Reguladores de Crescimento na Pereira: Guia Prático [2025]

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Índice

Aqui está o corpo principal do artigo, focado na realidade do produtor brasileiro e com base estrita nos dados técnicos fornecidos.


O Que São Esses Tais “Reguladores de Crescimento”?

Você já deve ter ouvido falar que hormônio manda em tudo no corpo humano, certo? Na planta não é diferente.

Imagine que a pereira tem um “acelerador” e um “freio”. Os reguladores de crescimento são substâncias (naturais ou sintéticas) que a gente aplica para pisar nesse acelerador ou nesse freio. Eles agem em quantidades muito pequenas, mas fazem uma diferença enorme.

Basicamente, eles são divididos em cinco grupos. Não precisa decorar os nomes científicos, mas é bom saber quem é quem no time:

  • Auxinas, Citocininas e Giberelinas: Geralmente pisam no acelerador (crescimento, tamanho de fruto).
  • Ácido Abscísico e Etileno: Geralmente pisam no freio ou ajudam na maturação.

⚠️ O Grande Alerta: O Que Diz a Lei (E a Bula)

Antes de falarmos de doses e produtos, precisamos ter uma conversa séria de porteira.

No Brasil, hoje, não existem reguladores de crescimento registrados especificamente para pereira no Ministério da Agricultura.

“Ah, mas meu vizinho usa…”

Pois é. Mas o uso de produtos registrados para outras culturas (como maçã ou uva) na pereira é o que chamamos de “uso off-label” (fora da bula). Isso é responsabilidade técnica séria.

O que vamos mostrar aqui são resultados de testes e experimentos feitos no campo. Alguns produtos funcionaram muito bem nos testes, como a cianamida hidrogenada, o thidiazuron, a proexadiona de cálcio e o ácido giberélico.


Checklist: Devo Aplicar ou Não? (Tomada de Decisão)

Muita gente gasta dinheiro com produto sem precisar. Para saber se você realmente precisa de um regulador, olhe para sua lavoura e responda:

  1. Vigor Exagerado: Seus ramos crescem tanto que fazem sombra e a fruta não vinga?
  2. Queda de Frutos: O chão fica forrado de frutinha jovem ou de fruta quase madura?
  3. Tamanho: Suas peras estão ficando pequenas demais para o mercado?
  4. Clima: Deu geada na floração e queimou tudo?

Se você respondeu SIM para alguma dessas perguntas, o regulador pode ser a solução técnica. Se a planta está equilibrada, “time que está ganhando não se mexe”.


Clima e Aplicação: Não Jogue Dinheiro Fora

Seu João, produtor experiente, perdeu uma aplicação inteira ano passado porque não olhou a previsão do tempo. O produto evaporou antes de fazer efeito.

Para o regulador funcionar, a planta tem que “beber” o produto. E ela só faz isso se estiver confortável.

As 4 Regras de Ouro da Aplicação:

  1. Temperatura: O ideal é entre 15°C e 25°C. Se estiver muito quente, a planta “fecha a boca” (os estômatos) e não absorve nada. Evite as horas de sol forte.
  2. Chuva: Se chover acima de 30 mm até 4 horas depois de aplicar, perdeu o serviço.
    • O que fazer: Nos testes, a recomendação foi reaplicar com a dose reduzida em 50%.
  3. Vento: Vento forte leva o dinheiro (e o produto) para o vizinho. Só aplique com vento calmo para evitar deriva.
  4. Água do Tanque (pH): A água tem que ser levemente ácida, com pH perto de 6,5. Se a sua água for alcalina (pH acima de 7), você precisa corrigir antes de misturar o produto.

Como Segurar o Vigor da Planta (Proexadiona de Cálcio)

Sabe aquela pereira que só quer saber de “ganhar madeira” e esquece de dar fruta? O excesso de ramo rouba comida do fruto e faz sombra, atrapalhando a próxima florada. Além disso, podar árvore gigante custa caro.

Nos testes de campo, a proexadiona de cálcio funcionou bem para “acalmar” a planta.

  • A dose testada: Entre 500 g e 600 g por hectare (baseado em volume de calda de 1.000 L/ha).
  • Quando aplicar: Desde a plena floração até quando os ramos novos tiverem uns 10 a 15 cm.
  • O Pulo do Gato: O efeito dura uns 30 dias. Depois disso, a planta volta a crescer.
    • Estratégia: Você pode parcelar a dose. Aplica a primeira parte na florada e a segunda 30 dias depois.

Mais Fruta no Pé e Calibre Maior

Aqui o objetivo é fazer a fruta “pegar” (vingamento) e crescer bem (calibre).

1. Para a fruta “vingar”

Produtos como thidiazuron e proexadiona de cálcio mostraram bons resultados para aumentar a frutificação efetiva.

2. Para a fruta crescer (e evitar “casca grossa”)

O mercado paga melhor pela fruta graúda e lisa. Para isso, a mistura de ácido giberélico + benziladenina é a mais famosa. Ela estimula a divisão das células.

  • Como foi feito nos testes: 4 aplicações seguidas.
  • O momento exato:
    1. Quando 50% das flores abrirem.
    2. Na plena floração.
    3. Na queda das pétalas.
    4. 7 dias depois da queda das pétalas.
  • Dose experimental: 0,5 L a 0,75 L por hectare (volume de calda de 1.000 L/ha).

Cuidado: Nessa época, dependendo da concentração, o produto pode acabar raleando (derrubando) fruta. Monitore de perto.

3. Salvação pós-geada

Deu geada na florada? O frio matou a semente (embrião), mas talvez dê para salvar a polpa. A aplicação de ácido giberélico imediatamente após a geada pode induzir o fruto a crescer sem semente (fruto partenocárpico). É uma medida de emergência.


Evitando a Queda na Colheita

Nada dói mais no bolso do que ver a pera madura caindo no chão dias antes da colheita. Para segurar a fruta no cabinho, temos duas opções principais testadas:

Opção A: Ácido Naftalenoacético (ANA)

  • Como age: Segura a fruta rápido, mas por pouco tempo.
  • Dose testada: 20 ppm (partes por milhão).
  • Quando: Assim que você notar as primeiras frutas caindo no chão.
  • Duração: O efeito passa rápido, cerca de 10 dias. Pode precisar reaplicar.

Opção B: Cloridrato de Aviglicina

  • Como age: Segura a fruta e atrasa o amadurecimento.
  • Dose testada: 400 g a 800 g por hectare.
  • Quando: De 7 a 30 dias antes da data prevista para colheita.
  • Vantagem: O efeito dura mais, até 30 dias.

Glossário

Uso Off-label: Prática de utilizar um produto defensivo ou regulador em uma cultura para a qual ele não possui registro oficial na bula. No Brasil, essa utilização é de inteira responsabilidade técnica do profissional que a prescreve e do produtor rural.

AGROFIT: Banco de dados oficial do Ministério da Agricultura (MAPA) que permite consultar quais produtos químicos e biológicos estão legalmente registrados para cada cultura. É a ferramenta essencial para verificar a regularidade de insumos antes da aplicação.

Estômatos: Pequenas aberturas nas folhas das plantas responsáveis pelas trocas gasosas e absorção de produtos foliares. Em condições de estresse térmico ou falta de umidade, eles se fecham, impedindo que a planta absorva o regulador de crescimento aplicado.

Deriva: Desvio das gotas de pulverização que não atingem o alvo desejado devido à ação do vento ou evaporação rápida. A deriva causa desperdício de insumos, redução da eficácia do tratamento e riscos de contaminação para áreas vizinhas.

Vingamento (Frutificação Efetiva): Processo que define a porcentagem de flores que se transformam em frutos e permanecem no pé sem cair precocemente. É um indicador crucial da produtividade final de um pomar de clima temperado.

Fruto Partenocárpico: Fruto que se desenvolve sem a necessidade de polinização ou fecundação, resultando em uma fruta sem sementes. Na cultura da pereira, o uso de hormônios pode induzir esse processo para salvar a produção após geadas severas.

Receituário Agronômico: Documento legal obrigatório emitido por um engenheiro agrônomo que autoriza a compra e a aplicação de agrotóxicos e reguladores. Ele estabelece as orientações técnicas de dosagem, época e cuidados de segurança para o aplicador e para o ambiente.

PPM (Partes por Milhão): Unidade de medida de concentração utilizada para substâncias muito ativas que agem em doses minúsculas. Indica a quantidade de gramas do ingrediente ativo diluído em um milhão de mililitros (mil litros) de água.

Como a tecnologia auxilia no manejo de reguladores e na gestão da safra

Manejar reguladores de crescimento exige precisão técnica e um controle rigoroso de custos e prazos. Para garantir que essa responsabilidade seja cumprida sem riscos, o uso de um software de gestão como o Aegro ajuda a organizar o planejamento das atividades no campo e a centralizar o controle financeiro, evitando desperdícios com insumos ou aplicações fora do tempo ideal. Com o registro das operações diretamente pelo celular, você acompanha o uso de produtos em tempo real e garante que o histórico da lavoura esteja sempre organizado para consultas técnicas e fiscais, facilitando a emissão de documentos e o controle do Livro Caixa.

Além disso, ao monitorar o desempenho de cada talhão, o gestor consegue identificar onde o investimento em reguladores trouxe o melhor retorno em calibre e produtividade. Essa visão clara dos dados permite que sucessores e gerentes tomem decisões mais seguras, modernizando a propriedade sem perder o foco na economia e na eficiência operacional.

Vamos lá?

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Perguntas Frequentes

O uso de reguladores de crescimento em pereiras é permitido por lei no Brasil?

Atualmente, não existem reguladores de crescimento registrados especificamente para a cultura da pereira no Ministério da Agricultura. O uso é considerado ‘off-label’, baseado em resultados de experimentos com outras culturas, e deve ser feito sob total responsabilidade técnica, sendo indispensável a consulta ao AGROFIT e a orientação de um agrônomo.

Quais são as condições climáticas ideais para garantir a eficácia da aplicação?

A planta absorve melhor o produto com temperaturas entre 15°C e 25°C e umidade adequada. É fundamental evitar ventos fortes para impedir a deriva e observar a previsão de chuva: se chover mais de 30 mm em até 4 horas após a aplicação, a eficácia é comprometida, podendo ser necessária a reaplicação de metade da dose.

Como saber se minha lavoura realmente precisa de reguladores de crescimento?

A decisão deve ser baseada na observação de problemas específicos: vigor excessivo dos ramos que sombreiam os frutos, queda acentuada de frutas jovens, calibre abaixo do padrão de mercado ou ocorrência de geadas na floração. Se a planta estiver equilibrada e produtiva, a recomendação técnica é não interferir no seu ciclo natural.

É possível salvar a produção após uma geada durante a floração?

Sim, em casos de emergência, a aplicação imediata de ácido giberélico logo após a geada pode salvar a safra. O produto estimula o desenvolvimento do fruto mesmo sem a semente (que morre no frio), gerando o que chamamos de frutos partenocárpicos, garantindo que o produtor não perca toda a polpa da fruta.

Qual a diferença prática entre o uso de ANA e Aviglicina para evitar a queda de frutos?

O Ácido Naftalenoacético (ANA) age rapidamente mas por pouco tempo (cerca de 10 dias), sendo ideal para conter quedas imediatas. Já a Aviglicina tem efeito prolongado de até 30 dias e atrasa o amadurecimento, o que permite escalonar a colheita e ajuda a fruta a ganhar mais tamanho e tempo de prateleira.

Por que o pH da água utilizada na calda é tão importante?

A maioria dos reguladores de crescimento exige uma água levemente ácida, com pH em torno de 6,5, para ser absorvida corretamente pela planta. Águas alcalinas (pH acima de 7) podem inativar o princípio ativo do produto, resultando em perda de dinheiro e falta de efeito no pomar.

Como a tecnologia pode auxiliar no manejo desses reguladores?

Softwares de gestão agrícola permitem registrar com precisão as datas de aplicação, doses utilizadas e condições climáticas de cada talhão. Isso ajuda o produtor a identificar quais tratamentos trouxeram o melhor retorno financeiro em calibre e produtividade, além de facilitar o controle de custos e o cumprimento de exigências técnicas e fiscais.

Artigos Relevantes

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