Índice
- A Pressa na Semeadura é Inimiga da Produtividade?
- Você Sabe Quanto Trigo Está Ficando no Chão?
- Secagem: Como Tirar a Água Sem “Cozinhar” o Grão?
- O Inimigo Invisível no Armazenamento
- Glossário
- Como o Aegro auxilia na gestão técnica e financeira da sua safra
- Perguntas Frequentes
- Por que a velocidade de semeadura do trigo não deve ultrapassar os 8 km/h?
- Em quais situações as hastes sulcadoras (botinhas) devem ser evitadas?
- Como realizar o teste do retângulo para medir as perdas reais na colheita?
- Quais são os riscos de colher o trigo com umidade abaixo de 13%?
- Como a técnica de seca-aeração ajuda a economizar recursos no pós-colheita?
- Qual é a temperatura ideal para evitar a proliferação de pragas no armazenamento?
- Quais os cuidados essenciais para que o expurgo com fosfina seja eficaz?
- Artigos Relevantes
A Pressa na Semeadura é Inimiga da Produtividade?
Seu José, lá do norte do Paraná, tem uma máxima: “Plantadeira não é carro de corrida”. E ele está certo. Na safra passada, vi vizinho querendo ganhar tempo rodando a 10 km/h e o resultado foi triste: semente que ficou por cima da terra e falhas que davam para estacionar uma caminhonete no meio.
Para garantir que o trigo nasça parelho, o primeiro passo é controlar o pé no acelerador. A pesquisa de campo mostra que passar dos 8 km/h é pedir para ter prejuízo. Nessa velocidade, a distribuição de sementes fica irregular e aumenta muito os “duplos” e as falhas.
Além da velocidade, tem a questão do disco de corte. Se você tem muita palha na lavoura (até 5 toneladas), o disco de 18 polegadas é o que melhor corta e abre o sulco sem embuchar. Disco pequeno empurra a palha, disco muito grande empurra a palha para dentro do sulco junto com a semente.
O que você precisa ajustar na máquina:
- Nivelamento: A semeadora tem que trabalhar nivelada. Se estiver torta, a profundidade da semente muda e a emergência falha.
- Discos Duplos: A combinação 17 x 15 polegadas nos discos duplos desencontrados é a campeã para cortar a palha e depositar o adubo.
- Profundidade: Use o anel limitador fixo lateral. É o sistema mais simples e que funciona melhor para manter a semente no lugar certo.
Você Sabe Quanto Trigo Está Ficando no Chão?
O “olhômetro” é o maior inimigo da colheita eficiente. Muita gente olha para trás da colhedora, não vê um tapete de grãos e acha que está tudo bem. Mas as perdas invisíveis, somadas, podem levar embora o lucro daquela área. Não dá para fazer estimativa visual; o buraco é sempre mais embaixo.
Para não perder dinheiro, você precisa saber a hora exata de entrar na lavoura. O ideal é começar quando o grão estiver entre 18% e 16% de umidade. Se esperar secar demais (abaixo de 13%), vai ter quebra de grão e trincamento. Se colher muito úmido (acima de 20%), amassa o grão e embucha a máquina.
Principais ajustes na colhedora:
- Molinete: O eixo deve ficar de 15 a 20 cm à frente da barra de corte. Os dentes devem bater de 5 a 10 cm abaixo da espiga mais baixa.
- Cilindro e Côncavo: A abertura depende da umidade. Grão mais úmido pede abertura maior; grão seco pede abertura menor para debulhar bem.
- Trigo Acamado: Se o tempo virou e o trigo deitou, desloque o molinete bem para frente e aumente a rotação para levantar as plantas antes do corte. Use dedos levantadores se a situação estiver feia.
📊 NÚMEROS QUE IMPORTAM: O Teste do Retângulo Para saber a perda real, esqueça o chute. Faça uma armação de barbante com a largura da sua plataforma de corte e comprimento suficiente para dar 1 m².
- Coloque a armação no chão depois que a máquina passar.
- Conte os grãos soltos e os que ficaram nas espigas dentro desse quadrado.
- Repita isso 3 vezes em pontos diferentes e tire a média. Só assim você sabe se precisa regular a máquina de novo.
Secagem: Como Tirar a Água Sem “Cozinhar” o Grão?
Uma dúvida que sempre aparece no grupo de produtores é: “Posso acelerar a secagem aumentando a temperatura?”. A resposta curta é: pode, mas vai doer no bolso depois.
Secagem não é só tirar água, é manter a qualidade. Se você jogar a temperatura da massa de grãos acima de 60°C, vai ter dano mecânico e perder qualidade na farinha depois. O comprador lá na frente vai chiar. A regra é clara: temperatura mais baixa demora mais, mas garante um produto melhor.
O Pulo do Gato: A Seca-Aeração Se você quer economizar combustível e ganhar rendimento no secador, use a técnica da seca-aeração. Funciona assim:
- Seque o trigo no secador até chegar em 16% de umidade.
- Tire ele quente do secador (40°C a 45°C) e jogue para um silo, sem resfriar.
- Deixe ele “descansar” lá por 6 a 12 horas. Isso uniformiza a umidade.
- Só depois ligue a aeração para resfriar e terminar de secar.
O Inimigo Invisível no Armazenamento
Você colheu bem, secou certo e guardou no silo. Missão cumprida, certo? Errado. É agora que o “ladrão silencioso” ataca: o caruncho e a umidade. Estudos mostram que o trigo pode perder até 5% do peso (hectolitro) após um ano guardado se não for bem cuidado.
Para conservar de verdade, você precisa controlar duas coisas: umidade e temperatura.
- Para guardar até 1 ano: O grão tem que estar com 12% a 13% de umidade.
- Para guardar mais de 1 ano: Baixe para 11%.
A temperatura da massa é a sua melhor arma contra os insetos. Veja só: se você conseguir manter a massa de grãos abaixo de 13°C, a população de pragas para de crescer e começa a morrer lentamente. Se estiver entre 25°C e 32°C, é o paraíso para eles se reproduzirem.
Tipos de Aeração que você vai usar:
- Manutenção: Para grão que já está seco e frio. Serve para uniformizar a temperatura e evitar migração de umidade.
- Resfriamento: Obrigatório quando o grão chega quente da lavoura ou do secador.
- Corretiva: Quando aparece aquele ponto de calor (bolsa de calor) no meio do silo. Ligue os ventiladores até resolver.
⚠️ CUIDADO COM O EXPURGO: Se deu bicho, tem que fazer expurgo com pastilhas de fosfina. Mas atenção: o silo tem que estar totalmente vedado. Se vazar gás, não mata o bicho e cria resistência. O tempo mínimo é de 120 horas (5 dias) com o gás lá dentro. Menos que isso é jogar dinheiro fora. E nunca, jamais, entre no silo durante o expurgo.
Glossário
Hastes Sulcadoras (Botinhas): Componentes da semeadora responsáveis por romper o solo e abrir o sulco para deposição de adubo ou sementes. Em áreas com muita palhada, podem causar o ’embuchamento’, que é o acúmulo de resíduos que trava a máquina.
Discos Duplos Desencontrados: Sistema de dois discos circulares montados em eixos diferentes que cortam a palha e abrem o solo em formato de ‘V’. São altamente eficientes para o plantio direto no Brasil, pois evitam o revolvimento excessivo da terra e lidam melhor com restos culturais.
Trigo Acamado: Condição em que as plantas de trigo tombam ou se curvam em direção ao solo, dificultando a colheita mecânica. Geralmente ocorre devido a ventos fortes, chuvas intensas ou excesso de adubação nitrogenada.
Seca-Aeração: Técnica de manejo pós-colheita onde a secagem do grão é interrompida no secador e finalizada dentro do silo por meio de ventilação forçada. Este método preserva a integridade física do grão e reduz o consumo de combustível da propriedade.
Peso do Hectolitro (PH): Medida que indica o peso de 100 litros de grãos, servindo como o principal índice de qualidade e rendimento industrial para o trigo brasileiro. Grãos com PH mais alto são mais valorizados comercialmente por apresentarem melhor rendimento de farinha.

Expurgo: Tratamento químico realizado em ambientes vedados para o controle de pragas em grãos armazenados através de gases. É uma operação crítica que exige vedação total do silo para garantir a eliminação de insetos em todas as suas fases de vida.
Fosfina: Gás tóxico liberado por pastilhas específicas utilizado no expurgo de grãos para o controle de carunchos e outras pragas de armazenamento. É amplamente utilizada na armazenagem brasileira devido à sua eficácia e por não deixar resíduos que afetem a qualidade final do produto.
Como o Aegro auxilia na gestão técnica e financeira da sua safra
Toda essa precisão necessária na regulagem das máquinas e no monitoramento dos silos exige uma organização rigorosa para que o lucro não se perca nos detalhes. O uso de um software de gestão como o Aegro facilita esse controle, permitindo o planejamento das atividades de campo em tempo real e o acompanhamento detalhado dos custos operacionais, como o consumo de combustível e as horas-máquina na semeadura. Com os dados centralizados, fica muito mais fácil identificar onde estão os gargalos e agir rápido para proteger a rentabilidade da sua lavoura.
Além de organizar o dia a dia operacional, o Aegro ajuda a monitorar o seu estoque de grãos e insumos, garantindo que você tenha uma visão clara do valor da sua produção armazenada e evite prejuízos com o ’ladrão silencioso’ no silo. Essa digitalização de processos reduz falhas humanas e fornece relatórios precisos para uma tomada de decisão baseada em números reais, trazendo mais segurança para a sucessão e para a gestão do negócio.
Vamos lá?
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Perguntas Frequentes
Por que a velocidade de semeadura do trigo não deve ultrapassar os 8 km/h?
Velocidades superiores a 8 km/h prejudicam a distribuição uniforme das sementes, resultando em falhas no estande e no surgimento de sementes duplas no mesmo local. Isso compromete o nascimento parelho da lavoura e, consequentemente, reduz o potencial produtivo final e a rentabilidade da safra.
Em quais situações as hastes sulcadoras (botinhas) devem ser evitadas?
As hastes sulcadoras devem ser evitadas em áreas com grande volume de palhada ou quando o espaçamento entre linhas é reduzido, como os tradicionais 17 cm do trigo. Nessas condições, as botinhas tendem a ’embuchar’ a máquina, sendo mais recomendado o uso de discos duplos desencontrados para garantir um plantio fluido.
Como realizar o teste do retângulo para medir as perdas reais na colheita?
Utilize uma armação de barbante que delimite 1 m² e coloque-a no solo após a passagem da colhedora. Conte os grãos soltos e os que permaneceram nas espigas dentro dessa área, repetindo o processo em pelo menos três pontos diferentes para obter uma média fiel de quanto trigo está sendo deixado no chão.
Quais são os riscos de colher o trigo com umidade abaixo de 13%?
Colher o grão excessivamente seco aumenta as chances de danos mecânicos, como quebras e trincamentos durante a trilha na colhedora. Além de perder qualidade para a indústria moageira, o produtor acaba perdendo peso total da carga, o que impacta diretamente no valor recebido pela produção.
Como a técnica de seca-aeração ajuda a economizar recursos no pós-colheita?
A seca-aeração consiste em retirar o grão do secador ainda quente, com cerca de 16% de umidade, e finalizar o processo no silo após um período de descanso. Essa técnica pode aumentar a capacidade do secador em até 60% e reduzir o gasto com combustíveis (lenha ou gás) em até 30%, garantindo mais eficiência operacional.
Qual é a temperatura ideal para evitar a proliferação de pragas no armazenamento?
O ideal é manter a massa de grãos abaixo de 13°C, pois nessa temperatura o metabolismo dos insetos desacelera e a reprodução é interrompida. Temperaturas entre 25°C e 32°C são consideradas críticas, pois criam o ambiente perfeito para a multiplicação rápida de carunchos e outros invasores silenciosos.
Quais os cuidados essenciais para que o expurgo com fosfina seja eficaz?
O segredo do sucesso do expurgo é a vedação hermética do silo; qualquer vazamento de gás impede a eliminação total das pragas e pode gerar resistência. Além disso, é fundamental respeitar o tempo mínimo de 120 horas (5 dias) de exposição ao produto e nunca negligenciar o uso de equipamentos de segurança e a sinalização da área.
Artigos Relevantes
- Como Regular Plantadeira de Trigo: Guia Prático para Adubo e Sementes: Este artigo complementa a seção inicial sobre semeadura ao fornecer o passo a passo técnico para a configuração da máquina. Enquanto o texto principal foca em velocidade e discos, este guia oferece a aplicação prática de como ajustar sementes e adubo para atingir a precisão sugerida.
- Colheita de Trigo: Guia Completo para Evitar Perdas e Maximizar a Produtividade: Este conteúdo expande o gerenciamento da colheita além dos ajustes mecânicos, focando na organização e programação da atividade. Ele é essencial para o produtor que deseja garantir que os níveis de umidade ideais (13% a 18%) mencionados no artigo principal sejam respeitados em toda a área.
- Armazenamento de Trigo: Guia Completo para Evitar Perdas na Pós-Colheita: O artigo aprofunda as estratégias contra o ’ladrão silencioso’ no silo, oferecendo um guia mais detalhado sobre o manejo de pós-colheita. Ele detalha as técnicas de conservação que garantem a manutenção do Peso do Hectolitro (PH) citado no glossário do texto principal.
- Qualidade do Trigo: 3 Fatores que Definem o Preço da sua Safra: Este texto conecta os cuidados técnicos de secagem e colheita ao resultado financeiro da safra, explicando como a classificação comercial define o preço. Ele preenche a lacuna entre o manejo operacional e a rentabilidade final, detalhando fatores como PH e impurezas.
- Plantio de Trigo: Do Preparo do Solo à Colheita - Safra 2025/26: Este artigo serve como o ponto de partida para a jornada do conhecimento, abordando o preparo do solo e a época de plantio que antecedem a semeadura. Ele oferece uma visão sistêmica da safra, garantindo que o produtor prepare o terreno adequadamente antes de aplicar as técnicas de precisão na plantadeira.

![Imagem de destaque do artigo: Semeadura de Trigo: Velocidade Ideal e Discos [Guia 2025]](/images/blog/geradas/semeadura-trigo-velocidade-discos.webp)