Raiz da Soja: Manejo e Nutrição para Produtividade [2025]

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Índice

O Segredo Está na Raiz: O Alicerce da Produtividade

Você já viu aquela lavoura que sente qualquer “veranico” de uma semana e murcha, enquanto a do vizinho continua verde e firme? A diferença não é mágica, é raiz.

Muitos produtores focam só no que veem acima do chão, mas o jogo muitas vezes é ganho embaixo da terra. A soja tem um sistema de raízes “espalhado” (difuso), mas o eixo principal pode descer até 2 metros de profundidade. É isso mesmo.

As raízes laterais, que buscam a maior parte dos nutrientes, ficam ali nos primeiros 15 cm de solo. Por isso, qualquer compactação nessa camada é prejuízo na certa.

Para garantir uma raiz forte, você precisa olhar três coisas:

  1. Química: Corrigir o pH e eliminar o alumínio tóxico (o alumínio “queima” a ponta da raiz e ela não desce).
  2. Física: O solo precisa ser poroso, sem aquelas camadas duras que impedem a água de entrar e a raiz de crescer.
  3. Biológica: Matéria orgânica e palhada. Isso segura a umidade e cria o ambiente para os microrganismos que ajudam a planta.

Entendendo a “Arquitetura” da Planta: Do Cotilédone ao Grão

Sabe aquela dúvida na hora de regular a colheitadeira ou de aplicar um defensivo: “será que a planta aguenta ou vai quebrar?” Entender como a soja é montada ajuda a tomar essa decisão.

Tudo começa com a semente. O vigor dela define o arranque inicial. Assim que ela sai da terra, aparecem os cotilédones (aquelas folhinhas gordinhas).

  • Logo acima, vêm as folhas unifolioladas (são duas, uma de frente para a outra).
  • Depois, a planta começa a soltar as folhas trifolioladas (com três partes), que vão subindo de forma alternada na haste.

A haste principal é coberta por pelinhos (tricomas), que podem ser cinzas ou marrons. A cor desses pelinhos geralmente combina com a cor do “umbigo” da semente (o hilo). Se o pelinho é cinza, o hilo é claro; se é marrom, o hilo é escuro.

Por que a altura da planta varia tanto? Você já deve ter notado que, no mesmo talhão, tem planta de 70 cm e planta de 1,50 m. Isso depende dos entrenós (o espaço entre uma folha e outra).

  • Se você planta muito adensado (muita semente por metro), a planta “estica” buscando luz (estiolamento) e os entrenós ficam compridos.
  • Manchas de fertilidade no solo também mudam esse tamanho dentro da mesma lavoura.

Decifrando os Códigos: As Fases Vegetativas e Reprodutivas (Escala V e R)

“Seu Zé, aplica o fungicida em R1 ou R2?” Essa pergunta confunde muita gente boa. Mas saber identificar a fase exata da lavoura é o que separa quem gasta o remédio na hora certa de quem joga dinheiro fora.

A gente usa uma “régua” padrão (escala de Fehr e Caviness) para falar a mesma língua. Funciona assim:

Fases Vegetativas (V) – Crescimento

  • VE (Emergência): Os cotilédones saíram da terra.
  • VC: Os cotilédones estão totalmente abertos.
  • V1, V2, V3…: Contamos pelo número de nós com folhas abertas.
    • Exemplo: V3 significa que a planta tem 3 nós com folhas trifolioladas totalmente desenroladas.

Fases Reprodutivas (R) – Onde o dinheiro aparece

  • R1 (Início da flor): Tem pelo menos uma flor aberta na haste principal.
  • R3 (Canivetinho): Começou a formar a vagem (tamanho de 5 mm).
  • R5 (Enchimento de grão): É a fase crítica! O grão está crescendo. Aqui a planta precisa de muita água e zero estresse.
  • R8 (Maturação plena): Pronta para colher.

Soja Determinada ou Indeterminada: Qual Escolher?

Na safra passada, um produtor amigo meu plantou tarde e usou uma variedade antiga, de crescimento determinado. Resultado: a soja floresceu com um palmo de altura e não produziu quase nada.

Isso acontece porque existem tipos diferentes de crescimento:

  1. Crescimento Determinado: A planta cresce, atinge o tamanho final e só depois floresce. Depois que solta a flor, ela praticamente para de crescer vegetativamente. Se o plantio atrasar e o dia for curto, ela fica anã.
  2. Crescimento Indeterminado: A planta começa a florescer, mas continua crescendo a haste e soltando galhos novos ao mesmo tempo.

O Pulo do Gato: A grande vantagem da soja indeterminada é a flexibilidade. Se você precisou atrasar o plantio ou teve um problema no início, ela continua crescendo mesmo depois de soltar as primeiras flores. Isso ajuda a recuperar o porte da planta e garantir produtividade, especialmente em janelas de plantio apertadas.


Acamamento e Densidade: Menos Pode Ser Mais

Você já entrou na lavoura e viu tudo deitado (acamado) depois de uma chuva com vento? Dá um desânimo… O acamamento não é só “estética”. Planta deitada:

  • Faz sombra nela mesma (autossombreamento).
  • Aborta mais flores e vagens.
  • Dificulta a entrada do defensivo nas folhas de baixo.
  • Aumenta as perdas na colheita.

Por que a soja acama? Geralmente é uma combinação de planta alta, haste fraca e, principalmente, muita planta por metro.

A soja tem uma capacidade incrível chamada plasticidade. Se você diminuir a população (colocar menos sementes), ela compensa: solta mais galhos (ramifica) e fecha a rua do mesmo jeito.


Abortamento de Vagens e Enchimento de Grão

O pesadelo de todo agricultor é ver flor e vagem caindo no chão. Mas calma, nem sempre é culpa sua. A planta de soja produz muito mais flores do que consegue segurar. É natural ela abortar algumas. O problema é quando o estresse é grande demais.

O que faz cair flor e vagem?

  • Calor excessivo: Temperaturas acima de 40°C atrapalham o “pegamento” da flor.
  • Falta de sol: Dias nublados por muito tempo diminuem a fotossíntese, e a planta derruba vagens porque não tem energia para encher todas.
  • Percevejos: O ataque severo faz a vagem cair ou o grão ficar “chocho”.

E quando a vagem abre antes da hora? Isso pode acontecer se faltar chuva no início da formação da vagem e, depois, chover muito no enchimento. A casca da vagem fica fraca e não aguenta a pressão do grão crescendo, ou então rompe por excesso de umidade na colheita. Doenças e falta de potássio também pioram isso.


Glossário

Veranico: Período de estiagem acompanhado de altas temperaturas que ocorre durante a estação chuvosa, podendo comprometer a produtividade se o sistema radicular não estiver bem estabelecido.

Estiolamento: Crescimento alongado e debilitado da haste da planta em busca de luz, geralmente causado pelo excesso de sementes por metro, o que torna a planta mais suscetível a quebras.

Crescimento Indeterminado: Hábito de desenvolvimento em que a planta continua a crescer e produzir novos nós mesmo após o início do florescimento, oferecendo maior segurança em janelas de plantio variáveis.

Plasticidade: Capacidade da cultura de adaptar sua forma e emitir mais galhos laterais para compensar espaços vazios ou baixas densidades de plantio, mantendo o potencial produtivo.

Acamamento: Fenômeno em que as plantas tombam ou se dobram antes da colheita, dificultando a operação das máquinas, favorecendo doenças e causando perdas significativas de grãos.

Escala Fehr e Caviness: Sistema de padronização técnica utilizado para identificar precisamente os estádios de desenvolvimento da soja, fundamental para o timing correto da aplicação de fungicidas e adubos.

Tricomas: Pequenos pelos que recobrem a haste e as folhas da soja, atuando na proteção contra insetos e auxiliando a planta a lidar com o estresse térmico.

Veja como o Aegro pode ajudar a superar esses desafios

Acompanhar cada fase da lavoura, desde a saúde das raízes até o enchimento de grãos, exige uma organização rigorosa para que o manejo não perca o tempo ideal. Ferramentas como o Aegro facilitam esse controle ao centralizar o planejamento operacional, permitindo que você registre o desenvolvimento de cada talhão pelo celular e programe aplicações de defensivos exatamente nas fases críticas (como de R3 a R5), evitando o desperdício de insumos e garantindo a proteção do potencial produtivo.

Além disso, como o lucro real depende de equilibrar a produtividade com os custos, o Aegro ajuda a monitorar os gastos com sementes e fertilizantes em tempo real. Ao transformar as observações de campo em relatórios financeiros claros, o produtor consegue identificar onde estão os maiores gargalos e tomar decisões mais seguras para evitar que o dinheiro “fique no chão” na hora da colheita.

Vamos lá?

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Perguntas Frequentes

Como a compactação do solo nos primeiros 15 cm afeta a produtividade da soja?

As raízes laterais, responsáveis pela maior parte da absorção de nutrientes, concentram-se justamente nessa camada superficial. Se o solo estiver compactado, o crescimento dessas raízes é limitado, impedindo que a planta se nutra adequadamente e reduzindo drasticamente seu potencial produtivo.

Qual é a regra para identificar corretamente o estágio de desenvolvimento de uma lavoura?

Para determinar o estágio da lavoura, deve-se observar o estado de desenvolvimento de pelo menos 10 plantas em diferentes pontos do talhão. Considera-se que a lavoura atingiu uma fase específica (como V3 ou R1) quando 50% ou mais das plantas analisadas apresentam as características daquele estágio.

Por que a soja de crescimento indeterminado é considerada mais segura para janelas de plantio apertadas?

Diferente da soja determinada, que para de crescer após florescer, a variedade indeterminada continua desenvolvendo a haste e novos nós mesmo durante a floração. Essa característica oferece maior flexibilidade e capacidade de recuperação, garantindo que a planta atinja um porte adequado para produção mesmo se houver atrasos no plantio.

Quais os riscos de plantar uma densidade de sementes maior do que a recomendada?

O excesso de plantas causa o estiolamento, que é o crescimento exagerado dos entrenós em busca de luz, tornando a haste fraca e propensa ao acamamento. Além disso, o adensamento excessivo favorece o aparecimento de doenças devido à menor circulação de ar e dificulta a penetração de defensivos na base da planta.

Como fatores climáticos, além da seca, podem causar o abortamento de vagens?

Temperaturas extremas, acima de 40°C, podem prejudicar o ‘pegamento’ das flores, enquanto períodos prolongados de dias nublados reduzem a fotossíntese. Sem energia solar suficiente, a planta entra em estresse e descarta as vagens que não terá capacidade de encher, visando preservar sua sobrevivência.

O que o produtor deve observar para evitar perdas de grãos durante a colheita mecanizada?

É fundamental monitorar a altura da primeira vagem e a uniformidade dos entrenós. Se a primeira vagem estiver muito baixa (geralmente por falta de luminosidade ou problemas nutricionais), a plataforma da colheitadeira não conseguirá recolhê-la, resultando em desperdício de grãos e prejuízo direto no bolso do produtor.

Qual a relação entre o alumínio no solo e a resistência da soja a períodos de seca?

O alumínio tóxico ‘queima’ as pontas das raízes, impedindo que o eixo principal da soja desça até os 2 metros de profundidade possíveis. Sem raízes profundas, a planta não acessa a umidade das camadas inferiores do solo, tornando-se muito mais vulnerável a veranicos e períodos de estiagem.

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