Raças de Gado Crioulo: Guia de Vantagens e Lucro [2025]

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Índice

Vale a pena investir nas raças “antigas” do Brasil?

Sabe aquele touro caro, de raça importada, que “derrete” no sol do meio-dia ou vive cheio de carrapato? Pois é, Seu Antônio. Muita gente quebrou a cara trocando o certo pelo duvidoso. Enquanto isso, tem produtor ganhando dinheiro com animais que nossos avós já criavam, mas que agora a ciência provou serem máquinas de resistência.

Estamos falando dos Recursos Genéticos Animais. Parece nome difícil de escritório, mas na prática é o gado, o cavalo ou a ovelha que aguenta o tranco do nosso clima, come pasto seco e não adoece fácil. Vamos entender como isso bota dinheiro no seu bolso.


O que são esses tais Recursos Genéticos?

Pense no gado Curraleiro, no porco Piau ou no cavalo Pantaneiro. A conservação desses recursos nada mais é do que garantir que essas raças não sumam do mapa.

Por que isso importa pra você? Porque esses animais (chamados de locais, crioulos ou adaptados) carregam no sangue séculos de seleção natural aqui no Brasil. Eles sobreviveram sem ração balanceada e sem remédio a toda hora.

Hoje, o trabalho de conservação mistura:

  1. Raças locais: As que chegaram com a colonização e se viraram sozinhas (bovinos, equinos, suínos, aves).
  2. Animais nativos: Como peixes, abelhas e até tartarugas da Amazônia.
  3. Raças especializadas: O gado de elite que também precisa ser mantido.

O segredo não é guardar peça de museu, mas usar essa genética rústica para produzir carne e leite gastando menos.


Gado que engorda com pouco: O caso do Curraleiro e do Caracu

Você já viu gado morrer de fome na seca brava do Semiárido? O Curraleiro Pé-Duro vê isso e sobrevive.

Essa raça é um exemplo clássico. São animais menores, mas que têm uma fertilidade impressionante. Eles comem pasto pobre, bebem pouca água e resistem onde raças de vitrine não duram uma semana.


Cavalos de Lida: O Lavradeiro e o Pantaneiro

Quem lida com gado em terreno difícil sabe que cavalo fresco não serve.

Em Roraima, no lavrado, tem o cavalo Lavradeiro. Eles descendem de animais ibéricos trazidos há séculos. Ficaram soltos, viraram “selvagens” e a natureza selecionou só os fortes. São rústicos, aguentam dieta pobre e parasitas.

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Infelizmente, muito fazendeiro achou que era “cavalo ruim” e começou a cruzar com raças de fora. Quase perdemos essa joia. Hoje, a saída para salvar a raça (e lucrar) é o turismo rural e a seleção organizada por associações.

Já no Pantanal, o rei é o Cavalo Pantaneiro.

  • A vantagem: É praticamente o único que aguenta a lida na água e no brejo.
  • A resistência: Ele é muito mais resistente à anemia infecciosa equina do que outras raças.

Quem tentou cruzar Pantaneiro com Árabe ou Puro Sangue Inglês sem critério quase acabou com a raça. O sangue original é o que garante a lida pesada.


Ovelhas e Porcos: Lucro além do Gado

Seu Antônio, se você tem uma área menor ou quer diversificar, olhe para os pequenos.

1. Ovinos Santa Inês

Essa ovelha é “carne de pescoço” no bom sentido. Aguenta calorão e é ótima mãe. O perigo hoje é cruzarem tanto com raças de fora que ela perca essa rusticidade.

  • Manejo esperto: Dá para terminar o Santa Inês em sistema silvipastoril (com árvores de caju, por exemplo). A sombra faz eles comerem por mais tempo.
  • Atenção à verminose: É o maior problema. Use o método Famacha (olhar a cor do olho) e só medique quem precisa.

2. Suínos “Tipo Banha”

Lembra do porco Piau, Moura ou Canastra? Eram chamados de “porco tipo banha”. Quando a indústria parou de querer banha, eles quase sumiram. Mas o jogo virou. A carne deles é saborosa e eles vivem bem soltos ou em chiqueiros simples. Em Minas Gerais, o pessoal valoriza muito na culinária local. É um nicho de mercado que paga bem.


Abelhas: O “funcionário” invisível que aumenta sua colheita

Muita gente esquece, mas abelha também é recurso genético. E não é só pelo mel.

Se você planta maracujá, por exemplo, precisa da Mamangava (aquela abelha preta grande). As abelhas pequenas (como a Apis ou a Jataí) roubam o néctar mas não polinizam a flor grande do maracujá.


Como começar um rebanho de conservação e não errar

“Gostei da ideia, quero criar uma raça dessas.” Por onde começar?

  1. Onde comprar: Não compre de qualquer um. Procure as Associações de Criadores (como a ABCPD para o Curraleiro) ou leilões da Embrapa.
  2. Evite a Endogamia: Esse é o nome chique para “cruzar parente”.
    • Se você tem poucos animais, não deixe pai cruzar com filha.
    • Isso faz nascer bicho fraco e defeituoso.
    • Troque reprodutores com vizinhos que tenham a mesma raça, mas sangue diferente.
  3. Anote tudo: Tenha o caderno de campo (anotação zootécnica). Saber quem é pai de quem é a única forma de não fazer bobagem no cruzamento.

💡 DICA PRÁTICA: Quer valorizar seu gado? Use a Rastreabilidade. Colocar o brinco com chip ou o bolus no rúmen conta a história do boi do nascimento ao abate. O mercado paga mais por isso e você controla a sanidade.


O risco de extinção é real (e o prejuízo também)

Quando dizemos que uma raça está “ameaçada”, não é papo de ecologista. É risco de perder uma ferramenta de trabalho.

Uma raça está em perigo quando tem menos de 1.000 fêmeas reproduzindo. As maiores ameaças hoje são:

  • Cruzamentos errados que “apagam” a raça original.
  • Falta de pasto nativo.
  • Doenças não controladas.

Se a gente perde o Curraleiro ou o cavalo Pantaneiro, a gente perde a capacidade de produzir carne e fazer a lida em lugares onde o gado “fresco” não aguenta.


Glossário

Recursos Genéticos Animais: Conjunto de materiais genéticos de espécies animais com valor econômico ou social, englobando raças locais e adaptadas. No Brasil, o foco é preservar a biodiversidade de animais que desenvolveram resistência natural ao clima e parasitas tropicais.

Estação de Monta: Período do ano em que as fêmeas são expostas ao touro ou inseminadas, planejado para que os nascimentos ocorram na época de maior oferta de pasto. Melhora a eficiência reprodutiva e facilita o manejo sanitário dos bezerros em lotes uniformes.

5 planilhas para controle da fazenda

Sistema Silvipastoril: Modelo de produção que integra árvores, pastagens e animais em uma mesma área de forma planejada. Proporciona conforto térmico ao gado por meio da sombra, melhorando a produtividade e a sustentabilidade da propriedade.

Método Famacha: Técnica de diagnóstico de campo que avalia o nível de anemia em ovinos através da coloração da mucosa ocular. Auxilia o produtor a identificar quais animais realmente precisam de vermifugação, combatendo a resistência parasitária e reduzindo custos.

Endogamia: Acasalamento entre indivíduos que possuem parentesco próximo, como pais e filhas, aumentando a chance de defeitos genéticos. É um dos principais desafios na conservação de raças raras para evitar a perda de vigor e fertilidade do rebanho.

Rastreabilidade: Sistema de identificação e monitoramento que registra a história e movimentação do animal desde o nascimento até o abate. Utiliza dispositivos como brincos ou chips para garantir a segurança sanitária e atender a mercados que exigem certificação de origem.

Anemia Infecciosa Equina (AIE): Doença viral incurável que afeta equídeos, transmitida principalmente por picadas de moscas e materiais contaminados com sangue. É monitorada rigorosamente por órgãos de defesa sanitária e exige exames negativos para o trânsito de animais entre propriedades.

Como a tecnologia potencializa a criação de raças tradicionais

Para transformar essa rusticidade em lucro real, a organização das informações é o ponto de virada. Como mencionado, anotar cada detalhe é fundamental para evitar a endogamia e garantir o progresso genético do rebanho. O software de gestão da Aegro simplifica essa tarefa, permitindo que você registre o histórico completo dos animais e planeje atividades como a estação de monta diretamente pelo celular, substituindo o caderno de campo por dados precisos e fáceis de consultar.

Além disso, ao centralizar o controle financeiro, você consegue comprovar a eficiência dessas raças na ponta do lápis. O Aegro ajuda a monitorar os custos de produção e a acompanhar o desempenho do rebanho em tempo real, garantindo que a economia com suplementação e medicamentos realmente se transforme em uma margem de lucro maior para o seu negócio.

Vamos lá?

Quer profissionalizar a gestão da sua propriedade e valorizar a genética do seu rebanho com decisões baseadas em dados? Experimente o Aegro gratuitamente e veja como a tecnologia pode simplificar o seu dia a dia no campo.

Perguntas Frequentes

O que define uma raça como ‘recurso genético animal’ e por que elas são consideradas valiosas hoje?

São raças que passaram por séculos de seleção natural no Brasil, adaptando-se a climas severos, pastagens pobres e parasitas locais. Sua importância reside na rusticidade e na capacidade de produzir com baixo custo de manutenção, servindo como uma base genética estratégica para a sustentabilidade e segurança produtiva no campo.

Qual a vantagem econômica real de criar raças como o Curraleiro Pé-Duro em comparação com raças importadas?

A principal vantagem é a redução drástica nos custos de produção, já que esses animais exigem menos suplementação, ração e tratamentos veterinários. Embora possam apresentar um peso menor no abate comparado a raças de elite, a maior taxa de sobrevivência e fertilidade em condições adversas garante uma margem de lucro mais segura e estável para o produtor.

Como evitar a endogamia ao iniciar uma criação com um rebanho pequeno de raças locais?

A endogamia, ou cruzamento entre parentes, pode ser evitada através de um registro rigoroso (caderno de campo ou software) para impedir o acasalamento de pais com filhas ou irmãos. Uma prática recomendada é a troca periódica de reprodutores com outros criadores da região ou a aquisição de touros de linhagens diferentes em associações de criadores reconhecidas.

Existe mercado consumidor interessado em produtos de raças antigas, como o porco Piau ou o gado Caracu?

Sim, existe um mercado crescente voltado para a gastronomia de nicho e produtos artesanais que valorizam o sabor diferenciado e a história do alimento. Carnes com características específicas de marmoreio e gordura de qualidade têm alta demanda em restaurantes especializados e empórios, que frequentemente pagam um valor adicional por esses produtos exclusivos.

Como a presença de abelhas nativas, como a Mamangava, impacta diretamente a produtividade da fazenda?

As abelhas atuam como polinizadoras essenciais; no caso do maracujá, por exemplo, a Mamangava é a principal responsável pela polinização efetiva. Sem esses insetos, a produção de frutos cai drasticamente ou gera frutos de baixa qualidade, o que demonstra que preservar a biodiversidade local protege a renda do agricultor e a eficiência da lavoura.

Como a tecnologia e os softwares de gestão auxiliam na criação dessas raças tradicionais?

O uso de tecnologia permite transformar a rusticidade em lucro através do controle preciso de dados, como o histórico genealógico e o desempenho produtivo de cada animal. Ferramentas de gestão facilitam o planejamento da estação de monta e o controle financeiro, garantindo que o produtor tome decisões baseadas em fatos para melhorar o melhoramento genético do rebanho.

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