2,4-D na safra 26/27: por que o mesmo produto varia 36% de preço entre fabricantes

Foto de perfil de Aegro Insights
O Aegro Insights é a vertical de inteligência de dados da Aegro focada no produtor rural.
Imagem de destaque do artigo: 2,4-D na safra 26/27: por que o mesmo produto varia 36% de preço entre fabricantes
Aegro Insights

Compare preços reais de insumos na sua região. São mais de 300 mil preços de NF-e dos últimos 90 dias — comece grátis. Conhecer o Aegro Insights

Em junho de 2026, o TJRS confirmou a ampliação das restrições ao 2,4-D na Campanha Gaúcha. A ação partiu de produtores de uva e maçã incomodados com a deriva do herbicida, e a decisão manteve, para a safra 26/27, a proibição de aplicar a menos de 50 metros de videiras e macieiras. A Justiça mexeu em uma coisa: onde você pode aplicar.

Tem outra parte da conta que continua inteira na sua mão, a de quem comprar e como pagar. É justamente aí que mora a diferença de dinheiro: entre dez formuladoras do mesmo 2,4-D, na mesma concentração e na mesma dose comercial, o preço variou até 36% na safra 25/26, segundo 3.984 notas fiscais levantadas pelo Aegro Insights.

Índice

Quanto o 2,4-D subiu de preço da safra 25/26 para a 26/27

Na safra 25/26 fechada (abril de 2025 a março de 2026), a mediana do 2,4-D ficou em R$ 19,12 por litro, o equivalente a R$ 18,00 por hectare na dose mediana de aplicação. Colocado ao lado da mediana da soja no mesmo período (R$ 118,20 a saca de 60 kg), esse custo representa 0,15 saca por hectare.

A safra 26/27, ainda parcial (abril a julho de 2026), começou com alta moderada: R$ 19,50 por litro e R$ 18,66 por hectare. Isso dá 2,0% a mais por litro e 3,7% a mais por hectare sobre a mediana fechada da safra anterior. O glifosato subiu mais no mesmo comparativo, 3,2% no litro e 5,4% no hectare. Por enquanto, não há pressão forte de preço sobre a molécula.

Leia mais: A conta que pesa no bolso: o mesmo defensivo, preços completamente diferentes

Por que o mesmo 2,4-D custa até 36% mais caro conforme o fabricante

Aqui está o corte mais direto do levantamento. Restringindo a amostra à mesma concentração e forma líquida (806 g/L, que responde por 92% do volume) e a fabricantes com base robusta, dez formuladoras entram na conta.

CCAB e Alta ficaram empatadas na ponta barata, a R$ 18,50 por litro. Ihara, Tecnomyl, Agroimport e Rainbow ficaram cerca de 2,7% acima. Adama ficou 4,0% acima. Albaugh e Syngenta, 5,0% acima. A Sumitomo, a R$ 25,20 por litro, ficou 36,2% acima da mais barata, pelo mesmo princípio ativo e na mesma dose comercial.

Aqui não vale o discurso de marca cara contra genérico barato: não existe uma marca de patente para comparar, as dez são formuladoras de genérico. A variação de 36% não é prêmio de tecnologia. É dispersão de canal e negociação, e é isso que fica na sua mão na hora de cotar.

Por que o ranking de R$/ha não é igual ao de R$/L

Uma leitura pede cuidado. O ranking de R$/ha não acompanha o de R$/L: a Ihara, por exemplo, tem R$/L baixo e R$/ha entre os mais altos, sinal de dose maior por hectare aplicada com aquele produto.

Por isso o prêmio entre fabricantes deve ser lido pelo R$/L, que isola preço de dose, com o R$/ha ao lado para não perder o efeito da aplicação.

Leia mais: Defensivos Genéricos vs. Marca: Como Escolher e Economizar

Por que o preço do 2,4-D muda tanto entre estados

O preço não é uniforme entre as regiões produtoras. Tocantins foi o estado mais caro da safra 25/26, com mediana de R$ 23,75 por litro e R$ 21,61 por hectare, reflexo de um mercado de menor escala no Norte. No outro extremo, Goiás teve o menor custo por hectare da amostra, R$ 16,33, e empatou com Mato Grosso no menor preço por litro, R$ 18,50. Entre os dois extremos, o spread chega a 28,4% no R$ por litro e 32,3% no R$ por hectare.

Um detalhe muda em relação ao glifosato: o Paraná, estado com maior volume da amostra (n=882), ficou no meio da tabela de preços, nem o mais caro nem o mais barato. No levantamento do glifosato, o Paraná ocupava justamente o papel de estado mais caro.

A diferença de preço entre quem compra bem e quem compra mal no 2,4-D

O corte mais revelador não é entre estados nem entre safras. É entre produtores dentro do mesmo ano. Na safra 25/26, quem comprou bem pagou R$ 15,90 por litro, o preço mínimo da amostra; quem comprou mal pagou R$ 25,20, o preço máximo. A distância de R$ 9,30 por litro significa que quem ficou na ponta cara desembolsou 58,5% a mais pelo mesmo produto.

Em custo por hectare, a distância cresce: do mínimo de R$ 12,67 ao máximo de R$ 24,38, uma diferença de R$ 11,71 por hectare, ou 92,4%. Numa fazenda de 1.000 hectares, isso equivale a cerca de R$ 11,71 mil por aplicação, sem trocar de produto e sem trocar de concentração. Só de timing e negociação.

Leia mais: Custo de Produção: O Ponto Cego Que Ameaça o Produtor Rural Brasileiro

Quanto custa comprar 2,4-D a prazo

Existe um custo que não aparece na etiqueta: o do prazo. Na safra 25/26, a compra a prazo de 2,4-D saiu, na mediana, a R$ 19,75 por litro, com prazo mediano de 191 dias. A compra à vista saiu a R$ 18,27, com prazo mediano de 19 dias.

Essa diferença de 8,1% para financiar cerca de 172 dias adicionais equivale a uma taxa implícita de aproximadamente 18,0% ao ano embutida no parcelamento, acima do que se mediu no glifosato na mesma safra (14,7% ao ano).

O ponto prático: peça a taxa implícita do seu prazo e compare com o custo do crédito bancário ou da CPR disponível. A régua é o número da sua operação, não uma média de mercado.

Leia mais: Custeio Agrícola: O Guia Completo para Financiar Sua Produção | Planejamento Financeiro Agrícola: 6 Passos para o Sucesso

O que esperar do preço do 2,4-D para a safra 26/27

Comparando o mesmo ponto do ciclo em anos diferentes, abril a julho, a safra 26/27 entra apenas 0,9% mais cara em R$/L e 1,3% mais cara em R$/ha que a 25/26 no mesmo intervalo do ano anterior.

Somado à leve tendência de alta ao longo do ano agrícola, o recado é direto: o 2,4-D não mostra, por ora, pressão forte de preço para a 26/27. A variável que mais separa quem paga bem de quem paga mal não é o momento do ciclo. É o fabricante e o prazo escolhidos. A lei mudou onde você aplica no Rio Grande do Sul; ela não mudou de quem você compra nem em que prazo.

Como foi feito esse levantamento sobre o preço do 2,4-D

Todos os números vêm de NF-e real registrada no Aegro, não de estimativa ou preço sugerido por fornecedor. O universo foi restrito à concentração dominante de 2,4-D, 806 g/L (sal dimetilamina): 3.984 dos 4.314 registros da safra 25/26, ou 92% da amostra.

Ficaram de fora, por serem quimicamente distintos e não por erro de cadastro, a formulação 840 g/L, o sal de colina 456 g/L (tecnologia tipo Enlist, outra molécula na prática) e a 361,2 g/L. A comparação por estado usou apenas estados com pelo menos 50 registros; a comparação por fabricante considerou formuladoras com base robusta. A taxa anualizada do prazo foi calculada sobre a diferença de dias (191 contra 19), e a mediana de soja usada na relação de troca é nacional, útil como ordem de grandeza, não como recorte regional fino.

O que fazer antes de fechar a compra do 2,4-D para 26/27

A decisão do TJRS dá o pano de fundo sobre onde aplicar. Quem decide o custo do 2,4-D na sua lavoura é a distribuição real de preço na sua região e o juro escondido no seu prazo de pagamento.

Antes de fechar a compra da 26/27, faça três movimentos. Cote pelo menos três fabricantes na formulação 806 g/L. Pergunte a taxa implícita do prazo oferecido. E compare a sua última compra com a mínima e a máxima praticadas perto de você.

Leia mais: Relação de troca soja/fertilizante 26/27: o adubo subiu

Veja como o Aegro pode ajudar

A distribuição de preço deste artigo é a mediana nacional das notas fiscais. A conta que decide o seu pedido é a da sua região e do seu fabricante, e ela só aparece quando você compara nota contra nota.

É isso que o Compare Preços faz dentro do Aegro: mostra o preço real do 2,4-D por região, a partir das NF-e, para você chegar na mesa de negociação sabendo se a cotação recebida está acima ou abaixo do que o mercado ao seu redor está pagando. Cada nota fiscal lançada na plataforma alimenta automaticamente o custo por hectare, por talhão e por safra de cada insumo aplicado.

Teste o Aegro de graça e veja os números da sua fazenda em tempo real.

Perguntas frequentes

Quanto custa o 2,4-D por hectare na safra 25/26?

Na safra 25/26 fechada, a mediana nacional foi de R$ 18,00 por hectare, com o litro saindo a R$ 19,12 na dose mediana de aplicação. Esse valor varia bastante por estado e por fabricante, chegando a R$ 24,38 por hectare na ponta mais cara da amostra.

Por que o preço do 2,4-D varia tanto entre fabricantes?

Porque as dez formuladoras avaliadas vendem genérico do mesmo princípio ativo, na mesma concentração de 806 g/L. Não existe prêmio de marca de patente para justificar a diferença: a variação de até 36,2% entre a mais barata e a mais cara reflete canal de venda e negociação, não tecnologia.

Qual estado tem o 2,4-D mais caro?

Tocantins teve a mediana mais alta da safra 25/26, R$ 23,75 por litro e R$ 21,61 por hectare, puxado por um mercado de menor escala no Norte. Goiás e Mato Grosso ficaram na ponta mais barata em R$/L.

Compensa comprar 2,4-D a prazo?

Depende da taxa implícita embutida no prazo oferecido. Na safra 25/26, o prazo médio de 191 dias custou uma taxa implícita de cerca de 18,0% ao ano frente à compra à vista. Vale comparar esse número com o custo do crédito bancário ou da CPR disponível antes de fechar.

A decisão do TJRS sobre o 2,4-D no Rio Grande do Sul afeta o preço do produto?

A decisão de junho de 2026 trata de onde aplicar o 2,4-D, mantendo a proibição a menos de 50 metros de videiras e macieiras na Campanha Gaúcha para a safra 2026/27. Ela não altera o preço pago pelo produto nem quem fabrica ou vende, que segue variando por fabricante, estado e prazo de pagamento.