O dólar caiu quase 6% em doze meses. O fertilizante importado deveria ter seguido. Não seguiu. Na mediana nacional das notas fiscais que passam pelo Aegro, o Superfosfato Simples está 27,4% mais caro em relação de troca em relação ao ano passado, o TSP subiu 15,2% no semestre e o MAP acumula 7,3% no ano. Quem está fechando P e K para a 26/27 está entregando mais sacas de soja pela mesma tonelada de fosfatado, na melhor janela cambial dos últimos doze meses.
Esta análise usa a mediana dos preços de compra de insumos (últimos 30 dias) e de venda de soja (últimos 14 dias) registrados pelos usuários Aegro via NF-e. É o preço real de quem comprou, não estimativa de mercado. Cobrimos SSP, TSP, MAP e KCl — e colocamos cada valor em sacas de soja, a unidade que torna a relação de troca comparável entre safras, regiões e anos.
Nota metodológica: o preço de insumo considera o valor da NF-e de compra; quando o frete é discriminado na nota, ele é incluído. Impostos refletem a operação real de cada comprador. Condições de pagamento (à vista ou a prazo) não são filtradas e espelham o mix de compras do período. O volume de observações por produto e região não é publicado nesta análise — amostras menores podem apresentar maior variabilidade. A cobertura é nacional; medianas regionais podem diferir de forma relevante da mediana aqui apresentada.
Boa leitura!
Índice
- A conta que o dólar em queda não explica
- O que a relação de troca está dizendo agora
- O câmbio deveria ter te protegido. Não protegeu, e já está virando.
- Não trate adubação como bloco único
- Faça a conta antes de fechar a 26/27
A conta que o dólar em queda não explica
Pare por um segundo e pense na última cotação de adubo que você recebeu.
Em 12 meses, o dólar caiu 5,67%: a PTAX de venda saiu de R$ 5,46 em 07/07/2025 para R$ 5,15 no pregão de 07/07/2026 (fonte BCB). Cerca de 85% do fertilizante consumido no Brasil é importado (ANDA). Ou seja: a moeda que dita o preço do seu insumo ficou mais barata.
E mesmo assim o adubo subiu.
No comparativo anual, o Superfosfato Simples ficou 27,4% mais caro em relação de troca: de 15,7 para 20,0 sacas de soja por tonelada. No comparativo semestral, o TSP subiu 15,2% (de 34,3 para 39,5 sc/t) e o MAP avançou 6,8% (de 41,3 para 44,1 sc/t). No ano, o MAP acumula 7,3%. Três insumos, três janelas diferentes, o mesmo recado: você está entregando mais sacas de soja pela mesma tonelada de fosfatado. E o câmbio, que deveria ter jogado a seu favor, não segurou nada.
O que a relação de troca está dizendo agora
Na mediana nacional das notas fiscais que passam pela Aegro (insumo nos últimos 30 dias, soja nos últimos 14):
- SSP: 20,0 sc/t. Insumo a R$ 2.380/t, soja a R$ 118,95/sc60.
- TSP: 39,5 sc/t. Insumo a R$ 4.702/t.
- MAP: 44,1 sc/t. Insumo a R$ 5.250/t.
- KCl: 23,4 sc/t. Insumo a R$ 2.785/t.
Repare que a soja quase não se mexeu: R$ 118,80/sc60 há um ano, R$ 113,30 em janeiro, R$ 118,95 agora. Não é o grão que está apertando a sua conta. É o insumo. A piora da relação de troca é quase toda do lado do adubo, e é aí que mora o argumento.
O câmbio deveria ter te protegido. Não protegeu, e já está virando.
Aqui está o ponto que muda a leitura. Quando um insumo importado encarece junto com o dólar, a explicação é fácil: o real desvalorizou, o dolarizado subiu, fim. Não é o caso agora.
Olhando de ponta a ponta, o dólar está mais fraco: caiu 3,60% em seis meses (média de janeiro/2026 em R$ 5,34 contra R$ 5,15 hoje) e 5,67% em doze (de R$ 5,46 em 07/07/2025 para R$ 5,15 em 07/07/2026). O SSP, o TSP e o MAP subiram em reais apesar disso. Com um real mais forte, o preço do importado deveria ter cedido. Não cedeu. A explicação está fora do câmbio, e ela tem nome.
O mercado internacional de fosfatado já vinha apertado desde 2025: a China segurando exportação para abastecer o próprio mercado, a Índia estocando, e o DAP importado (FOB) subindo 20,7% no ano até setembro de 2025. Em 2026 o quadro piorou de vez. A guerra EUA-Israel-Irã fechou na prática o Estreito de Ormuz, rota de quase metade do enxofre transportado por via marítima no mundo, matéria-prima direta do fosfatado. Sem enxofre a preço viável, a Mosaic chegou a parar cerca de 1 milhão de toneladas de produção de fosfato aqui no Brasil (InvestNews), e o DAP subiu cerca de 12% só no primeiro trimestre (Investing News Network). O acordo de 15 de junho ainda não havia se traduzido em embarques quando esta análise foi fechada: o monitor de comércio da OMC de 10/07/2026 registrava embarques de fertilizantes pelo Estreito de Ormuz ainda próximos de zero. O alívio logístico relevante, se se confirmar, é esperado a partir de agosto de 2026.
Ou seja: o câmbio não é a explicação. A raiz do aperto está na oferta internacional, e ela ainda estava ativa quando você recebeu a cotação.
Mas esse “dólar mais fraco” de ponta a ponta esconde uma curva em V, e é aqui que a conta fica urgente. O real não ficou parado num patamar baixo à sua espera. O dólar despencou até R$ 4,90 em 11/05/2026 (a mínima do período, 8,26% abaixo da média de janeiro, mais que o dobro da queda que o número de doze meses mostra) e ficou cerca de um mês abaixo de R$ 5,00 (de 14/04 a 14/05). Foi a melhor janela de câmbio em 12 meses para quem compra insumo dolarizado. E o adubo subiu mesmo assim. Desde aquela mínima, o dólar já subiu 5,07% em cerca de oito semanas (perto de 0,62% por semana) e voltou a R$ 5,15. Quem esperava “o câmbio ajudar” perdeu o fundo de maio, e cada semana de espera agora corre contra o custo, não a favor.
E não é projeção: no próprio mês em que estes preços de adubo foram medidos (08/06 a 07/07), o dólar já não estava caindo. Oscilava de lado, com viés de alta. O alívio cambial que segurou parte da alta não é mais o que está na mesa. A janela do real forte está se fechando, não se abrindo.
Quem está adiando a compra à espera de “o preço melhorar” está, na prática, fazendo duas apostas ao mesmo tempo: que o preço internacional do fosfatado vai ceder E que o real vai voltar a se fortalecer. A primeira depende de geopolítica: o alívio de preço vem depois do alívio logístico, que os embarques do Estreito de Ormuz só devem recuperar de forma relevante a partir de agosto. A segunda já está andando na direção contrária: o dólar sobe há oito semanas. Se essa retomada continuar sobre um preço internacional ainda represado por oferta apertada, a relação de troca não piora um pouco: piora em dobro. O câmbio baixo que segurava parte do custo já está indo embora.
Não trate adubação como bloco único
O aperto não é uniforme, e essa é a boa notícia dentro da conta. Enquanto SSP e TSP puxaram a piora, o KCl foi na direção oposta: caiu 4,4% em relação de troca no semestre, de 24,5 para 23,4 sc/t. É o único dos quatro que ficou mais barato em sacas.
Ou seja: a decisão de compra pede segregação por insumo, não uma canetada única sobre “fertilizante”. O timing do KCl não é o mesmo do fosfatado.
A conta que importa é a sua: pegue a cotação de P e K que você tem na mão, converta em sacas de soja e compare com o que você pagava há seis meses. Se o número subiu justamente na melhor janela de câmbio em 12 meses, a pergunta não é “quando o preço melhora”: é “quanto risco eu carrego se ele piorar”. Essa conta não se terceiriza: faça antes de assinar o pedido da 26/27.
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VAMOS LÁ?
A relação de troca desta análise é a mediana nacional. A conta que decide o seu pedido é a da sua região, e ela só aparece quando você compara nota contra nota. É isso que o Compare Preços faz dentro do Aegro: mostra o preço real de cada insumo por região, a partir das NF-e, para você chegar na mesa de negociação sabendo se a cotação que recebeu está acima ou abaixo do que o mercado à sua volta está pagando.
Aegro é a casa do dado de NF-e. Com o preço real por região na mão, você para de negociar no escuro e converte cada cotação de P e K em sacas de soja antes de fechar a 26/27.
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