Poda da Pereira: Guia Definitivo para Produzir Mais [2025]

Foto de perfil de Redação Aegro
Equipe de especialistas da Aegro, dedicada a levar conhecimento, tecnologia e inovação para o produtor rural brasileiro.
Imagem de destaque do artigo: Poda da Pereira: Guia Definitivo para Produzir Mais [2025]

Índice

Poda da pereira: Por que cortar é o segredo para colher mais?

Você já olhou para aquele pomar fechado de galhos e pensou: “Se eu cortar, vou perder produção”? Essa é uma dúvida que tira o sono de muito produtor. Mas a verdade, que a gente vê no campo todo dia, é o contrário. Planta sem poda vira “mato”, não produz bem e dá dor de cabeça na colheita.

A poda bem feita na pereira tem dois segredos: equilibrar a planta (nem só folha, nem só fruta) e deixar o sol entrar. Se a luz não bate no miolo da planta, a fruta não vem com qualidade. Além disso, uma planta bem conduzida facilita todo o resto do trabalho, da pulverização até a colheita.


Quando e como fazer o corte sem errar?

Imagine o prejuízo do Seu Zé, que resolveu podar tudo na época errada e a planta sentiu o golpe. Para não cair nessa, você precisa entender o calendário da pereira. Existem dois momentos chave:

  1. Poda de Inverno (Poda Seca): É feita quando a planta está dormindo, no repouso.
  2. Poda Verde: É feita quando a planta está crescendo, cheia de folha.

Mas não é só a época que importa, é a idade do pomar também.

  • Pomar Novo (Poda de Formação): Nos primeiros anos, o foco é dar a forma que você quer para a planta. É aqui que você define o esqueleto dela.
  • Pomar Adulto (Poda de Frutificação): Aqui a planta já produz. O trabalho é limpar: tirar galho doente, quebrado, malformado ou fazer o desbaste e desponte.

Ferramentas e Cuidados na Hora H

Não adianta ter conhecimento e usar a ferramenta errada.

  • Ramos finos (até 1,3 cm): Tesoura de poda resolve.
  • Ramos grossos: Vai precisar do serrote de poda.
  • Plantas altas: Tesoura de cabo longo ajuda a não viver em cima da escada.

💡 DICA DE QUEM JÁ FEZ: Vai cortar um galho muito grosso? Faça pressão com a mão para baixo enquanto corta. Isso evita que o ramo “rasgue” e machuque a planta.

⚠️ ATENÇÃO: Depois de cortar ramos grossos, passe tinta plástica no corte (pode misturar um fungicida). Mas NUNCA use tinta à base de óleo. Ela queima o ramo e o prejuízo é certo.


Qual o melhor sistema de condução para o meu bolso?

Uma pergunta que sempre aparece nas rodas de conversa é: “Qual o melhor jeito de conduzir a pereira?”. A resposta honesta é: não existe um ideal mágico. O melhor sistema é aquele que:

  1. Deixa a luz entrar bem na copa.
  2. Respeita o jeito natural da planta.
  3. Facilita o manejo para sua equipe.
  4. Diminui seu custo com mão de obra.

No Brasil, o sistema campeão nos pomares comerciais é o Líder Central. Nele, a planta tem um eixo principal e os galhos saem dele, formando um cone ou pirâmide. Funciona bem e o pessoal já está acostumado.

Mas existem outras opções que você precisa conhecer, dependendo do seu objetivo.


Quantas plantas cabem por hectare? Entendendo as densidades

Você sabia que mudar o jeito de conduzir a planta pode dobrar o número de árvores na sua área? A escolha do sistema define se você vai ter um pomar mais “aberto” ou super adensado. Vamos ver os números:

1. Sistema Palmeta (O Clássico Espaçoso)

Aqui as plantas têm um eixo central e ramos inclinados (45° a 60°) na linha. Os ramos de produção ficam na horizontal.

  • O problema: As plantas ficam muito altas (passam de 4 metros). Isso encarece a poda e a colheita.
  • Densidade: 700 a 1.500 plantas/ha.

2. Fusetto e Vertical Áxis

  • Fusetto: Os ramos sobem em espiral no eixo central, sem muita regra fixa. Densidade média/alta (2.000 a 3.000 plantas/ha).
  • Vertical Áxis: Precisa de tutor (poste/arame). Você troca os ramos finos sempre, para não ficarem velhos. Espaçamento de 4m a 5m entre filas.

3. As Novidades de Alta Densidade

Se você quer apertar o passo e aumentar a produção por área, olhe para estes sistemas:

  • Duplo Eixo (Bibaum): É o sistema mais recente. A muda já vem com duas enxertias. Os dois eixos sobem paralelos. Isso reduz o vigor da planta e permite dobrar a densidade.
  • Cordão Vertical: É o extremo. Plantas com um eixo e ramos curtinhos (lamburdas). Forma uma “cortina verde”.
  • Forma em V: Dois ramos laterais inclinados a 45°.

📊 NÚMEROS QUE IMPORTAM: Confira a diferença de quantas plantas cabem em 1 hectare dependendo do sistema:

  • Palmeta: até 1.500 plantas.
  • Líder Central/Fusetto: até 3.000 plantas.
  • Duplo Eixo (Bibaum): chega a 6.000 plantas (o dobro do tradicional!).
  • Cordão Vertical: incríveis 12.000 a 13.000 plantas.

Glossário

Lamburdas: Ramos curtos de crescimento lento onde se localizam as gemas de flor e ocorre a maior parte da frutificação em pereiras. São as estruturas vitais que o produtor deve preservar para garantir a colheita.

Líder Central: Sistema de condução que mantém um único eixo vertical principal, permitindo que a luz solar atinja uniformemente todos os níveis da planta. É o modelo mais difundido no Brasil devido à sua simplicidade e eficiência produtiva.

Bibaum (Duplo Eixo): Técnica de condução onde a planta é formada com dois eixos verticais paralelos, dividindo o vigor da árvore. Favorece o adensamento do pomar e facilita tanto a colheita manual quanto a mecanizada.

Dormência: Estado de repouso fisiológico da planta durante o inverno, caracterizado pela queda das folhas e interrupção do crescimento. É o período técnico ideal para a realização da poda seca e tratamentos fitossanitários de inverno.

Desponte: Corte de manejo realizado na ponta dos ramos em crescimento para eliminar a dominância da ponta e estimular brotos laterais. Essa técnica ajuda a controlar o tamanho da copa e a renovar os ramos que darão frutos.

Poda Verde: Manejo realizado com a planta em plena atividade vegetativa para remover o excesso de folhas e ramos que sombreiam o miolo da planta. Melhora o arejamento, previne doenças fúngicas e aumenta a qualidade final dos frutos.

Sistemas de Condução: Conjunto de métodos de treinamento e suporte da planta que definem sua arquitetura e densidade no pomar. Visam equilibrar o crescimento vegetativo com a produção de frutas, otimizando o uso do solo e da luz solar.

Como o Aegro ajuda você a transformar a poda em lucro

Gerenciar o calendário de podas e a mão de obra necessária para diferentes densidades de plantio exige uma organização impecável para evitar desperdícios. Ferramentas como o Aegro facilitam esse processo ao permitir o planejamento e o acompanhamento das atividades em tempo real. Com ele, você organiza a escala da equipe e garante que o manejo seja feito no momento exato, otimizando o tempo e reduzindo os custos operacionais.

Além disso, para quem está decidindo entre sistemas tradicionais ou de alta densidade, é fundamental ter os números na palma da mão. O software da Aegro centraliza os dados financeiros e operacionais, permitindo calcular com precisão o custo por hectare e a produtividade de cada talhão. Assim, você toma decisões baseadas em dados reais e descobre qual sistema de condução traz mais rentabilidade para o seu bolso.

Vamos lá?

Que tal simplificar a gestão do seu pomar e ter mais segurança nas suas decisões? Experimente o Aegro gratuitamente e veja na prática como o controle total dos seus custos e atividades pode aumentar sua produtividade.

Perguntas Frequentes

Por que a entrada de luz solar é considerada tão crucial na poda da pereira?

A luz solar é o combustível essencial para a produção de frutos com calibre e sabor adequados. Quando a copa está muito densa, o miolo da planta fica sombreado, o que impede a formação de gemas produtivas e favorece o surgimento de doenças por falta de ventilação. A poda correta garante que o sol atinja todos os galhos, equilibrando a força da planta.

Qual a principal diferença entre a poda de inverno e a poda verde na prática?

A poda de inverno, ou poda seca, é realizada quando a planta está em repouso vegetativo, focando na estruturação do esqueleto e no estímulo ao crescimento futuro. Já a poda verde ocorre durante o período de crescimento para controlar o excesso de folhagem e melhorar a iluminação direta nos frutos. Ambos os manejos são complementares para manter o pomar produtivo.

Posso utilizar qualquer tipo de tinta para selar os cortes feitos nos galhos?

Não, é fundamental evitar o uso de tintas à base de óleo, pois elas podem queimar os tecidos da planta e causar danos permanentes. O recomendado é aplicar tinta plástica, que pode ser misturada a um fungicida para aumentar a proteção. Esse cuidado é vital após o corte de ramos grossos para evitar a entrada de patógenos.

Como evitar que os ramos rasguem ou machuquem a planta durante o corte?

Para garantir um corte limpo, especialmente em galhos mais grossos, você deve aplicar uma leve pressão com a mão para baixo enquanto utiliza o serrote de poda. Isso evita que o peso do próprio galho faça com que ele ceda antes do fim do corte, impedindo que a casca seja arrancada. Ferramentas bem afiadas e adequadas ao diâmetro do ramo também são indispensáveis.

O que caracteriza o sistema de condução Bibaum e quais suas vantagens?

O sistema Bibaum, também conhecido como duplo eixo, utiliza mudas que já possuem duas ramificações principais subindo paralelamente. Essa técnica ajuda a reduzir o vigor excessivo da planta, facilitando o manejo manual e permitindo um adensamento muito maior. Com esse sistema, é possível plantar até 6.000 árvores por hectare, dobrando a densidade em relação ao modelo tradicional de Líder Central.

Como decidir entre um sistema de baixa ou alta densidade de plantas?

A decisão deve basear-se no equilíbrio entre o investimento inicial e a capacidade de manejo técnico da sua equipe. Sistemas de alta densidade, como o Cordão Vertical, permitem colher muito mais por área, mas exigem um custo maior com mudas, tutores e mão de obra especializada. É essencial colocar na ponta do lápis o custo por hectare e utilizar softwares de gestão para monitorar a rentabilidade de cada escolha.

Artigos Relevantes

  • Regulador de Crescimento no Algodão: Guia Completo para Máxima Produtividade: Este artigo complementa o tema de arquitetura da planta ao discutir o controle do crescimento vegetativo para maximizar a produtividade. Enquanto a poda na pereira é uma regulação física do vigor, este conteúdo oferece uma perspectiva técnica sobre a regulação química, ajudando o produtor a entender como equilibrar força vegetativa e produção de frutos.
  • Níquel nas Plantas: Guia Essencial sobre Funções, Sintomas e Adubação: A poda gera estresse e exige cicatrização e nutrição eficiente para a retomada do crescimento. Este artigo sobre o níquel expande a compreensão sobre micronutrientes essenciais e saúde vegetal, o que é fundamental para garantir que a pereira responda bem aos cortes e consiga sustentar a produção em sistemas de alta densidade mencionados no texto principal.
  • Manejo de Plantas Daninhas: Estratégias para um Campo Limpo e Produtivo: O artigo principal menciona que uma planta sem poda ‘vira mato’, e este guia de manejo integrado oferece a estratégia macro para manter o ambiente de cultivo limpo e produtivo. Ele aprofunda a discussão sobre competição por recursos (luz, água e nutrientes), que é o mesmo princípio biológico que justifica a abertura da copa da pereira por meio da poda.
  • Manejo de Plantas Daninhas na Pré-Safra: Reduza Custos e Vença a Resistência: Este artigo foca na redução de custos e no planejamento de manejo, conectando-se diretamente à seção do texto principal que aborda o uso do software Aegro para gestão financeira. Ele oferece uma visão prática de como o manejo antecipado e a organização operacional impactam a rentabilidade final do pomar.
  • Pragas do Feijão: Um Guia Completo por Estágio da Planta: Apesar de tratar de uma cultura diferente, este artigo é valioso por detalhar o manejo baseado em estádios fenológicos. Essa abordagem reforça o conceito de ‘calendário da pereira’ apresentado no texto principal, ensinando o produtor a observar o desenvolvimento da planta para realizar intervenções (como a poda ou controle fitossanitário) no momento técnico ideal.