Poda de Frutíferas: Guia Completo de Inverno e Verão [2025]

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Índice

Poda de inverno x poda de verão: Qual o momento certo para entrar com a tesoura?

Você já viu aquele pomar que parece uma “matagal”, onde o produtor tem dó de cortar os ramos? Pois é, o resultado geralmente é muita folha, espinho incomodando e fruta pequena. Na produção de pequenas frutas, tesoura afiada é sinônimo de lucro.

Mas quando cortar? O princípio básico que usamos aqui na roça é o seguinte: a poda de inverno é a faxina pesada. Feita quando a planta está dormindo, ela serve para renovar. A gente tira o que está velho, fraco ou mal posicionado. É aqui que você equilibra a planta.

Já a poda de verão (ou poda verde) é o ajuste fino. Ela é feita com a planta acordada, vegetando. O objetivo é abrir a copa para entrar luz (melhorando a cor da fruta) e diminuir o trabalho pesado no inverno seguinte.


Como fazer a poda e condução da Amoreira-Preta

Seu João, lá do sul de Minas, me perguntou por que as amoras dele estavam dando no chão e melando tudo. A resposta estava na falta de amarrio e na poda errada. A amora-preta é vigorosa, se deixar solta, vira bagunça.

1. Formação e Condução

A maioria das cultivares é rasteira ou semiereta. Então, sistema de sustentação é obrigatório. Usamos arame, atilhos ou taquaras. O amarrio das hastes evita que a fruta encoste no solo e apodreça. Na formação, a ideia é reduzir o vigor dos ramos principais para forçar a planta a soltar laterais. São esses laterais que vão carregar as flores e frutos.

2. O segredo do “Desponte”

Aqui está o “pulo do gato”.

  • Final do inverno (julho): Despontamos a planta retirando a ponta do ramo, cerca de 20 cm acima do arame de tutoramento. Isso acorda as brotações laterais antes da brotação principal.
  • Verão: Também fazemos o desponte nos ramos que cresceram na primavera (de novo, 20 cm acima do fio). Isso força a planta a criar estrutura para produzir no ano que vem.

3. Poda de Limpeza e Produção

Depois que colheu, tem dois trabalhos:

  1. Cortar rente ao solo as hastes que já produziram (elas não produzem bem de novo).
  2. Reduzir o tamanho das hastes novas do ano, preparando elas para a próxima safra.

Ah, e nada de desfolhar a amoreira, viu? Os ramos se renovam sozinhos.

📊 NÚMEROS QUE IMPORTAM NA AMORA:

  • Hastes por metro: Deixe de 3 a 4 hastes produtivas por metro linear.
  • Densidade: Pode chegar a 6.666 plantas/ha. Mas atenção: esse número varia conforme o espaçamento entre linhas e plantas que seu trator permitir.
  • Vida útil: Um pomar bem cuidado passa dos 12 anos.

Mirtilo (Blueberry): Por que você deve arrancar as primeiras flores?

Essa é a parte que dói no coração do produtor iniciante, mas é necessária. Se você deixar o mirtileiro produzir logo de cara, ele não cresce a estrutura (esqueleto).

1. Poda de Formação (1º e 2º ano)

A regra é clara: toda flor ou fruto deve ser eliminado nas plantas jovens. Por quê? Para a planta gastar energia crescendo madeira e raiz. Se ela produzir fruta agora, fica raquítica e produz pouco no futuro. Nessa fase, selecione os ramos que formarão a estrutura. Elimine os ramos fracos (débeis) ou tortos.

2. Poda de Produção (a partir do 3º ano)

Acontece no inverno. O mirtilo tem dois tipos de gemas:

  • Gemas floríferas (de flor): Ficam na ponta (primeiros 20 cm), são gordinhas.
  • Gemas vegetativas (de folha): Ficam mais abaixo.

Você deve deixar entre 4 e 6 hastes por planta: 1 ou 2 novas para renovação e o resto para produção. Quanto mais a gente corta o mirtilo, mais vigor ele ganha.

3. Cuidados Especiais no Corte

O mirtilo é sensível. Cortes grossos são porta de entrada para doenças.


Framboesa e Morango: O manejo no detalhe

Cada cultura tem sua manha. Não adianta tratar framboesa igual amora.

Framboeseira

Aqui a condução em espaldeira (simples, em T ou Y) é a melhor pedida.

  • Densidade de hastes: No máximo 3 hastes produtivas por metro linear. Se deixar mais que isso, vira competição e a qualidade cai.

Morangueiro

O morango também precisa de “poda”. Chamamos de limpeza.

  • O que tirar: Folhas secas, estolões (aqueles “cipós” que a planta solta para fazer muda) e estruturas velhas.
  • Estolões: Se você quer fruta, tire o estolão. Ele rouba força. Só deixe se quiser fazer muda.
  • Cobertura: O uso de plástico (mulching) ou palha é essencial. Fruta no chão é fruta perdida. O plástico é melhor, mas se a grana estiver curta e tiver palha na região, pode usar.

Sanidade e Ferramentas: O barato que sai caro

Não adianta saber podar e usar uma tesoura suja. Você pode estar levando doença de uma planta para a outra.

Ferramentas Obrigatórias

Para amora e mirtilo, você precisa de:

  1. Tesoura de poda de mão.
  2. Podão ou tesourão (para galhos grossos).
  3. Luvas grossas (principalmente para amora, os espinhos não perdoam).
  4. Vestimenta adequada (chapéu, camisa manga longa) para evitar arranhões.

Limpeza do Pomar

Uma dúvida comum: “Posso deixar os galhos cortados no pé da planta para virar adubo?” A resposta curta é: Não. Retire todo o material de poda do pomar. Galho velho no chão atrapalha o trânsito, dificulta a colheita e, o pior, serve de casa para pragas e doenças (inóculo).

Cuidado com a Entrelinha (Amoreira)

A amora solta brotação pela raiz (rebentões) no meio da rua.

  • Não use enxada rotativa: Ela corta as raízes, e cada pedaço de raiz vira uma nova planta. Você vai transformar sua entrelinha num paliteiro intransitável.
  • O que fazer: Corte ou arranque essas brotações na mão ou enxada manual para manter o caminho livre.

Glossário

Cultivar: Variedade de planta que foi selecionada ou melhorada pelo homem para apresentar características específicas, como maior produtividade ou resistência a pragas. É a base técnica para a escolha da muda mais adequada ao clima e solo da região.

Desponte: Operação de poda que consiste na remoção da extremidade de um ramo em crescimento para interromper a dominância apical. Essa técnica estimula o surgimento de brotações laterais, aumentando a área produtiva da planta.

Gemas Floríferas: Estruturas vegetais arredondadas e intumescidas que darão origem às flores e, posteriormente, aos frutos. No manejo do mirtilo, identificar essas gemas é crucial para saber quais ramos manter durante a poda de produção.

Espaldeira: Sistema de sustentação e condução vertical composto por mourões e fios de arame esticados. Facilita o manejo fitossanitário, a ventilação da copa e a colheita, sendo essencial para plantas de hábito de crescimento trepador ou semiereto.

Estolão: Caule rasteiro que cresce horizontalmente sobre o solo, emitindo raízes e novas plântulas a partir dos nós. No morangueiro, deve ser removido sistematicamente para que a planta direcione sua energia para a produção de frutos e não de mudas.

Mulching: Técnica de cobertura do solo, geralmente com filme plástico ou palhada, para proteger o sistema radicular e manter a umidade. Atua no controle de plantas invasoras e impede o contato direto dos frutos com a terra, reduzindo perdas por doenças.

Inóculo: Fonte de patógenos, como fungos ou bactérias, presentes em restos de cultura ou ferramentas que podem iniciar uma doença. A remoção do material de poda do pomar serve para reduzir a carga de inóculo e evitar novas infecções.

Rebentões: Brotações vigorosas que surgem diretamente das raízes da planta, muitas vezes fora da linha de plantio. Se não forem controlados mecanicamente ou manualmente, podem fechar a entrelinha e competir por nutrientes com a planta principal.

Como a tecnologia ajuda no manejo e na rentabilidade do seu pomar

Realizar a poda no tempo certo e controlar a densidade de plantas exige organização, especialmente em pomares de alta produtividade com milhares de mudas por hectare. Ferramentas como o Aegro ajudam a planejar essas atividades de campo e registrar o progresso das equipes em tempo real pelo celular, garantindo que o manejo seja feito no momento ideal para cada cultura, sem perder o fôlego na transição entre o inverno e o verão.

Além do manejo técnico, manter a “ponta do lápis” afiada é essencial para que o vigor das plantas se transforme em lucro real. Com o Aegro, você centraliza o controle de custos de mão de obra e insumos de forma simples, gerando relatórios automáticos que ajudam a entender a rentabilidade de cada talhão e a tomar decisões mais seguras para o crescimento da sua propriedade.

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Perguntas Frequentes

Qual a diferença prática entre a poda de inverno e a poda de verão?

A poda de inverno é considerada uma ‘faxina pesada’, realizada durante a dormência da planta para renovar ramos velhos e equilibrar sua estrutura. Já a poda de verão, ou poda verde, serve para ajustes finos enquanto a planta vegeta, focando na abertura da copa para entrada de luz e controle do vigor para facilitar o trabalho no inverno seguinte.

Por que é fundamental remover as flores do mirtilo nos primeiros dois anos?

Essa prática é essencial para garantir que a planta direcione sua energia exclusiva para o desenvolvimento das raízes e da estrutura de madeira (esqueleto). Permitir a frutificação precoce pode deixar o mirtileiro raquítico, comprometendo severamente a produtividade e o vigor da planta em sua fase adulta.

O que deve ser feito com os restos de poda retirados das plantas?

Todo o material de poda deve ser removido imediatamente de dentro do pomar. Deixar galhos cortados no chão, além de dificultar o trânsito e a colheita, cria um ambiente propício para a proliferação de pragas e doenças que podem reinfectar as plantas saudáveis.

Como o manejo de estolões influencia na produção de morangos?

Os estolões, conhecidos como ‘cipós’, são hastes que a planta emite para gerar novas mudas e consomem muita energia. Se o objetivo for a produção de frutos de qualidade, esses estolões devem ser cortados semanalmente para que a planta foque seus nutrientes apenas no desenvolvimento dos morangos.

Por que não se deve usar enxada rotativa no controle de ervas nas entrelinhas da amora?

A amoreira-preta possui uma característica de brotação radicular intensa; cada pedaço de raiz cortado pela enxada rotativa tem potencial para gerar uma nova planta. O uso desse implemento acaba multiplicando a planta descontroladamente no meio da rua, tornando o pomar intransitável e difícil de manejar.

Qual o cuidado necessário com cortes grossos na poda do mirtilo?

Como o mirtilo é uma planta sensível, cortes de maior diâmetro são portas de entrada para fungos e doenças. É altamente recomendável aplicar uma pasta selante, preferencialmente à base de cobre ou tinta acrílica, logo após o corte para isolar a ferida da umidade e evitar infecções.

Artigos Relevantes

  • Manejo do Fósforo na Lavoura: Guia Completo para Máxima Produtividade: Este artigo é fundamental para complementar as instruções de poda de formação do mirtilo e da amora, pois o fósforo é o nutriente chave para o desenvolvimento radicular e estrutural mencionado. Ele oferece a base teórica necessária para garantir que a planta tenha energia para ‘crescer madeira’ após as intervenções de poda.
  • Níquel nas Plantas: Guia Essencial sobre Funções, Sintomas e Adubação: Enquanto o artigo principal foca no manejo físico, este texto expande para o manejo nutricional avançado, essencial para a longevidade de pomares que duram mais de 12 anos. Ele aborda a sanidade vegetal sob uma nova perspectiva, ajudando o produtor a evitar as deficiências que tornam as frutíferas vulneráveis após o estresse da poda.
  • Apaga-Fogo (Alternanthera tenella): Guia Completo de Identificação e Manejo: Este guia conecta-se diretamente à seção de ‘Sanidade e Ferramentas’ do artigo principal ao ilustrar como plantas invasoras atuam como fontes de inóculo para doenças. Ele aprofunda a importância da limpeza do pomar, explicando tecnicamente como certas espécies podem comprometer a saúde das frutíferas.
  • Manejo de Plantas Daninhas na Pré-Safra: Reduza Custos e Vença a Resistência: Este artigo complementa a discussão sobre rentabilidade e gestão agrícola feita no encerramento do texto principal, focando na redução de custos operacionais. Ele oferece uma visão estratégica sobre o manejo de competição por nutrientes, o que é crucial em culturas densas como a amora (6.666 plantas/ha).
  • Plantas Tiguera: O que são e por que ameaçam sua lavoura?: A conexão aqui é específica com o problema dos ‘rebentões’ da amoreira-preta mencionados no texto principal; ambos tratam do desafio de gerenciar plantas voluntárias que competem com a cultura principal. O artigo oferece insights sobre como o manejo inadequado pode transformar brotações indesejadas em uma ameaça à produtividade.