Índice
- Poda de inverno x poda de verão: Qual o momento certo para entrar com a tesoura?
- Como fazer a poda e condução da Amoreira-Preta
- Mirtilo (Blueberry): Por que você deve arrancar as primeiras flores?
- Framboesa e Morango: O manejo no detalhe
- Sanidade e Ferramentas: O barato que sai caro
- Glossário
- Como a tecnologia ajuda no manejo e na rentabilidade do seu pomar
- Perguntas Frequentes
- Qual a diferença prática entre a poda de inverno e a poda de verão?
- Por que é fundamental remover as flores do mirtilo nos primeiros dois anos?
- O que deve ser feito com os restos de poda retirados das plantas?
- Como o manejo de estolões influencia na produção de morangos?
- Por que não se deve usar enxada rotativa no controle de ervas nas entrelinhas da amora?
- Qual o cuidado necessário com cortes grossos na poda do mirtilo?
- Artigos Relevantes
Poda de inverno x poda de verão: Qual o momento certo para entrar com a tesoura?
Você já viu aquele pomar que parece uma “matagal”, onde o produtor tem dó de cortar os ramos? Pois é, o resultado geralmente é muita folha, espinho incomodando e fruta pequena. Na produção de pequenas frutas, tesoura afiada é sinônimo de lucro.
Mas quando cortar? O princípio básico que usamos aqui na roça é o seguinte: a poda de inverno é a faxina pesada. Feita quando a planta está dormindo, ela serve para renovar. A gente tira o que está velho, fraco ou mal posicionado. É aqui que você equilibra a planta.
Já a poda de verão (ou poda verde) é o ajuste fino. Ela é feita com a planta acordada, vegetando. O objetivo é abrir a copa para entrar luz (melhorando a cor da fruta) e diminuir o trabalho pesado no inverno seguinte.
Como fazer a poda e condução da Amoreira-Preta
Seu João, lá do sul de Minas, me perguntou por que as amoras dele estavam dando no chão e melando tudo. A resposta estava na falta de amarrio e na poda errada. A amora-preta é vigorosa, se deixar solta, vira bagunça.
1. Formação e Condução
A maioria das cultivares é rasteira ou semiereta. Então, sistema de sustentação é obrigatório. Usamos arame, atilhos ou taquaras. O amarrio das hastes evita que a fruta encoste no solo e apodreça. Na formação, a ideia é reduzir o vigor dos ramos principais para forçar a planta a soltar laterais. São esses laterais que vão carregar as flores e frutos.
2. O segredo do “Desponte”
Aqui está o “pulo do gato”.
- Final do inverno (julho): Despontamos a planta retirando a ponta do ramo, cerca de 20 cm acima do arame de tutoramento. Isso acorda as brotações laterais antes da brotação principal.
- Verão: Também fazemos o desponte nos ramos que cresceram na primavera (de novo, 20 cm acima do fio). Isso força a planta a criar estrutura para produzir no ano que vem.
3. Poda de Limpeza e Produção
Depois que colheu, tem dois trabalhos:
- Cortar rente ao solo as hastes que já produziram (elas não produzem bem de novo).
- Reduzir o tamanho das hastes novas do ano, preparando elas para a próxima safra.
Ah, e nada de desfolhar a amoreira, viu? Os ramos se renovam sozinhos.
📊 NÚMEROS QUE IMPORTAM NA AMORA:
- Hastes por metro: Deixe de 3 a 4 hastes produtivas por metro linear.
- Densidade: Pode chegar a 6.666 plantas/ha. Mas atenção: esse número varia conforme o espaçamento entre linhas e plantas que seu trator permitir.
- Vida útil: Um pomar bem cuidado passa dos 12 anos.
Mirtilo (Blueberry): Por que você deve arrancar as primeiras flores?
Essa é a parte que dói no coração do produtor iniciante, mas é necessária. Se você deixar o mirtileiro produzir logo de cara, ele não cresce a estrutura (esqueleto).
1. Poda de Formação (1º e 2º ano)
A regra é clara: toda flor ou fruto deve ser eliminado nas plantas jovens. Por quê? Para a planta gastar energia crescendo madeira e raiz. Se ela produzir fruta agora, fica raquítica e produz pouco no futuro. Nessa fase, selecione os ramos que formarão a estrutura. Elimine os ramos fracos (débeis) ou tortos.
2. Poda de Produção (a partir do 3º ano)
Acontece no inverno. O mirtilo tem dois tipos de gemas:
- Gemas floríferas (de flor): Ficam na ponta (primeiros 20 cm), são gordinhas.
- Gemas vegetativas (de folha): Ficam mais abaixo.
Você deve deixar entre 4 e 6 hastes por planta: 1 ou 2 novas para renovação e o resto para produção. Quanto mais a gente corta o mirtilo, mais vigor ele ganha.
3. Cuidados Especiais no Corte
O mirtilo é sensível. Cortes grossos são porta de entrada para doenças.
Framboesa e Morango: O manejo no detalhe
Cada cultura tem sua manha. Não adianta tratar framboesa igual amora.
Framboeseira
Aqui a condução em espaldeira (simples, em T ou Y) é a melhor pedida.
- Densidade de hastes: No máximo 3 hastes produtivas por metro linear. Se deixar mais que isso, vira competição e a qualidade cai.
Morangueiro
O morango também precisa de “poda”. Chamamos de limpeza.
- O que tirar: Folhas secas, estolões (aqueles “cipós” que a planta solta para fazer muda) e estruturas velhas.
- Estolões: Se você quer fruta, tire o estolão. Ele rouba força. Só deixe se quiser fazer muda.
- Cobertura: O uso de plástico (mulching) ou palha é essencial. Fruta no chão é fruta perdida. O plástico é melhor, mas se a grana estiver curta e tiver palha na região, pode usar.
Sanidade e Ferramentas: O barato que sai caro
Não adianta saber podar e usar uma tesoura suja. Você pode estar levando doença de uma planta para a outra.
Ferramentas Obrigatórias
Para amora e mirtilo, você precisa de:
- Tesoura de poda de mão.
- Podão ou tesourão (para galhos grossos).
- Luvas grossas (principalmente para amora, os espinhos não perdoam).
- Vestimenta adequada (chapéu, camisa manga longa) para evitar arranhões.
Limpeza do Pomar
Uma dúvida comum: “Posso deixar os galhos cortados no pé da planta para virar adubo?” A resposta curta é: Não. Retire todo o material de poda do pomar. Galho velho no chão atrapalha o trânsito, dificulta a colheita e, o pior, serve de casa para pragas e doenças (inóculo).
Cuidado com a Entrelinha (Amoreira)
A amora solta brotação pela raiz (rebentões) no meio da rua.
- Não use enxada rotativa: Ela corta as raízes, e cada pedaço de raiz vira uma nova planta. Você vai transformar sua entrelinha num paliteiro intransitável.
- O que fazer: Corte ou arranque essas brotações na mão ou enxada manual para manter o caminho livre.
Glossário
Cultivar: Variedade de planta que foi selecionada ou melhorada pelo homem para apresentar características específicas, como maior produtividade ou resistência a pragas. É a base técnica para a escolha da muda mais adequada ao clima e solo da região.
Desponte: Operação de poda que consiste na remoção da extremidade de um ramo em crescimento para interromper a dominância apical. Essa técnica estimula o surgimento de brotações laterais, aumentando a área produtiva da planta.
Gemas Floríferas: Estruturas vegetais arredondadas e intumescidas que darão origem às flores e, posteriormente, aos frutos. No manejo do mirtilo, identificar essas gemas é crucial para saber quais ramos manter durante a poda de produção.
Espaldeira: Sistema de sustentação e condução vertical composto por mourões e fios de arame esticados. Facilita o manejo fitossanitário, a ventilação da copa e a colheita, sendo essencial para plantas de hábito de crescimento trepador ou semiereto.
Estolão: Caule rasteiro que cresce horizontalmente sobre o solo, emitindo raízes e novas plântulas a partir dos nós. No morangueiro, deve ser removido sistematicamente para que a planta direcione sua energia para a produção de frutos e não de mudas.
Mulching: Técnica de cobertura do solo, geralmente com filme plástico ou palhada, para proteger o sistema radicular e manter a umidade. Atua no controle de plantas invasoras e impede o contato direto dos frutos com a terra, reduzindo perdas por doenças.
Inóculo: Fonte de patógenos, como fungos ou bactérias, presentes em restos de cultura ou ferramentas que podem iniciar uma doença. A remoção do material de poda do pomar serve para reduzir a carga de inóculo e evitar novas infecções.
Rebentões: Brotações vigorosas que surgem diretamente das raízes da planta, muitas vezes fora da linha de plantio. Se não forem controlados mecanicamente ou manualmente, podem fechar a entrelinha e competir por nutrientes com a planta principal.
Como a tecnologia ajuda no manejo e na rentabilidade do seu pomar
Realizar a poda no tempo certo e controlar a densidade de plantas exige organização, especialmente em pomares de alta produtividade com milhares de mudas por hectare. Ferramentas como o Aegro ajudam a planejar essas atividades de campo e registrar o progresso das equipes em tempo real pelo celular, garantindo que o manejo seja feito no momento ideal para cada cultura, sem perder o fôlego na transição entre o inverno e o verão.
Além do manejo técnico, manter a “ponta do lápis” afiada é essencial para que o vigor das plantas se transforme em lucro real. Com o Aegro, você centraliza o controle de custos de mão de obra e insumos de forma simples, gerando relatórios automáticos que ajudam a entender a rentabilidade de cada talhão e a tomar decisões mais seguras para o crescimento da sua propriedade.
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Perguntas Frequentes
Qual a diferença prática entre a poda de inverno e a poda de verão?
A poda de inverno é considerada uma ‘faxina pesada’, realizada durante a dormência da planta para renovar ramos velhos e equilibrar sua estrutura. Já a poda de verão, ou poda verde, serve para ajustes finos enquanto a planta vegeta, focando na abertura da copa para entrada de luz e controle do vigor para facilitar o trabalho no inverno seguinte.
Por que é fundamental remover as flores do mirtilo nos primeiros dois anos?
Essa prática é essencial para garantir que a planta direcione sua energia exclusiva para o desenvolvimento das raízes e da estrutura de madeira (esqueleto). Permitir a frutificação precoce pode deixar o mirtileiro raquítico, comprometendo severamente a produtividade e o vigor da planta em sua fase adulta.
O que deve ser feito com os restos de poda retirados das plantas?
Todo o material de poda deve ser removido imediatamente de dentro do pomar. Deixar galhos cortados no chão, além de dificultar o trânsito e a colheita, cria um ambiente propício para a proliferação de pragas e doenças que podem reinfectar as plantas saudáveis.
Como o manejo de estolões influencia na produção de morangos?
Os estolões, conhecidos como ‘cipós’, são hastes que a planta emite para gerar novas mudas e consomem muita energia. Se o objetivo for a produção de frutos de qualidade, esses estolões devem ser cortados semanalmente para que a planta foque seus nutrientes apenas no desenvolvimento dos morangos.
Por que não se deve usar enxada rotativa no controle de ervas nas entrelinhas da amora?
A amoreira-preta possui uma característica de brotação radicular intensa; cada pedaço de raiz cortado pela enxada rotativa tem potencial para gerar uma nova planta. O uso desse implemento acaba multiplicando a planta descontroladamente no meio da rua, tornando o pomar intransitável e difícil de manejar.
Qual o cuidado necessário com cortes grossos na poda do mirtilo?
Como o mirtilo é uma planta sensível, cortes de maior diâmetro são portas de entrada para fungos e doenças. É altamente recomendável aplicar uma pasta selante, preferencialmente à base de cobre ou tinta acrílica, logo após o corte para isolar a ferida da umidade e evitar infecções.
Artigos Relevantes
- Manejo do Fósforo na Lavoura: Guia Completo para Máxima Produtividade: Este artigo é fundamental para complementar as instruções de poda de formação do mirtilo e da amora, pois o fósforo é o nutriente chave para o desenvolvimento radicular e estrutural mencionado. Ele oferece a base teórica necessária para garantir que a planta tenha energia para ‘crescer madeira’ após as intervenções de poda.
- Níquel nas Plantas: Guia Essencial sobre Funções, Sintomas e Adubação: Enquanto o artigo principal foca no manejo físico, este texto expande para o manejo nutricional avançado, essencial para a longevidade de pomares que duram mais de 12 anos. Ele aborda a sanidade vegetal sob uma nova perspectiva, ajudando o produtor a evitar as deficiências que tornam as frutíferas vulneráveis após o estresse da poda.
- Apaga-Fogo (Alternanthera tenella): Guia Completo de Identificação e Manejo: Este guia conecta-se diretamente à seção de ‘Sanidade e Ferramentas’ do artigo principal ao ilustrar como plantas invasoras atuam como fontes de inóculo para doenças. Ele aprofunda a importância da limpeza do pomar, explicando tecnicamente como certas espécies podem comprometer a saúde das frutíferas.
- Manejo de Plantas Daninhas na Pré-Safra: Reduza Custos e Vença a Resistência: Este artigo complementa a discussão sobre rentabilidade e gestão agrícola feita no encerramento do texto principal, focando na redução de custos operacionais. Ele oferece uma visão estratégica sobre o manejo de competição por nutrientes, o que é crucial em culturas densas como a amora (6.666 plantas/ha).
- Plantas Tiguera: O que são e por que ameaçam sua lavoura?: A conexão aqui é específica com o problema dos ‘rebentões’ da amoreira-preta mencionados no texto principal; ambos tratam do desafio de gerenciar plantas voluntárias que competem com a cultura principal. O artigo oferece insights sobre como o manejo inadequado pode transformar brotações indesejadas em uma ameaça à produtividade.

![Imagem de destaque do artigo: Poda de Frutíferas: Guia Completo de Inverno e Verão [2025]](/images/blog/geradas/poda-inverno-verao-frutiferas-como-quando-podar.webp)