Manejo do Sorgo: Guia dos 3 Estágios Fenológicos [2025]

Foto de perfil de Redação Aegro
Equipe de especialistas da Aegro, dedicada a levar conhecimento, tecnologia e inovação para o produtor rural brasileiro.
Imagem de destaque do artigo: Manejo do Sorgo: Guia dos 3 Estágios Fenológicos [2025]

Índice

Esqueça o Calendário: Como Acompanhar o Crescimento de Verdade

Seu João, lá do oeste baiano, quase perdeu o timing da adubação de cobertura ano passado. O motivo? Ele estava contando os “dias após o plantio”, como sempre fez com o milho em anos normais. Mas o clima mudou, a chuva atrasou e a planta travou.

Aqui entre nós, produtor: a lavoura não sabe que dia é hoje. Ela responde ao sol, à chuva e à temperatura.

Por isso, o erro mais comum é manejar pelo calendário. O certo é olhar o número de folhas. O ciclo do sorgo se divide em três etapas principais que você precisa decorar:

  1. EC1 (Crescimento): Vai do plantio até aparecerem de 7 a 8 folhas (início da panícula).
  2. EC2 (Definição): Da iniciação da panícula até o florescimento.
  3. EC3 (Enchimento): Do florescimento até a maturação (ponto de colheita).

Por Que o Sorgo “Aguenta o Tranco” da Seca Melhor que o Milho?

Você já deve ter ouvido no bar da cidade que o sorgo é “primo rústico” do milho. Mas o que acontece debaixo da terra que faz ele resistir tanto?

Não é mito. É fisiologia pura. Se você arrancar um pé de milho e um de sorgo, vai ver que a quantidade de raiz primária é parecida. O segredo está nas raízes secundárias. O sorgo tem, no mínimo, o dobro de raízes secundárias do milho.

Além de ter mais raízes, o sistema é mais fibroso e cheio de pêlos absorventes. Isso permite que ele busque água onde outras culturas já teriam morrido.

O sorgo usa três truques para lidar com a falta de água:

  1. Escape: A raiz profunda acha água lá no fundo.
  2. Genética: Ele tem genes especiais que deixam a parede das células mais elástica, segurando a hidratação por mais tempo.
  3. Hibernação: Na seca brava, a planta diminui o metabolismo, murcha e “espera a chuva passar”. Quando a água volta, ela tem um poder de recuperação incrível.

Perfilhamento: Amigo ou Inimigo da Produtividade?

Uma dúvida que sempre aparece nas rodas de conversa: “Seu Antônio, minha lavoura perfilhou demais. Isso é bom ou ruim?”

A resposta curta é: depende do seu objetivo.

O perfilhamento acontece quando a planta solta brotos laterais (do pé ou das axilas das folhas). Isso é controlado por hormônios e genética, mas o ambiente manda muito.

  • Para Sorgo Forrageiro: É ótimo. Mais perfilho significa mais massa verde para o gado.
  • Para Sorgo Granífero: Pode ser ruim. O perfilho compete por água e adubo com a planta-mãe e ainda faz sombra nas folhas principais. Pior ainda: muitas vezes o perfilho não amadurece junto com a planta principal, o que vira uma dor de cabeça na hora da colheita.

O Dilema do Tanino: Protege do Pássaro, Mas Atrapalha o Gado?

Quem planta perto de mata ou reserva sabe o desespero que é ver nuvem de passarinho baixando na lavoura. É aí que entra o sorgo com tanino.

O tanino é uma substância (um polifenol) que dá um gosto “amarrado” no grão.

  • Vantagem: Pássaro não gosta. Fungo ataca menos. O grão não germina na panícula se chover na colheita.
  • Desvantagem: Se você usa esse grão na ração, ele pode reduzir o ganho de peso dos animais (principalmente aves e suínos), porque diminui a digestibilidade da proteína.

Como saber se tem tanino sem laboratório? Não precisa de teste complicado. Pegue um canivete e faça uma “raspagem” no grão. Se tiver uma camada pigmentada (escura) logo abaixo da casca, chamada testa, é quase certo que tem tanino.

Guia completo sobre as culturas de inverno

Se quiser ter certeza absoluta, o laboratório usa o método “azul da Prússia”. Se der menos de 0,70% de fenóis, é considerado sem tanino.


Tombamento no Final do Ciclo: Por Que Acontece?

Você fez tudo certo, a lavoura está bonita, mas na reta final, perto da colheita, a planta tomba ou quebra o colmo. É de chorar.

Isso acontece por um motivo fisiológico simples: a planta é uma mãe que dá tudo pelos filhos (grãos). No enchimento de grãos (EC3), a demanda por açúcar na panícula é gigante. Se as folhas não produzirem o suficiente (por falta de sol, água ou doença), a planta tira energia do próprio caule para mandar para o grão.

O resultado? O caule fica fraco e quebra com qualquer vento.

A Solução “Stay Green” Você vai ouvir muito falar de híbridos com característica Stay Green (permanecer verde).

  • Essas plantas mantêm o caule e as folhas verdes por mais tempo, mesmo com o grão maduro.
  • Isso garante que o caule continue forte e fazendo fotossíntese até o último minuto.
  • Resultado: menos tombamento e grãos mais pesados.

Como Facilitar a Colheita Reduzindo a Altura da Planta

Muitos produtores de sorgo sacarino ou variedades altas sofrem com a colheita mecânica. A máquina engasga ou a planta é alta demais.

Uma prática que tem funcionado bem é o uso de reguladores de crescimento (como o trinexapac-etil). Eles encurtam os “nós” da planta, deixando ela mais baixa e firme, sem mexer na produtividade ou na qualidade da semente.

⚠️ CUIDADO COM A DOSE E O MOMENTO:

  • Dose: Entre 0,4 L/ha e 0,8 L/ha.
  • Momento ideal: Aplicar entre V6 e V10 (6 a 10 folhas).

Se aplicar muito cedo (V3-V5), não adianta nada porque os primeiros nós já são curtos. Se aplicar muito tarde, a planta fica anã demais e você perde produção nos ponteiros.


Glossário

Iniciação da Panícula: Momento fisiológico em que a planta de sorgo deixa de produzir folhas e começa a formar a estrutura reprodutiva que carregará os grãos. É uma fase crítica onde estresses ambientais podem reduzir drasticamente o potencial produtivo da lavoura.

Ponto de Crescimento: Região da planta (meristema apical) responsável pela formação de novos tecidos e órgãos. No início do ciclo do sorgo, ele fica abaixo do nível do solo, o que protege a cultura de danos severos por geadas leves ou granizo.

Kit Safrinha de Milho

Perfilhamento: Desenvolvimento de brotos laterais a partir da base da planta principal ou das axilas das folhas. Em lavouras de grãos, pode causar desigualdade na maturação e colheita, enquanto na produção de forragem é desejado para aumentar o volume de massa verde.

Tanino: Composto polifenólico que atua como defesa natural do grão contra pássaros e fungos, conferindo um sabor adstringente. Embora proteja a lavoura no campo, pode reduzir a eficiência na conversão alimentar de animais se presente em altos níveis na ração.

Testa: Camada pigmentada localizada logo abaixo da casca (pericarpo) do grão de sorgo. Sua observação visual por meio de raspagem é o principal método prático para identificar se um híbrido possui alto teor de tanino.

Stay Green: Característica genética que permite à planta manter o colmo e as folhas verdes e ativos mesmo após a maturação dos grãos. Essa tecnologia aumenta a resistência ao tombamento e garante grãos mais pesados por manter a fotossíntese até o final do ciclo.

Reguladores de Crescimento: Compostos químicos, como o trinexapac-etil, aplicados para reduzir o alongamento dos entre-nós e controlar a altura da planta. São ferramentas essenciais para evitar o acamamento e facilitar a colheita mecânica em materiais de porte alto.

Como o Aegro te ajuda a não perder o tempo da lavoura

Acompanhar as fases do sorgo e identificar o momento exato de cada manejo exige rigor, especialmente quando o clima foge do esperado e o calendário tradicional falha. Ferramentas como o Aegro ajudam a registrar o desenvolvimento da cultura diretamente pelo celular, permitindo que você planeje a adubação e o monitoramento de pragas no tempo real da planta. Isso evita o erro de confiar apenas em datas fixas e garante que as intervenções ocorram quando a lavoura realmente precisa.

Além disso, para garantir que aplicações sensíveis — como o uso de reguladores de crescimento entre as folhas V6 e V10 — ocorram na janela correta, o Aegro facilita a organização das ordens de serviço e o histórico de cada talhão. Com os dados centralizados e acessíveis, fica muito mais fácil coordenar a equipe e assegurar que cada processo, do plantio à colheita, seja executado com máxima eficiência e economia de insumos.

Vamos lá?

Quer simplificar o monitoramento da sua safra e ter o controle total das atividades de campo na palma da mão? Experimente o Aegro gratuitamente e veja como a tecnologia pode ajudar você a tomar decisões mais seguras e lucrativas.

Perguntas Frequentes

Por que é mais seguro acompanhar o crescimento do sorgo pelas folhas do que pelo calendário?

O desenvolvimento do sorgo é influenciado diretamente por fatores ambientais como sol, chuva e temperatura, que variam a cada safra. Ao contar o número de folhas em vez de apenas seguir os dias após o plantio, o produtor identifica o estágio fisiológico real da planta (EC1, EC2 ou EC3). Isso permite que intervenções como a adubação de cobertura ocorram no momento exato em que a cultura consegue absorver melhor os nutrientes.

Como decidir entre o replantio ou a recuperação da lavoura após uma geada ou granizo?

A decisão depende do estágio de desenvolvimento da planta e da localização do seu ponto de crescimento. Se a planta tiver até 6 folhas, o ponto de crescimento ainda está abaixo da superfície do solo e ela tem grandes chances de se recuperar. A partir da 7ª ou 8ª folha, esse ponto já subiu para a parte aérea e, se for danificado, a planta morrerá, tornando o replantio necessário.

Quais características biológicas tornam o sorgo mais resistente à seca do que o milho?

O sorgo possui o dobro de raízes secundárias em comparação ao milho, além de um sistema radicular mais fibroso e eficiente na busca por água profunda. Fisiologicamente, ele conta com genes que aumentam a elasticidade celular e possui a capacidade de entrar em um estado de ‘hibernação’ durante secas severas. Esse mecanismo permite que a planta reduza seu metabolismo e retome o crescimento rapidamente assim que as chuvas retornam.

O perfilhamento do sorgo é sempre prejudicial para a produtividade?

Não, a avaliação do perfilhamento depende do objetivo da sua lavoura. Para o sorgo forrageiro, os brotos laterais são benéficos, pois aumentam a produção de massa verde para o gado. Já no sorgo granífero, o perfilhamento excessivo pode ser indesejado, pois os brotos competem por nutrientes com a planta principal e podem causar desigualdade na maturação dos grãos durante a colheita.

Como posso identificar a presença de tanino nos grãos de sorgo de forma prática?

Não é necessário um teste laboratorial complexo para uma verificação inicial de campo. Basta utilizar um canivete para realizar uma pequena raspagem na casca do grão de sorgo maduro. Se houver uma camada pigmentada de cor escura logo abaixo da casca, chamada de ’testa’, é um indicativo quase certo de que o grão possui alta concentração de tanino.

O que é a tecnologia ‘Stay Green’ e como ela evita o tombamento das plantas?

Híbridos com a característica ‘Stay Green’ mantêm o caule e as folhas verdes e metabolicamente ativos por mais tempo, mesmo durante a fase final de enchimento dos grãos. Isso evita que a planta precise ‘canibalizar’ a energia do próprio colmo para nutrir os grãos, o que o deixaria fraco e quebradiço. O resultado é uma planta com estrutura firme até a colheita, minimizando perdas por tombamento e garantindo grãos mais pesados.

Qual é a janela ideal para aplicar reguladores de crescimento e reduzir a altura do sorgo?

A janela correta para a aplicação de reguladores, como o trinexapac-etil, ocorre entre os estágios V6 e V10 (quando a planta apresenta de 6 a 10 folhas). Aplicações feitas antes do estágio V6 são ineficazes porque os nós iniciais já são naturalmente curtos. Já aplicações tardias podem reduzir excessivamente o porte da planta e comprometer a produtividade dos ponteiros.

Artigos Relevantes

  • Guia Completo do Sorgo: Do Plantio à Colheita para Máxima Produtividade: Este artigo serve como o alicerce técnico necessário para o leitor, oferecendo um guia completo que vai além da fisiologia discutida no texto principal. Ele conecta os conceitos de estádios fenológicos com as práticas de plantio e colheita, proporcionando a visão macro da cultura do sorgo.
  • Pragas e Doenças do Sorgo: Guia Completo de Identificação e Manejo: Enquanto o artigo principal foca em manejo fisiológico e estresse abiótico (seca), este candidato preenche a lacuna dos estresses bióticos. Ele é fundamental para o produtor que deseja proteger a tecnologia ‘Stay Green’, já que o controle de pragas e doenças é vital para manter as folhas fotossinteticamente ativas até o fim do ciclo.
  • Zarc do Sorgo Forrageiro: Guia para Plantio Seguro e Redução de Riscos: Este artigo complementa diretamente as seções sobre resistência à seca e perfilhamento do texto principal, focando na gestão de risco climático. Ele oferece uma ferramenta prática (Zarc) para o produtor aplicar a teoria da rusticidade do sorgo em um planejamento de plantio seguro e dentro das normas de zoneamento.
  • Antracnose em Grãos: Guia Completo para Identificar e Controlar na Sua Lavoura: A antracnose é a principal causa patológica de tombamento de colmo no sorgo, problema detalhado na seção ‘Tombamento no Final do Ciclo’ do texto principal. Este guia detalhado sobre a doença permite ao produtor agir preventivamente para garantir que a planta não precise ‘canibalizar’ o açúcar do caule, preservando a integridade da lavoura.
  • Pragas do Milho: Identificação e Controle na Pré-Safra: Considerando que o texto principal começa com a comparação entre milho e sorgo (caso do Seu João), este artigo é estrategicamente relevante. Ele ajuda o produtor que está migrando ou diversificando entre as duas culturas a entender as pragas comuns, reforçando a gestão integrada de ambas no sistema produtivo da fazenda.