Recria de Novilhas: Guia Prático de Nutrição e Pasto [2025]

Foto de perfil de Redação Aegro
Equipe de especialistas da Aegro, dedicada a levar conhecimento, tecnologia e inovação para o produtor rural brasileiro.
Imagem de destaque do artigo: Recria de Novilhas: Guia Prático de Nutrição e Pasto [2025]

Índice

O Segredo da Recria: Por Que a Novilha Não Pode Ficar no Pior Pasto?

Você já viu aquele produtor que deixa as novilhas no “fundão” da fazenda, naquele pasto rapado que sobrou das vacas? Pois é, esse é o caminho mais rápido para perder dinheiro. A novilha em recria é a futura fábrica de bezerros da sua fazenda. Se ela atrasa, o lucro atrasa junto.

O ponto-chave aqui é entender que a novilha ainda está crescendo. Ela não é adulta. Por isso, a exigência dela é maior do que a de uma vaca seca. Na verdade, no time das fêmeas, só a vaca que acabou de parir precisa de mais comida que a novilha.

Como resolver isso na prática? Se você quer que ela entre em estação de monta cedo (perto dos 2 anos), precisa reservar o “filé mignon” do pasto para ela, principalmente na seca.

  • Estratégia 1: Reserve uma área de pastagem cultivada (como braquiária) que tenha boa oferta de folha. Cerca de 5% da área da fazenda já ajuda muito.
  • Estratégia 2: Use um banco de proteína (leguminosas) em 20% da área para elas comerem na seca.

O objetivo não é apenas idade, é peso. Para a novilha emprenhar, ela precisa pesar cerca de 300 kg. Com pasto bom na seca, uma zebuína que emprenharia com 30 meses pode descer para 24 meses. Se for taurina (gado europeu), pode chegar a 12 meses.


Seleção e Estação de Monta: Quando Colocar as Novilhas com o Touro?

Uma dúvida que sempre aparece na roda de conversa é: “Posso soltar as novilhas junto com a vacada na estação de monta?”. A resposta curta é: não deveria.

O manejo da “primeira viagem” é diferente. A novilha de primeira cria demora mais para pegar cria de novo depois do parto (o intervalo entre o parto e o primeiro cio fértil é maior). Por isso, o ideal é antecipar a estação de monta das novilhas em 30 dias antes das vacas.

Por que fazer isso?

  1. Elas parem mais cedo e têm mais tempo para se recuperar antes da próxima estação.
  2. Elas precisam de pasto separado e touros mais leves (para evitar problemas de parto).

E quem eu descarto? A seleção dura deve ser feita aos 2 anos. É nessa idade que ela mostra se vai ser uma boa matriz. Mas, para não gastar pasto à toa, faça um “pente fino” antes:

  • Na desmama: Tire as que têm defeito, são muito pequenas ou feias de tipo.
  • Aos 18-20 meses: Tire as que não desenvolveram bem.
  • No diagnóstico de gestação: Deu vazia? Rua. Não segure animal improdutivo.

Suplementação na Seca: Vale a Pena Dar Ração para Bezerro Desmamado?

Sabe aquela conta que não fecha? O bezerro ganha peso nas águas e perde tudo na seca. Para evitar esse efeito sanfona, a suplementação não é luxo, é ferramenta.

Para a recria, o bezerro desmamado sente muito a falta de proteína no capim seco.

  • A receita básica: Sal proteinado na proporção de 0,1% a 0,2% do peso vivo. Isso mantém o animal crescendo.
  • O pulo do gato: Se o animal entrar na seca com uns 350 kg e você suplementar bem por 90 dias, ele ganha de 40 a 50 kg. Resultado? Você abate em fevereiro ou março, com 450 kg, e libera o pasto para vedar.

Mas cuidado com o exagero.


Manejo dos Machos: Castrar ou Não Castrar?

Essa é clássica. “Seu Antônio, deixo o boi inteiro ou castro?”. A resposta depende de quando você vai vender esse boi.

Boi inteiro ganha mais peso, tem mais carne e menos gordura. Se você vai abater o animal jovem (antes dos 2 anos), não precisa castrar. Aproveite que ele converte melhor a comida em carne.

Agora, se o animal vai passar dos 2 anos no pasto, a conversa muda. O boi erado inteiro tem carne mais escura e menos gordura de acabamento (o que o frigorífico não gosta), além de ser difícil de lidar no mangueiro.

Se for castrar, quando fazer?

  • A regra: 6 meses antes do abate ou aos 18 meses de idade.
  • O método: A castração cirúrgica (faca/bisturi) bem feita, com higiene e orientação veterinária, é a mais recomendada.

E lembre-se: machos e fêmeas devem ser separados entre 12 e 14 meses de idade para evitar prenhez indesejada no rebanho de recria.


Engorda e Confinamento: Copiar a Dieta do Vizinho Funciona?

Muita gente acha que dieta de confinamento é receita de bolo: pega a do vizinho e faz igual. Esse é o erro número um de quem perde dinheiro no cocho.

A nutrição representa 60% a 70% do custo do confinamento. Se você usa uma dieta genérica, está jogando dinheiro fora. A dieta ideal é a de “mínimo custo por arroba”. Ou seja, aquela que faz o boi ganhar peso gastando o mínimo possível com os ingredientes que VOCÊ tem na fazenda ou na região.

O Perigo da Adaptação O boi vem do pasto (só capim) e entra no cocho (muito grão). Se mudar de uma vez, dá acidose e o boi para de comer.

  • Tempo de adaptação: De 12 a 14 dias.
  • Como fazer: Comece com muito volumoso e pouco concentrado. Todo dia, aumente um “degrau” de ração e tire um pouco de volumoso.

Leitura de Cocho (O Olho do Dono) Como saber se a quantidade está certa? Olhe o cocho antes do próximo trato.

  • Lambido: Faltou comida. Aumente.
  • Muita sobra: Desperdício. Diminua.
  • O ideal: Quase limpo, só um farelo no fundo.

Ponto de Abate: Carne, Osso e Gordura

Na hora de vender, você vende peso vivo, mas o frigorífico quer carcaça. Entender o rendimento é fundamental para não achar que foi roubado na balança.

O rendimento é a relação entre o peso da carcaça limpa e o peso vivo em jejum.

  • Exemplo prático: Um boi de 480 kg (após jejum) que deu 264 kg de carne no gancho teve 55% de rendimento.

Boi novo vs. Boi erado O boi acima de 3 anos (erado) já cresceu tudo que tinha que crescer. O que você colocar de comida nele vira gordura, não músculo. Já o novilho jovem deposita mais carne. Por isso, engordar boi muito velho costuma ser menos eficiente: ele come muito para ganhar pouco peso de carcaça, embora ganhe acabamento rápido.

Para o novilho precoce (abate jovem), o desafio é dar acabamento (gordura). Eles precisam de dieta rica para chegar nos 3 mm de gordura na carcaça antes de ficarem velhos.


Glossário

Estação de Monta: Período do ano planejado para a reprodução do rebanho, visando concentrar os nascimentos na época de maior oferta de pastagens. No Brasil, essa estratégia facilita o manejo sanitário e garante que os bezerros desmamem com melhor peso.

Banco de Proteína: Área da fazenda cultivada com leguminosas que permanecem verdes e nutritivas durante a entressafra. Serve como reserva estratégica para que os animais consumam proteína de alta qualidade quando as gramíneas comuns estão secas.

Sal Proteinado: Suplemento mineral aditivado com fontes de proteína e ureia, essencial para alimentar as bactérias do rúmen durante a seca. Permite que o gado consiga digerir o capim seco e fibroso, evitando o ’efeito sanfona’ de perda de peso no inverno.

Acidose Ruminal: Distúrbio metabólico causado pela queda brusca do pH no estômago do animal, geralmente devido à mudança rápida para dietas ricas em grãos. Se não houver adaptação gradual, o animal para de comer e pode sofrer graves lesões digestivas.

Leitura de Cocho: Manejo visual diário que avalia a quantidade de sobras de alimento para ajustar o próximo trato. É uma ferramenta de precisão no confinamento para evitar desperdício de ração e garantir que o animal esteja consumindo o máximo de seu potencial.

Rendimento de Carcaça: Relação percentual entre o peso da carcaça limpa (após o abate) e o peso vivo do animal antes do embarque. É o indicador que determina o valor real recebido pelo produtor, já que o frigorífico paga pela carne e não pelo peso total do animal.

Acabamento de Carcaça: Camada de gordura que recobre a musculatura do animal, essencial para proteger a carne durante o resfriamento e conferir qualidade sensorial. Um bom acabamento é exigência técnica dos frigoríficos para evitar a desidratação e o escurecimento da carne.

Veja como o Aegro ajuda você a profissionalizar sua pecuária

Para que a novilha não fique no “fundão” e o lucro não atrase, a organização da fazenda precisa ser impecável. O uso de um software de gestão como o Aegro facilita esse controle, permitindo o planejamento das atividades de manejo e o monitoramento do desempenho dos animais em tempo real. Isso garante que você saiba exatamente quando cada lote atinge o peso ideal para a estação de monta ou abate, evitando o desperdício de recursos e otimizando o uso das pastagens.

Além disso, como a nutrição pode representar até 70% dos custos na engorda, o Aegro ajuda a monitorar o estoque de insumos e o custo por arroba produzida de forma integrada. Ao centralizar as informações financeiras e operacionais, você substitui as anotações manuais por relatórios automáticos que mostram a rentabilidade real de cada estratégia, permitindo decisões mais rápidas e seguras para o crescimento do negócio.

Vamos lá?

Que tal simplificar o dia a dia da sua propriedade e ter o controle total sobre seus custos e produtividade? Experimente o Aegro gratuitamente e veja na prática como a tecnologia pode tornar sua gestão muito mais eficiente e lucrativa.

Perguntas Frequentes

Por que o peso de 300 kg é considerado o marco ideal para a primeira monta de novilhas zebuínas?

O peso de 300 kg indica que a novilha atingiu a maturidade fisiológica necessária para suportar uma gestação e o parto sem comprometer seu próprio crescimento contínuo. Ao atingir esse peso precocemente, o produtor reduz o intervalo entre gerações e acelera o retorno financeiro, transformando a novilha em uma unidade produtiva mais cedo na fazenda.

Quais são as consequências reais de não antecipar a estação de monta das novilhas em relação às vacas?

Sem essa antecipação de 30 dias, as novilhas paririam junto com as vacas experientes e teriam menos tempo de recuperação pós-parto, o que geralmente resulta em baixas taxas de prenhez na segunda estação (o chamado ‘fundo de parição’). O período extra garante que o organismo da fêmea se recupere do desgaste do primeiro parto e da lactação, mantendo a regularidade reprodutiva do rebanho.

Como evitar o ’efeito sanfona’ na recria sem elevar drasticamente os custos operacionais?

A estratégia mais eficiente é o uso de sal proteinado na proporção de 0,1% a 0,2% do peso vivo durante o período da seca. Essa suplementação fornece a proteína necessária para que as bactérias do rúmen continuem digerindo a fibra do capim seco, garantindo que o animal mantenha ou ganhe peso moderado em vez de perder o que conquistou no período das águas.

Qual é a principal diferença de carcaça entre o boi inteiro e o boi castrado para o frigorífico?

O boi inteiro tende a ter um ganho de peso mais rápido e carcaças com mais músculo, porém apresenta carne mais escura e baixo acabamento de gordura se for abatido tardiamente. Já o boi castrado facilita a deposição de gordura subcutânea (acabamento), resultando em uma carne com melhor cor e maciez, atendendo às exigências de qualidade dos programas de premiação dos frigoríficos.

Por que existe um limite de 1,5 kg por dia para o uso de grãos oleaginosos na dieta de confinamento?

Ingredientes como caroço de algodão ou soja em grão são ricos em óleos que, em excesso, criam uma camada em volta da fibra no rúmen e inibem a ação das bactérias digestivas. Ultrapassar esse limite pode causar distúrbios digestivos e fazer com que o animal pare de comer, prejudicando a conversão alimentar e o ganho de peso final.

Quais são os critérios essenciais para realizar um descarte lucrativo no rebanho de fêmeas?

O descarte deve ser contínuo e baseado em desempenho: deve-se eliminar fêmeas com defeitos de aprumo ou baixo desenvolvimento na desmama, as que não atingem o peso de monta aos 20 meses e, obrigatoriamente, as que permanecerem ‘vazias’ após o diagnóstico de gestação. Manter animais improdutivos consome recursos valiosos, como pasto e suplementação, que deveriam ser direcionados a matrizes férteis.

Como um software de gestão auxilia na tomada de decisão sobre o ponto de abate dos animais?

Tecnologias de gestão permitem monitorar o custo da arroba produzida em tempo real, cruzando dados de consumo de ração com o ganho de peso estimado. Isso possibilita identificar o momento exato em que o animal para de converter eficientemente o alimento em carne e começa a depositar apenas gordura cara, indicando que o lucro máximo foi atingido e o animal deve ser enviado ao frigorífico.

Artigos Relevantes

  • Fazenda Mognon: Mais Controle e Lucro na Fazenda com o Aegro: Este artigo complementa a discussão sobre a nutrição representar até 70% dos custos de engorda, detalhando como o controle rigoroso de estoque e custos de insumos no Aegro evita desperdícios. Ele oferece uma visão prática de como a gestão orientada por dados, mencionada no final do texto principal, se traduz em lucratividade real na pecuária.
  • Gestão Logística no Agro: Como Reduzir Custos de Transporte e Armazenagem: Considerando que o artigo principal aborda o uso de suplementos (soja e algodão) e dietas de confinamento, a gestão logística é vital para garantir que esses insumos cheguem com custo de frete competitivo. Ele expande a compreensão sobre a ‘dieta de mínimo custo’, mostrando que a eficiência fora da porteira impacta diretamente a rentabilidade da arroba produzida.
  • Fazenda Retiro: Aegro Acaba com 30 Planilhas e Simplifica a Gestão: Este caso de sucesso reforça a recomendação do artigo principal de abandonar anotações manuais para profissionalizar a gestão. Ele demonstra como a integração de dados de campo permite monitorar o desempenho dos animais e as operações de pastagem com a precisão necessária para atingir as metas de peso (300 kg) e idade de monta discutidas.
  • Fazenda AgroQuiste: Como o Aegro Ajudou a Transformar Informação em Lucro: O artigo conecta-se à necessidade de entender se estratégias intensivas (como banco de proteína e suplementação na seca) estão gerando lucro real ou apenas aumentando despesas. Ele fornece o ‘próximo passo’ para o produtor que deseja aplicar a tecnologia mencionada no texto principal para transformar dados operacionais em indicadores financeiros.
  • Plantio de Soja Atrasado pela Seca: Como Reduzir Riscos e Salvar a Safrinha: Dada a presença de ‘soja’ e ‘seca’ como palavras-chave do artigo principal, este conteúdo é altamente relevante para produtores que adotam a integração lavoura-pecuária. Ele aprofunda o desafio do ’efeito sanfona’ e da escassez hídrica, ajudando o gestor a planejar a janela de plantio da soja que muitas vezes servirá de base nutricional ou financeira para a recria das novilhas.