Índice
- Por Que o Algodão Cresce Tanto e Foge do Controle?
- O Que São e Como Funcionam os Reguladores de Crescimento?
- Quais Produtos Usar e a Hora Certa de Aplicar
- O Problema do “Rebrote” e as Pragas
- Desfolhante, Dessecante ou Maturador: Entenda a Diferença
- O Pulo do Gato na Aplicação dos Desfolhantes
- Aplicou, Colheu: Não Deixe o Algodão Esperando
- Glossário
- Como a tecnologia ajuda no controle do seu algodoeiro
- Perguntas Frequentes
- Por que o algodoeiro continua crescendo tanto em vez de focar apenas na produção das maçãs?
- Qual é a principal vantagem de parcelar a aplicação do regulador de crescimento?
- Existe algum momento em que a aplicação de reguladores de crescimento deve ser evitada?
- Qual a diferença entre o efeito de um desfolhante e um dessecante no algodão?
- Como o ’teste do canivete’ ajuda a identificar o momento certo da desfolha?
- Por que a temperatura noturna é tão importante para o sucesso do desfolhante?
- Qual o risco de demorar para colher após a queda das folhas?
- Artigos Relevantes
Aqui está o corpo do artigo, escrito especialmente para produtores como o Seu Antônio e a Dona Maria, focado na prática e no dia a dia da fazenda.
Por Que o Algodão Cresce Tanto e Foge do Controle?
Sabe aquela dor de cabeça quando o tempo ajuda, você caprichou no adubo, mas o algodoeiro dispara a crescer e fica alto demais? Isso acontece muito quando o solo é fértil ou quando a chuva vem na medida certa.
O problema é que o algodão, por natureza, é uma planta “teimosa”. A genética dele é de uma planta perene (que dura vários anos). Mesmo a gente plantando todo ano, os genes de crescimento indeterminado ainda estão lá.
Se a condição for boa — terra rica, adubo forte e espaçamento errado — ele entende que pode crescer à vontade. O resultado? Uma planta desengonçada, difícil de manejar e com menos foco em produzir o que paga a conta: a fibra.
Para segurar esse ímpeto da planta e manter a lavoura produtiva, a gente precisa usar o “freio de mão”: os reguladores de crescimento.
O Que São e Como Funcionam os Reguladores de Crescimento?
Você já viu lavoura que parece mato, cheia de folha e com pouca maçã que presta? O regulador serve justamente para evitar isso.
Esses produtos são compostos sintéticos que agem direto no metabolismo da planta. Falando o português claro: eles inibem a fabricação dos hormônios de crescimento (como as auxinas e giberelinas). Eles impedem que as células se alonguem demais.
O que você ganha com isso?
- Plantas mais compactas: Fica mais fácil para o trator passar aplicando defensivos.
- Mais luz: A luz do sol entra melhor no meio da lavoura, o que ajuda os frutos a abrirem mais rápido e por igual.
- Folhas mais verdes e grossas: A planta fica mais parruda.
- Melhor retenção de frutos: Segura mais as maçãs nos primeiros ramos, que são os que produzem mais.
- Peso: Aumenta o peso do capulho e das sementes.
Quais Produtos Usar e a Hora Certa de Aplicar
Uma dúvida que sempre aparece na roda de conversa: “Qual produto eu uso e qual a dose?”. No mercado, os principais registros que temos são à base de cloreto de mepiquat (o famoso Pix), cloreto de chloromequat (Tuval) e cloreto de clorocolina (Cycocel).
Mas o segredo não é só o produto, é o manejo.
A Regra de Ouro do Parcelamento
Não tente resolver tudo numa aplicação só. O ideal é dividir a dose recomendada em três ou quatro aplicações. Funciona muito melhor.
De Olho no Clima
Aplicar regulador em qualquer horário é jogar dinheiro fora. A temperatura ideal é entre 28°C e 30°C.
- Melhor horário: De manhã cedo ou no final da tarde.
- Por que? O vento é mais calmo e a umidade do ar está mais alta. A planta absorve o produto muito melhor.
O Problema do “Rebrote” e as Pragas
Depois que a gente colhe o milho, ele morre. O algodão não. Como falamos antes, ele é perene. Se tiver calor e umidade depois da produção, ele volta a soltar botão floral e estrutura frutífera.
Isso é péssimo para o seu bolso. Essas novas estruturas não vão virar colheita, mas servem de “hotel e restaurante” para o bicudo-do-algodoeiro e a lagarta-rosada. Além de criar doenças.

Para limpar a área e garantir a qualidade da fibra na colheita, a gente precisa usar desfolhantes, maturadores ou dessecantes.
Desfolhante, Dessecante ou Maturador: Entenda a Diferença
Muita gente confunde, mas o efeito na lavoura é bem diferente. Vamos separar o joio do trigo:
- Desfolhantes (ex: thidiazuron, bromoxymil): Fazem a folha cair ainda verde. Eles criam uma “camada de abscisão” no talo da folha. A folha cai e a planta fica “pelada”, o que é ótimo para colher limpo. Demora de 7 a 15 dias para agir.
- Dessecantes: Eles secam a folha, mas ela não cai. A folha fica seca grudada no pé.
- O risco: Na hora da colheita, essa folha seca esfarela e suja a fibra, aumentando as impurezas.
- Maturadores (ex: Ethephon + Cyclanilide): Aceleram a abertura da maçã e também ajudam a derrubar a folha. É para uniformizar o final do ciclo.
O Pulo do Gato na Aplicação dos Desfolhantes
Você já aplicou desfolhante e achou que o produto veio “fraco”? O problema pode ter sido a temperatura.
O Teste do Canivete (Fundamental!)
Não aplique antes da hora, ou você perde peso e qualidade de fibra. O ponto certo é quando 60% dos frutos estão abertos.
Para ter certeza sobre as maçãs mais novas, faça o teste do canivete:
- Corte a maçã em cruz com um canivete afiado.
- Sentiu resistência ao corte? As sementes estão cheias?
- Não tem “gelatina” no meio?
- A casca da semente tem uma linha fina marrom?
Se a resposta for SIM para tudo, pode aplicar. A maçã está madura e não vai estragar com o produto.
Aplicou, Colheu: Não Deixe o Algodão Esperando
Depois de aplicar o desfolhante, a folha vai cair entre 7 e 15 dias. Assim que a desfolha acontecer, a colhedora tem que entrar.
Algodão pronto no campo, sem folha para proteger, está exposto a chuva, poeira e insetos. Se você tem uma área muito grande, não aplique em tudo de uma vez. Faça a aplicação escalonada, calculando certinho quantos hectares suas máquinas conseguem colher por dia.
Glossário
Crescimento Indeterminado: Característica botânica onde a planta continua a produzir novos ramos, folhas e flores simultaneamente, sem interromper o crescimento para amadurecer. No algodão, exige o uso de reguladores para que a planta foque a energia na produção de fibras e não apenas em altura.
Reguladores de Crescimento: Compostos sintéticos que interferem no metabolismo da planta para reduzir o alongamento das células e o porte da lavoura. São essenciais para equilibrar o desenvolvimento vegetativo com a produtividade, facilitando o manejo e a colheita.

Cloreto de Mepiquat: Principal ingrediente ativo utilizado na cotonicultura brasileira para controlar o vigor da planta através da inibição de hormônios como a giberelina. É o componente de produtos populares que ajudam a manter o algodoeiro mais compacto e produtivo.
Estresse Hídrico: Condição de deficiência de água no solo que compromete as funções vitais da planta e sua capacidade de absorver nutrientes. Plantas sob esse estresse não devem receber reguladores ou desfolhantes, pois a resposta fisiológica será ineficiente ou prejudicial.
Camada de Abscisão: Região celular na base do pecíolo (talo) da folha que se rompe por ação química ou natural, provocando a queda da folha. A formação dessa camada é o objetivo principal dos desfolhantes para garantir uma colheita mecanizada sem impurezas.
Fase de Cut-out: Estágio fisiológico do algodoeiro que sinaliza o fim da produção de novos botões florais, quando a planta direciona toda a energia para encher as maçãs já formadas. É o marcador técnico utilizado para planejar o encerramento do ciclo e a aplicação de desfolhantes.
Bicudo-do-algodoeiro: Considerada a principal praga da cultura no Brasil, é um besouro que ataca os botões florais e as maçãs do algodão. O manejo do crescimento e a destruição de restos culturais são vitais para impedir que o inseto encontre abrigo e alimento após a colheita.
Como a tecnologia ajuda no controle do seu algodoeiro
Manter o controle de tantas entradas no campo e acertar o timing de cada aplicação exige uma organização impecável, especialmente quando lidamos com o parcelamento dos reguladores. O Aegro facilita esse planejamento, permitindo que você agende as aplicações e registre tudo pelo celular diretamente do talhão, garantindo que o cronograma seja seguido à risca para evitar que a planta passe do ponto.
Além disso, para que o escalonamento da colheita funcione e as máquinas não fiquem paradas ou sobrecarregadas, uma gestão operacional eficiente é fundamental. Com o Aegro, você visualiza o cronograma de colheita integrado ao histórico de desfolha, otimizando o uso do maquinário e protegendo a qualidade da sua fibra contra chuvas e pragas de final de ciclo.
Vamos lá?
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Perguntas Frequentes
Por que o algodoeiro continua crescendo tanto em vez de focar apenas na produção das maçãs?
O algodão possui uma genética de planta perene e crescimento indeterminado, o que significa que, se encontrar condições favoráveis como solo fértil e chuvas, ele continuará investindo em galhos e folhas indefinidamente. O uso de reguladores de crescimento é essencial para interromper esse instinto natural, forçando a planta a redirecionar sua energia e nutrientes para o desenvolvimento e peso das fibras.
Qual é a principal vantagem de parcelar a aplicação do regulador de crescimento?
O parcelamento, geralmente feito em três ou quatro aplicações, permite um controle muito mais preciso sobre o porte da planta durante todo o ciclo. Em vez de dar um único choque no metabolismo, o produtor ajusta o freio de crescimento conforme o comportamento do clima e da lavoura, garantindo plantas mais compactas, melhor entrada de luz e uma colheita mais uniforme.
Existe algum momento em que a aplicação de reguladores de crescimento deve ser evitada?
Sim, você nunca deve aplicar reguladores se a planta estiver sob estresse hídrico (seca), deficiência nutricional grave ou forte ataque de pragas. Como o produto atua travando o crescimento celular, aplicá-lo em uma planta que já está sofrendo pode causar um travamento excessivo e irreversível, prejudicando seriamente a produtividade final.
Qual a diferença entre o efeito de um desfolhante e um dessecante no algodão?
O desfolhante atua criando uma camada de separação que faz a folha cair ainda verde, deixando a fibra limpa para a colhedora. Já o dessecante apenas seca a folha, mantendo-a presa à planta; o grande risco aqui é que essa folha seca esfarela durante a colheita mecânica, misturando-se à fibra e aumentando o nível de impurezas, o que reduz o valor comercial do fardo.
Como o ’teste do canivete’ ajuda a identificar o momento certo da desfolha?
Esse teste serve para verificar se as maçãs mais jovens já estão maduras o suficiente para não perderem peso com a queda das folhas. Ao cortar a maçã em cruz, se você sentir resistência, notar que as sementes estão firmes (sem aspecto gelatinoso) e observar uma linha marrom na casca da semente, significa que o fruto está pronto e a aplicação do desfolhante pode ser feita com segurança.
Por que a temperatura noturna é tão importante para o sucesso do desfolhante?
A eficácia dos desfolhantes químicos depende diretamente do metabolismo da planta, que é influenciado pela temperatura. Se as noites estiverem abaixo de 16°C, a planta ‘dorme’ e não absorve o produto corretamente; por outro lado, temperaturas noturnas acima de 20°C podem dobrar a velocidade da desfolha, garantindo que o campo esteja limpo e pronto para a colheita no tempo esperado.
Qual o risco de demorar para colher após a queda das folhas?
Após a desfolha, o algodão fica totalmente exposto e sem a proteção natural das folhas contra o sol forte, poeira e chuvas. Se a colheita não for imediata (idealmente entre 7 e 15 dias após a aplicação), a fibra começa a perder qualidade, cor e resistência, além de ficar mais vulnerável ao ataque de pragas de final de ciclo como o bicudo.
Artigos Relevantes
- Regulador de Crescimento no Algodão: Guia Completo para Máxima Produtividade: Este artigo funciona como um aprofundamento técnico direto do texto principal, detalhando dosagens específicas e critérios de parcelamento do cloreto de mepiquat. Ele oferece o embasamento científico necessário para o produtor que deseja passar da compreensão teórica para a execução precisa do manejo de crescimento.
- Destruição da Soqueira do Algodão: Guia de Manejo Químico e Mecânico: Conecta-se diretamente à seção sobre ‘rebrote’ e controle de pragas do artigo principal, focando na destruição da soqueira. É um complemento vital para entender como encerrar o ciclo da cultura de forma a prevenir o ‘hotel de bicudos’ mencionado no texto, garantindo o vazio sanitário.
- Qualidade da Fibra de Algodão: O Guia Completo para Valorizar sua Produção: Enquanto o artigo principal foca no ‘como’ usar reguladores para focar na fibra, este artigo explica o ‘o que’ constitui essa qualidade (micronaire, resistência). Ele ajuda o produtor a entender os parâmetros comerciais que serão valorizados caso ele utilize corretamente os reguladores e desfolhantes descritos.
- Colheita de Algodão: Como Evitar Perdas e Maximizar Qualidade da Fibra: Este artigo expande a recomendação final do texto principal sobre a urgência da colheita após a desfolha. Ele detalha as regulagens das máquinas e como evitar perdas qualitativas na fibra, fechando o ciclo operacional que começa com a aplicação dos reguladores de crescimento.
- Armazenamento do Algodão: Como Preservar Qualidade da Fibra e Semente: Completa a jornada do conhecimento ao abordar o pós-colheita, garantindo que o esforço feito no campo com reguladores e desfolhantes não seja perdido por má estocagem. Adiciona valor prático ao ensinar como preservar a integridade da fibra e da semente após a saída do talhão.

![Imagem de destaque do artigo: Regulador de Crescimento no Algodão: Guia Prático [2025]](/images/blog/geradas/regulador-crescimento-algodao-producao-fibra.webp)