Sorgo ou Milho na Nutrição Animal: Guia Definitivo [2025]

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Índice

Sorgo ou Milho? Onde você ganha (e onde empata) na nutrição

Você já deve ter ouvido na roda de conversa no sindicato rural: “Sorgo é primo pobre do milho”. Mas na hora que a chuva corta e o veranico aperta, quem tem sorgo no pasto ou no silo dorme mais tranquilo.

A conta é simples e direta. Para produzir 1 kg de matéria seca, o milho pede 370 kg de água. O sorgo precisa de apenas 330 kg. Essa raiz profunda e ramificada busca água onde o milho já teria entregado os pontos.

Na nutrição animal, o sorgo não é apenas um “quebra-galho”. Ele é uma estratégia de segurança. O valor energético do grão de sorgo é cerca de 90% do valor do milho. E tem um detalhe importante: ele costuma ter um pouco mais de proteína (9,5%) e menos óleo. Ou seja, sabendo usar, o boi engorda e o custo da arroba produzida cai.


Qual variedade plantar? Não erre na escolha da semente

O erro mais comum que vejo por aí é produtor comprando semente pelo preço, sem olhar a finalidade. Se você plantar sorgo granífero querendo fazer volumoso, vai faltar comida. Se plantar forrageiro querendo grão, vai colher pouco.

Vamos separar o joio do trigo (ou melhor, os tipos de sorgo):

  1. Sorgo Granífero (Porte Baixo): A planta é baixinha, menos de 1,5m. O foco aqui é colher grão (60% da planta é grão). É ideal para ração de ruminantes e monogástricos, rico em amido.
  2. Sorgo Forrageiro (Porte Alto): Essas são as plantas gigantes, acima de 2 metros, algumas chegando a 3 metros. O foco é massa verde para silagem.
  3. Sorgo Duplo Propósito (Porte Médio): Fica no meio termo, entre 2m e 2,5m. Produz uma boa quantidade de grãos (30% a 40%) e uma boa massa. Equilibra bem para quem quer silagem com mais energia.
  4. Sorgo de Corte e Pastejo: Geralmente cruzamento com capim-sudão. Cresce rápido, rebrota bem e aguenta o pisoteio do gado.

💡 DICA DE QUEM JÁ FEZ: Se o seu objetivo é silagem, procure híbridos modernos que tenham boa proporção de grãos na massa. O desempenho do animal no cocho aumenta quando tem mais grão misturado na fibra.


O Segredo da Silagem: Acerte o Ponto de Colheita

Seu João, lá do norte de Minas, perdeu um silo inteiro ano passado porque colheu o sorgo muito verde. O resultado? O silo “chorou” (produziu muito efluente), perdeu nutriente e a fermentação ficou ruim.

Para não jogar dinheiro fora, o ponto de colheita é tudo. O ideal é quando a planta tem entre 27% e 35% de matéria seca.

Como saber isso no campo? Olhe o grão. Ele deve estar no estágio leitoso para pastoso.

  • Muito úmido: A silagem fica ácida demais, o gado rejeita e você perde nutrientes na água que escorre.
  • Muito seco: É difícil compactar, fica ar dentro do silo, esquenta demais e cria fungo.

Outra coisa: o sorgo rebrota. O sistema radicular continua vivo. Se chover e você adubar, a rebrota pode render de 40% a 60% da produção do primeiro corte. É comida extra quase de graça.

⚠️ ATENÇÃO: Híbridos de sorgo no estágio de grão leitoso têm a fibra mais digestível. Mas, conforme o grão amadurece e enche de amido, esse ganho de energia compensa a fibra que endureceu. O equilíbrio está no grão pastoso.


Pastejo Direto: Cuidado com a Intoxicação (Tem Solução)

Uma dúvida que sempre aparece e assusta muita gente: “Sorgo mata gado envenenado?”.

A resposta honesta é: pode acontecer, mas é erro de manejo. O sorgo (especialmente na rebrota jovem) tem um composto chamado durrina, que vira ácido cianídrico na barriga do boi. Isso impede o sangue de carregar oxigênio e o animal sufoca.

Mas calma, não precisa ter medo de usar. É só seguir a régua.

Kit de produção rentável de milho

A Regra de Ouro da Altura: O risco de intoxicação é alto quando a planta é baixinha. Quando o híbrido (sorgo com capim-sudão) passa de 60 cm, o perigo cai drasticamente.

Protocolo de Segurança para Pastejo:

  1. Só coloque o gado quando as plantas tiverem 1,0 metro de altura.
  2. Evite colocar animais muito jovens ou famintos de uma vez.
  3. Não coloque o gado logo após geada ou seca muito brava (o veneno concentra).

Adaptação do rebanho:

  • 1ª Semana: Pastejo só de manhã, máximo 3 horas/dia.
  • 2ª Semana: Máximo 6 horas/dia.
  • 3ª Semana: Pode deixar o dia todo, tira à noite.

📊 NÚMEROS QUE IMPORTAM: Um sistema bem manejado de sorgo de corte permite até três cortes/pastejos. O primeiro corte pode render de 45 a 60 toneladas de matéria verde por hectare. É muita comida num curto espaço de tempo.


Tanino e Digestibilidade: O que é verdade?

Antigamente, todo mundo fugia do sorgo por causa do tanino. Falavam que “amarrava” o intestino do bicho.

O tanino é uma defesa da planta contra pássaros e doenças. Para galinhas e porcos (monogástricos), ele realmente atrapalha a digestão. Mas para o gado (ruminantes)? A história é outra. O boi digere bem sorgo com tanino, sem perda de ganho de peso.

A boa notícia é que hoje, a grande maioria dos híbridos plantados na safrinha e vendidos para ração não tem tanino. O mercado já resolveu isso.

Fique de olho no Sorgo BMR: Você já viu sorgo com a nervura da folha marrom? Esse é o tal do BMR (Brown Midrib). Ele tem menos lignina (a parte dura da fibra).

  • Menos lignina = Mais fácil de digerir.
  • Mais digestão = O boi come mais.
  • Boi que come mais = Ganha peso mais rápido.

E se o gado intoxicar? (Receita de Emergência)

Se acontecer o pior e algum animal apresentar sintomas (baba, dificuldade de respirar, tremores) por comer sorgo muito novo, tem salvação se agir rápido.

Os veterinários recomendam uma mistura de duas soluções para dar ao animal beber:

  • Solução A: Sulfato ferroso (158g) + Ácido cítrico (3g) em 1 litro de água.
  • Solução B: Carbonato de sódio (60g) em 1 litro de água.

Misture 50 ml da A com 50 ml da B e dê para o animal. Mas lembre-se: o melhor remédio é respeitar a altura de entrada no pasto.


O sorgo é ferramenta de quem quer garantir a produção o ano todo, independente se São Pedro vai colaborar ou não. Seja no silo, no grão ou no pastejo, ele entrega resultado se for tratado com o manejo que merece.


Glossário

Matéria Seca (MS): Representa o peso do alimento após a retirada de toda a sua umidade, onde se concentram efetivamente os nutrientes. É o parâmetro fundamental para calcular a dieta animal e medir a produtividade real da lavoura.

Durrina: Glicosídeo cianogênico presente no sorgo que, ao ser ingerido, transforma-se em ácido cianídrico, uma substância altamente tóxica para o gado. Sua concentração é maior em plantas jovens, diminuindo conforme a cultura amadurece.

Sorgo BMR (Brown Midrib): Híbridos que apresentam uma mutação genética visível pela nervura marrom na folha, indicando baixos teores de lignina. Essa característica melhora significativamente a digestibilidade da fibra, aumentando o consumo e o ganho de peso do animal.

Estimativa da Produtividade do Milho

Efluente de Silagem: Líquido rico em açúcares e nutrientes que escorre do silo quando a planta é colhida com muita umidade. Além de representar perda de valor nutritivo, sua produção excessiva prejudica a fermentação e a conservação da silagem.

Estágio Pastoso: Fase de maturação do grão onde o conteúdo interno deixa de ser leitoso e adquire consistência de massa. É o indicador técnico ideal para a colheita de silagem, pois garante o equilíbrio entre energia (amido) e facilidade de compactação.

Lignina: Componente estrutural da planta que confere rigidez, mas que não é digerido pelos animais. Altos níveis de lignina tornam a pastagem ou silagem mais “dura”, reduzindo o aproveitamento total dos alimentos pelo rebanho.

Tanino: Substância de defesa da planta que pode conferir um sabor adstringente ao grão, protegendo-o contra pássaros e fungos. Em altas concentrações, pode reduzir a digestibilidade das proteínas, especialmente para animais monogástricos como suínos e aves.

Veja como o Aegro ajuda você a lucrar mais com o sorgo

Escolher entre o sorgo e o milho é apenas o primeiro passo para garantir a segurança alimentar do seu rebanho. O verdadeiro desafio está em transformar essa escolha em números positivos no final da safra. Ferramentas como o Aegro facilitam essa gestão ao permitir o acompanhamento detalhado dos custos de produção por talhão, ajudando você a comparar a rentabilidade real de cada cultura e a decidir com base em dados, não apenas no instinto.

Além disso, coordenar o ponto de colheita da silagem ou o momento exato de entrada do gado no pastejo exige organização. Com o Aegro, você consegue planejar e registrar todas as atividades de campo em tempo real pelo celular, garantindo que o manejo da rebrota e o controle de insumos sejam feitos sem desperdícios. Isso traz a previsibilidade necessária para quem busca eficiência operacional e segurança financeira no dia a dia da fazenda.

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Perguntas Frequentes

Por que o sorgo é considerado mais vantajoso que o milho em regiões com risco de seca?

O sorgo possui um sistema radicular mais profundo e ramificado que o do milho, o que permite buscar água em camadas onde outras plantas já teriam morrido. Além disso, ele é mais eficiente no uso de recursos, precisando de aproximadamente 330 kg de água para produzir 1 kg de matéria seca, enquanto o milho exige cerca de 370 kg.

Como identificar visualmente o momento exato para colher o sorgo para silagem?

O ponto ideal ocorre quando a planta apresenta entre 27% e 35% de matéria seca, o que pode ser verificado observando o grão: ele deve estar no estágio entre leitoso e pastoso. Colher antes desse ponto gera perda de nutrientes por escorrimento de líquidos, enquanto colher depois dificulta a compactação e favorece o surgimento de fungos.

Quais são as principais medidas para evitar a morte do gado por intoxicação no pastejo de sorgo?

A regra de ouro é nunca permitir o pastejo em plantas com menos de 60 cm de altura, sendo o ideal aguardar que atinjam 1 metro. Nessas alturas maiores, a concentração de durrina (que se transforma em ácido cianídrico) é drasticamente reduzida, tornando o consumo seguro, especialmente se for feita uma adaptação gradual do rebanho nas primeiras semanas.

Qual é a diferença prática entre o sorgo granífero, forrageiro e de duplo propósito?

O sorgo granífero é de porte baixo e focado na produção de grãos para ração; o forrageiro é alto (até 3 metros) e prioriza o volume de massa verde para silagem; já o de duplo propósito equilibra altura e produção de grãos. A escolha depende da sua necessidade: se precisa de energia concentrada, massa volumosa ou um equilíbrio entre fibra e amido.

O que é o sorgo BMR e por que ele tem sido tão recomendado para a nutrição animal?

O sorgo BMR (Brown Midrib) é uma variedade que possui uma mutação natural que deixa a nervura da folha marrom e, mais importante, reduz a quantidade de lignina na planta. Com menos lignina, a fibra se torna muito mais digestível para o gado, o que aumenta o consumo voluntário e acelera o ganho de peso do animal no cocho.

É possível obter uma segunda colheita na mesma safra utilizando a rebrota do sorgo?

Sim, o sorgo tem uma excelente capacidade de rebrota, pois seu sistema radicular permanece vivo após o corte. Se houver umidade residual e for feita uma adubação nitrogenada de cobertura, a rebrota pode entregar entre 40% e 60% do volume produzido no primeiro corte, garantindo comida extra com um custo de implantação praticamente zero.

O tanino presente em algumas variedades de sorgo realmente prejudica a engorda do boi?

Embora o tanino possa atrapalhar a digestão de aves e suínos, o sistema digestivo dos ruminantes consegue processar bem variedades com tanino sem perda significativa de peso. Contudo, o mercado atual já oferece diversos híbridos modernos que são livres de tanino, eliminando essa preocupação para o pecuarista.

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