Índice
- Vale a pena “recuperar” o pomar antigo?
- Quais árvores aguentam o tranco? (Tamanho e Idade)
- A hora certa e o jeito certo de cortar
- Brotou! E agora, qual ramo eu escolho?
- O enxerto: O pulo do gato para a produtividade
- Doenças e Pragas: Onde mora o perigo
- Quanto custa e quanto rende?
- Glossário
- Veja como o Aegro pode ajudar a superar esses desafios
- Perguntas Frequentes
- Vale a pena recuperar qualquer pomar antigo ou é melhor começar do zero?
- Como a espessura do tronco influencia o sucesso da substituição de copa?
- Por que o corte deve ser feito exatamente de 2 a 3 meses antes da floração?
- O que são brotos ’ladrões’ e por que eles devem ser removidos?
- Como prevenir a Resinose e outras doenças durante o processo de reforma?
- Em quanto tempo o produtor percebe o retorno financeiro do investimento?
- Artigos Relevantes
Vale a pena “recuperar” o pomar antigo?
Você olha para aquele cajueiral velho, com árvores imensas, e a conta não fecha. A produção caiu, a colheita é difícil e o custo só aumenta. A dúvida que tira o sono de muito produtor é: derrubo tudo e começo do zero ou tento aproveitar o que já tenho?
A substituição de copa é uma técnica poderosa, mas não faz milagre. Vamos direto ao ponto: se você está abrindo uma área nova, nunca plante semente ou muda de pé-franco pensando em trocar a copa depois. Isso é jogar dinheiro fora. Estudos mostram que sai caro e atrasa seu lucro. Para áreas novas, o negócio é usar muda enxertada de clone bom desde o começo.
Mas, se você já tem o pomar formado e as árvores estão lá, trocar a copa pode ser a saída para renovar a lavoura sem perder tanto tempo.
Quais árvores aguentam o tranco? (Tamanho e Idade)
Seu João, lá do Piauí, tentou fazer a substituição em árvores grossas demais e perdeu quase metade do pomar. O erro dele? Não olhou a grossura do tronco.
O sucesso da operação depende do porte da planta. O ideal é trabalhar com troncos mais finos. Veja os dados práticos:
- Troncos até 0,43 m de circunferência: 100% de chance de dar certo.
- Troncos até 1,09 m: 84% de chance (ainda é um bom negócio).
- Troncos muito grossos (acima de 2,40 m): O risco é alto, menos da metade sobrevive.
A idade também pesa. Cajueiros jovens (5 anos) brotam que é uma beleza (100%). Já uma árvore de 35 a 45 anos tem muito menos força para soltar broto novo após o corte.
⚠️ ATENÇÃO: Não adianta tentar salvar árvore doente ou desnutrida. Se a planta já está fraca, ela não vai aguentar o corte. Escolha plantas sadias para garantir que o enxerto pegue.
A hora certa e o jeito certo de cortar
Muitos produtores perdem o serviço porque cortam na época errada. Sabe quando você precisa daquela brotação forte para enxertar? Ela tem data para acontecer.
O corte deve ser feito 2 a 3 meses antes da floração. Por quê? Porque é nessa hora que você vai ter ramos florais disponíveis para tirar as borbulhas (os “olhos” do enxerto).
- No Ceará: Corte entre abril e agosto.
- No Piauí: Corte entre fevereiro e junho.
Como fazer o corte na prática: Use a motosserra. O corte tem que ser em bisel (aquele corte inclinado, para a água escorrer e não apodrecer o toco), a uma altura de 40 a 50 cm do chão.
Numa árvore média, você gasta uns 6 minutos de motosserra e mais uns 30 minutos de foice para limpar.
💡 DICA DE QUEM JÁ FEZ: Assim que cortar, tire a madeira da área imediatamente. Madeira morta atrai pragas. Depois, faça uma roçagem e limpe bem o pé da planta (coroamento de 1 metro). Para proteger o toco cortado, passe produtos à base de cobre.
Brotou! E agora, qual ramo eu escolho?
Depois de cortar, a ansiedade bate. Em árvores jovens, com 10 dias já tem broto. Nas mais velhas (25 anos), demora uns 30 dias. A planta vai soltar um monte de broto, parecendo uma vassoura. Você não pode deixar todos.
O segredo é a seleção. Você precisa escolher os brotos que vão virar os novos troncos.
- Escolha os mais fortes e sadios.
- Prefira os que nasceram perto do corte.
- Distribua bem ao redor do tronco (não deixe todos do mesmo lado).
Comece a limpar os brotos ruins logo no início. Isso evita que eles roubem força e comida dos brotos bons.
O enxerto: O pulo do gato para a produtividade
Você preparou tudo, agora é hora de transformar essa árvore comum em um clone produtivo. A enxertia acontece cerca de 60 a 90 dias após o corte, dependendo da idade do pomar.
O melhor método é a borbulhia em placa, usando gemas de ramos florais. Por que esse método? Porque ele funciona bem a pleno sol (não precisa ficar cobrindo) e pega muito bem.

Você pode manter até 4 enxertos por planta. Em árvores mais velhas, ter 3 ou 4 ramos enxertados ajuda a fechar a ferida do corte mais rápido, protegendo o tronco antigo.
📊 NÚMEROS QUE IMPORTAM:
- 20 dias após enxertar: Corte o ramo do porta-enxerto 2 cm acima da placa e tire a fita plástica. Se deixar a fita, ela estrangula o ramo novo.
- Inspeção constante: Continue tirando os brotos “ladrões” que nascem no tronco velho. Eles roubam a força do enxerto.
Doenças e Pragas: Onde mora o perigo
Já vi produtor perder o trabalho todo por causa de uma ferramenta suja. A Resinose é a doença mais perigosa aqui. Ela passa de uma planta para outra através do facão ou da motosserra.
Além dela, fique de olho na:
- Broca-do-tronco e Broca-das-pontas.
- Cupins (principalmente se ficou resto de madeira no chão).
O manejo é sagrado: A cada 7 dias, dê uma volta no pomar. Viu praga? Aplique o remédio na hora, o mesmo que você usaria num cajueiro anão normal. Limpe bem as ferramentas entre uma árvore e outra.
Quanto custa e quanto rende?
Vamos falar de bolso, que é o que paga as contas. Recuperar um pomar assim tem custo, mas também tem retorno rápido.
Considerando uma área com 100 plantas por hectare:
- Custo estimado: Cerca de R$ 900,00 por hectare (incluindo insumos e mão de obra do primeiro ano).
- Receita extra: A madeira que você cortou não é lixo. Cada árvore média rende quase 1 metro cúbico de lenha. Vendendo essa lenha, você consegue pagar uma boa parte do custo da reforma.
E a produção? Um pomar recuperado, com clones bons (como o BRS 274 ou 275), salta de produtividade. A média fica em torno de 1.000 kg de castanha por hectare, podendo chegar a 1.300 kg/ha. E o melhor: com clones de cajueiro-comum melhorado, você muitas vezes nem precisa adensar (plantar mais árvores no meio), o que economiza muda.
Glossário
Substituição de Copa: Técnica de enxertia realizada em árvores adultas para trocar a parte aérea produtiva por uma variedade de maior valor comercial ou produtividade. Permite renovar o pomar aproveitando o sistema radicular já estabelecido, antecipando o retorno financeiro.
Pé-franco: Planta multiplicada por meio de sementes, sem a utilização de enxertia. Na cajucultura brasileira, essas plantas tendem a ser menos produtivas e mais desuniformes do que as plantas clonais.
Corte em Bisel: Corte inclinado ou diagonal feito no tronco ou ramos da planta. Serve para evitar o acúmulo de umidade na superfície cortada, prevenindo o apodrecimento e a entrada de fungos patogênicos.
Borbulhia em Placa: Método de enxertia que consiste na transferência de uma pequena placa de casca contendo uma gema (borbulha) para o porta-enxerto. É a técnica mais recomendada para a renovação de cajueirais devido ao excelente índice de pegamento no campo.
Porta-enxerto: Base da planta, composta pelas raízes e parte do tronco, que recebe o enxerto de uma nova variedade. É responsável por fornecer água e nutrientes para a nova copa que será formada.
Brotos Ladrões: Ramos vigorosos que surgem do tronco original abaixo do ponto de enxertia. Devem ser eliminados periodicamente para que não roubem a energia e os nutrientes necessários para o desenvolvimento do novo clone.
Resinose: Doença fúngica grave que causa o apodrecimento da casca e a liberação de resina no tronco, podendo matar o cajueiro. Sua transmissão ocorre frequentemente por ferramentas de poda não higienizadas, como motosserras e facões.
Veja como o Aegro pode ajudar a superar esses desafios
Decidir entre recuperar um pomar ou começar do zero exige clareza absoluta sobre os custos e os prazos de retorno. Ferramentas como o Aegro ajudam a resolver isso ao centralizar o controle financeiro, permitindo que você acompanhe de perto o investimento na substituição de copa e a receita da venda de lenha em relatórios simples e visuais. Assim, fica mais fácil ter segurança de que a reforma está sendo lucrativa e evitar surpresas no caixa da fazenda.
Além disso, como o sucesso da enxertia depende de um cronograma rigoroso de limpeza e monitoramento, o software permite planejar e registrar todas as atividades de campo e o manejo de pragas diretamente pelo celular. Isso organiza a rotina da equipe e garante que intervenções críticas, como o controle da resinose ou a retirada dos brotos “ladrões”, sejam feitas no tempo certo para proteger a nova produtividade da lavoura.
Vamos lá?
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Perguntas Frequentes
Vale a pena recuperar qualquer pomar antigo ou é melhor começar do zero?
A recuperação via substituição de copa é recomendada para pomares já estabelecidos que possuem árvores sadias, permitindo renovar a produtividade mais rapidamente do que um plantio totalmente novo. No entanto, para áreas virgens, o ideal é utilizar mudas enxertadas de alta qualidade desde o início, pois tentar plantar sementes para trocar a copa depois gera custos desnecessários e atrasa o retorno financeiro.
Como a espessura do tronco influencia o sucesso da substituição de copa?
A espessura é um fator determinante para a sobrevivência da planta; troncos com até 43 cm de circunferência têm praticamente 100% de chance de sucesso. Árvores muito grossas, acima de 2,40 m, possuem baixa capacidade de brotação e menos da metade sobrevive ao processo. Portanto, quanto mais jovem e manejável for o tronco, maior será o vigor para sustentar o novo enxerto.
Por que o corte deve ser feito exatamente de 2 a 3 meses antes da floração?
Esse intervalo é estratégico para garantir a disponibilidade de material genético de qualidade no momento certo. Realizar o corte nesse período assegura que, quando os novos brotos do tronco estiverem prontos para receber o enxerto, as plantas fornecedoras terão ramos florais com borbulhas (gemas) maduras e viáveis para a operação.
O que são brotos ’ladrões’ e por que eles devem ser removidos?
Brotos ladrões são as ramificações que nascem no tronco antigo (porta-enxerto) e que não fazem parte do novo clone desejado. Eles devem ser removidos constantemente porque competem por água e nutrientes, roubando a energia que a planta deveria direcionar exclusivamente para o crescimento e fixação do enxerto produtivo.
Como prevenir a Resinose e outras doenças durante o processo de reforma?
A prevenção começa com a desinfecção rigorosa de ferramentas, como motosserras e canivetes, entre o corte de uma árvore e outra para evitar a transmissão de fungos. Além disso, é essencial realizar o corte em bisel para evitar o acúmulo de água, aplicar produtos à base de cobre no toco e remover a madeira cortada da área para não atrair brocas e cupins.
Em quanto tempo o produtor percebe o retorno financeiro do investimento?
O retorno financeiro começa imediatamente com a venda da lenha resultante do corte, que ajuda a cobrir os custos operacionais de aproximadamente R$ 900,00 por hectare. Em termos de produção, o pomar recuperado com clones de alta performance atinge rapidamente a média de 1.000 a 1.300 kg de castanha por hectare, transformando uma área antes deficitária em um negócio lucrativo.
Artigos Relevantes
- Porta-Enxertos na Citricultura: Guia para Escolher a Base do Pomar: Este artigo complementa tecnicamente o texto principal ao aprofundar o conceito de porta-enxerto, fundamental para a técnica de substituição de copa. Embora focado em citros, ele explica como a base da planta influencia o vigor e a longevidade do pomar, ajudando o produtor de caju a entender a importância biológica de ter um tronco saudável para o sucesso da enxertia.
- Custo por Hectare: Como Calcular na Fazenda [Planilha]: O artigo principal menciona custos de R$ 900/ha para a recuperação do cajueiral, e este candidato oferece a ferramenta prática (planilha e metodologia) para que o produtor valide esses números na sua realidade. Ele preenche a lacuna de gestão financeira, permitindo calcular se a venda da lenha e o ganho de produtividade realmente trarão o ROI esperado.
- Fazendas Cortam 40% dos Gastos e Planejam Crescer com o Aplicativo Aegro: Este estudo de caso valida a sugestão final do artigo principal sobre o uso do software Aegro para gerir a reforma do pomar. Ele demonstra, com exemplos reais, como o controle rigoroso de custos e atividades de campo — essenciais para o monitoramento de ‘brotos ladrões’ e pragas no cajueiral — resulta em economia direta e maior eficiência operacional.
- Citros e Citrus: Entenda a Diferença e a Importância para o Seu Pomar: Este artigo é relevante por abordar os fundamentos da implantação de pomares e o espaçamento entre plantas, conceitos que o texto principal recomenda para quem vai iniciar áreas novas. Ele ajuda o produtor a compreender as melhores práticas de planejamento que evitam a necessidade futura de substituição de copa por erros na escolha de mudas ou arranjo espacial.
- Laranja Hamlin: O Guia Completo da Cultivar Precoce para Pomares Produtivos: Apesar de focar em uma cultivar específica de laranja, este guia é valioso por detalhar o manejo fitossanitário e de adubação em pomares perenes. Ele expande o tópico de ‘Manejo Sagrado’ do artigo de caju, oferecendo uma visão sistêmica de como manter a saúde da planta após a enxertia para garantir que o potencial produtivo dos novos clones seja atingido.

![Imagem de destaque do artigo: Recuperar pomar de caju: Guia Definitivo de Enxertia [2025]](/images/blog/geradas/recuperar-pomar-caju-enxertia-substituicao-copas.webp)