O Reglone custa R$ 7,50 a mais por hectare, e um repasse dobra a conta
A semeadura da soja 26/27 já está liberada em Mato Grosso (desde 07/09), Mato Grosso do Sul (desde 16/09) e Goiás (desde 25/09), conforme a Portaria SDA/MAPA nº 1.579. Quem ainda não fechou o dessecante de contato está comprando agora.
Nos 12 meses até agosto de 2026, o litro do Reglone saiu a R$ 24,35 na mediana das notas fiscais de insumo do Compare Preços, contra R$ 20,60 dos demais diquats de mesmo teor. São 18,2% de diferença, ou R$ 7,50 por hectare na dose de bula. Um ano antes, a mesma conta dava 5,0%, ou R$ 2,20/ha. A diferença mais que triplicou.
E daí? Daí que o Reglone é o diquat mais caro da prateleira, entre os diquats com volume relevante de compras na base do Compare Preços, e esse preço a mais se repete a cada passada no mesmo hectare.
Índice
- A conta na dose de bula
- Os dois lados se mexeram
- A prateleira: 16 de 16 abaixo
- Mesmo registro ou registro diferente: o que a bula diz
- Chuva irregular é repasse, e repasse é mais um litro no mesmo hectare
- O que o dado não diz
- O que dá para fazer esta semana
- Vamos lá?
A conta na dose de bula
A dose de bula do Reglone para soja voluntária, a tiguera que sobra da safra passada, é de 2,0 L/ha, em aplicação única, dois dias antes da semeadura. Com a mesma dose aplicada aos dois lados, por equivalência de teor:
- Reglone: R$ 48,70/ha, ou 0,41 saca de soja por hectare.
- Demais diquats de mesmo teor: R$ 41,20/ha, ou 0,34 sc/ha.
- Diferença: R$ 7,50/ha, ou 0,06 sc/ha (soja a R$ 119,76 por saca de 60 kg, mediana nacional de junho a agosto de 2026).
Em milho voluntário da safrinha, que também está no talhão na entrada da safra de verão, a bula pede 3,5 L/ha e a diferença sobe para R$ 13,12/ha, ou 0,11 sc/ha.
Por hectare parece pouco. Em escala, não é. Em 1.000 hectares, cada passada carrega R$ 7.500 de diferença, cerca de 63 sacas de soja. E se o talhão pede uma segunda passada de contato, esse valor dobra.
Os dois lados se mexeram
A diferença não abriu porque só um lado andou. Em 12 meses, o Reglone subiu 5,9% por litro e o grupo dos demais diquats caiu 5,9%, quase na mesma medida. Não é concorrente barateando sozinho, nem Reglone encarecendo sozinho: são os dois movimentos juntos.
Para a conta ficar justa, a comparação usa janelas iguais: setembro de 2025 a agosto de 2026 contra setembro de 2024 a agosto de 2025, em preço por litro, com mediana apurada separadamente em cada janela.
A prateleira: 16 de 16 abaixo
Entre os demais diquats de marca identificada e volume relevante de compras na base, 16 de 16 ficam abaixo do Reglone, sem exceção. Eles custam de 9,6% a 22,6% menos. Na prateleira dos demais, o preço mediano vai de R$ 18,84 a R$ 22,00 por litro, uma distância de R$ 3,16 entre o mais barato e o mais caro do grupo.
Dois cuidados para ler isso direito:
- “O mais caro” tem alcance. Vale entre os diquats com volume relevante de compras na base do Compare Preços, por mediana de nota, em 12 meses. Não é apuração de mercado, e a mediana de nota mistura canal, prazo, embalagem e volume.
- Mesmo teor, sem misturas. Entram só produtos com o mesmo teor declarado (200 g/L de íon diquate). Misturas prontas ficaram fora.
A Aegro não compara marca por marca neste texto. O recado é do conjunto: você tem uma prateleira inteira abaixo do Reglone para cotar.
Mesmo registro ou registro diferente: o que a bula diz
Dois nomes comerciais podem estar sob um único registro no Ministério da Agricultura. Nesse caso é o mesmo produto registrado, com a mesma composição declarada, a mesma bula e o mesmo titular. A bula autoriza mais de um fabricante de produto técnico e mais de um formulador, então dois galões do mesmo registro podem ter origens diferentes, todas legais. Quando dois nomes dividem registro e bula, não sobra diferença agronômica a defender entre eles. O que resta é comercial: prazo, pacote, disponibilidade, assistência.
Entre registros diferentes vale o inverso, e é o que mais interessa a quem compra. O que muda não é o teor de diquat, é a formulação. Nenhum produto desta comparação declara teor diferente, e os rótulos alternam duas convenções para escrever a mesma coisa. Mas nas três bulas que conferimos, todas com o mesmo teor declarado, as classificações toxicológicas são três: Categoria 1, 2 e 3. Os outros ingredientes da formulação mudam, e isso não aparece no preço por litro.
Por isso, preço de nota diz o que foi pago, não o que foi entregue. Ele não mede eficácia no campo, qualidade de formulação, adjuvante embutido, disponibilidade no fornecedor nem assistência técnica. A diferença de preço é um fato. Se ela se justifica na sua lavoura é uma pergunta para o seu responsável técnico.
Chuva irregular é repasse, e repasse é mais um litro no mesmo hectare
Este é o contexto, com data. O boletim de agosto de 2026 do Inmet com o Inpe, que reproduz a previsão do CPC/NOAA, trazia probabilidade acima de 90% de El Niño muito forte no trimestre de setembro a novembro e chuva abaixo da faixa normal em Mato Grosso no mesmo período, com recuperação da umidade em novembro. Veja a previsão mais recente da sua região, porque o quadro muda de boletim para boletim.
Em 18/08/2026, o pesquisador da Embrapa Soja José Renato Bouças Farias recomendou combinar diferentes épocas de semeadura com cultivares de ciclos distintos. Em 01/09/2026, o Imea pediu que o produtor aguarde a confirmação de volumes de chuva suficientes e regulares antes de plantar.
Escalonar a semeadura não mexe na conta do dessecante: cada talhão é dessecado uma vez antes de ser semeado, e o escalonamento só espalha os mesmos litros por mais semanas. O que mexe na conta é o repasse, e essa ligação é leitura nossa. Nenhuma das fontes acima fala de dessecação, de dessecante ou de diquat, e nenhuma recomenda dessecar mais.
O raciocínio é este. A bula do próprio Reglone manda esperar que a chuva tenha molhado o solo em volta das raízes e não aplicar com solo seco. Num setembro ou outubro de chuva incerta, o risco é dessecar, esperar uma chuva de plantio que não se confirma, ver o talhão rebrotar e precisar de um repasse de contato antes da semeadora. Aí o litro conta duas vezes no mesmo hectare, e os R$ 7,50 viram R$ 15,00.
O que o dado não diz
O dado não diz por que a diferença abriu. Também não foi o El Niño: o degrau aconteceu entre setembro de 2025 e janeiro de 2026, antes de o fenômeno ser confirmado, em junho de 2026. Sem teste, a Aegro prefere dizer isso a inventar uma causa.
Dois outros limites. O dado não mostra padrão sazonal confiável de preço entre os meses do ano, então o que decide não é o mês da compra, é a cotação da semana. E a nota fiscal não informa a operação de destino: o diquat é usado tanto na dessecação pré-plantio quanto na de pré-colheita, e a conta aqui é a da dose de pré-plantio.
O que dá para fazer esta semana
- Peça a cotação pelo ativo e pela concentração, não pela marca. Diquate 200 g/L, ou dibrometo de diquate 374 g/L, que é o mesmo produto escrito de outro jeito. O nome comercial entra depois, para saber o que o fornecedor tem no estoque.
- Confira o registro na bula antes de aceitar que um produto é outro. Dois nomes comerciais podem estar sob um único registro, e dois nomes parecidos podem ser registros diferentes.
- Refaça a conta na dose do seu alvo e conte os repasses. A bula do Reglone começa em 1,5 L/ha, para leiteiro, caruru-de-mancha e trapoeraba, e sobe conforme o alvo. Confira a dose na bula do produto que você cotou. Se um talhão rebrotar e pedir uma segunda passada de contato, a diferença por hectare dobra ali.
- Compare o valor cotado com a mediana e com o resto da prateleira antes de fechar o pedido. E leve a lista para o responsável técnico da fazenda: a troca de produto passa pelo receituário, não pelo preço.
Mais uma observação que muda a decisão: esta conta é de um produto, não do programa inteiro. A dessecação costuma juntar glifosato, 2,4-D e um dessecante de contato, que pode ser o diquat ou o glufosinato. O que está aqui é só essa última parte.
Vamos lá?
Mediana de 12 meses é régua, não cotação da semana. O número nacional mostra que o Reglone está R$ 7,50/ha acima da mediana dos demais diquats, mas a decisão desta semana precisa do preço desta semana, do seu fornecedor, na sua região.
É para isso que existe o Compare Preços, e ele é gratuito. Busque o diquat pelo princípio ativo e veja, lado a lado, os principais produtos comerciais e os fornecedores que vendem cada um. Cote por dose ou por quilo de ingrediente ativo, compare com a mediana de mercado e olhe o histórico mês a mês para decidir quando comprar. Acesse compare.aegro.com.br.
Leve os valores para a conversa com a revenda e com o seu agrônomo. A escolha do produto e da dose é decisão agronômica da sua área; o preço é a parte que você não precisa pagar sem saber.
Nota de método. Os números vêm da base nacional de notas fiscais de insumo do Compare Preços, em medianas nacionais, que servem de referência e não de cotação da sua região. A janela é de 12 meses (setembro de 2025 a agosto de 2026), comparada com os 12 meses anteriores, em preço por litro. A comparação considera o Reglone contra os demais diquats de marca identificada, volume relevante de compras e mesmo teor declarado (200 g/L de íon diquate); misturas prontas ficaram fora. Dibrometo de diquate 374 g/L equivale a diquate 200 g/L. A dose de 2,0 L/ha é a de bula do Reglone para soja voluntária (aplicação única, dois dias antes da semeadura), aplicada aos dois lados por equivalência de teor; em milho voluntário a bula pede 3,5 L/ha. A relação de troca usa a soja a R$ 119,76 por saca de 60 kg, mediana nacional de junho a agosto de 2026. Nenhum estado tem base suficiente para número próprio. Preço de nota não mede eficácia, formulação, adjuvante, disponibilidade nem assistência técnica. A ligação entre chuva irregular, repasse e número de passadas é leitura da Aegro, não recomendação de nenhuma fonte externa. Clima e manejo: Inmet com Inpe (boletim de agosto de 2026), Embrapa Soja (18/08/2026) e Imea (01/09/2026), usados só como contexto datado. Material informativo, não é recomendação agronômica.

