Manga Tommy Atkins: Guia Definitivo para Lucrar Mais [2025]

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Índice

Qual manga o mercado quer comprar de verdade?

Você já deve ter ouvido na roda de conversa que “plantar o que todo mundo planta não dá dinheiro”. Mas, no caso da manga, ir contra a maré pode ser perigoso. Se você olhar para o mercado hoje, a Tommy Atkins manda no pedaço.

Estima-se que essa variedade ocupe, sozinha, 80% da área plantada com manga no Brasil. É o “arroz com feijão” que o consumidor conhece e compra. Claro que existem outras variedades importantes no comércio, como:

  • Haden;
  • Keitt;
  • Espada;
  • Rosa;
  • Palmer.

Mas a Tommy Atkins é, disparada, a mais plantada e consumida. Se a gente olhar para quem está puxando essa produção, o destaque fica para a Bahia, São Paulo e Pernambuco. São esses estados que abastecem a maior parte do que chega na mesa do brasileiro e nos portos.

Falando em consumo, aqui dentro a gente ainda come pouco. A média é de 0,888 kg por pessoa ao ano. Quem “puxa a fila” é o pessoal do Nordeste, onde o consumo sobe para mais de 1 kg por pessoa. Na Bahia, o consumo chega a quase 2 kg. Ou seja: tem muito mercado interno para crescer, mas é preciso entregar o que o povo compra.


Onde o dinheiro vaza: Custo e perdas na lavoura

Dói no bolso de qualquer produtor ver fruta apodrecendo no chão ou na caixa, não é mesmo? Pois saiba que esse é um dos maiores gargalos da nossa cultura.

Aproximadamente 20% de toda a manga produzida no país se perde só na fase pós-colheita. Imagine que, de cada 5 caminhões que você produz, um vai para o lixo antes de chegar ao prato do consumidor. É dinheiro jogado fora.

Para fechar a conta no azul, você precisa ficar de olho na produtividade e no custo:

  1. Rendimento: Uma mangueira irrigada bem cuidada rende entre 25 a 30 toneladas por hectare, dependendo da sua região.
  2. Custo: No Submédio São Francisco, nossa referência em tecnologia, o custo estimado por tonelada girava em torno de R$ 300,00 (base 2002).

⚠️ ATENÇÃO: O custo varia muito conforme o preço dos insumos e da mão de obra. Mas se a sua lavoura irrigada não está entregando pelo menos 25 t/ha, tem algo errado no manejo que precisa ser ajustado urgente.


Quando vender para pegar o melhor preço?

Sabe aquela velha história de “vender na baixa e chorar no banco”? O segredo da manga está no calendário. O preço varia demais dependendo do mês que você coloca a fruta na praça.

Para quem vende no mercado interno, a regra é clara: a manga Tommy Atkins alcança os melhores valores entre março e julho.

  • Por que? Porque é a entressafra da Região Nordeste, a maior produtora.
  • O problema: Nos últimos anos, a tendência geral dos preços médios internos tem sido de queda.

Já para quem visa o mercado externo, a janela é outra. Os preços lá fora são melhores de setembro a março.

  • A vantagem: Coincidentemente, é a época que o Brasil mais produz e exporta.
  • A concorrência: De abril a agosto, o México inunda o mercado e derruba os preços. É difícil competir com eles nesse período.

💡 DICA DE QUEM JÁ FEZ: Não fique refém do clima. Hoje, o uso da indução floral é quase obrigatório para quem quer deslocar a produção. Com ela, você tira a colheita da época de pico (preço baixo) e joga para as janelas onde a fruta vale mais.


O que o mercado externo exige do produtor?

Muitos produtores sonham em exportar e receber em dólar, mas a régua é alta. Hoje, o Brasil exporta cerca de 19% da sua produção (dado de 2002), e a gente briga pelo segundo lugar no ranking mundial de exportadores, logo atrás do México.

Se você quer entrar nesse jogo, precisa saber para onde a fruta vai:

  1. Holanda: É a porta de entrada da Europa (via porto de Roterdã).
  2. Estados Unidos: Um dos maiores compradores, mas cheio de regras.
  3. Reino Unido e Canadá.

O transporte é feito quase todo via marítima, saindo principalmente do porto de Salvador (BA). E quem vende lá na ponta são os supermercados.

O tamanho e a qualidade que pagam a conta

Lá fora, eles compram por “caixa”. O padrão é a caixa de 4 kg.

  • Tamanho ideal: O fruto precisa ter entre 250g e 400g.
  • Quantidade por caixa: O mercado aceita caixas com 6 a 16 mangas, mas a preferência mundial é por caixas com 10 mangas ou mais (tamanho 10).

A barreira sanitária (EUA)

Para entrar nos Estados Unidos, não basta ter fruta bonita. O país precisa ser livre de moscas-das-frutas ou ter um sistema rigoroso aprovado pelo USDA.

  • A aprovação é lenta e pode levar anos.
  • Muitas vezes, exige-se o tratamento hidrotérmico.

📊 NÚMEROS QUE IMPORTAM: O tratamento hidrotérmico custa cerca de US$ 0,10 por caixa de 4 kg. Coloque isso na ponta do lápis, porque a tendência dos preços de exportação (FOB) também tem sido de queda nos últimos anos, girando em torno de US$ 0,50 a US$ 0,55 por quilo.


Glossário

Indução Floral: Técnica que utiliza reguladores de crescimento e manejos específicos para estimular a floração da mangueira fora de sua época natural. É essencial para programar a colheita e aproveitar janelas de mercado com preços mais elevados.

Tratamento Hidrotérmico: Processo de imersão dos frutos em água aquecida a uma temperatura e tempo controlados para eliminar larvas de moscas-das-frutas. É uma exigência fitossanitária obrigatória para exportação de manga para mercados rigorosos como os Estados Unidos.

Planilha de Estimativa de Perdas na Colheita

Pós-colheita: Etapa que compreende o manuseio, transporte e armazenamento do fruto após a colheita até o consumidor final. É o período crítico onde ocorrem perdas significativas de qualidade e volume se não houver um controle rigoroso.

Entressafra: Período do ciclo agrícola em que a oferta natural do produto diminui drasticamente no mercado, resultando em preços mais altos. Na mangicultura brasileira, coincide com os meses em que as regiões produtoras tradicionais não estão em pico de colheita.

Barreira Sanitária: Conjunto de normas e restrições impostas por países importadores para impedir a entrada de pragas e doenças que possam prejudicar sua agricultura local. O descumprimento dessas normas impede a entrada do produto brasileiro no exterior.

Submédio São Francisco: Região polo da fruticultura irrigada situada entre a Bahia e Pernambuco, reconhecida pelo alto nível tecnológico e produtividade. É a principal referência brasileira para o cultivo de manga voltada à exportação.

Como o Aegro ajuda você a lucrar mais com a manga

Para garantir que a produtividade supere as 25 t/ha e os custos não fujam do controle, o uso de tecnologia de gestão é indispensável. Ferramentas como o Aegro ajudam a resolver esse desafio ao centralizar o acompanhamento de custos e estoque em tempo real, permitindo que você visualize exatamente onde o dinheiro está sendo investido e evite desperdícios de insumos. Além disso, para não perder as janelas de melhores preços, o software facilita o planejamento operacional da indução floral e o registro de atividades, garantindo que sua colheita chegue ao mercado no momento de maior rentabilidade.

Vamos lá?

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Perguntas Frequentes

Por que a manga Tommy Atkins é a variedade mais recomendada para novos produtores?

A Tommy Atkins domina cerca de 80% do mercado nacional e internacional devido à sua excelente resistência ao transporte e longa vida de prateleira. Optar por ela reduz significativamente os riscos de comercialização, pois é a variedade que os grandes compradores e redes de supermercados já esperam e compram regularmente.

Como posso planejar minha colheita para os meses de melhores preços?

A estratégia mais eficiente é o uso da indução floral, técnica que permite ao produtor controlar o ciclo da planta e ‘agendar’ a produção. Dessa forma, é possível evitar os picos de safra, quando os preços caem, e direcionar a colheita para janelas lucrativas, como o período de março a julho para o mercado interno.

O que devo fazer se minha produtividade estiver abaixo de 25 toneladas por hectare?

Uma produtividade abaixo desse patamar em lavouras irrigadas indica a necessidade urgente de revisão do manejo técnico. O produtor deve analisar a eficiência da adubação, o controle de pragas e doenças, e o sistema de irrigação, já que baixos rendimentos elevam o custo por tonelada e podem comprometer a viabilidade financeira do negócio.

Como reduzir o prejuízo com as perdas pós-colheita, que chegam a 20%?

Para minimizar essas perdas, é fundamental investir no treinamento da equipe de colheita para evitar danos físicos aos frutos e melhorar a logística de transporte. Além disso, o uso de softwares de gestão agrícola pode ajudar no monitoramento preciso do tempo entre a colheita e a entrega, garantindo que a fruta chegue ao destino com o frescor exigido pelo mercado.

Quais são as exigências de tamanho e peso para exportar manga?

O mercado internacional trabalha prioritariamente com caixas de 4 kg e exige frutos que pesem entre 250g e 400g. A preferência global é por caixas que contenham 10 ou mais mangas (o chamado calibre 10), o que exige que o produtor controle o crescimento dos frutos ainda no pé para atender a esse padrão de uniformidade.

Por que o tratamento hidrotérmico é necessário para vender aos Estados Unidos?

O tratamento hidrotérmico é uma barreira sanitária obrigatória para eliminar possíveis larvas de moscas-das-frutas sem o uso de produtos químicos. Embora gere um custo adicional aproximado de US$ 0,10 por caixa, ele é indispensável para cumprir as exigências do USDA e acessar o lucrativo mercado norte-americano.

Artigos Relevantes

  • Pós-Colheita: O Guia Prático para Proteger sua Safra e Maximizar Lucros: Este artigo complementa diretamente o ponto crítico abordado no texto principal sobre a perda de 20% da produção de manga após a colheita. Ele oferece um guia estratégico para proteger a qualidade do fruto e maximizar os lucros, transformando o conceito teórico de ‘vazamento de dinheiro’ em ações práticas de manejo e proteção da safra.
  • Tarifaço Americano: Impacto das Taxas dos EUA no Produtor Brasileiro: Como o artigo principal destaca os Estados Unidos como um dos maiores compradores de manga e detalha barreiras como o tratamento hidrotérmico, este conteúdo sobre o ’tarifaço’ é essencial. Ele expande a compreensão do produtor sobre o cenário de comércio exterior e os riscos econômicos de exportação para o mercado norte-americano.
  • Sistemas de Colheita: Do Manual ao Automatizado, Qual o Melhor para Sua Lavoura?: Este artigo conecta-se à discussão sobre produtividade (25 a 30 t/ha) e custos de mão de obra mencionada no texto principal. Ele ajuda o fruticultor a avaliar qual sistema de colheita é mais eficiente para sua realidade, visando atingir os patamares de rendimento necessários para manter a viabilidade financeira da fazenda.
  • Colheita Mecanizada: Como Identificar e Reduzir Perdas de Grãos: Este conteúdo oferece uma base técnica para identificar onde exatamente ocorrem as perdas (físicas ou operacionais), o que é vital para resolver o gargalo de rentabilidade da manga. Ele fornece indicadores que permitem ao gestor medir a eficiência do campo, complementando o alerta do artigo principal sobre produtividades abaixo da média.
  • Colheita de Cana: 5 Estratégias para Reduzir Perdas e Aumentar a Produtividade: Embora foque em outra cultura, as 5 estratégias para reduzir perdas e o planejamento da colheita são conceitos de gestão agrícola que se aplicam perfeitamente à mangicultura. O artigo adiciona valor ao oferecer uma perspectiva de planejamento sistêmico que ajuda o produtor a coordenar melhor as janelas de colheita e indução floral citadas no texto principal.