.

No Pantanal, o cenário é específico. O solo da região costuma ter muita areia, o que dificulta segurar a água em viveiros escavados (aqueles buracos feitos com trator). Além disso, achar uma área que não alague na cheia é um desafio.

O que fazer então? Se o solo não ajuda, a saída pode ser o uso de tanques-rede, aproveitando a massa de água que já existe. Mas fique de olho na “decoada” (quando a matéria orgânica apodrece e falta oxigênio na água). Se isso acontece na sua área, o tanque-rede pode ser arriscado.


Qual Sistema Escolher: Do Básico ao Tecnológico

Muitos produtores me perguntam: “Qual sistema dá mais lucro?”. A resposta depende do quanto você quer investir e trabalhar. Vamos simplificar as opções:

  1. Extensivo (O mais simples): Você usa um açude grande (mais de 50.000 m²) e quase não mexe na água. O peixe come o que tem lá.
    • Produção: Baixa (100 a 1.000 kg por hectare/ano). É peixe para o gasto ou renda extra pequena.
  2. Semi-intensivo (O mais comum): É o “arroz com feijão” da piscicultura mundial. Viveiros menores, troca de água diária (1% a 10%) e uso de adubação ou ração.
    • Produção: Com ração boa e manejo certo, chega a 6.000 kg por hectare/ano.
  3. Intensivo e Superintensivo (Alta tecnologia): Aqui o bicho pega. Tanques menores, muita renovação de água e só ração balanceada.
    • Produção: Pode passar de 40.000 kg/ha/ano, mas exige monitoramento diário da saúde e da água.

Escolhendo a Espécie: O Que Pode e O Que Não Pode

“Vizinho, vou trazer uma espécie diferente lá de fora pra criar aqui.” Pare agora mesmo. Trazer peixe de fora para a Bacia do Alto Paraguai é proibido por lei estadual e federal. Nem tente, ou a fiscalização vai bater na sua porta.

A boa notícia é que nossas espécies nativas são excelentes e valorizadas. O segredo é escolher peixes que aguentam o manejo, crescem rápido e têm mercado garantido.

As melhores apostas para o Pantanal:

  • Carne nobre: Pintado, Cachara e Pacu (são os campeões de tecnologia dominada).
  • Outras opções viáveis: Piavuçu e Curimbatá.
  • Isca viva: Lambari e Tuvira (embora a Tuvira ainda falte informação técnica sobre criação).

O Segredo da Engorda: Ração e Qualidade da Água

Você não daria milho mofado para o gado, certo? Com peixe é igual. O crescimento depende diretamente da qualidade da água e da comida.

1. A Água

O peixe não regula a temperatura do corpo. Quem manda é a água.

  • 26°C a 30°C: É o filé mignon. O peixe come bem e cresce rápido.
  • Abaixo de 22°C: Ele para de comer.
  • Acima de 30°C: Perigoso, diminui o apetite.

2. A Ração

Ração ruim esfarela na água, o peixe não come e o fundo do tanque fica podre (poluído).

  • Peixes carnívoros (Pintado, Cachara): Precisam de mais proteína.
  • Peixes onívoros: Aceitam menos proteína.
  • Fase de vida: Alevino precisa de ração forte (muita proteína). Conforme cresce, você pode diminuir a proteína. Num ciclo, você vai trocar o tipo de ração umas 4 a 6 vezes.

⚠️ ATENÇÃO À VITAMINA C: Peixe de cultivo precisa de Vitamina C na ração. A falta dela deixa o peixe torto (coluna deformada), anêmico e com feridas que não saram. Se viu peixe torto, verifique a nutrição.


Densidade: Quantos Peixes Cabem no Tanque?

A ganância é inimiga da produção. Um erro clássico é colocar peixe demais achando que vai lucrar mais.

Funciona assim: quanto mais peixe, maior a produção total, mas menor o tamanho individual do peixe. Se você apertar demais, eles demoram muito para chegar no peso de abate.

📊 NÚMEROS QUE IMPORTAM (Referência de Biomassa):

  • Fase 1 (pequenos - 30g a 50g): Até 4.000 kg por hectare.
  • Fase 2 (médios - 100g a 300g): Até 5.000 kg por hectare.
  • Fase 3 (gordos - acima de 1,5kg): Até 8.000 kg por hectare.

Use o bom senso. Se quer peixe grande rápido, trabalhe com folga.


Reprodução: Quando a Natureza Precisa de Ajuda

No rio, o peixe sobe a correnteza (piracema) para desovar. No tanque, ele não faz isso sozinho. Para tirar alevino, precisamos fazer a indução hormonal.

Na prática, aplica-se hormônio (geralmente extrato de hipófise de carpa ou sintético) no peixe.

  • Fêmeas: Recebem duas doses.
  • Machos: Recebem uma dose única (junto com a segunda da fêmea).

Isso deve ser feito na época da piracema natural.

Depois do processo, deixe os reprodutores descansarem num viveiro separado, com comida boa, para se recuperarem para o próximo ano.


Hora da Colheita e Venda: Não Perca Dinheiro no Final

Chegou a hora de tirar o peixe da água (despesca). Use redes sem nós duros para não machucar o peixe. A malha da rede deve ter, no máximo, um quarto da altura do peixe.

O Transporte

Se for vender vivo, o cuidado dobra. Peixe de barriga cheia morre no transporte porque consome muito oxigênio e suja a água com fezes.

  • Regra de Ouro: Faça o jejum (parar de alimentar) de 24 a 72 horas antes de carregar o caminhão. Isso limpa o intestino do peixe e acalma o metabolismo.

Mercado e Diversificação

Não pense só no filé.

  • Couro: A pele de Pintado e Cachara é valiosa para botas, bolsas e artesanato. Peixes acima de 1kg já dão uma pele boa para curtir.
  • Épocas de Venda: A Quaresma é ótima para vender tudo, mas todo mundo vende junto e o preço cai. Tente programar sua produção para ter peixe quando os outros não têm.

Glossário

Alevino: Peixe em seu estágio inicial de desenvolvimento, logo após a absorção do saco vitelino e antes de se tornar juvenil. É a fase em que o animal é geralmente adquirido pelo produtor para iniciar o povoamento dos tanques.

Decoada: Fenômeno caracterizado pela alteração na qualidade da água devido à decomposição de matéria orgânica, resultando na queda drástica dos níveis de oxigênio. É um evento crítico em regiões de planícies alagáveis como o Pantanal.

Tanque-rede: Sistema de confinamento de peixes em estruturas flutuantes cercadas por telas ou redes que permitem a livre circulação da água. É ideal para aproveitar corpos d’água existentes onde o solo não permite a construção de viveiros escavados.

Biomassa: Representa o peso total de peixes vivos presentes em um determinado volume de água ou área de viveiro. É o principal indicador para monitorar a densidade de estocagem e evitar a sobrecarga do sistema.

Indução Hormonal: Técnica de reprodução assistida que utiliza a aplicação de hormônios para estimular a desova de peixes que não se reproduzem espontaneamente em tanques. Essencial para a propagação de espécies nativas que exigem o estímulo da piracema.

Peixes Onívoros: Espécies que possuem hábito alimentar flexível, consumindo tanto fontes vegetais quanto animais. Na produção, apresentam manejo facilitado por aceitarem rações com níveis moderados de proteína bruta.

Despesca: Operação de retirada dos peixes dos viveiros ou tanques-rede para fins de comercialização, abate ou transferência. Envolve o uso de redes específicas e requer planejamento de manejo prévio para reduzir o estresse do animal.

Como a tecnologia ajuda na lucratividade da sua piscicultura

Manter o equilíbrio entre a nutrição correta e o controle de custos é um dos maiores desafios para quem cria peixes no Pantanal. Como o ciclo exige trocas constantes de ração e monitoramento rigoroso da biomassa, contar com uma ferramenta de gestão como o Aegro permite que você registre todas as atividades do dia a dia e acompanhe os gastos com insumos em tempo real. Isso evita desperdícios e garante que você saiba exatamente o custo de cada lote, facilitando a organização financeira e a prestação de contas.

Além disso, centralizar as informações operacionais ajuda a planejar a despesca com base em dados reais de desempenho, garantindo que a venda ocorra nos períodos de melhor oportunidade de mercado. Com um sistema intuitivo e suporte humano, o Aegro ajuda a modernizar a gestão da fazenda de forma simples, permitindo que você foque no que realmente importa: a produtividade da sua lâmina d’água.

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Perguntas Frequentes

Como lidar com o solo arenoso do Pantanal ao construir tanques para peixes?

O solo arenoso dificulta a retenção de água em viveiros escavados, por isso é essencial realizar um estudo de viabilidade técnica. Uma alternativa comum na região é o uso de tanques-rede em corpos d’água já existentes ou a impermeabilização dos tanques escavados com argila ou mantas específicas para evitar infiltrações.

É permitido criar qualquer espécie de peixe na bacia do Pantanal?

Não, é estritamente proibido por leis estaduais e federais introduzir espécies que não sejam nativas da Bacia do Alto Paraguai. O produtor deve focar em peixes da região, como o Pintado, Cachara e Pacu, que já possuem tecnologias de criação bem dominadas e excelente aceitação no mercado.

Por que o sistema semi-intensivo é o mais recomendado para quem está começando?

O sistema semi-intensivo oferece o melhor equilíbrio entre investimento inicial e produtividade, permitindo colher até 6.000 kg por hectare/ano. Ele exige um manejo mais simples que os sistemas superintensivos, mas garante um retorno financeiro superior ao sistema extensivo através do uso de ração e controle básico da água.

Qual a importância da Vitamina C na alimentação dos peixes de cultivo?

A Vitamina C é vital porque os peixes não a produzem naturalmente e sua falta causa a ‘doença do peixe torto’ (deformação na coluna), anemia e baixa imunidade. Garantir uma ração de qualidade com níveis adequados dessa vitamina previne perdas por doenças e garante que o peixe tenha um aspecto visual saudável para a venda.

Por que é necessário deixar o peixe em jejum antes de realizar o transporte?

O jejum de 24 a 72 horas limpa o trato digestivo do peixe, reduzindo a excreção de amônia e o consumo de oxigênio durante o transporte. Esse manejo acalma o metabolismo do animal, diminuindo drasticamente o estresse e a mortalidade durante o trajeto até o comprador ou frigorífico.

O que é a ‘decoada’ e como ela afeta a produção de peixes?

A decoada é um fenômeno natural onde a decomposição de matéria orgânica consome o oxigênio da água, o que pode ser fatal para peixes em tanques-rede. Identificar se a sua área de produção está sujeita a esse evento é crucial antes de investir em estruturas flutuantes, evitando perdas totais de lotes durante as cheias.

Além da carne, quais outras formas existem de lucrar com a piscicultura?

O produtor pode diversificar sua renda comercializando o couro de espécies como Pintado e Cachara para a indústria de moda e artesanato, ou investindo na criação de iscas vivas, como o Lambari. Além disso, o planejamento da despesca para períodos de entressafra permite obter preços melhores do que nos picos de oferta, como a Quaresma.

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