Sorgo Safrinha: Guia Completo para o Plantio Tardio [2025]

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Índice

Onde o Sorgo Safrinha entra na sua lavoura?

Você já viu esse filme: a colheita da soja atrasou um pouco por causa da chuva, a janela do milho ficou apertada e o risco de perder dinheiro aumentou. É nessa hora que muitos produtores do Cerrado recorrem ao sorgo. Mas será que ele serve para a sua região?

Na prática, o sorgo safrinha é aquela cultura que a gente planta logo depois da soja (ou outra cultura de verão), aproveitando o final das chuvas. A ideia é não deixar a terra parada e ainda garantir uma renda extra.

Mais de 90% do sorgo granífero no Brasil é plantado nessa época, de janeiro a março. Ele vai muito bem onde a gente já conhece: Goiás, Mato Grosso, Minas Gerais, MS, São Paulo e Bahia.

Se a sua fazenda está no Sul, esqueça a safrinha de sorgo; lá o plantio é no verão. Se está no Nordeste, a época é março e abril. Mas se você está no Centro-Oeste ou Sudeste, o sorgo é o parceiro ideal para quando a água começa a ficar escassa.


Sorgo ou Milho: qual escolher na janela tardia?

Seu João, vizinho de cerca, insistiu no milho safrinha plantado em março. Veio um veranico na floração e ele colheu metade do esperado. O custo não se pagou. Você não precisa passar por isso.

A conta é simples: o sorgo aguenta muito mais o desaforo do tempo seco do que o milho.

É verdade que o preço da saca de sorgo costuma ser 15% a 20% menor que o do milho. Mas o custo de produção do sorgo também é bem mais baixo e a segurança de colher é maior.


Como escolher a semente certa e não errar no planejamento?

Uma dúvida que sempre aparece no balcão da revenda é: “Qual híbrido eu levo?”. E aqui, meu amigo, comprar o mais barato pode sair caro.

O planejamento da safrinha começa ainda na soja. A gente precisa tirar a soja o mais cedo possível. Para o sorgo, não adianta pegar qualquer semente. Você precisa de híbridos (eles produzem mais que variedades comuns).

Aqui vão os critérios de ouro para escolher sua semente:

  1. Ciclo: Precisa casar com a sua janela de chuvas.
  2. Resistência: Busque materiais que aguentem acamamento (tombar) e doenças da sua região.
  3. Tolerância à seca: Principalmente no pós-florescimento.
  4. Sem Tanino: Esqueça essa história de tanino. Na safrinha do Brasil central, usamos sorgo sem tanino. O mercado de ração exige isso. Tanino é coisa lá pro Rio Grande do Sul pra evitar pássaros.

O manejo campeão: profundidade, população e adubo

Muitos produtores tratam o sorgo como “cultura marginal” – jogam a semente lá de qualquer jeito e esperam o milagre. O resultado? Colhem 2,6 toneladas por hectare, quando poderiam estar colhendo 5 a 7 toneladas.

Para mudar esse jogo, o manejo tem que ser fino:

1. Profundidade de Plantio

A semente de sorgo é pequena. Se você enterrar demais, ela não nasce.

2. População de Plantas

Você vai usar de 7 kg a 10 kg de semente por hectare.

  • Janela boa: 180 a 240 mil plantas/ha.
  • Janela tardia: Reduza para 100 a 150 mil plantas/ha.

Se você plantar tarde com muita planta, vai faltar água para todo mundo e os grãos vão ficar minguados.

3. Espaçamento

Para facilitar sua vida, use o mesmo espaçamento da soja (45 cm a 50 cm).

  • No cedo: Deixe cerca de 10 plantas por metro.
  • No tarde: No máximo 8 plantas por metro.

4. Adubação (O erro mais comum)

Sorgo é rústico, mas não faz fotossíntese só com vento. Ele precisa de comida. Se você não adubar, ele vai “roubar” os nutrientes do solo e sua próxima soja vai sofrer. O sorgo exporta muito Nitrogênio e Fósforo para o grão. Já o Potássio, Cálcio e Magnésio ficam na palhada. Então, tem que repor sim!


Ameaças: Frio, Seca e Armazenamento no Tempo

Na safra passada, produtores de regiões mais altas tiveram prejuízo com o frio em maio. O sorgo é planta de calor (gosta de 33-34°C). Abaixo de 16°C, ele trava.

Se você está numa região de altitude ou mais ao Sul, fique de olho no calendário. O frio na floração mata a produção.

Kit Comparativo de Custos de Safra

Outro ponto crítico é a colheita. Como muitas vezes não tem silo disponível, o pessoal deixa o sorgo em pé no campo ou amontoado no tempo esperando preço.

Isso é um tiro no pé.

  • No campo: O sorgo tomba, os pássaros atacam e os grãos caem (degrana natural).
  • No tempo: A umidade oscila, fungos aparecem e a qualidade do grão despenca.

Consórcio com forrageiras: vale a pena?

Você quer palhada para o plantio direto ou um pasto para o gado na entressafra? O consórcio de sorgo com braquiária funciona muito bem, mas tem seus macetes.

O sistema é parecido com o do milho: você colhe o grão e o capim fica lá. Mas cuidado com a água. O capim compete com o sorgo. Se a água já é pouca na safrinha, essa competição pode diminuir a produção de grãos.

Como fazer:

  • Caixa conjugada: Planta o capim junto, na linha ou entrelinha.
  • Duas operações: Planta o sorgo, depois volta plantando o capim (mais caro, mas forma melhor).
  • Na adubação de cobertura: Mistura a semente no adubo (risco do capim não nascer se faltar chuva).

⚠️ ATENÇÃO COM HERBICIDA: O sorgo é sensível aos graminicidas usados no milho. Não tente usar “subdoses” para segurar a braquiária, você pode matar o sorgo. O segredo é ajustar a densidade de sementes do capim.


Glossário

Sorgo Granífero: Tipo de sorgo desenvolvido especificamente para a produção de grãos, apresentando porte baixo para facilitar a colheita mecanizada. É amplamente utilizado na indústria de ração animal como substituto energético ao milho.

Janela de Plantio: Intervalo de tempo ideal para a semeadura de uma cultura, baseado em condições climáticas favoráveis de temperatura e umidade. No Cerrado, o respeito a essa janela é decisivo para evitar que a floração coincida com o período de seca severa.

Tanino: Substância química natural que confere sabor adstringente ao grão, funcionando como defesa contra pássaros. No mercado de grãos, prefere-se o sorgo sem tanino para garantir melhor digestibilidade e aproveitamento nutricional pelos animais.

Acamamento: Fenômeno em que o colmo da planta se dobra ou quebra, fazendo com que ela tombe antes da colheita. Pode ser causado por ventos fortes, desequilíbrios nutricionais ou características genéticas de materiais muito altos.

Estande de Plantas: População final de plantas estabelecidas de forma uniforme por hectare após a germinação e emergência. O ajuste do estande é vital no sorgo safrinha para equilibrar a competição por água entre as plantas em períodos de pouca chuva.

Consórcio com Forrageiras: Sistema de cultivo simultâneo do sorgo com plantas de cobertura ou pastagens, como a braquiária, na mesma área. Essa prática visa a produção de grãos e a formação de palhada para proteção do solo ou oferta de pasto na entressafra.

Graminicidas: Herbicidas específicos para o controle de plantas de folha estreita (gramíneas). Como o sorgo também é uma gramínea, ele possui alta sensibilidade a esses produtos, o que exige manejo rigoroso para evitar a morte da cultura principal.

Híbrido: Semente resultante do cruzamento controlado entre duas linhagens geneticamente puras para obter maior vigor e produtividade. O uso de híbridos no sorgo garante lavouras mais uniformes e com maior teto produtivo do que as variedades comuns.

Como a tecnologia ajuda você a lucrar mais com o Sorgo Safrinha

Decidir entre o milho e o sorgo ou definir a dose exata de adubo exige mais do que intuição; exige dados confiáveis. Ferramentas de gestão agrícola como o Aegro ajudam a resolver esses desafios ao centralizar o controle financeiro e operacional da fazenda. Com o software, você consegue comparar os custos de produção e a rentabilidade real de cada talhão, garantindo que o investimento em sementes híbridas e fertilizantes se transforme em lucro, sem surpresas no fim da safra.

Além disso, para não perder a janela de plantio — que é o maior risco do sorgo — o Aegro permite o planejamento e o acompanhamento das atividades em tempo real, direto pelo celular. Isso facilita a coordenação das equipes e garante que o manejo, desde a profundidade da semente até a colheita, seja executado no momento certo, evitando perdas por degradação no campo ou ataques de pragas.

Vamos lá?

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Perguntas Frequentes

Por que o sorgo é considerado mais seguro que o milho para o plantio após 15 de fevereiro?

O sorgo possui uma tolerância à seca significativamente superior à do milho e um sistema radicular mais eficiente na busca por umidade em camadas profundas do solo. Enquanto o milho plantado tardiamente corre alto risco de quebra na floração devido a veranicos, o sorgo oferece estabilidade produtiva e custos de implementação reduzidos, protegendo o capital do produtor em janelas apertadas.

Qual a importância de escolher híbridos de sorgo sem tanino no Cerrado?

O mercado brasileiro de ração animal exige grãos sem tanino, pois essa substância pode prejudicar a digestibilidade e o aproveitamento nutricional pelos animais. No Brasil Central, como a pressão de pássaros é diferente da região Sul, o uso de materiais sem tanino garante que o produtor tenha maior liquidez e melhor aceitação comercial do seu produto nas indústrias.

O que acontece se a semente de sorgo for plantada em profundidade excessiva?

Por ser uma semente pequena e com pouca reserva de energia, o plantio abaixo de 4 cm dificulta a emergência da plântula, resultando em falhas graves no estande e plantas fracas. A profundidade ideal é de 2 a 3 cm, garantindo o contato com a umidade sem impedir que o broto consiga romper a superfície do solo com vigor.

É realmente necessário adubar o sorgo ou ele produz bem apenas com o residual da soja?

Embora o sorgo seja rústico, ele exige nutrientes para expressar seu potencial produtivo; sem adubação, a colheita pode cair de 7 para menos de 3 toneladas por hectare. Além disso, o sorgo exporta muito nitrogênio e fósforo para os grãos, e não repor esses nutrientes pode esgotar o solo e prejudicar a produtividade da safra de verão seguinte.

Como as baixas temperaturas afetam o desenvolvimento do sorgo safrinha?

O sorgo é uma planta de clima tropical que tem seu metabolismo prejudicado quando as temperaturas caem abaixo de 16°C. O maior risco ocorre se o frio atingir a lavoura durante a fase de floração, o que pode causar o abortamento de flores e impedir a formação de grãos, comprometendo totalmente a rentabilidade da safra.

Por que se recomenda reduzir a população de plantas em plantios tardios?

Em janelas de plantio tardias, a oferta de chuvas é menor e a reserva de água no solo se esgota mais rápido. Ao reduzir a população para cerca de 100 a 150 mil plantas por hectare, diminui-se a competição por água, garantindo que as plantas sobreviventes consigam completar o ciclo e produzir grãos de melhor qualidade, mesmo com menos umidade.

Quais os principais riscos do consórcio de sorgo com braquiária?

O principal desafio é a competição por água, que pode prejudicar o sorgo se a seca for severa. Outro ponto crítico é o manejo de plantas daninhas, pois o sorgo é sensível aos graminicidas usados no milho, impedindo o uso desses químicos para controlar o crescimento da braquiária, o que exige um ajuste preciso na densidade de sementes do capim.

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