Índice
- O que é o Raleio e por que ele enche o bolso?
- Quando passar a tesoura? O tempo joga contra
- Raleio Manual: O passo a passo na prática
- Raleio Químico: Funciona na pereira?
- Apliquei o químico, preciso voltar para o campo?
- O resultado final vale o esforço?
- Glossário
- Como a tecnologia ajuda você no raleio e na gestão do pomar
- Perguntas Frequentes
- Por que não devo deixar a pereira carregar o máximo de frutos possível?
- Qual é o risco de realizar o raleio manual após o prazo de 30 dias da floração?
- Por que é fundamental manter o cabinho (pedúnculo) do fruto ao realizar o raleio manual?
- O que acontece se eu aplicar o raleio químico fora da faixa de temperatura ideal?
- O raleio químico substitui completamente a necessidade de mão de obra no pomar?
- Como o raleio impacta diretamente a qualidade final e o preço de venda da pera?
- Como posso organizar o cronograma de raleio se eu tiver diferentes variedades de pereira?
- Artigos Relevantes
O que é o Raleio e por que ele enche o bolso?
Você já viu aquele pé de pera carregado até envergar, lindo de se ver, mas que no ano seguinte não deu nem para o gasto? Pois é, Seu Antônio. Isso é o pesadelo da “alternância de produção”. Num ano a planta se esgota, no outro ela descansa.
O segredo para evitar isso e ter safra boa todo ano é o raleio.
Na prática, raleio nada mais é do que tirar o excesso de frutos da planta. É uma escolha dura, mas necessária. Se a gente deixa a natureza agir sozinha, a pereira pode soltar até cinco frutos por cacho. O resultado? Fruta miúda, sem valor comercial e uma planta fraca para a próxima florada.
Ao fazer o raleio, você “educa” a planta. Você escolhe quem fica. Isso garante que a força da árvore vá para os frutos certos, melhorando o tamanho (calibre) e a qualidade. Além disso, ajuda a planta a crescer bem e até diminui o ataque de pragas, porque evita frutos muito encostados um no outro.
Quando passar a tesoura? O tempo joga contra
Uma dúvida que sempre aparece na roda de conversa é: “Será que já está na hora ou devo esperar mais um pouco?”
Cuidado para não dormir no ponto. A pereira tem uma queda natural de frutos, que vai até uns 60 dias depois da florada. Primeiro caem as flores que não vingaram, depois os frutinhos mal formados (até uns 30 mm).
Mas você não pode esperar essa queda natural terminar para agir. O raleio manual deve ser feito no máximo até 30 dias após a plena floração.
Por que essa pressa? É nesse primeiro mês que acontece a divisão das células. É aí que se define se a pera vai ser graúda ou não. Se você demorar muito, perde a chance de ter fruta grande e de garantir a florada do ano que vem.
Raleio Manual: O passo a passo na prática
Seu João, lá do Sul, teve um prejuízo enorme numa safra porque a equipe dele saiu arrancando tudo sem critério. No fim, sobrou pouca fruta e a produção foi lá embaixo. Para não cometer esse erro, você precisa de regras claras no campo.
Aqui estão os critérios de ouro para o raleio manual:
- Olho no Cacho: Deixe 3 frutos nas brindilas (aqueles ramos finos) e 2 frutos nos esporões (aqueles ramos curtos e grossos).
- Distância: Mantenha um fruto a cada 10 cm a 15 cm. Se estiverem muito perto, tire o pior e deixe o melhor.
- Cuidado com o “Cabinho”: Essa é a regra mais importante.
Raleio Químico: Funciona na pereira?
Muitos produtores veem o vizinho aplicando produto na maçã e perguntam: “E na pera, funciona igual?”
No Brasil, o uso de raleio químico na pereira ainda é pouco comum, mas existe. A diferença é que você aplica um produto para derrubar o excesso, em vez de tirar na mão. O produto mais falado é a benziladenina (BA).
O que ele faz? Ele diminui a comida (carboidratos) que vai para o fruto e aumenta um hormônio que faz o frutinho cair. Além de ralear, a BA ajuda a aumentar a divisão das células, o que pode dar frutas maiores.
Mas atenção para o momento da aplicação (Pós-floração):
- O ideal é aplicar quando os frutos têm entre 8 mm e 12 mm.
- Se o fruto passar de 20 mm, o efeito já não é o mesmo.
Apliquei o químico, preciso voltar para o campo?
Você aplicou o produto na hora certa, com a temperatura ideal. Pode dispensar a equipe de raleio manual? A resposta curta é: Não.
Mesmo com o raleio químico, quase sempre é preciso um repasse manual. O químico faz o serviço grosso, derrubando a maioria dos excessos enquanto eles ainda são bem pequenos. Mas ele não é perfeito.
Você vai precisar entrar na lavoura para:
- Tirar os frutos “encachopados” (aqueles que ficaram grudados).
- Corrigir a carga se sobrou muita fruta.
A vantagem é que esse repasse não precisa ser naquela correria dos 30 dias. Como o grosso já saiu, você pode fazer esse ajuste fino com os frutos um pouco maiores, sem tanto desespero.
O resultado final vale o esforço?
No fim das contas, produtor, a gente faz conta de padaria: o que sobra no bolso?
O raleio bem feito não só evita que a planta falhe no ano que vem. Ele transforma a sua fruta.
- Cor: Fruta que não está encostada na outra pega mais sol e ganha cor melhor (especialmente as de casca vermelha).
- Doçura: Menos fruta na planta significa mais açúcar (sólidos solúveis) para as que ficaram.
- Tamanho: O raleio uniformiza o lote. Você colhe menos quantidade de “bolinhas” e mais caixas de frutas graúdas, que o mercado paga melhor.
Fazer o raleio dá trabalho e custa dinheiro na hora, mas deixar o pé carregado de fruta miúda custa muito mais caro na hora da venda.
Glossário
Alternância de Produção: Fenômeno fisiológico onde a planta produz excessivamente em um ano e reduz drasticamente a safra no ano seguinte devido ao esgotamento de suas reservas nutricionais. É um dos principais problemas em pomares de clima temperado que não recebem manejo de raleio adequado.
Plena Floração: Estádio fenológico da cultura em que cerca de 80% das flores da planta já estão abertas. É um marco temporal crucial para o produtor planejar as intervenções de manejo e as janelas de aplicação de reguladores de crescimento.
Brindilas: Ramos finos e flexíveis, geralmente curtos, que possuem gemas de flor na extremidade. Por serem estruturas mais frágeis, exigem um raleio rigoroso para evitar que o peso dos frutos quebre o ramo ou resulte em produção de baixa qualidade.
Esporões: Ramos curtos, grossos e perenes que concentram as gemas florais e são as principais estruturas produtivas da pereira e da macieira. São fundamentais para a longevidade produtiva da planta e devem ser protegidos contra ferimentos durante o raleio.
Pedúnculo: Estrutura botânica que liga o fruto ao ramo da planta, popularmente conhecida como ‘cabinho’. A manutenção de parte dele durante o raleio manual é vital para evitar lesões nos tecidos da planta que serviriam de porta de entrada para fungos e bactérias.
Benziladenina (BA): Regulador de crescimento do grupo das citocininas utilizado no raleio químico para promover a queda de frutos excedentes e estimular a divisão celular. No Brasil, seu uso exige rigoroso controle de temperatura para garantir a eficácia e evitar danos ao pomar.
Fitotoxidez: Efeito nocivo ou tóxico causado por defensivos ou reguladores de crescimento quando aplicados em condições inadequadas, como temperaturas extremas. Manifesta-se através de queimas nas folhas, manchas nos frutos ou queda excessiva da produção.
Sólidos Solúveis: Medida que indica a concentração de açúcares dissolvidos na polpa do fruto, geralmente expressa em graus Brix. É um índice técnico essencial para avaliar a qualidade sensorial, a doçura e o valor de mercado da fruta colhida.
Como a tecnologia ajuda você no raleio e na gestão do pomar
Como vimos, o raleio exige um planejamento impecável, já que o prazo é curto e a mão de obra precisa ser bem coordenada para não perder o ponto ideal da cultura. Ferramentas de gestão como o Aegro ajudam a resolver esse desafio ao permitir o planejamento de atividades e o acompanhamento das equipes em tempo real, garantindo que o manejo seja executado no tempo certo para garantir frutas graúdas.
Além da organização operacional, é essencial saber o quanto esse investimento impacta o seu bolso no fim da safra. Com o Aegro, você centraliza o controle financeiro e o custo de cada atividade, desde a mão de obra até os insumos do raleio químico. Isso gera relatórios automáticos que ajudam a entender a rentabilidade real do seu pomar, facilitando decisões mais seguras para as próximas colheitas.
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Perguntas Frequentes
Por que não devo deixar a pereira carregar o máximo de frutos possível?
Deixar a planta muito carregada causa a ‘alternância de produção’, onde a árvore se esgota em um ano e não produz no seguinte. Além disso, a competição por nutrientes resulta em frutos miúdos e de baixo valor comercial, enquanto o raleio garante frutas graúdas e safras consistentes todos os anos.
Qual é o risco de realizar o raleio manual após o prazo de 30 dias da floração?
O principal risco é perder o período de divisão celular, que define o potencial de crescimento do fruto. Se o raleio for feito tardiamente, a planta já terá gasto muita energia com frutos que serão descartados, impedindo que as peras restantes atinjam um calibre comercial superior e prejudicando a formação de flores para o ano seguinte.
Por que é fundamental manter o cabinho (pedúnculo) do fruto ao realizar o raleio manual?
Ao arrancar o fruto pela base em vez de cortá-lo, você cria feridas nos ramos que servem de porta de entrada para doenças fúngicas e bacterianas. Além disso, esse trauma pode provocar o abortamento dos frutos saudáveis que deveriam permanecer na planta, reduzindo a produtividade planejada.
O que acontece se eu aplicar o raleio químico fora da faixa de temperatura ideal?
A temperatura é o fator que dita a eficácia do produto: abaixo de 18°C, a substância quase não reage e o raleio falha. Já acima de 25°C, a reação é agressiva demais, podendo causar fitotoxidez (queima das folhas) ou a queda excessiva de frutos, deixando a árvore com carga abaixo do esperado.
O raleio químico substitui completamente a necessidade de mão de obra no pomar?
Não, o raleio químico e o manual são complementares. O químico realiza o ‘serviço grosso’, reduzindo drasticamente o excesso, mas o repasse manual é indispensável para desfazer grupos de frutos encostados (encachopados) e garantir o espaçamento ideal de 10 cm a 15 cm entre as peras.
Como o raleio impacta diretamente a qualidade final e o preço de venda da pera?
O raleio melhora a entrada de luz, o que intensifica a cor da casca, e concentra os açúcares, aumentando a doçura do fruto. Como o mercado e os exportadores pagam muito mais por lotes uniformes e de calibre maior, o investimento no raleio se paga através do maior valor agregado por caixa colhida.
Como posso organizar o cronograma de raleio se eu tiver diferentes variedades de pereira?
O ideal é utilizar softwares de gestão agrícola para monitorar as datas de plena floração de cada talhão individualmente. Isso permite escalonar a equipe de campo para atuar sempre dentro da janela de 30 dias de cada variedade, evitando que o atraso no manejo comprometa a rentabilidade de partes específicas do pomar.
Artigos Relevantes
- Regulador de Crescimento no Algodão: Guia Completo para Máxima Produtividade: Este artigo é fundamental por aprofundar a discussão técnica sobre reguladores de crescimento, um tema central no raleio químico da pereira. Ele oferece uma visão detalhada sobre dosagens, épocas de aplicação e o impacto fisiológico dessas substâncias na planta, complementando o conhecimento sobre o uso da benziladenina citado no texto principal.
- Sistemas de Colheita: Do Manual ao Automatizado, Qual o Melhor para Sua Lavoura?: A conexão reside na gestão da mão de obra e na transição entre processos manuais e mecanizados. Como o raleio de pera é uma operação intensiva em trabalho humano e com prazo curto, entender diferentes sistemas de colheita ajuda o produtor a refletir sobre a eficiência operacional e o planejamento de equipes no campo.
- Fazenda Retiro: Aegro Acaba com 30 Planilhas e Simplifica a Gestão: Este estudo de caso valida a recomendação final do artigo principal ao mostrar, na prática, como a tecnologia de gestão organiza operações complexas. Ele demonstra como substituir controles manuais por softwares permite um acompanhamento preciso de custos e atividades, essencial para o sucesso do raleio e da rentabilidade do pomar.
- Crédito Rural: Guia para Acessar Recursos e Investir na Safra: O raleio é apresentado como um investimento que ‘custa dinheiro agora para render depois’. Este artigo oferece o caminho prático para financiar essas operações de alto custo em mão de obra e insumos, permitindo que o produtor mantenha o fluxo de caixa enquanto busca a valorização da sua fruta no mercado de exportação.
- Pragas do Feijão: Um Guia Completo por Estágio da Planta: Embora trate de outra cultura, este artigo complementa a menção do texto principal sobre a redução de pragas através do manejo correto. Ele ensina o produtor a olhar para a lavoura por estádios fenológicos, uma lógica idêntica à utilizada no raleio da pera (que se baseia nos dias após a plena floração).

![Imagem de destaque do artigo: Como Fazer Raleio de Pera: Guia Completo e Prático [2025]](/images/blog/geradas/raleio-de-pera-aumente-a-qualidade-e-lucro.webp)