Raça e Tipo de Ovinos: Guia de Melhoramento Genético [2025]

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Índice

Entendendo a Diferença entre Raça e Tipo: Por que seu rebanho não é igual?

Você já comprou um carneiro de raça pura, esperando aquela produção de capa de revista, e na hora da tosquia ou do abate o resultado foi diferente do vizinho? Essa é uma frustração comum, mas tem explicação.

O ponto-chave aqui é entender que ter a raça não garante o resultado sozinho. A raça é o “sangue”, aquilo que passa de pai para filho (hereditariedade). Mas existe o que chamamos de tipo da raça, que é a média.

Vou dar um exemplo prático com a raça Corriedale: A média de produção de lã dela é de 3,45 kg por ano em campo nativo. Mas isso é uma média. No seu rebanho, você pode ter animais produzindo 7,0 kg e outros produzindo só 1,5 kg.

Ou seja, não espere que todos sejam iguais. O melhoramento genético serve justamente para você identificar esses de 7kg e multiplicar essa genética, e descartar os de 1,5kg.


Ovinos de Carne, Lã ou Pele: O que escolher para sua região?

Muita gente me pergunta: “Seu Antônio, qual a melhor ovelha para criar?”. A resposta honesta é: depende do que você quer vender e onde você está. Tentar tirar leite de gado de corte não funciona, e com ovelha é a mesma coisa.

Vamos separar o joio do trigo com base nas características de cada grupo:

1. Para quem quer produzir Lã (Ovinos Lanados)

O foco aqui é o velo. A pele é coberta por fibras onduladas.

  • O que olhar: A ovelha precisa ter mechas uniformes, longas e fibras finas. O velo deve ser compacto e branco.
  • Raças principais no Brasil: Merino Australiano (lã fina) e Polwarth (Ideal). A raça Ideal, por exemplo, é ótima porque produz lã fina de alta qualidade e ainda entrega um cordeiro com carcaça boa.

2. Para quem quer produzir Carne

Aqui o animal tem que ter “caixa”. O corpo é cilíndrico, pesado e compacto.

  • O segredo: Olhe por trás do animal. As nádegas devem ser largas, carnudas e em forma de “U” invertido. Adultos pesam acima de 50 kg.
  • Raças de destaque: Suffolk, Hampshire Down e Ile de France. Se você ouvir falar em “Cara-Negra”, geralmente são animais com ótima aptidão para carne, mas com lã de pouca qualidade.

3. Para quem quer Pele e Rusticidade (Deslanadas)

Se você está no calorão ou quer couro, esqueça a lã.

  • Características: Têm pelos curtos (como boi), aguentam o tranco do clima e têm boa conformação.
  • Raças Brasileiras: Santa Inês, Morada Nova e Somalis Brasileira. Em alguns lugares, chamam de “carneiro-pele-de-boi”. A vantagem? As fêmeas entram no cio em qualquer estação do ano.

Produção de Leite: Vale a pena investir?

Talvez você nunca tenha pensado em ordenhar ovelha, mas é um mercado que existe. Só que não dá para fazer de qualquer jeito.

Para uma ovelha ser considerada leiteira, ela precisa produzir mais de 2,5 kg de leite por dia. E não é só volume: o úbere tem que ser volumoso, mas não carnoso. As tetas precisam ser separadas e fáceis de pegar.

As melhores raças leiteiras para o Brasil:

  • Lacaune: Importada da França. É rústica e prolífera (pode dar 3 partos em 2 anos). Produz cerca de 186 litros em 162 dias de lactação.
  • Milchschaf: Essa é uma máquina. Importada do Uruguai, produz entre 550 a 600 litros em 250 dias. Também tem alta prolificidade.
  • Bergamácia Brasileira: Opção nacional, adaptada ao Nordeste e Sudeste. Produz cerca de 259 litros em 180 dias.

Raças Locais x Raças Exóticas: Onde está o lucro?

Aqui acontece um erro clássico: o produtor vê uma foto de uma raça europeia (exótica) linda, importa, solta no pasto brasileiro e o animal não vinga.

A força da Raça Local

Raças locais (nativas) foram moldadas pelo nosso clima ao longo de séculos.

  • Vantagem: O principal atributo é a sobrevivência. Elas aguentam doença, pasto fraco e calor.
  • Exemplo: A ovelha Crioula. Ela é imbatível na rusticidade. Produz bem em pastagem fraca e em regime familiar. Uma curiosidade dela é o policerismo: alguns animais têm vários pares de chifres (um par para cima e outros curvados na lateral).

Quando usar a Raça Exótica?

Raça exótica é aquela que vem de fora (como a Texel ou Suffolk). Elas produzem muito, mas exigem “casa e comida” de primeira. Para trazer uma dessas para formar plantel, o primeiro passo não é comprar a passagem, mas sim falar com a Arco (Associação Brasileira de Criadores de Ovinos) e depois com o Mapa.


Cruzamento Industrial: Como acelerar o ganho de peso

Se o seu negócio é vender carne rápida, você não precisa ficar preso a uma raça pura. O cruzamento industrial é uma ferramenta poderosa.

Na prática, funciona assim: você pega duas raças puras diferentes e cruza. O objetivo é o vigor híbrido. Os filhos nascem mais fortes, crescem mais rápido e vão todos para o gancho (abate).

Você pode usar raças como a Texel nesse processo. A Texel é curiosa porque tem tripla finalidade: carne (carcaça excelente), lã e, se apertar, até leite. Mas no cruzamento, ela entra para dar musculatura.


Glossário

Velo: Conjunto da lã que recobre o corpo do ovino, avaliado tecnicamente pela sua densidade, comprimento e finura das mechas. É o principal produto comercial de raças lanadas, como a Merino e a Ideal.

Prolificidade: Índice reprodutivo que mede a capacidade de uma fêmea produzir mais de um cordeiro por parto. Raças com alta prolificidade, como a Lacaune, aumentam a rentabilidade através de partos gemelares frequentes.

Vigor Híbrido (Heterose): Fenômeno genético em que os filhos de cruzamentos entre raças diferentes superam a média de desempenho dos pais em termos de crescimento e resistência. É a base do cruzamento industrial para produção rápida de carne.

Rusticidade: Capacidade de um animal se adaptar e produzir em condições ambientais desafiadoras, como pastagens pobres ou climas extremos. É uma característica marcante de raças nativas brasileiras como a Santa Inês e a Crioula.

Conformação: Avaliação visual e física da estrutura muscular e proporções do animal, focada na qualidade da carcaça para o abate. Na produção de carne, busca-se animais com conformação cilíndrica e coxões bem preenchidos.

Dupla Aptidão: Capacidade de uma raça em ser eficiente na produção de dois itens distintos, como carne e lã ou carne e leite. Permite ao produtor diversificar a receita da propriedade sem a necessidade de manter dois rebanhos separados.

Policerismo: Condição genética que permite ao animal desenvolver mais de dois chifres, característica encontrada em raças locais como a Crioula. Embora seja uma curiosidade biológica, é um traço de preservação genética de raças rústicas.

Como a tecnologia ajuda a transformar seu rebanho em lucro

Como vimos, a diferença entre o sucesso e o prejuízo muitas vezes está nos detalhes da produção individual de cada animal. Para identificar quem realmente “paga a conta” no final do mês, é essencial sair das anotações em papel e utilizar dados precisos. Ferramentas como o Aegro facilitam essa transição digital, permitindo que você registre o histórico de manejo e produção de forma simples, centralizando as informações para uma tomada de decisão muito mais segura e baseada em dados reais do campo.

Além disso, o controle rigoroso dos custos de produção é vital, especialmente em atividades de alta exigência como a ovinocultura de leite ou carne. O Aegro ajuda a monitorar gastos com insumos e mão de obra em tempo real, gerando relatórios financeiros que mostram onde o seu dinheiro está sendo aplicado e como otimizar a rentabilidade do seu rebanho sem sobrecarregar sua rotina.

Vamos lá?

Quer profissionalizar a gestão da sua fazenda e ter clareza sobre a produtividade de cada animal? Experimente o Aegro gratuitamente e veja como a tecnologia pode simplificar seu dia a dia e aumentar seus lucros.

Perguntas Frequentes

Por que animais da mesma raça podem apresentar resultados de produção tão diferentes?

Isso ocorre porque a raça define o potencial genético herdado, mas o desempenho individual varia dentro de uma média populacional. Enquanto a raça garante certas características, o ’tipo’ individual e o manejo determinam se um animal produzirá o máximo de seu potencial ou apenas o mínimo, tornando a seleção individual e o descarte fundamentais para o lucro.

Como escolher a raça ideal de acordo com o clima e a região da minha fazenda?

A escolha deve considerar a adaptação ambiental e o objetivo comercial. Em regiões muito quentes ou para produção de pele, raças deslanadas como Santa Inês e Morada Nova são ideais; já em locais de clima úmido ou terrenos encharcados, a Romney Marsh e a Crioula são as mais recomendadas devido à resistência natural a problemas de casco.

Qual é a principal vantagem do cruzamento industrial para quem foca na produção de carne?

A grande vantagem é o chamado ‘vigor híbrido’, que resulta em cordeiros que nascem mais fortes e ganham peso muito mais rápido que seus pais de raça pura. Ao cruzar uma raça rústica com uma especializada em carne, como a Texel, o produtor acelera o ciclo de abate e melhora a qualidade da carcaça, aumentando a rotatividade do negócio.

Quais são os requisitos básicos para iniciar na produção de leite de ovelha?

Para ser viável, é necessário investir em raças especializadas como Lacaune ou Milchschaf, que produzem volumes significativamente maiores que as raças comuns. Além da genética, o produtor precisa estar preparado para uma rotina intensiva de ordenha, pois a falha na frequência das coletas pode causar uma queda imediata e severa na produção diária.

Vale a pena investir em raças exóticas em comparação com as raças locais brasileiras?

Depende da infraestrutura disponível. Raças exóticas europeias oferecem alta produtividade em carne e lã, mas exigem alimentação de primeira linha e controle rigoroso de doenças; já as raças locais, como a Crioula, oferecem maior rusticidade e sobrevivência em pastagens pobres, sendo mais indicadas para sistemas de baixo investimento ou agricultura familiar.

O que caracteriza um ovino de ‘dupla aptidão’ e quando ele é recomendado?

Ovinos de dupla aptidão, como as raças Corriedale e Romney Marsh, são animais que entregam um equilíbrio aceitável entre produção de carne e lã. Eles são recomendados para produtores que desejam diversificar sua fonte de renda, aproveitando o mercado de carne com cordeiros pesados e a venda de lã cruza, sem a necessidade de especialização total em apenas um segmento.

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