Silagem de Milho na Prática: 6 Passos Essenciais [2025]

Foto de perfil de Redação Aegro
Equipe de especialistas da Aegro, dedicada a levar conhecimento, tecnologia e inovação para o produtor rural brasileiro.
Imagem de destaque do artigo: Silagem de Milho na Prática: 6 Passos Essenciais [2025]

Índice

Qual semente plantar? É a mesma do grão?

Você já viu vizinho reclamando que o gado não engorda ou o leite diminuiu, mesmo com o cocho cheio? Muitas vezes, o erro começou lá atrás, na escolha da semente. Uma dúvida comum na roda de tereré é se o milho de grão serve para silagem.

A resposta curta é: nem sempre.

Pense comigo: na silagem, a gente usa a planta inteira. De 55% a 65% do que vai para o silo é a parte verde (folhas e talo), não só o grão. Por isso, você precisa de um híbrido que tenha boa digestibilidade das fibras. Se a fibra for dura demais, o boi enche a barriga, mas não aproveita os nutrientes.

Como escolher na prática? Se você não tem histórico de análises bromatológicas na fazenda, vá pelo seguro:

  1. Pegue os híbridos que mais produzem grãos na sua região.
  2. Dentre eles, escolha os mais altos e com mais folhas.
  3. Prefira híbridos em vez de variedades. Os híbridos seguram o valor nutritivo por mais tempo depois do ponto de corte, enquanto as variedades perdem qualidade rápido se passar da hora.

Adubação para silagem é igual a de grãos?

Aqui mora um perigo que esvazia o bolso de muito produtor desatento. Tem gente que aduba a lavoura de silagem igualzinha à de grão e depois não entende por que a terra “enfraqueceu” na safra seguinte.

O buraco é mais embaixo. Quando você colhe só o grão, a palhada fica na roça, devolvendo nutrientes. Na silagem, você leva tudo embora.

Pesquisas mostram que a silagem leva embora cerca de 80% do Potássio (K) que ficaria na palha. Se você não repor, o solo empobrece.


Posso aumentar as plantas por hectare para render mais?

A tentação é grande: “Vou apertar o espaçamento para colher mais carretas”. Cuidado, pois o barato sai caro.

Não aumente a população de plantas achando que vai ter lucro garantido. A recomendação para silagem é a mesma para grãos. Se o solo for muito fértil, você pode aumentar no máximo 10%.

Por que não mais? Se você amontoa muita planta, a porcentagem de colmo (o talo) sobe. O colmo é a parte “ruim” da digestão (pouco mais de 50% de digestibilidade). Ou seja, você produz um volume enorme de uma comida que o gado não aproveita bem. Além disso, aumenta o risco da lavoura acamar com vento e sofrer com doenças e seca.


O grande segredo: Qual a hora exata de cortar?

Em Minas Gerais, estudos mostraram que 80% dos produtores cortam o milho antes da hora. Isso é cortar “água verde”. O milho está no ponto de pamonha, bonito, mas pobre em nutriente e cheio de água, o que gera aquele chorume azedo no fundo do silo.

O ponto certo é o que dá dinheiro: entre 32% e 37% de Matéria Seca (MS).

Como descobrir isso no campo?

  1. Olho no Grão (Linha do Leite): Quebre uma espiga no meio. O ponto ideal é quando a parte dura (amarelo forte) ocupa de 1/3 até 3/4 do grão. Se não tiver linha de leite visível, a planta já passou de 40% de matéria seca (ficou muito dura).
  2. Teste do Micro-ondas (Infalível): Pique umas 5 plantas inteiras. Pese 300g dessa amostra picada. Coloque no micro-ondas com um copo d’água dentro (para não queimar). Seque por 5 minutos na potência média/alta. Pese. Repita de 3 em 3 minutos até o peso parar de baixar. Faça a conta para achar a porcentagem de matéria seca.

Máquinas: Tamanho da partícula e altura de corte

Seu tratorista está com a faca da ensiladeira amolada? Se não estiver, pare tudo agora. Faca cega esmaga o milho em vez de cortar, e o gado refuga no cocho.

Qual o tamanho ideal do pedaço? Entre 0,5 cm e 2,0 cm.

  • Muito grande: É difícil de compactar (fica ar no silo e apodrece) e o boi consegue separar no cocho, comendo só o que quer.
  • Muito pequeno: O animal digere rápido demais e pode ter acidose, mas facilita muito a compactação.
  • Regra de ouro: Quanto mais seco o milho, menor deve ser o corte para ajudar a compactar. E amole as facas 1 a 2 vezes por dia!

Altura de corte no chão: Corte a 25 cm do solo. Tentaram cortar mais alto (perto da espiga) para melhorar a qualidade, mas a conta não fecha: perde-se muito volume e estraga o cardan da máquina. Cortando a 25 cm, você evita pegar terra e pedra (que estragam a fermentação) e aproveita bem a massa.


Enchimento e Compactação: A corrida contra o tempo

Imagine que você fez tudo certo, mas demorou 10 dias para fechar o silo. O ar entrou, a massa esquentou e você perdeu qualidade. Silagem é uma corrida contra o oxigênio.

O silo trincheira é o campeão de custo-benefício. Mas ele precisa ser bem feito:

  1. Tempo de fechamento: O ideal é 3 dias. O máximo aceitável são 5 dias.
  2. Peso do trator: O trator que compacta tem que aguentar o tranco. A regra é: o peso do trator deve ser 40% da tonelada que chega por hora.
    • Exemplo: Se chegam 10 toneladas de milho picado por hora, você precisa de um trator de 4 toneladas pisando no silo sem parar.

Como usar e analisar a silagem pronta?

Abriu o silo? Agora é gestão diária.

O erro clássico é tirar silagem de qualquer jeito, cavando buracos. O oxigênio entra e estraga o que sobrou. Você deve retirar uma fatia reta de cima a baixo, de pelo menos 15 cm a 20 cm por dia. Assim, você sempre pega silagem fresca e não dá tempo do ar estragar a parede do silo.

Preciso fazer análise bromatológica? Sim, para não perder dinheiro na dieta. Mande uma amostra para o laboratório para saber a Matéria Seca (MS), Proteína Bruta (PB), FDN, FDA e Amido.

A silagem sozinha sustenta o boi? Não. Apesar de ser ótima e energética (graças aos grãos), ela é fraca em proteína e minerais. Você vai precisar completar no cocho. Uma mistura simples e barata para balancear costuma levar farelo de soja, ureia e núcleo mineral.


Glossário

Análise Bromatológica: Exame laboratorial que determina a composição química e o valor nutricional dos alimentos destinados aos animais. É fundamental para o produtor balancear a dieta do rebanho com precisão, evitando desperdício de insumos.

Híbrido: Semente resultante do cruzamento entre duas linhagens geneticamente puras e distintas, visando maior produtividade e vigor. Diferente das variedades, os híbridos oferecem maior estabilidade e uniformidade na qualidade nutricional da planta inteira.

Kit de produção rentável de milho

Saturação de Bases (V%): Índice que indica a porcentagem de nutrientes básicos (Cálcio, Magnésio e Potássio) que ocupam o complexo de troca do solo. No contexto da silagem, manter o V% em 70% garante que o solo tenha fertilidade suficiente para suportar a alta extração de nutrientes.

Capacidade de Troca Catiônica (CTC): Capacidade do solo em reter e trocar nutrientes com as plantas, funcionando como um reservatório de fertilidade. Uma CTC equilibrada, com foco na reposição de Potássio, é vital para solos que produzem silagem, devido à remoção total da palhada.

Matéria Seca (MS): Representa a porção do alimento que resta após a retirada total da água, onde estão concentrados os nutrientes como proteínas e carboidratos. É o indicador mais importante para definir o momento exato da colheita e a eficiência do transporte da lavoura ao silo.

FDN e FDA: Siglas para Fibra em Detergente Neutro e Ácido, que medem a qualidade das fibras da forragem. O FDN está relacionado à capacidade de ingestão do animal (enchimento do rúmen), enquanto o FDA indica a porção da fibra que é efetivamente difícil de digerir.

Linha do Leite: Demarcação visual no grão de milho que separa a parte sólida (amido) da parte leitosa durante a maturação. É um método prático de campo utilizado para estimar o teor de matéria seca e identificar o ponto ideal de corte para silagem.

Veja como o Aegro pode ajudar a superar esses desafios

Gerenciar o aumento nos custos de adubação e garantir que a reposição de nutrientes não prejudique a margem de lucro exige um controle rigoroso. O Aegro ajuda a monitorar cada centavo investido em sementes, fertilizantes e combustíveis, gerando relatórios automáticos que permitem visualizar o custo real por tonelada de silagem produzida. Isso facilita a tomada de decisão para quem precisa equilibrar o caixa sem abrir mão da qualidade nutricional do rebanho.

Para que a colheita ocorra no momento exato e sem imprevistos mecânicos, a organização das atividades e a manutenção preventiva das ensiladeiras são fundamentais. Com o Aegro, você centraliza o planejamento das operações e o histórico das máquinas em um só lugar, garantindo que tudo esteja pronto para o fechamento rápido do silo e evitando quebras inesperadas que podem comprometer toda a safra.

Vamos lá?

Transforme a gestão da sua fazenda e tenha total controle sobre seus custos de produção e cronograma operacional. Experimente o Aegro gratuitamente e veja como simplificar desde o controle de estoque até a análise de rentabilidade da sua silagem.

Perguntas Frequentes

Por que nem todo milho com alta produção de grãos é ideal para a produção de silagem?

Diferente da colheita apenas do grão, na silagem utiliza-se a planta inteira, onde mais de 55% da composição é formada por folhas e talos. Por isso, é essencial escolher híbridos que, além de grãos, possuam alta digestibilidade de fibras na parte verde, garantindo que o gado aproveite os nutrientes em vez de apenas encher a barriga com material difícil de digerir.

Por que a adubação da área de silagem deve ser superior à adubação para colheita de grãos?

Quando se colhe apenas o grão, a palhada permanece no solo e devolve nutrientes à terra; já na silagem, a planta inteira é removida, levando embora cerca de 80% do potássio. Para evitar o empobrecimento do solo, a adubação para silagem deve ser de 30% a 50% maior, com atenção especial à reposição de potássio e à saturação de bases.

Quais os riscos de aumentar excessivamente a densidade de plantas por hectare visando maior volume?

Aumentar a população além do recomendado eleva a proporção de colmo (talo) na planta, que é a parte de menor digestibilidade para o animal. Além de produzir um alimento de qualidade inferior, o excesso de plantas aumenta o risco de acamamento (tombamento) por vento e torna a lavoura mais sensível a doenças e períodos de seca.

Como o teste do micro-ondas auxilia na identificação do ponto ideal de colheita?

O teste do micro-ondas é uma forma precisa de medir a Matéria Seca (MS), que deve estar entre 32% e 37% para uma silagem de qualidade. Ao secar uma amostra pesada até que o peso pare de cair, o produtor descobre o teor real de água, evitando colher o milho muito cedo (o que gera chorume e perda de nutrientes) ou muito tarde (o que dificulta a compactação).

Qual a importância do tamanho do corte e da afiação das facas da ensiladeira?

O tamanho ideal do pedaço deve estar entre 0,5 cm e 2,0 cm para facilitar a compactação e evitar que o boi selecione o alimento no cocho. Facas cegas esmagam o milho em vez de cortá-lo, prejudicando a qualidade da fibra, por isso devem ser amoladas de uma a duas vezes por dia para garantir um corte limpo e uniforme.

Como calcular o peso ideal do trator para uma compactação eficiente do silo?

A regra prática indica que o peso do trator deve ser de pelo menos 40% do peso da massa de milho que chega ao silo por hora. Se a fazenda descarrega 10 toneladas por hora, o trator de compactação precisa pesar no mínimo 4 toneladas; essa pressão é vital para expulsar o oxigênio e garantir a fermentação correta em até 21 dias.

Qual é o manejo correto para a retirada da silagem após a abertura do silo?

A retirada deve ser feita em fatias verticais retas de 15 cm a 20 cm de toda a face do silo diariamente, mantendo a ‘parede’ lisa. Isso impede que o oxigênio penetre profundamente na massa restante, o que causaria aquecimento, proliferação de fungos e perda acelerada do valor nutricional do alimento que ainda não foi consumido.

Artigos Relevantes

  • Milho Silagem: O Guia Completo do Plantio à Colheita para Máxima Produtividade: Este guia atua como uma expansão técnica direta dos conceitos iniciais do artigo principal, aprofundando a discussão sobre cultivares e o manejo do plantio especificamente voltado para a produção de massa. Ele oferece o passo a passo necessário para implementar as recomendações de escolha de híbridos e espaçamento mencionadas no texto principal.
  • Inoculante para Milho Silagem: Reduza Perdas e Aumente Qualidade: O artigo principal foca intensamente na qualidade da fermentação e no processo de ensilagem, mas não detalha o uso de aditivos biológicos. Este candidato preenche essa lacuna crítica, explicando como os inoculantes podem reduzir as perdas durante o fechamento e abertura do silo, garantindo a conservação nutricional discutida.
  • Custo do Milho Silagem: Como Calcular por Hectare e Definir o Preço de Venda: Enquanto o artigo principal menciona que a gestão financeira é vital para não ’esvaziar o bolso’, este artigo fornece a metodologia prática para calcular o custo por hectare e por tonelada. Ele complementa a visão de gestão do Aegro, ajudando o produtor a transformar a qualidade técnica em rentabilidade real.
  • Adubação de Milho para Grãos e Silagem: Um Guia Prático de Cálculo: Este artigo oferece o suporte técnico para a seção de nutrição do solo, que é um dos pilares do texto principal. Ele apresenta as fórmulas e a lógica de cálculo para a adubação, permitindo que o produtor execute a recomendação de repor os 80% de Potássio que a silagem extrai da lavoura.
  • Como Escolher as Variedades de Milho Mais Produtivas Para a Sua Realidade: Este conteúdo aprofunda a primeira dúvida levantada no texto principal (‘Qual semente plantar?’), detalhando as diferenças genéticas entre híbridos e variedades. Ele ajuda o produtor a tomar a decisão estratégica inicial correta, focando na estabilidade e uniformidade que o processo de ensilagem exige.