Plantio Direto: Como Corrigir o Solo e Evitar Perdas [2025]

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Índice

Começar o Plantio Direto sem corrigir o solo: dá certo ou é prejuízo?

Sabe aquela pressa de começar logo o plantio direto e “ajeitar a terra” depois? O produtor que faz isso costuma ter dor de cabeça. A pergunta que mais ouço na beira da cerca é: “Dá para entrar no SPD sem corrigir o solo direito?”

A resposta curta e grossa é: não é o ideal.

Um solo bem corrigido garante que suas culturas de verão e inverno cresçam fortes. Isso gera mais grãos e, principalmente, mais palha para cobrir o chão. E sem palha, não tem plantio direto que se sustente.

Mas, se por algum motivo você não conseguiu corrigir tudo antes, dá para fazer correções graduais. O segredo é aplicar doses de adubo acima do recomendado para ir subindo a fertilidade aos poucos. Se o alumínio estiver baixo, você pode até fazer a calagem por cima (superficial), sem precisar revirar a terra, para subir o cálcio e o magnésio.


Por que o milho “passa fome” nos primeiros anos de SPD?

Seu Zé, lá do norte do Paraná, quase caiu de costas quando viu o milho dele amarelado, mesmo tendo adubado igual fazia no sistema convencional. Ele achou que o adubo era falsificado. Mas o “ladrão” do nitrogênio estava ali mesmo: a palhada.

Isso acontece porque a palha de gramíneas tem muito carbono e pouco nitrogênio. Os microrganismos que comem essa palha precisam de nitrogênio para trabalhar. E adivinha onde eles vão buscar? No solo, competindo com a raiz do seu milho.

É uma “fome” temporária de nitrogênio. Depois que a palha decompõe, esse nutriente volta para a terra.


A adubação de cobertura no milho muda com a palhada?

Outra dúvida comum na lida: como jogar o nitrogênio (N) no meio de tanta palha?

Se você tem muita cobertura morta, o ideal é incorporar o adubo enquanto a máquina consegue entrar na roça. Mas a gente sabe que nem sempre dá tempo ou tem máquina para isso.

Em regiões onde chove bem ou tem irrigação, você pode aplicar o nitrogênio a lanço até o milho ter 12 folhas (estádio V4).


O adubo “anda” ou fica parado no solo?

Depois de uns 5 anos de plantio direto, você vai notar algo curioso na análise de solo. Os níveis de fósforo e potássio sobem muito, mas ficam concentrados nos primeiros 5 cm de profundidade.

Por que isso acontece? São dois motivos simples:

  1. Não tem erosão levando a terra rica embora.
  2. As raízes puxam o nutriente lá do fundo, a planta morre, e a palha devolve o nutriente na superfície.

Essa camada rica em cima é excelente. O fósforo ali fica numa forma orgânica que a planta aproveita melhor, sem “travar” tanto no solo.


Adubação a lanço antes de plantar: ganho de tempo ou desperdício?

Na correria do plantio, todo mundo quer ganhar tempo operacional. Aí surge a ideia: “Posso jogar o adubo a lanço antes de passar a plantadeira?”

A resposta é: Sim, pode.

Se o seu solo já tem fertilidade alta ou média, você pode antecipar a adubação a lanço. Isso faz a plantadeira render muito mais hectares por dia. Se a fertilidade for média, garanta que pelo menos uma cultura do ano receba adubo na linha.

Mas cuidado com o Nitrogênio, Potássio e Boro. Esses “lavam” fácil com a chuva (lixiviação). Eles devem ir na linha ou em cobertura depois que a planta nasceu.


E a soja? Precisa daquele “cheirinho” de nitrogênio na largada?

Tem muito vendedor empurrando adubo nitrogenado na base para soja, chamando de “dose de arranque”.

Vamos direto ao ponto: não jogue dinheiro fora.

Cálculo de Fertilizantes em Milho e Soja

As pesquisas mostram que essa dose inicial não aumenta a produtividade da soja. A bactéria na raiz (se a inoculação for bem feita) dá conta do recado. O que ajuda mesmo é o que vem antes da soja.

Se você plantou trigo antes da soja, por exemplo, a palha da leguminosa (soja) vai ajudar o trigo seguinte, podendo até reduzir o N do trigo. É um ciclo.


Adubação Verde substitui o adubo químico?

“Seu Antônio, se eu plantar nabo-forrageiro, posso cortar o adubo do saco?”

Cortar tudo não, mas reduzir, sim. O adubo verde é uma fábrica de nutrientes. Ele recicla o que estava perdido no fundo do solo e entrega de bandeja para a próxima cultura.

Olha só o que 1 tonelada de massa seca de nabo-forrageiro entrega para o solo:

  • 23 kg de Nitrogênio
  • 8 kg de Fósforo (P2O5)
  • 43 kg de Potássio (K2O)

Se você usar nabo, ervilhaca ou tremoço antes do milho, depois de alguns anos de sistema, pode diminuir a adubação nitrogenada química.


Gesso e Micronutrientes: O ajuste fino

Para fechar a conta e buscar altas produtividades, não esqueça dos detalhes.

1. Gesso: Vale a pena aplicar se, na subsuperfície, a saturação de alumínio for maior que 20% ou o cálcio for baixo. Aplique a lanço, sem revirar, depois da colheita ou antes de plantar.

2. Micronutrientes: O melhor jeito é via solo, junto com o adubo. A planta aproveita melhor. Foliar é para apagar incêndio ou complementar o que faltou. Mas atenção: Cobalto e Molibdênio devem ir na semente.


Considerações Finais sobre Fósforo e Potássio

Para encerrar, dois pontos que geram briga em dia de campo:

  1. Fósforo Profundo vs. Superficial: No SPD consolidado, jogar fósforo a 10cm de profundidade ou mais raso dá na mesma produtividade. O que importa é a dose certa.
  2. Fonte de Fósforo: Super simples, triplo ou fosfato natural reativo… a eficiência agronômica é praticamente a mesma. Escolha pelo preço e disponibilidade.
  3. Potássio no Cerrado: Em solos arenosos e com muita chuva, o potássio lava rápido. Nesse caso, parcele e faça em cobertura para não perder dinheiro.

O segredo do sucesso no SPD é monitoramento. A cada safra, veja o quanto saiu de nutriente no caminhão de grãos e reponha essa quantia. Assim, a terra nunca empobrece e seu lucro se mantém.

Artigos Relevantes

  • Calagem: Como Fazer, Quando Aplicar e Doses: Como o texto principal foca na dúvida sobre corrigir o solo antes de iniciar o SPD, este artigo é o complemento técnico ideal, pois ensina o ‘como fazer’ da calagem, incluindo cálculos de dose e épocas de aplicação. Ele preenche a lacuna prática sobre a correção de acidez mencionada como essencial para o sucesso do sistema.
  • Adubo para Milho: O Guia Completo para Máxima Produtividade e Lucro: Este guia aprofunda as orientações sobre a adubação nitrogenada e de cobertura no milho, tópicos centrais no artigo principal que explica a ‘fome de nitrogênio’ causada pela palhada. Ele oferece as tabelas e doses específicas que o produtor precisará após entender os conceitos de competição nutricional no SPD.
  • Plantio Direto na Soja: Guia Prático para Aumentar a Produtividade: O artigo principal desmistifica a adubação de arranque na soja e cita a importância da sucessão de culturas; este candidato expande o tema detalhando as espécies de cobertura e o manejo específico para a soja. Ele ajuda o leitor a planejar o ciclo completo de rotação que sustenta a palhada exigida pelo plantio direto.
  • Embuchamento no Plantio Direto: Como Evitar Paradas e Perdas: Enquanto o texto principal enfatiza a necessidade de produzir muita palha para cobrir o solo, este artigo resolve um problema operacional direto dessa prática: o embuchamento das semeadoras. É um complemento de valor prático imenso para o produtor que seguiu o conselho de aumentar a palhada e agora precisa regular suas máquinas.
  • Resistência do Solo à Penetração de Raízes: O Que É e Como Corrigir: Este artigo complementa a discussão sobre o ‘ajuste fino’ e o uso de gesso mencionados no texto principal, abordando a compactação que impede as raízes de buscarem nutrientes no fundo. Ele explica a física do solo, necessária para que a reciclagem de fósforo e potássio descrita no conteúdo principal ocorra de forma eficiente.