O preço está bom ou está caro? Duas contas respondem
Antes de fechar o pedido da safra 26/27, a pergunta prática é uma só: esse preço está bom ou está caro? Duas comparações respondem melhor que qualquer impressão de mercado. A primeira é contra o mesmo período do ano passado. A segunda é contra os últimos três meses.
O Aegro Insights fez as duas com as notas fiscais de compra de insumos de fazendas do RS registradas no Aegro, usando a mediana de cada produto: metade das notas pagou menos, metade pagou mais. O retrato é claro. A dessecação, o nitrogenado e o combustível subiram contra o ano passado. O herbicida seletivo, o fungicida e o inseticida caíram. E o dessecante, que subiu 12%, é o item caro que não está devolvendo nada da alta.
Índice
- Os três que subiram: dessecante, ureia e diesel
- O resto do defensivo caiu, e alguns caíram muito
- Nos últimos três meses, a ureia esfriou e o dessecante não cedeu
- O que fazer em cada grupo antes de assinar o pedido
- A régua histórica serve para desconfiar, não para adivinhar
- E na sua região, quanto está?
- Vamos lá?
- Perguntas frequentes
Os três que subiram: dessecante, ureia e diesel
Contra a mesma janela de 2025, o insumo se dividiu em dois grupos. No grupo que subiu estão a dessecação, o adubo nitrogenado e o combustível.
- Glifosato: o mais vendido do estado saiu de R$ 23,00 para R$ 25,84 o litro, uma alta de 12,3%. A segunda marca da molécula subiu praticamente o mesmo, 12,4%. Na formulação em grânulos, a alta chega a 24,8%.
- Ureia: foi de R$ 2.885 para R$ 3.100 a tonelada, mais 7,5%. O sulfato de amônio subiu 6,5%.
- Diesel: passou de R$ 5,60 para R$ 6,23 o litro, mais 11,3%.
São três frentes de custo que pesam cedo na conta da safra: o herbicida da dessecação, o nitrogênio da adubação e o combustível que roda a fazenda inteira.
O resto do defensivo caiu, e alguns caíram muito
Fora desse grupo, quase todo o defensivo ficou mais barato que um ano atrás.
- Herbicida seletivo: o S-metolacloro recuou 25,3%, de R$ 50,90 para R$ 38,00 o litro. O saflufenacil caiu 21,4% e o glufosinato de referência, 10,8%.
- Inseticida de percevejo: o mais usado contra a praga caiu 17,6%, de R$ 134,00 para R$ 110,39 o litro.
- Fungicida de ferrugem: o principal produto recuou 7,7%, de R$ 295,00 para R$ 272,16 o litro.
O cloreto de potássio ficou parado: variou 0,4% para baixo, praticamente o mesmo preço de um ano atrás.
Nos últimos três meses, a ureia esfriou e o dessecante não cedeu
A segunda leitura muda o ângulo. Olhando só os últimos três meses, o movimento mais forte é o alívio da ureia. A mediana caiu de maio para julho e a direção é clara: o pico do susto passou. Quem tem prazo para comprar nitrogenado está do lado bom dessa curva.
O cloreto de potássio fez o contrário, com leve alta de 4,7% no mesmo intervalo. Sem pressa, mas sem desconto novo. O inseticida de percevejo seguiu cedendo, com queda de 12,6% de maio a julho, e o fungicida de ferrugem também recuou.
O dessecante é o ponto fora da curva. Ele ficou firme no topo: variou só 1,2% em três meses. Ou seja, não devolveu nada da alta de 12% contra o ano passado. É o insumo que está caro e continua caro.
O que fazer em cada grupo antes de assinar o pedido
Junte as duas leituras e o retrato da próxima compra de insumos fica prático:
- Dessecante: é o item que está caro e não está cedendo. É onde a cotação merece mais desconfiança. Peça mais de uma proposta antes de responder.
- Nitrogenado: está acima do ano passado, mas em queda. Quem consegue esperar tem a tendência a favor. Quem precisa travar a reposição pode fazer por parcelas em vez de fechar tudo de uma vez.
- Potássio: está parado em preço. Aqui a decisão é de logística e prazo de entrega, não de preço.
- Seletivo, fungicida e inseticida: estão mais baratos que um ano atrás. O risco não é pagar caro. O risco é deixar de fechar enquanto o preço está bom.
A régua histórica serve para desconfiar, não para adivinhar
A leitura de vários anos continua valendo como referência de negociação, não como promessa. Nos oito anos anteriores, fevereiro foi o mês em que a ureia rodou mais barata contra a média do próprio ano, cerca de 10% abaixo, enquanto outubro a dezembro rodou de 4% a 10% acima. No glifosato, o período historicamente caro é de janeiro a abril, não a janela de dessecação.
E é aí que 2026 dá o recado. A alta de 12% do glifosato chegou antes de agosto, fora do período que a régua histórica apontaria como o mais caro. Isso mostra exatamente para que serve o padrão de anos anteriores: para você desconfiar de uma cotação que fugiu do esperado, não para adivinhar o mês certo de comprar.
E na sua região, quanto está?
As medianas deste artigo são do estado inteiro. A da sua região pode ser outra, e é ela que decide se a cotação na sua mesa está boa ou não.
O Compare Preços do Aegro Insights mostra o preço praticado perto da sua fazenda, produto por produto, com a variação dos últimos meses, o prazo médio de pagamento e qual tipo de fornecedor está entregando o melhor preço em cada item. Você chega na negociação sabendo três coisas que a proposta não conta: quanto o produto custava um ano atrás, para onde ele está indo e quanto as outras fazendas pagaram por ele nas últimas semanas.
Vamos lá?
Na próxima cotação de dessecante, de ureia ou de defensivo, abra o preço da sua região antes de responder ao fornecedor. É essa conta, e não a mediana do estado, que decide o seu pedido da 26/27.
O Compare Preços do Aegro Insights faz isso a partir das notas fiscais que passam pelo Aegro: mostra o preço real de cada insumo por região, o prazo médio de pagamento e o tipo de fornecedor que entrega o melhor valor. Você para de negociar no escuro e chega na mesa sabendo se a cotação que recebeu está acima ou abaixo do que o mercado à sua volta está pagando.
Acesse o Compare Preços e veja quanto o glifosato, a ureia, o diesel e o defensivo estão custando perto da sua fazenda, produto a produto, antes de fechar a compra da safra 26/27.
Perguntas frequentes
O preço do insumo subiu ou caiu para a safra 26/27 no RS?
Depende do insumo. Contra o mesmo período de 2025, subiram a dessecação (glifosato +12,3%), o adubo nitrogenado (ureia +7,5%) e o combustível (diesel +11,3%). Caíram o herbicida seletivo (S-metolacloro -25,3%), o inseticida de percevejo (-17,6%) e o fungicida de ferrugem (-7,7%).
Quanto o glifosato subiu no RS?
O mais vendido do estado saiu de R$ 23,00 para R$ 25,84 o litro, uma alta de 12,3%. A segunda marca da molécula subiu praticamente o mesmo, 12,4%, e a formulação em grânulos chegou a 24,8%.
Vale a pena esperar para comprar ureia?
Quem tem prazo está do lado bom da curva. Nos últimos três meses, a mediana da ureia caiu de maio para julho: o pico do susto passou. Ela ainda está acima do ano passado, então quem precisa travar a reposição pode fazer por parcelas em vez de fechar tudo de uma vez.
Qual insumo está caro e não está cedendo?
O dessecante. O glifosato subiu 12% contra o ano passado e, nos últimos três meses, variou só 1,2%: ficou firme no topo, sem devolver nada da alta. É o item onde a cotação merece mais desconfiança, e onde vale pedir mais de uma proposta.
O defensivo está mais barato para a 26/27?
Boa parte sim. O S-metolacloro caiu 25,3%, o saflufenacil 21,4%, o inseticida de percevejo 17,6% e o fungicida de ferrugem 7,7% contra um ano atrás. Nesses itens o risco não é pagar caro, é deixar de fechar enquanto o preço está bom.
A régua histórica diz o melhor mês para comprar?
Não. Ela serve para desconfiar de uma cotação fora do padrão, não para adivinhar o mês certo. Nos oito anos anteriores, fevereiro foi o mês da ureia mais barata e janeiro a abril o período caro do glifosato. Mas a alta de 12% do glifosato em 2026 chegou antes de agosto, fora da janela que a régua apontaria, o que mostra que o padrão é referência, não promessa.

