Recursos Pesqueiros: Guia de Preservação no Pantanal [2025]

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Índice

O que realmente tem debaixo d’água no Pantanal?

Você já parou na beira do rio, olhou aquela imensidão de água e pensou: “Será que tem tanto peixe aqui quanto dizem?”. Essa é uma dúvida comum de quem vive e produz na região.

Para entender o Pantanal, precisamos ir além do óbvio. Quando falamos de recursos pesqueiros, não estamos falando só do peixe que vai para o prato. Estamos falando de tudo que vive na água e serve para o homem, incluindo caranguejos e moluscos usados como isca.

Aqui no Pantanal, a riqueza é grande. Até 2007, foram identificadas 270 espécies de peixes. Isso representa 11% de toda a diversidade de peixes do Brasil. Mas nem tudo que nada é igual.

Precisamos diferenciar duas coisas que parecem iguais, mas não são:

  1. População: É todo mundo da mesma espécie que vive e se reproduz ali.
  2. Estoque Pesqueiro: É o grupo que já tem tamanho para ser pescado. Ou seja, o “estoque” é só uma parte da população.

Como a água e a mata “conversam” com o peixe?

Sabe aquela conversa de que “proteger a beira do rio é frescura”? Pois é, quem já viu barranco desmoronar sabe que o prejuízo é real. Mas você sabia que a mata ciliar enche a barriga do peixe?

A mata na beira do rio tem duas funções vitais que afetam direto o seu bolso e a pesca:

  • Segurar o solo: As raízes impedem que a terra caia no leito do rio (assoreamento).
  • Comida: Frutos e insetos que caem das árvores alimentam espécies valiosas como o pacu e a piraputanga.

E tem mais: a qualidade da água muda tudo. O peixe não tem controle de temperatura como nós. Se a água esfria de repente, o peixe para de comer e, pior, pode parar de liberar ovos. Ou seja, alteração brusca na água mexe direto na reprodução e no crescimento do animal.


Enchente, Seca e a tal da “Decoada”: O ciclo que manda em tudo

Uma pergunta que sempre aparece nas rodas de conversa: “Por que em ano de muita cheia o peixe parece que some ou morre?”.

O Pantanal vive do pulso de inundação. É o sobe e desce da água que dita a regra. Quando o rio enche, a água entra nos campos e encontra muita vegetação terrestre. Esse mato apodrece debaixo d’água.

Aí acontece a Decoada. É um fenômeno natural onde essa decomposição rouba o oxigênio da água e libera gás carbônico e metano. O resultado?

  • A água muda de cor e cheiro.
  • Ocorre mortandade de peixes por falta de oxigênio.
  • Apesar de triste de ver, isso regula a quantidade de peixes e seleciona os mais fortes.

Mas a cheia também tem o lado bom. A água alagada é rica em nutrientes e oferece proteção para os filhotes (alevinos).


O perigo do rio raso: A lição do Rio Taquari

Você já perdeu área produtiva porque o rio “comeu” a terra ou mudou de lugar? O assoreamento é um pesadelo real.

O Rio Taquari é o exemplo mais dramático disso. Na época das chuvas, a entrada de terra e sólidos suspensos na parte alta do rio aumenta em até 70%.

O que acontece quando o rio fica raso (assoreado)?

  1. Muda o fluxo: A água não corre como deveria, alagando áreas que não alagavam antes.
  2. Sufoca o fundo: Organismos que vivem no fundo e servem de comida para os peixes desaparecem.
  3. Muda a vizinhança: Espécies de peixes somem e outras tomam o lugar.
  4. Água suja: O excesso de sedimentos pode grudar nos ovos dos peixes, impedindo que eles nasçam, e entupir as guelras dos adultos.

Conservar ou Preservar: Qual a diferença na prática?

Muitos produtores confundem esses termos, mas a diferença é enorme para quem trabalha no campo.

  • Preservação: É “não me toques”. O objetivo é proteger totalmente, proibindo o uso e a exploração. É deixar a natureza intocada.
  • Conservação: É o uso inteligente. Significa manejar, administrar e usar o recurso de forma que ele não acabe. É aqui que entra a pesca sustentável.

No Pantanal, estudos da Embrapa mostram que, no geral, os estoques não estão diminuindo. A exceção foi o pacu, que em 2003 mostrou sinais de “sobrepesca” (foi pescado mais do que conseguia se reproduzir).

O que fazer quando isso acontece? Não precisa necessariamente proibir tudo. Muitas vezes, ajustar o tamanho mínimo de captura já resolve, permitindo que o peixe cresça e desove antes de ir para o anzol.


Cuidado com o Repovoamento (Soltar peixe no rio)

“Doutor, o rio tá fraco de peixe, vou comprar uns alevinos e soltar lá.”

Muita calma nessa hora, Seu Antônio. A intenção é boa, mas o resultado pode ser desastroso. Soltar peixes (repovoamento), mesmo que sejam espécies nativas, tem riscos sérios:

  1. Genética fraca: O peixe de criatório é geneticamente diferente do selvagem. Cruzar os dois pode gerar filhotes mais fracos na natureza.
  2. Doenças: Você pode introduzir parasitas e doenças que não existiam naquele rio.
  3. Desequilíbrio: Se a espécie não for dali, ela pode comer a comida dos nativos ou predar os filhotes locais.

Glossário

Mata Ciliar: Vegetação localizada às margens de rios e nascentes que atua como uma barreira física contra a erosão e o transporte de sedimentos. É essencial para filtrar impurezas antes que cheguem à água e fornecer alimento para a fauna aquática.

Assoreamento: Acúmulo de terra, areia e detritos no fundo dos rios, geralmente provocado pela erosão de margens desprotegidas. Esse processo reduz a profundidade do leito, altera o curso das águas e prejudica a reprodução de diversas espécies.

Pulso de Inundação: Ciclo sazonal de subida e descida do nível das águas que rege a ecologia de áreas úmidas como o Pantanal. É o mecanismo responsável por transportar nutrientes entre o rio e a planície, garantindo a fertilidade da região.

Decoada: Fenômeno natural de queda drástica do oxigênio na água devido à decomposição da vegetação terrestre submersa durante as cheias. Pode causar mortalidade de peixes, mas também atua na seleção natural e renovação dos nutrientes no ecossistema.

Estoque Pesqueiro: Parcela de uma população de peixes que já atingiu o tamanho ou idade mínima para ser capturada legalmente. É o conceito utilizado para gerir a pesca de forma que a retirada de indivíduos não comprometa a capacidade de reposição da espécie.

Sólidos Suspensos: Partículas de solo e sedimentos que ficam flutuando na água sem se depositar no fundo. Em alta concentração, aumentam a turbidez da água, dificultando a respiração dos peixes e a entrada de luz necessária para a vida aquática.

Sobrepesca: Atividade de pesca praticada de forma excessiva, onde a taxa de captura é maior do que a capacidade natural de reprodução e crescimento da espécie. Resulta no esgotamento do recurso e pode levar ao colapso econômico da atividade na região.

Época de Defeso: Período de restrição legal à pesca estabelecido para proteger o ciclo reprodutivo das espécies (piracema). O respeito a este intervalo é crucial para garantir que os estoques se recuperem e permaneçam produtivos para as próximas safras.

Como a tecnologia ajuda a equilibrar produção e conservação

Entender o ciclo das águas e proteger as margens dos rios, como vimos no caso do Rio Taquari, exige um planejamento rigoroso das atividades na fazenda para evitar que o manejo do solo prejudique o ecossistema. Ferramentas como o Aegro permitem que o produtor planeje operações mecanizadas e o uso de insumos com precisão, reduzindo o risco de erosão e o escoamento de sedimentos para os leitos dos rios. Ao centralizar o histórico de atividades, fica muito mais simples monitorar as áreas produtivas e garantir que a conservação seja uma aliada da rentabilidade.

Além disso, lidar com a imprevisibilidade do clima e das cheias no Pantanal demanda decisões rápidas baseadas em dados reais. O Aegro auxilia na gestão operacional ao organizar as tarefas em tempo real, permitindo que o gestor adapte o cronograma de trabalho conforme as condições ambientais mudam. Com esse controle na palma da mão, você ganha eficiência para proteger a sua terra e garantir que os recursos naturais continuem gerando valor para as próximas gerações.

Vamos lá? Simplifique o planejamento da sua fazenda e tome decisões mais seguras para o seu bolso e para o meio ambiente. Experimente o Aegro gratuitamente e veja como a tecnologia pode ajudar na gestão sustentável da sua propriedade.

Perguntas Frequentes

Qual é a diferença fundamental entre população e estoque pesqueiro?

A população abrange todos os indivíduos de uma espécie que vivem em uma área, incluindo os filhotes. Já o estoque pesqueiro refere-se especificamente à parcela da população que atingiu o tamanho e a maturidade necessários para ser capturada. Entender essa distinção é vital para evitar a pesca de peixes jovens, garantindo que eles se reproduzam e mantenham o ciclo de vida do rio.

Como a destruição da mata ciliar afeta a alimentação e o habitat dos peixes?

A mata ciliar atua como um ‘supermercado’ para peixes como o pacu, fornecendo frutos e insetos que caem na água. Além disso, suas raízes evitam o assoreamento, que é o acúmulo de terra no fundo do rio; sem essa proteção, o rio fica raso e turvo, destruindo os locais de desova e dificultando a respiração dos peixes adultos.

A ‘decoada’ é um fenômeno causado pela poluição humana?

Não, a decoada é um processo natural do Pantanal que ocorre durante as cheias, quando a água inunda campos e a vegetação terrestre entra em decomposição. Esse processo consome o oxigênio da água e libera gases como o metano, podendo causar a morte de peixes, mas também atua como um regulador ecológico que seleciona as espécies mais resistentes.

Por que o assoreamento do Rio Taquari é considerado um desastre para a região?

O assoreamento no Taquari ocorre quando o excesso de sedimentos vindos de áreas altas entope o leito do rio, forçando a água a sair do seu curso original e alagar permanentemente áreas que antes eram produtivas. Isso não apenas destrói pastagens, mas também sufoca os microrganismos do fundo do rio, que são a base da cadeia alimentar dos peixes.

Quais os riscos de tentar repovoar um rio com peixes criados em cativeiro?

Soltar alevinos de criatórios pode ser perigoso devido à fragilidade genética desses peixes em comparação aos selvagens, o que pode enfraquecer as futuras gerações. Além disso, há o risco iminente de introduzir doenças e parasitas de criatórios no ambiente natural, desequilibrando todo o ecossistema local.

Qual a diferença prática entre os conceitos de preservação e conservação ambiental?

Preservar significa manter a natureza intocada, sem qualquer tipo de exploração econômica. Já a conservação foca no uso inteligente e sustentável, permitindo que o produtor explore os recursos (como a pesca ou o turismo) de forma manejada para que eles nunca acabem, unindo rentabilidade financeira com equilíbrio ecológico.

Como um software de gestão agrícola pode contribuir para a saúde dos rios no Pantanal?

Tecnologias como o Aegro ajudam o produtor a planejar melhor o uso de máquinas e insumos, evitando a erosão do solo que termina em assoreamento dos rios. Ao monitorar as atividades da fazenda com precisão, o gestor garante que a produção não agrida as nascentes e margens, protegendo o recurso hídrico que sustenta sua própria propriedade.

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