Pragas Pós-colheita: Como Evitar Perdas em Hortaliças [2025]

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Índice

Aqui está o corpo principal do artigo, focado na linguagem do produtor, com as correções técnicas solicitadas e estrutura de alta legibilidade.


A Praga Não Acaba na Colheita: Entenda o Risco Real

Você já passou por aquela situação de caprichar no manejo a safra inteira, fazer tudo certo do plantio até a colheita, e na hora de vender, descobrir que o produto perdeu peso ou está furado? É de doer o bolso.

Muitos produtores acham que, tirou da terra, o problema acabou. Mas a realidade no galpão é outra. Aquele tomate que parecia perfeito pode estar escondendo uma larva pronta para apodrecer a caixa toda. Ou aquele saco de grão-de-bico, guardado para esperar o preço subir, pode virar farinha na boca do caruncho.

O que acontece na prática? Existem dois tipos de vilões aqui:

  1. Os “caroneiros”: Pragas que já vieram da lavoura (como a traça-do-tomateiro). Elas entram na sua estrutura de armazenamento escondidas dentro do fruto.
  2. Os “moradores”: Pragas de armazenamento (polífagas). Elas já vivem no seu galpão, escondidas em frestas ou restos de safras passadas, só esperando a carga nova chegar.

O Que Ataca Quem? Identificando os Inimigos por Cultura

Seu Zé, lá do interior de Goiás, perdeu um lote de batata porque achou que a “mariposinha” voando no galpão era inofensiva. Quando foi ver, as batatas estavam cheias de galerias. Para não cair nessa, você precisa saber o que procurar em cada cultura.

1. Grãos e Leguminosas (Ervilha, Lentilha e Grão-de-bico)

Aqui o produtor costuma confundir tudo como “bicho do grão”, mas tem diferença.

  • Os Carunchos Verdadeiros (Callosobruchus spp.): São os principais inimigos aqui. Eles furam o grão de verdade. A larva come por dentro e o adulto sai deixando aquele “furo de bala”.
  • O Besouro da Farinha (Tribolium spp.): Esse é oportunista (praga secundária). Ele geralmente aparece quando o grão já está quebrado ou atacado, se alimentando do pó e resíduos. Se você vê muito pó e esses besourinhos (3 a 10 mm, cor marrom-avermelhada), o estrago já está avançado.

Sinal de alerta: Aquecimento da massa de grãos e presença de “farinha” no fundo da sacaria.

2. Batata e Batata-Doce

A batata é um alvo fácil porque tem muita água e nutriente.

  • Traça-da-batata (Phthorimaea operculella): É uma mariposa cinza pequena. A lagarta faz galerias dentro do tubérculo. O perigo é que ela entra no armazém “invisível” (ovos ou lagartas pequenas) e se desenvolve lá dentro.
  • Cochonilha-branca: Parece um “algodãozinho” branco na casca. Ela suga a seiva e deixa a batata murcha, perdendo peso de venda.
  • Na Batata-doce: Cuidado com a Broca-do-tubérculo. A larva é branca e curva. Ela faz galerias que deixam a batata dura e com gosto ruim. Ninguém compra batata-doce com gosto amargo.

3. Tomate, Pimentão e Frutos

Aqui o problema é “silencioso”.

  • Broca-pequena (Neoleucinodes elegantalis): Muito comum. A lagarta entra no fruto ainda verde e fecha a porta de entrada. Por fora, o tomate está lindo. Por dentro, está podre. O consumidor só descobre quando corta, e aí a reclamação volta para você.
  • Traça-do-tomateiro (Tuta absoluta): Essa destrói tudo. Além de comer a polpa, os furos que ela faz são portas abertas para fungos e bactérias que causam podridão-mole.

4. Alho e Cebola

Muita gente acha que alho não pega bicho porque é forte. Ledo engano.

  • Traças de Armazenamento (Plodia e Ephestia): São aquelas mariposas acinzentadas ou avermelhadas que voam no armazém. Elas adoram depositar ovos nas réstias ou nas cascas secas. As lagartas tecem teias (parece uma seda) e comem o bulbo, deixando ele oco ou cheio de excrementos.

Como Arrumar o Galpão: Um Checklist Prático

Não adianta ter o melhor veneno se o seu galpão é uma bagunça. O Sr. Antônio aprendeu que higiene é o melhor defensivo. Vamos transformar seu local de armazenamento em uma fortaleza contra pragas com este checklist operacional:

  1. Limpeza “Pente Fino”: Antes de entrar a safra nova, varra tudo. Tetos, cantos de parede, vigas. As traças adoram fazer casulo (pupa) nesses cantos escuros e altos. Resto de grão ou hortaliça velha no chão é convite para praga.
  2. Temperatura e Ventilação: Inseto gosta de calor. Quanto mais fresco o ambiente, mais devagar a praga se reproduz. Mantenha o galpão ventilado para evitar umidade excessiva (que traz fungo e atrai besouros). * Se possível, use telas nas janelas para impedir a entrada de mariposas vindas de fora.
  3. Seleção Rigorosa (A Regra de Ouro): * Nunca misture lote novo com lote velho.
    • Faça a “triagem” na chegada: qualquer fruto furado, podre ou com sinal de galeria deve ser descartado imediatamente. Um tomate podre com broca vai contaminar a caixa inteira no transporte.
    • Dica: Enterre o refugo longe do galpão. Jogar no monturo do lado de fora só cria um criadouro para elas voltarem voando.

Monitoramento: Como Saber se o Bicho Chegou?

Você não pode esperar o cliente reclamar. Tem que achar a praga antes.

Use a Tecnologia a Seu Favor (Armadilhas)

Para as traças (mariposas), o monitoramento com feromônio é muito eficiente.

  • Como funciona: A armadilha libera o cheiro da fêmea, atraindo o macho.
  • Onde colocar: Em pontos estratégicos do galpão, na altura do voo da praga (geralmente 1,5m a 2m do chão).
  • Para que serve: Não é só para matar, é para te avisar. Se você capturou mariposas na armadilha, sabe que a infestação começou e precisa agir rápido.

Para os besouros (em grãos secos como ervilha/lentilha):

  • Faça a amostragem manual. Peneire pequenas porções de sacos diferentes. Se achar insetos vivos ou muito pó, a praga está ativa.

Controle Químico e Biológico no Armazém

Aqui mora o perigo. Hortaliça é comida fresca. Diferente da soja que vai ser processada, o tomate ou a batata vão para a mesa do consumidor em poucos dias.

O Problema do Veneno: Usar inseticida químico no armazenamento é muito arriscado e, muitas vezes, proibido. O período de carência (tempo entre aplicar e comer) da maioria dos produtos é longo, e a hortaliça estraga antes disso. Além disso, resíduo químico pode barrar sua venda em mercados mais exigentes.

A Solução Inteligente (Controle Biológico): A natureza joga no seu time se você deixar. Dentro dos armazéns, existem inimigos naturais dessas pragas:

  • Vespinhas Parasitoides (Trichogramma, Braconidae): Elas são minúsculas e inofensivas para o homem. Elas colocam os ovos delas dentro da lagarta ou do ovo da traça, matando a praga antes que ela cause dano.
  • Predadores: Percevejos pequenos e até algumas aranhas de galpão ajudam a comer os ovos e larvas das pragas.

Estratégia Final: Se o ataque for severo, prefira métodos físicos (como expurgo em câmaras herméticas para grãos) ou controle de temperatura (câmaras frias), que inibem o desenvolvimento dos insetos sem deixar resíduo químico.


Glossário

Pragas Polífagas: Insetos ou organismos capazes de se alimentar e se desenvolver em uma grande diversidade de plantas ou produtos. No armazenamento, representam um perigo maior pois podem migrar facilmente entre diferentes tipos de grãos e hortaliças guardados no mesmo local.

Praga Secundária: Inseto que não consegue atacar o grão íntegro e depende de danos prévios, como quebras ou furos feitos por outros insetos, para conseguir se alimentar. Sua presença em massa é um forte indicador de que a qualidade do lote já está comprometida por pragas primárias ou manejo inadequado.

Manejo Integrado de Pragas (MIP)

Feromônio: Substância química sintética que imita o odor natural de comunicação dos insetos, geralmente utilizada para atração sexual em armadilhas de monitoramento. Permite ao produtor identificar a presença e o aumento populacional de mariposas no galpão antes que o dano visual apareça.

Período de Carência: Intervalo de tempo obrigatório entre a aplicação de um defensivo e a colheita ou comercialização do produto. No caso de hortaliças armazenadas, esse prazo deve ser rigorosamente seguido para evitar que o alimento chegue ao consumidor com resíduos químicos acima do permitido.

Vespinhas Parasitoides: Agentes de controle biológico que depositam seus ovos dentro de ovos ou larvas das pragas, interrompendo o ciclo de vida do inseto invasor. São uma alternativa sustentável ao uso de inseticidas químicos, especialmente em ambientes fechados e produtos destinados ao consumo in natura.

Expurgo: Técnica de controle que utiliza gases (fumigantes) em ambientes hermeticamente fechados para eliminar pragas em todas as suas fases, desde o ovo até o adulto. É um procedimento técnico rigoroso, essencial para a higienização de grandes lotes de grãos e sementes sem deixar resíduos físicos.

Lepidoptera: Ordem de insetos que engloba as mariposas e borboletas, cujas larvas (lagartas) são as principais responsáveis pelos danos em produtos armazenados. No contexto agrícola, o monitoramento foca na fase adulta para evitar a postura de ovos que darão origem às lagartas destruidoras.

Como o Aegro te ajuda a proteger o lucro no pós-colheita

Evitar que o caruncho ou a traça levem embora o seu lucro exige mais do que apenas um galpão limpo; exige organização e dados. Com o software de gestão agrícola Aegro, você consegue registrar todo o monitoramento de pragas e os checklists de limpeza do armazém diretamente pelo celular, garantindo que nada passe batido na rotina operacional. Essa organização é o que diferencia quem apenas produz de quem realmente gerencia o negócio com eficiência.

Além disso, o Aegro ajuda a controlar o seu estoque de insumos e a valorização do produto colhido, permitindo visualizar o impacto real de qualquer perda de peso ou qualidade no seu fechamento financeiro. Ao centralizar essas informações, você toma decisões mais seguras sobre o momento certo de vender e evita prejuízos silenciosos que podem comprometer a rentabilidade da safra.

Vamos lá?

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Perguntas Frequentes

Por que não devo misturar lotes de colheitas novas com colheitas antigas no mesmo galpão?

Misturar lotes é um erro comum que facilita a ‘contaminação cruzada’. As pragas sobreviventes do lote antigo, conhecidas como ‘moradoras’, migrarão rapidamente para o produto fresco, que é mais nutritivo e atraente. O ideal é esvaziar e higienizar completamente o espaço antes de introduzir uma nova safra.

Como diferenciar se a infestação de traças no armazém é grave ou inicial?

O sinal de alerta para uma infestação avançada é a presença de ’teias’ ou fios de seda cobrindo os produtos, além de um acúmulo de resíduos finos (parecidos com farinha) no fundo das sacarias. Se você observar mariposas voando e essas teias, significa que as lagartas já estão se alimentando e se reproduzindo ativamente no seu estoque.

Qual é o perigo real de usar inseticidas químicos comuns dentro do local de armazenamento?

O principal risco é o resíduo químico nos alimentos, já que hortaliças e frutos costumam ir direto para a mesa do consumidor. Muitos produtos químicos têm um período de carência longo, e se você aplicar no armazém, o produto pode chegar ao mercado com níveis de veneno acima do permitido, causando multas e devoluções de carga.

O que deve ser feito com os frutos e grãos descartados na triagem?

O refugo jamais deve ser jogado em montes próximos ao galpão, pois vira um criadouro de pragas que logo retornarão para atacar o produto sadio. O recomendado é enterrar esse material longe das instalações ou dar uma destinação que elimine as larvas, interrompendo o ciclo de reprodução dos insetos.

As armadilhas de feromônio servem apenas para capturar os insetos ou têm outra função?

A principal função das armadilhas de feromônio é o monitoramento, servindo como um ’termômetro’ da infestação. Elas atraem os machos e indicam ao produtor o momento exato em que a praga entrou no galpão, permitindo uma intervenção rápida antes que a população de insetos saia de controle.

Como o controle de temperatura no galpão ajuda a combater carunchos e traças?

Insetos são animais que dependem do calor ambiental para se desenvolver; em ambientes frios, o metabolismo deles desacelera drasticamente. Manter o galpão bem ventilado e com temperatura reduzida não mata necessariamente todos os insetos, mas impede que eles se reproduzam rapidamente, preservando o peso e a qualidade do produto por mais tempo.

Artigos Relevantes

  • Pragas de Armazenamento: Como Identificar e Controlar Após a Colheita: Este artigo é a continuação técnica ideal do conteúdo principal, pois aprofunda a identificação de insetos e detalha manejos químicos e físicos específicos para o ambiente de armazenamento. Enquanto o artigo principal foca em hortaliças, este expande o conhecimento para a preservação da qualidade de grãos, oferecendo uma visão técnica mais robusta sobre o controle de carunchos.
  • Pós-Colheita: O Guia Prático para Proteger sua Safra e Maximizar Lucros: Este artigo complementa a discussão sobre pragas ao contextualizar a pós-colheita como uma etapa estratégica de rentabilidade. Ele oferece uma visão sistêmica que inclui secagem e logística, ajudando o produtor a entender que o controle de pragas é apenas um dos pilares para maximizar os lucros após a retirada do produto do campo.
  • Besouro-Castanho: O Guia Completo para Eliminar essa Praga dos Grãos Armazenados: O artigo principal menciona o Besouro da Farinha (Tribolium spp.) como um dos ‘moradores’ dos galpões; este candidato funciona como um guia especializado para eliminar especificamente essa praga. Ele fornece soluções práticas e detalhadas para um problema que foi apenas brevemente citado, entregando valor imediato ao produtor que já identificou esse besouro em seu estoque.
  • Cochonilhas na Lavoura: Guia Completo de Identificação e Controle: A cochonilha-branca é listada no artigo principal como uma ameaça específica à batata no pós-colheita; este guia completo permite ao produtor identificar as diferentes famílias dessa praga e entender seu ciclo biológico. Ter este conteúdo como referência ajuda a prevenir o murchamento e a perda de peso dos tubérculos mencionados no texto base.
  • Manejo Integrado de Pragas (MIP): Uma Abordagem Estratégica e Sustentável: Este artigo fundamenta a estratégia de ‘Controle Inteligente’ citada no texto principal, detalhando os princípios do MIP (Manejo Integrado de Pragas). Ele oferece a base teórica e sustentável necessária para que o produtor combine as táticas biológicas e físicas sugeridas no armazém, garantindo que ele não dependa exclusivamente de químicos perigosos.