Preparo do Solo: Guia Prático da Análise à Adubação [2025]

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Índice

O Segredo do Solo: Começando do Jeito Certo

Você já teve aquela sensação de gastar uma fortuna em adubo e a planta não responder como devia? Pois é, Seu Antônio, isso acontece muito mais do que a gente imagina. O problema, na maioria das vezes, não é o adubo ser ruim, é o “alicerce” que não está pronto.

Antes de pensar em plantar pêssego, nectarina ou ameixa, a gente precisa preparar a casa. E isso começa com as curvas de nível.

Não precisa de equipamento da NASA para isso. Se o terreno for profundo e bem drenado, você pode marcar as curvas usando ferramentas simples. Sabe aquele nível de pedreiro? Monta ele numa régua de madeira ou faz um triângulo com um pêndulo (fio de prumo) na ponta.

  • Para curvas em nível: As “pernas” do aparelho devem ter o mesmo tamanho.
  • Para curvas com caimento (declive): Uma perna deve ser mais comprida que a outra.

Isso segura a água e evita que a chuva leve seu dinheiro (e sua terra) embora.

Como tirar a amostra de solo sem erro?

Aqui na lavoura, a pressa é inimiga da perfeição. Para a análise química funcionar, você precisa dividir o pomar em pedaços parecidos (os talhões). Não adianta misturar terra da baixada com terra do morro.

O passo a passo prático:

  1. Ande na área fazendo um zigue-zague.
  2. Escolha uns 15 pontos diferentes.
  3. Em cada ponto, tire um pouco de terra e jogue num balde limpo.
  4. Misture tudo muito bem dentro do balde.
  5. Separe 500 gramas dessa mistura para mandar para o laboratório.

Calagem: Não é Só Jogar o Pó Branco

Uma dúvida que sempre aparece na roda de conversa é: “Qual calcário eu compro?”. E a resposta certa pode salvar sua produção.

Para pêssego, nectarina e ameixa, o ideal é o solo com pH 6,0. Se estiver abaixo disso, precisa corrigir. Mas atenção ao calendário: o calcário precisa de tempo para reagir. O ideal é aplicar de 60 a 90 dias antes do plantio.

Qual tipo usar? Prefira o calcário dolomítico.

  • Por que? Ele tem Cálcio e Magnésio.
  • O erro comum: Usar só o calcítico. Ele só tem cálcio e pode deixar faltar magnésio para a planta. O equilíbrio é tudo.

Você deve aplicar o calcário para atingir 30 cm de profundidade. Já o fósforo, potássio e boro ficam nos 20 cm.


Adubação de Plantio: O Que Colocar na Terra?

Na safra passada, vi produtor querendo adubar só a cova para economizar. Sabe o que aconteceu? A raiz ficou presa ali, sem explorar o terreno.

Se o seu solo é fraco, ácido ou tem muito alumínio, o certo é corrigir a área total. Espalhe o adubo no pomar todo. Se o solo já for bom ou muito inclinado, aí sim você pode fazer faixas na largura do plantio.

O trio parada dura do plantio:

  1. Fósforo e Potássio: Siga a análise de solo do seu estado.
  2. Boro: Geralmente de 2 kg a 3 kg por hectare.
  3. Nitrogênio? NÃO!

Por que não usar Nitrogênio agora? O nitrogênio “anda” muito rápido no solo. Se você aplicar antes de plantar, na primeira chuva forte ele vai embora (lixiviação) antes da muda ter raiz para puxar ele. Dinheiro jogado fora.


Fase de Crescimento (Até o 3º Ano): Foco no Verde

Depois que a muda pegou, a conversa muda. Agora a planta precisa crescer, formar galho e folha. Nos primeiros 3 anos, o nutriente rei é o Nitrogênio.

Como aplicar sem errar:

  • Quando: Comece quando a brotação iniciar.
  • Parcelamento: Divida a dose em 3 vezes, com intervalo de 45 dias entre elas.
  • Primeiro ano: Espere 30 dias após a brotação para a primeira dose.

Se chover demais ou a folha ficar amarela, pode precisar de um reforço. Adubo orgânico (esterco, composto) ajuda muito aqui, mas use junto com o químico para garantir que a planta receba tudo o que precisa.


Pomar Produzindo: Como Manter a Carga Cheia?

Seu João me perguntou outro dia: “A planta tá carregada, preciso adubar igual quando era pequena?”. Não, Seu João. Agora é adubação de manutenção.

Os “pratos principais” da planta adulta são Potássio e Nitrogênio. O Fósforo a gente usa menos se o solo foi bem feito lá no começo.


Análise de Folha: O Exame de Sangue da Planta

Você não toma remédio sem saber o que tem, certo? Com a planta é igual. A análise de solo a gente faz a cada 3 anos. Mas a análise de folha deve ser feita a cada 2 anos.

Como fazer a coleta:

  • Quando: Entre a 13ª e 15ª semana depois da plena floração (sempre antes de colher a fruta).
  • O que pegar: Folhas completas (com o cabinho) do meio dos ramos novos do ano.
  • Quantidade: Cerca de 100 folhas por amostra, pegando de lados diferentes da planta.

É esse exame que vai dizer se você precisa aplicar micronutrientes ou ajustar a adubação.


Adubação Foliar e Cuidados Pós-Colheita

“Vale a pena aplicar aquele coquetel de adubo foliar?”. Olha, produtor, vou ser sincero: evite mistureba.

A adubação foliar serve para complementar, não para substituir o adubo de chão. Ela é ótima para:

  1. Boro: Na época da floração.
  2. Cálcio: Para melhorar a qualidade da fruta (principalmente para venda in natura).

Se o adubo de solo foi bem feito, você quase não vai precisar de foliar, a não ser para corrigir uma falta específica que apareceu na análise.

💡 DICA FINAL DE OURO: Depois que você colheu o pêssego ou a ameixa, o trabalho não acabou. Cuide das folhas! Não deixe elas caírem antes da hora.

A planta usa essas folhas velhas para guardar energia e nutrientes para a brotação do ano que vem. Se a folha cair cedo por doença ou falta de água, a próxima safra já começa fraca. Mantenha a planta sadia até a queda natural das folhas.


Glossário

Curvas de Nível: Técnica de conservação que consiste em marcar linhas no terreno seguindo a mesma altitude para controlar o fluxo da enxurrada. Ajuda a prevenir a erosão e favorece a infiltração da água da chuva, protegendo a camada fértil do solo.

Calcário Dolomítico: Insumo utilizado para corrigir a acidez do solo que contém altos teores de magnésio em sua composição, além do cálcio. É essencial para equilibrar o pH da terra e garantir que a planta tenha acesso a esses dois nutrientes fundamentais.

Gesso Agrícola: Condicionador que melhora o ambiente nas camadas profundas do solo, neutralizando o alumínio tóxico e fornecendo cálcio para as raízes. Diferente do calcário, ele não tem o poder de corrigir a acidez (pH) da camada superficial.

Lixiviação: Processo em que os nutrientes aplicados (como o nitrogênio) são ’lavados’ para as camadas profundas do solo pela água da chuva ou irrigação, ficando fora do alcance das raízes. Representa perda de fertilizante e prejuízo financeiro para o produtor.

Raleio: Prática de manejo que consiste na retirada do excesso de frutos jovens da planta para evitar a sobrecarga dos galhos. Garante que os frutos restantes cresçam com mais vigor, atinjam maior tamanho e tenham melhor qualidade comercial.

Análise Foliar: Diagnóstico laboratorial que identifica a real concentração de nutrientes dentro dos tecidos da planta. Funciona como um ’exame de sangue’ para verificar se a absorção de fertilizantes via solo está ocorrendo de forma eficiente.

Talhão: Divisão da propriedade em áreas menores e uniformes, agrupadas por características como tipo de solo, relevo e idade da cultura. Essa organização facilita o manejo preciso e a aplicação correta de insumos em cada setor.

Veja como o Aegro pode ajudar a organizar sua produção

Manter o equilíbrio entre a calagem correta, o parcelamento do nitrogênio e o acompanhamento das análises de solo exige organização constante para não perder os prazos e nem desperdiçar dinheiro com insumos. Um software de gestão agrícola como o Aegro facilita essa rotina ao permitir o planejamento de todas as atividades de adubação e o registro histórico das análises de solo e folha por talhão. Assim, você centraliza as informações da sua fazenda em um só lugar, garantindo que as aplicações ocorram no momento certo e com o custo sob controle.

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Perguntas Frequentes

Por que o calcário dolomítico é mais recomendado que o calcítico para pomares de pêssego e ameixa?

O calcário dolomítico é preferível porque contém tanto cálcio quanto magnésio, garantindo o equilíbrio nutricional do solo. O calcítico fornece apenas cálcio, o que pode causar uma deficiência de magnésio a longo prazo, prejudicando o desenvolvimento das plantas. Manter o equilíbrio entre esses dois nutrientes é fundamental para a saúde e produtividade do pomar.

Posso substituir a calagem pelo uso de gesso agrícola para corrigir o solo?

Não, o gesso agrícola não substitui o calcário pois ele não tem o poder de corrigir a acidez (não altera o pH do solo). O gesso é um condicionador que ajuda a neutralizar o alumínio tóxico e levar cálcio para as camadas mais profundas, melhorando o ambiente para as raízes. Para corrigir a acidez da superfície, o uso do calcário é obrigatório.

Por que não devo aplicar nitrogênio no momento exato do plantio das mudas?

O nitrogênio é um nutriente altamente móvel e se perde com facilidade através da chuva ou irrigação, processo chamado de lixiviação. Como as mudas recém-plantadas ainda não possuem raízes desenvolvidas para absorvê-lo, a aplicação precoce resulta em desperdício de dinheiro. O ideal é esperar cerca de 30 dias após o início da brotação para começar a adubação nitrogenada.

Qual a vantagem de aplicar o adubo em área total em vez de apenas na cova ou faixa de plantio?

A aplicação em área total é recomendada especialmente em solos fracos ou ácidos para garantir que todo o terreno esteja corrigido. Isso estimula as raízes a explorarem um volume maior de terra, buscando água e nutrientes em áreas mais distantes do tronco. Adubar apenas a cova pode limitar o crescimento radicular, deixando a planta mais vulnerável a secas e ventos fortes.

Por que é necessário parcelar a adubação nitrogenada em três vezes durante o ano?

O parcelamento garante que a planta tenha oferta constante de nitrogênio durante suas fases mais críticas de crescimento e produção. Isso evita que o excesso de adubo se perca no solo e permite ajustes conforme o clima e a carga de frutos. No pomar adulto, as doses são divididas entre a floração, o raleio e a fase pós-colheita para sustentar a safra atual e preparar a próxima.

Qual a diferença entre a análise de solo e a análise de folha?

A análise de solo mostra o que está disponível na ‘despensa’ da terra, enquanto a análise de folha funciona como um ’exame de sangue’, revelando o que a planta realmente conseguiu absorver. Enquanto o solo é analisado a cada três anos para correções de base, a análise de folha deve ser feita a cada dois anos para ajustar micronutrientes e conferir se a adubação de solo está sendo eficiente.

Qual o papel das folhas no período pós-colheita, antes de caírem no inverno?

Mesmo após a colheita, as folhas são essenciais pois continuam realizando fotossíntese para produzir reservas de energia (carboidratos). Essas reservas ficam guardadas no tronco e nas raízes para garantir que a planta tenha força para brotar e florescer na primavera seguinte. Por isso, é vital manter o pomar sadio e protegido de doenças até que as folhas caiam naturalmente pelo frio.

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