A safrinha de milho 25/26 empatou com a 24/25, e o preço pagou a diferença
Na mediana das fazendas Aegro de sequeiro, o resultado a preço de mercado da 2ª safra de milho 25/26 foi de R$ 2.214/ha (41,1 sc/ha), contra R$ 2.025/ha (39,8 sc/ha) na 24/25. Os dois valores acima são medianas do nível de cada safra. Já a mediana da variação por fazenda, nas fazendas presentes nos dois anos, foi de +R$ 90/ha, com 53% melhorando e 47% piorando. É nesse corte que o empate se sustenta.
A safrinha colheu um pouco menos, gastou quase o mesmo, e o preço de venda mais alto fechou a conta. Foi bom no Paraná, que ganhou margem, e ruim em Goiás e em Minas Gerais, onde a chuva parou cedo e a produtividade caiu.
E daí? Daí que a margem da safrinha 25/26 dependeu mais do preço do que da lavoura. Quem ainda tem milho para vender tem parte do resultado em aberto, e quem vai comprar insumo para a 26/27 precisa olhar o custo desta semana, não só a mediana do ano passado.
Índice
- O Brasil em quatro números
- Melhor em quê: o preço
- Pior em quê: a produtividade e o insumo
- O ranking dos estados
- Por quê: a janela de plantio e a chuva
- O que fica para a 26/27
- O que o dado não diz
- Perguntas frequentes
- Vamos lá?
O Brasil em quatro números
Aqui, “Brasil” é a mediana das fazendas Aegro de sequeiro, a fazenda do meio da fila, e não a média nacional. “Nas mesmas fazendas” são as que aparecem nos dois anos, com a mediana da diferença de cada uma.
| Mediana das fazendas Aegro (sequeiro) | 2ª safra 24/25 | 2ª safra 25/26 | Nas mesmas fazendas |
|---|---|---|---|
| Produtividade | 111,1 sc/ha | 109,5 sc/ha | −5,0 sc/ha |
| COE sem arrendamento nem depreciação de máquinas | R$ 3.579/ha | R$ 3.682/ha | +0,9% |
| Defensivo | R$ 650/ha | R$ 707/ha | +9,6% |
| Semente | R$ 735/ha | R$ 786/ha | +3,2% |
| Fertilizante | R$ 1.210/ha | R$ 1.211/ha | +1,3% |
| Preço de venda jul–set (média simples de 6 estados) | R$ 53,74/sc | R$ 55,63/sc | +2,8% no preço recebido |
| Resultado a preço de mercado | R$ 2.025/ha · 39,8 sc/ha | R$ 2.214/ha · 41,1 sc/ha | +R$ 90/ha |
| Ponto de equilíbrio | 71,1 sc/ha | 70,8 sc/ha | −2,1 sc/ha |
| Lucratividade | 36,2% | 36,5% | 34,4% → 34,4% |
O resultado a preço de mercado é a produção da fazenda valorada pela referência de venda do seu estado, menos o COE. A referência é a mediana do preço das notas de venda de milho de cada estado, de julho a setembro. O custo é o COE lançado pela fazenda, sem arrendamento nem depreciação de máquinas.
O empate esconde dois lados. Na média ponderada pela área, que dá mais peso a quem tem mais hectares, o resultado caiu 11,6% (de R$ 2.251 para R$ 1.989/ha), quase tudo por Goiás, que pesa mais na área do que no número de fazendas. A Conab vê a mesma direção: produtividade 3,2% menor e a maior quebra em Goiás, de −28,1%. A fatia de fazendas no lucro também caiu um pouco, de 89,9% para 87,4%.
Melhor em quê: o preço
O que segurou a margem foi o preço. De julho a setembro, o indicador de Campinas do Cepea/B3 ficou 4,8% acima do mesmo trimestre de 2025, e a referência de venda das fazendas Aegro subiu 3,5% na média simples de MT, PR, GO, MS, MG e SP, de R$ 53,74 para R$ 55,63/sc. A alta foi de 2,1% em Minas Gerais a 5,3% em Mato Grosso e no Paraná. Mato Grosso do Sul ficou parado, em R$ 51,71/sc.
Esse preço não chegou igual para todo mundo. O resultado valora toda a produção pela referência de julho a setembro, o que não é o que cada fazenda recebeu: na fazenda mediana, só 54% da produção estava vendida no início de outubro, e a alta veio em agosto e setembro, depois das primeiras vendas. Quem vendeu antes tende a ter recebido menos; quem ainda tem milho tem parte do resultado em aberto.
Pior em quê: a produtividade e o insumo
A produtividade caiu pouco no país e bastante em dois estados. Em Goiás, a mediana foi de 121,0 para 95,0 sc/ha. Em Minas Gerais, de 116,7 para 107,6 sc/ha. Nas fazendas presentes nos dois anos, a queda nacional foi de 5,0 sc/ha, e só 44% colheram mais.
No custo, o total ficou estável, mas dois itens encareceram: o defensivo +9,6% (de R$ 650 para R$ 707/ha) e a semente +3,2% (de R$ 735 para R$ 786/ha). O fertilizante, maior item do COE, ficou parado, em R$ 1.211/ha.
O ranking dos estados
Pela mediana do resultado a preço de mercado, o Paraná lidera, seguido de Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Goiás. Minas Gerais e São Paulo não têm fazendas suficientes para medir resultado. Os estados são grupos menores que o nacional: leia como direção.
| Estado (medianas das fazendas Aegro) | Resultado a preço de mercado | Lucratividade | Ponto de equilíbrio | Produtividade | Preço de venda jul–set |
|---|---|---|---|---|---|
| 1º Paraná | R$ 2.996/ha · 51,2 sc/ha | 43,1% | 62,7 sc/ha | 114,1 sc/ha | R$ 58,50/sc |
| 2º Mato Grosso do Sul | R$ 2.275/ha · 44,0 sc/ha | 40,4% | 71,7 sc/ha | 109,3 sc/ha | R$ 51,71/sc |
| 3º Mato Grosso | R$ 1.926/ha · 40,7 sc/ha | 28,9% | 86,1 sc/ha | 125,9 sc/ha | R$ 47,33/sc |
| 4º Goiás | R$ 1.406/ha · 25,9 sc/ha | 29,9% | 70,8 sc/ha | 95,0 sc/ha | R$ 54,29/sc |
Paraná: colheu um pouco menos e ganhou na margem
O Paraná teve o melhor resultado entre os estados, com +R$ 167/ha nas fazendas presentes nos dois anos. Não foi a produtividade: essas fazendas colheram 7,3 sc/ha a menos, e a Conab registra −4,3% no estado, com grão ardido pela umidade. Foi o preço (+5,3% na referência de venda) e o custo (−2,5% no COE nas mesmas fazendas). Maio foi muito mais molhado: de 62 para 162 mm na mediana das fazendas Aegro do estado com pluviômetro, e o Simepar confirma.
Mato Grosso do Sul: todas as fazendas no lucro
Nas fazendas Aegro de MS, todas as que tiveram resultado medido fecharam no lucro a preço de mercado, com mediana de R$ 2.275/ha. A produtividade subiu 5,4 sc/ha nas fazendas presentes nos dois anos, na contramão da Conab (−1,4% no estado); o custo ficou estável (+2,0%) e o preço, parado, foi o único sem alta. Nessas fazendas, o resultado subiu R$ 443/ha.
Mato Grosso: colheu no alto, mas a margem apertou
Mato Grosso teve a maior produtividade entre os estados, 125,9 sc/ha, um patamar alto mantido, não uma alta. A margem foi a que mais apertou: o custo subiu mais que o preço, +8,5% no COE contra +5,3% na referência de venda. O ponto de equilíbrio mediano é o maior (86,1 sc/ha) e a lucratividade mediana, a menor (28,9%). Nas fazendas presentes nos dois anos, o resultado caiu R$ 408/ha.
Goiás: a quebra do ano
O resultado a preço de mercado caiu de R$ 2.307/ha (44,2 sc/ha) para R$ 1.406/ha (25,9 sc/ha) na mediana, e a fatia de fazendas no lucro, de 92% para 73%. O custo não explica (COE −4,8%), e o preço não salvou (+3,9% na referência de venda). O que mudou foi a chuva: nas fazendas Aegro de Goiás com pluviômetro, a última chuva de pelo menos 10 mm caiu, na mediana, em 08/04/2026, contra 28/04/2025, e de 16/04 a 31/05 a mediana foi de 0 mm, contra 72 mm. A Conab soma o plantio fora da janela: o fevereiro chuvoso atrasou a soja.
Minas Gerais e São Paulo: direção, sem margem medida
Em Minas Gerais, a mediana de abril e maio caiu de 121 para 44 mm, e a última chuva relevante veio em 10/04/2026, contra 25/04/2025. A Conab vê −4,7% no estado, com plantio fora da janela, investimento menor e mais doença de final de ciclo. Em São Paulo, a produtividade subiu de 100,9 para 104,4 sc/ha, com maio molhado (de 15 para 68 mm) ajudando o milho plantado mais tarde. Nenhum dos dois tem fazendas suficientes para medir resultado.
Por quê: a janela de plantio e a chuva
Janela de plantio: o degrau de fevereiro
Dentro de uma mesma safra, a data de plantio separa quem colhe mais de quem colhe menos. Na 2ª safra 25/26, quem semeou até 15/02 colheu mediana de 116,3 sc/ha; quem semeou depois, 100,7 sc/ha, 15,6 sc/ha a menos. O degrau está na segunda quinzena de fevereiro: a mediana caiu de 111,9 sc/ha no plantio de 1 a 15/02 para 102,2 sc/ha no de 16 a 28/02. Na 24/25 o mesmo degrau apareceu, e a diferença foi ainda maior: 24,7 sc/ha.
Em 25/26, mais fazendas ficaram do lado de baixo: a fatia que semeou depois de 15/02 subiu de 20% para 31%. Mas isso não explica a queda contra a 24/25: as fazendas que plantaram até 15/02 nos dois anos também colheram 7,2 sc/ha a menos na mediana, quase o mesmo que as que passaram a plantar depois (−8,2 sc/ha).
Chuva: o país foi dois
Nas fazendas Aegro com milho safrinha colhido e pluviômetro, a mediana de chuva de fevereiro a maio foi maior em 2026 (496 mm contra 406 mm), e a de abril e maio ficou parecida (164 contra 156 mm). A diferença foi de calendário: em 23% das fazendas, a última chuva de pelo menos 10 mm entre março e maio caiu até 15/04, contra 7% em 2025. Por estado, Goiás e Minas secaram no começo de abril, e Paraná e São Paulo tiveram maio molhado. A produtividade caiu justamente onde a chuva parou primeiro.
O que fica para a 26/27
A primeira lição é que quem segurou a margem foi o preço, não a produtividade. A fazenda típica empatou porque a referência de venda subiu 3,5% na média dos seis estados, de estável no MS a +5,3% no MT e no PR, com produtividade um pouco menor e o defensivo cerca de 9% mais caro. Margem que depende de preço precisa de gestão de venda: na fazenda mediana, quase metade da produção ainda estava sem venda no início de outubro.
A segunda é que o fator que se repetiu nas duas safras é a janela: semear até 15/02 rendeu de 15 a 25 sc/ha a mais que semear depois. Com ponto de equilíbrio perto de 71 sc/ha e resultado mediano de 41,1 sc/ha, essa diferença é boa parte do lucro da safrinha. A soja que entra agora define quando o milho de 26/27 poderá ser semeado: é decisão de margem, não só de calendário.
O que o dado não diz
Cinco limites para ler os números do jeito certo:
- “Empate” vale para a mediana. Na média ponderada pela área, o resultado caiu 11,6%, puxado por Goiás. Não dá para dizer que a margem foi maior.
- O resultado a preço de mercado não é o que cada fazenda recebeu. Só 54% da produção estava vendida no início de outubro.
- O custo não inclui arrendamento nem depreciação de máquinas. Por isso fica de 11% a 19% abaixo dos custos orçados por Imea, Aprosoja/MS e Conab. Não compare o nível com eles.
- A janela de plantio explica a diferença dentro de cada safra, não a queda de um ano para o outro.
- A chuva vem do pluviômetro lançado pelo produtor. Serve para comparar um ano com o outro, não para dar o nível de chuva.
Perguntas frequentes
A safrinha de milho 25/26 deu mais ou menos resultado que a 24/25?
Empatou na fazenda mediana: R$ 2.214/ha (41,1 sc/ha) contra R$ 2.025/ha (39,8 sc/ha). Nas mesmas fazendas, a diferença mediana foi de +R$ 90/ha. Na média ponderada pela área, o resultado caiu 11,6%, puxado por Goiás.
O que segurou a margem da safrinha 25/26?
O preço. De julho a setembro, o indicador Campinas do Cepea/B3 ficou 4,8% acima do mesmo trimestre de 2025, e a referência de venda das fazendas Aegro subiu 3,5% na média de seis estados.
Qual estado foi melhor e qual foi pior?
O Paraná liderou, com R$ 2.996/ha de resultado mediano. Goiás foi o pior entre os medidos: o resultado caiu de R$ 2.307/ha para R$ 1.406/ha, com a chuva parando cedo.
Quanto a data de plantio muda a produtividade?
Na 25/26, quem semeou até 15/02 colheu mediana de 116,3 sc/ha, contra 100,7 sc/ha de quem semeou depois, 15,6 sc/ha a menos.
Vamos lá?
Mediana de safra fechada é régua, não cotação. O balanço mostra que a safrinha 25/26 empatou na fazenda típica, mas quem vai comprar defensivo e semente para a 26/27 precisa do preço desta semana, do seu fornecedor, na sua região.
É para isso que existe o Compare Preços, e ele é gratuito. Veja quanto os defensivos estão custando na sua região agora, direto da nota fiscal, compare com a mediana de mercado e acompanhe o histórico mês a mês para decidir quando comprar. Acesse compare.aegro.com.br.
Leve os valores para a conversa com a revenda e com o seu agrônomo. A escolha do produto e da dose é decisão agronômica da sua área; o preço é a parte que você não precisa pagar sem saber.
Nota de método. Os números vêm da base de safras e da base de vendas de grão do Compare Preços, da Aegro, em medianas das fazendas Aegro de sequeiro. A 2ª safra 24/25 considera plantio de 16/12/2024 a 31/03/2025 e colheita até 31/10/2025; a 25/26, plantio de 16/12/2025 a 31/03/2026 e colheita até 02/10/2026, descontados os extremos isolados de cada ponta. As notas de venda de milho são de julho a setembro de 2025 e de 2026. A chuva vem do pluviômetro das fazendas Aegro, lançado pelo produtor (no Brasil, as fazendas com milho safrinha de sequeiro colhido; por estado, todas as fazendas com pluviômetro). Apuração de 06/10/2026; chuva reapurada em 07/10/2026. “Brasil” é a mediana das fazendas Aegro, não a média nacional: a base tem proporcionalmente mais fazendas no Paraná, em Goiás, em São Paulo e em Minas Gerais, e menos em Mato Grosso. Cada número usa as fazendas que têm aquele dado lançado; por estado, os grupos são menores e indicam direção. Fontes externas: Conab, 12º Levantamento da safra 25/26 (15/09/2026); Cepea/B3, indicador do milho Campinas (R$ 67,16/sc em julho a setembro de 2026, +4,8% sobre o mesmo trimestre de 2025); Simepar (02/06/2026); Cemtec (20/05/2025). Material informativo, não é recomendação agronômica.

