Índice
- O Que É Essa Tal de Produção Integrada de Maçã (PIM)?
- Vai Doer no Bolso? O Custo x Benefício da PIM
- Posso Usar Defensivos ou é Proibido?
- Como Começar? O Primeiro Passo e a “Quarentena”
- Pequeno Produtor Tem Vez?
- O Segredo Está no Caderno de Campo
- Auditoria: Quem Fiscaliza Minha Lavoura?
- E o Meio Ambiente e os Trabalhadores?
- PIM é a mesma coisa que GlobalGap?
- Glossário
- Veja como o Aegro pode ajudar a superar esses desafios
- Perguntas Frequentes
- Qual é a principal diferença entre a Produção Integrada de Maçã (PIM) e o cultivo orgânico?
- A PIM garante um preço de venda mais alto para a maçã?
- Como funciona o período de quarentena para o produtor iniciante?
- Pequenos produtores podem obter a certificação PIM de forma individual?
- O que é essencial constar no Caderno de Campo para evitar problemas na auditoria?
- É obrigatória a contratação de um profissional técnico para participar do programa?
- Qual a vantagem de escolher a certificação PIM em vez do GlobalGap?
- Artigos Relevantes
O Que É Essa Tal de Produção Integrada de Maçã (PIM)?
Você já deve ter ouvido algum vizinho comentar: “Fulano está produzindo maçã com selo do governo”. Mas o que isso significa na prática? É só mais papelada ou tem vantagem real?
Vamos direto ao ponto. A Produção Integrada de Maçã (PIM) não é “bicho de sete cabeças”. É um jeito de trabalhar onde você usa a tecnologia a seu favor para produzir uma fruta de alta qualidade, mas agredindo menos o ambiente e cuidando melhor do bolso.
O objetivo é simples: entregar uma maçã segura, saborosa e sem resíduos perigosos para quem compra. Tudo isso respeitando quem trabalha na roça e a natureza em volta. Foi com a maçã que esse sistema começou no Brasil, juntando a Embrapa, a Epagri e os produtores. Hoje, é política pública oficial do Ministério da Agricultura (Mapa), dentro do programa Brasil Certificado.
Vai Doer no Bolso? O Custo x Benefício da PIM
Uma dúvida que sempre aparece na roda de conversa é: “Seu Antônio, eu vou gastar mais pra fazer isso?”.
A resposta honesta é: depende de onde você olha. O preço de venda da maçã continua seguindo a lei da oferta e da procura. O selo ajuda a vender, mas não faz milagre no preço sozinho. Porém, a mágica acontece na redução de despesas com insumos.
Quem entra na PIM costuma ver uma queda no gasto com agrotóxicos. Por outro lado, você vai precisar de mais gente no campo. O manejo do pomar e o monitoramento de pragas exigem olhos atentos.
📊 NÚMEROS QUE IMPORTAM: Olha só a economia média de quem adotou o sistema comparado ao manejo antigo:
- 67% a menos de herbicidas e acaricidas (os mais perigosos);
- 25% a menos de inseticidas;
- 15% a menos de fungicidas.
Ou seja: você gasta menos comprando veneno e investe mais na mão de obra para cuidar do pomar.
Posso Usar Defensivos ou é Proibido?
Aqui existe uma confusão enorme. Muita gente acha que PIM é igual a orgânico. Não é.
Você pode sim usar agrotóxicos. A diferença é que você não pode usar “qualquer coisa” que o vendedor da loja empurrar.
Na PIM, o controle é rigoroso. Você só usa produtos que estão na Grade de Agroquímicos permitida pelo sistema. Os técnicos selecionam, dentro da lista oficial do governo, aqueles produtos que são menos tóxicos e menos perigosos para o ambiente.
Como Começar? O Primeiro Passo e a “Quarentena”
“Dona Maria, eu quero entrar nesse sistema. Já ganho o selo amanhã?”
Calma lá. Não é assim. Para entrar, primeiro você assina um contrato concordando com as regras de campo e do packing house (o barracão de embalagem).
O primeiro ano é o que chamamos de fase de quarentena. Funciona assim:
- Você começa a aplicar todas as tecnologias e manejos da PIM.
- Você faz tudo certo, mas ainda não recebe o selo.
- Você faz uma auditoria interna (um teste) para ver se dá conta do recado.
Só depois desse período de adaptação, se tudo estiver nos conformes, é que você entra oficialmente e pode buscar a certificação.
Pequeno Produtor Tem Vez?
Você pode pensar: “Isso é coisa pra fazenda grande, eu só tenho uns hectares aqui”. Nada disso.
Não existe tamanho mínimo. Aliás, se você tem até 25 hectares de pomar, você é considerado pequeno produtor e tem vantagens. A principal delas é poder se juntar com vizinhos para fazer a certificação em grupo.
O Segredo Está no Caderno de Campo
Seu João perdeu a certificação ano passado por um detalhe bobo: esqueceu de anotar uma aplicação.
Na PIM, a regra de ouro é a rastreabilidade. Tudo, absolutamente tudo, tem que ser registrado na Caderneta de Campo.
- Aplicou adubo? Anota.
- Colheu? Anota.
- Monitorou praga? Anota.
Se o auditor chegar e não estiver escrito, é como se não tivesse sido feito. Ou pior: parece que você está escondendo algo.
No packing house é a mesma coisa. O sistema permite saber exatamente de qual pomar veio aquela maçã, se houve erro no processo ou risco para o consumidor.
Auditoria: Quem Fiscaliza Minha Lavoura?
Não é o vizinho fofoqueiro e nem o funcionário da fazenda. Quem fiscaliza é um auditor externo.
É um profissional treinado, de uma empresa certificadora independente (que não tem nada a ver com o seu pomar). Essa empresa responde ao Inmetro.
O auditor vai até sua propriedade caçar erros, as chamadas “não conformidades”. Ele olha o campo, o barracão e, claro, a papelada. Se estiver tudo certo, você ganha o direito de usar o selo Brasil Certificado e o selo do Inmetro na embalagem.
E o Meio Ambiente e os Trabalhadores?
Não adianta ter maçã bonita se o trabalhador não tem segurança ou se o rio está contaminado. A PIM exige:
- Respeito às leis trabalhistas: Equipamento de proteção, higiene, treinamento constante.
- Plano de Gestão Ambiental: Um planejamento feito caso a caso. Você precisa identificar os problemas ambientais da sua área e ter um plano com prazo para resolver.
Se você planejou comprar uma máquina para resolver um problema ambiental e o preço disparou (o dólar subiu, por exemplo), você precisa justificar e apresentar outra solução. O problema não pode ficar sem remédio.
Ah, e tem um detalhe importante: é obrigatório ter um Responsável Técnico (um agrônomo ou técnico agrícola) acompanhando a área. Nada de fazer “de cabeça”.
PIM é a mesma coisa que GlobalGap?
Muita gente confunde, mas não é igual.
- PIM (Produção Integrada): É um protocolo oficial do governo brasileiro (Mapa). Tem foco na nossa realidade e segurança nacional.
- GlobalGap: É um protocolo privado, criado por redes de supermercados (principalmente da Europa) para atender as exigências deles.
Os dois querem a mesma coisa: produto seguro e de qualidade. Mas a PIM tem o peso do selo oficial do Brasil e do Inmetro por trás.
Glossário
Produção Integrada (PI): Sistema de exploração agrícola que prioriza métodos ecologicamente seguros, minimizando o uso de agroquímicos através da integração de práticas biológicas e técnicas de manejo. No Brasil, é regulamentado pelo Ministério da Agricultura para garantir a sustentabilidade e a segurança do alimento.
Grade de Agroquímicos: Lista oficial e restritiva de defensivos autorizados para uso exclusivo em sistemas de certificação específicos. Os produtos são selecionados criteriosamente por técnicos com base na menor toxicidade e no menor impacto ambiental possível.

Rastreabilidade: Capacidade de acompanhar todo o histórico e a trajetória de um produto agrícola, desde o lote no pomar até a mesa do consumidor. Permite identificar rapidamente a origem de qualquer problema de qualidade ou segurança alimentar que possa surgir.
Monitoramento de Pragas: Prática de inspeção periódica no pomar para identificar o nível real de infestação de insetos ou doenças antes de qualquer intervenção. Esse diagnóstico evita aplicações desnecessárias de defensivos, baseando o controle no limiar de dano econômico.
Não Conformidade: Termo técnico utilizado em auditorias para indicar que um requisito obrigatório da norma de produção não foi cumprido pelo produtor. A detecção de uma não conformidade exige ações corretivas imediatas para evitar a perda do selo de certificação.
Packing House: Unidade de beneficiamento pós-colheita onde as frutas são recebidas, lavadas, classificadas e embaladas sob rigoroso controle de higiene. É um ponto crítico para a manutenção da rastreabilidade e da integridade física do produto final.
Responsabilidade Solidária: Conceito jurídico e operacional onde todos os membros de um grupo de produtores respondem juntos pelo cumprimento das normas. Se um único integrante cometer um erro grave, todos os demais podem perder o direito à certificação coletiva naquela safra.
Veja como o Aegro pode ajudar a superar esses desafios
Como vimos, o sucesso na Produção Integrada de Maçã depende de um controle rigoroso de dados, especialmente para manter a rastreabilidade e a saúde financeira do pomar. Softwares de gestão agrícola como o Aegro facilitam essa jornada ao substituir o caderno de campo de papel por registros digitais feitos diretamente pelo celular. Isso garante que nenhuma aplicação da grade de agroquímicos seja esquecida, protegendo sua certificação contra erros humanos durante as auditorias.
Além disso, centralizar a gestão financeira ajuda a equilibrar a balança entre a redução de gastos com defensivos e o aumento do investimento em mão de obra. Com relatórios automáticos de custos e produtividade, você visualiza em tempo real se a transição para a PIM está trazendo a rentabilidade esperada, facilitando a prestação de contas tanto para o governo quanto para seus parceiros de grupo.
Vamos lá? Experimente o Aegro gratuitamente para organizar sua caderneta de campo e conquistar sua certificação com muito mais segurança e lucro.
Perguntas Frequentes
Qual é a principal diferença entre a Produção Integrada de Maçã (PIM) e o cultivo orgânico?
Diferente do cultivo orgânico, que proíbe o uso de defensivos químicos sintéticos, a PIM permite o uso de agrotóxicos. No entanto, o sistema exige que sejam utilizados apenas produtos específicos de uma lista permitida, priorizando os menos tóxicos e com aplicação rigorosamente controlada e justificada.
A PIM garante um preço de venda mais alto para a maçã?
Não necessariamente. O preço da fruta continua sendo definido pela lei da oferta e da procura do mercado. Contudo, o selo ‘Brasil Certificado’ agrega valor à marca, facilita a aceitação em mercados exigentes e o sistema gera economia real ao reduzir drasticamente os gastos com a compra de insumos químicos.
Como funciona o período de quarentena para o produtor iniciante?
A quarentena é um ano de adaptação onde o produtor aplica todas as normas e tecnologias da PIM no pomar, mas ainda sem o direito de usar o selo. Esse período serve para treinar a equipe, ajustar os manejos e realizar uma auditoria interna para verificar se a propriedade está pronta para a certificação oficial.
Pequenos produtores podem obter a certificação PIM de forma individual?
Sim, pequenos produtores podem se certificar sozinhos, mas o sistema incentiva a certificação em grupo para propriedades de até 25 hectares. Essa modalidade permite dividir os custos da auditoria externa, embora exija que todos os membros sigam as regras à risca, pois o erro de um pode invalidar o selo de todo o grupo.
O que é essencial constar no Caderno de Campo para evitar problemas na auditoria?
O Caderno de Campo deve conter o registro detalhado de todas as atividades realizadas no pomar, como datas de adubação, monitoramento de pragas, aplicações de defensivos e colheita. Para a auditoria, se uma ação não estiver documentada com clareza e rastreabilidade, ela é considerada como não realizada, o que pode gerar punições.
É obrigatória a contratação de um profissional técnico para participar do programa?
Sim, é indispensável a presença de um Responsável Técnico, que pode ser um agrônomo ou técnico agrícola. Esse profissional é quem orienta as decisões de manejo, garante o cumprimento das normas ambientais e trabalhistas, e assegura que todas as práticas no campo estejam em conformidade com as exigências do Ministério da Agricultura.
Qual a vantagem de escolher a certificação PIM em vez do GlobalGap?
A escolha depende do foco comercial: a PIM é o protocolo oficial do governo brasileiro com selo do Inmetro, sendo altamente reconhecida no mercado nacional. Já o GlobalGap é uma norma privada internacional, sendo geralmente mais indicada para produtores que têm como foco principal a exportação para grandes redes de supermercados na Europa.
Artigos Relevantes
- Caderno de Campo Digital: 5 Vantagens de Trocar o Papel por um Aplicativo: Este artigo é o complemento ideal para a seção sobre a ‘regra de ouro’ da PIM: a rastreabilidade. Ele aprofunda a discussão sobre como a digitalização dos registros evita a perda de certificações por erros humanos ou esquecimentos, conectando diretamente a teoria da PIM com a solução prática oferecida pelo Aegro.
- Monitoramento de Pragas: O Guia Prático para Tomar a Decisão Certa na Lavoura: O monitoramento é a base técnica que permite a redução de até 67% no uso de químicos mencionada no texto principal. Este artigo oferece o guia prático de ‘como fazer’ o diagnóstico em campo, ensinando o produtor a identificar o nível de controle necessário para cumprir os requisitos de manejo da Produção Integrada.
- Agrofit: O Guia Completo para Consultar Defensivos Agrícolas no MAPA: A PIM exige o uso rigoroso de uma ‘Grade de Agroquímicos’ permitida pelo MAPA. Este conteúdo ensina o produtor a utilizar a ferramenta oficial do governo para consultar doses e registros, garantindo que ele não utilize produtos proibidos que poderiam causar a perda imediata do selo Brasil Certificado.
- Guia de Defensivos Naturais: Como Usar e Reduzir Custos na Lavoura: Considerando que a PIM prioriza métodos ecologicamente seguros e a redução de custos com insumos sintéticos, este guia de defensivos naturais apresenta alternativas viáveis para o manejo biológico. Ele ajuda o produtor a atingir as metas de sustentabilidade exigidas para a manutenção da certificação ambiental.
- Como Montar Sua Lista de Defensivos Agrícolas de Forma Estratégica: Este artigo auxilia na fase de planejamento pré-safra, essencial para quem segue a PIM. Ele orienta como montar a lista de compras de forma estratégica, integrando a necessidade de seguir a grade oficial de produtos permitidos com a gestão financeira do pomar, equilibrando custo e eficácia.

![Imagem de destaque do artigo: Produção Integrada de Maçã: Vantagens e Custos [Guia 2025]](/images/blog/geradas/producao-integrada-maca-vantagens-custos.webp)