Suinocultura: Granja ou Sistema? 3 Métricas de Lucro [2025]

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Índice

Granja ou Sistema de Produção: Qual a Diferença e Por Que Isso Muda Seu Lucro?

Muita gente acha que ter um galpão e colocar uns porcos dentro é ter uma produção de suínos. Mas aqui vai a real: granja é só o lugar (o tijolo, o telhado). Já o sistema de produção é como tudo funciona junto: você, os animais, a comida, a água e o manejo.

Pense numa lavoura: não adianta ter a melhor terra se a semente é ruim ou se chove na hora errada. Na suinocultura é igual. Um sistema desequilibrado – por exemplo, com instalações de ponta mas higiene fraca – vai abrir a porteira para doenças.

Para ganhar dinheiro, todas as peças desse ecossistema precisam andar juntas. O comportamento do dono (ou seja, o seu) é o que define se a conta fecha no azul ou no vermelho.


Qual o Melhor Modelo para Começar: Confinado, Extensivo ou ao Ar Livre?

Seu Zé, lá do interior do Paraná, tentou criar porco solto no mato achando que ia economizar ração. O resultado? Animais gordos demais, carne que o frigorífico não queria e pouca produtividade.

Isso acontece porque o sistema extensivo (o famoso “porco caipira” solto sem controle) serve mais para subsistência. O mercado hoje quer carne magra, e isso exige genética e controle.

Então, quais são as opções reais para quem quer produzir de verdade?

  1. Confinado: O animal fica fechado do nascimento ao abate. Tem controle total, mas o custo de construção é alto.
  2. SISCAL (Sistema Intensivo de Suínos Criados ao Ar Livre): Aqui está o “pulo do gato” para quem quer gastar menos na implantação.

Como Montar os Piquetes no Sistema ao Ar Livre (SISCAL) Sem Dor de Cabeça?

Você deve estar se perguntando: “Mas Seu Antônio, se eu deixar a porca no pasto, ela não vai destruir tudo ou fugir?” Essa é a dúvida número um de quem visita uma granja ao ar livre.

O segredo aqui é o manejo do terreno e da cerca. Não adianta soltar o bicho em qualquer morro. O terreno não pode ser muito inclinado (máximo 15% de caída) e tem que drenar bem a água da chuva para não virar um lamaçal.

O Que Você Precisa Ter no Piquete:

  • Cerca Elétrica: É o que segura o animal. Use fios eletrificados bem esticados. Se faltar luz ou o aparelho pifar, tenha um reserva.
  • Cabanas: Servem para proteger do sol, da chuva e para o parto. O modelo “iglu” ou tipo galpão (de zinco e ferro) são os mais usados.
  • Pasto Resistente: O porco pisa muito. Plante capins “duros na queda” como a Estrela Africana, Tifton ou Bermuda. Se o chão ficar careca, tem que tirar os animais e replantar.
  • Água Fresca: Encanamento enterrado (35 cm de profundidade) para a água não esquentar no sol.

Instalações: Tudo Junto ou Separado?

Imagine a confusão que é tentar separar leitão recém-nascido de porco de engorda no mesmo corredor. O manejo vira um caos e a doença de um passa para o outro num piscar de olhos.

A regra de ouro é a seguinte:

  • Até 60 matrizes: Dá para fazer tudo num prédio único. Mas organize o fluxo! As fêmeas saem da gestação para a maternidade e depois voltam. Os leitões seguem a linha: creche -> crescimento -> terminação.
  • Mais de 60 matrizes: Aqui não tem jeito, precisa separar. O ideal é ter prédios distintos. De um lado os reprodutores, no centro a maternidade/creche e do outro a terminação.

Essa divisão não é frescura, é para garantir que você consiga limpar, desinfetar e manejar cada fase do jeito certo.


Onde o Dinheiro Escapa: Métodos para Medir o Lucro e a Perda

Muitos produtores trabalham o ano todo e, no final, não sabem se tiveram lucro real. Você já teve essa sensação de “trabalhar de graça”?

O único jeito de saber a verdade é anotando tudo. Quem não mede, não gerencia. Vamos aos números que mostram onde está o vazamento de dinheiro na sua propriedade:

1. Taxa de Concepção (TC)

Se você cobriu 100 porcas e só 85 prenharam, sua taxa é 85%. Por que importa? Porca vazia come a mesma ração da porca prenhe, mas não te dá leitão. Detectar falhas rápido (retorno ao cio) economiza ração.

2. Mortalidade

Não é só contar os mortos. Tem que saber quando morreram.

  • Natimortos: Nasceu morto? Pode ser problema no parto ou manejo da porca.
  • Esmagados/Mortos na maternidade: Erro de manejo ou frio/calor excessivo.
  • Mortalidade de Matrizes: Se suas porcas estão morrendo, seu custo fixo vai para as alturas.

3. Dias Não Produtivos (DNP)

Esse é o vilão silencioso. São os dias que a fêmea não está nem prenhe, nem amamentando. Ela está lá, ocupando espaço, comendo, bebendo, gastando remédio e não está produzindo nada.


Glossário

SISCAL (Sistema Intensivo de Suínos Criados ao Ar Livre): Modelo de produção que mantém as fases de reprodução e maternidade em áreas externas (piquetes), visando menor investimento em instalações e maior bem-estar animal. É uma alternativa técnica de baixo custo para pequenos e médios produtores brasileiros.

Destrompe: Técnica de manejo que utiliza um pequeno anel metálico no septo nasal do suíno para desencorajar o comportamento natural de fuçar o solo. Essencial em sistemas ao ar livre para preservar a cobertura vegetal do pasto e evitar processos erosivos.

Matrizes: Fêmeas reprodutoras selecionadas por seu potencial genético para a geração e desmame de leitões saudáveis. Representam a base produtiva da granja e exigem controle rigoroso de sanidade e nutrição.

Terminação: Fase final da criação onde os animais recebem dieta específica para ganho acelerado de peso e deposição de carne magra até atingirem o padrão de abate. É o período de maior consumo de insumos e impacto direto no custo final de produção.

Dias Não Produtivos (DNP): Indicador que contabiliza o tempo em que a fêmea reprodutora permanece na granja sem estar gestante ou amamentando. Quanto menor esse índice, maior é a eficiência econômica, pois reduz o gasto com animais que não estão gerando receita.

5 planilhas para controle da fazenda

Taxa de Concepção (TC): Índice que mede a porcentagem de fêmeas que ficaram prenhas em relação ao total de animais que passaram pelo processo de cobertura ou inseminação. Serve para avaliar a fertilidade do plantel e a qualidade do manejo reprodutivo.

Natimortos: Termo técnico para leitões que nascem mortos após o período completo de gestação, geralmente devido a problemas no parto ou deficiências no manejo da matriz. Diferem dos mumificados, pois sua morte ocorre próximo ou durante o nascimento.

Como profissionalizar a gestão da sua produção

Para que o seu sistema de produção seja realmente lucrativo, o controle rigoroso dos números é indispensável. Deixar de lado o caderninho e adotar ferramentas de gestão como o Aegro permite centralizar o acompanhamento de custos e a produtividade de cada lote de forma simples e intuitiva. Com relatórios automáticos, você consegue enxergar exatamente onde estão os gargalos financeiros, como o impacto dos Dias Não Produtivos (DNP), transformando simples anotações em decisões que protegem o seu bolso e aumentam a eficiência da granja.

Vamos lá?

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Perguntas Frequentes

Qual é a principal diferença entre uma granja e um sistema de produção de suínos?

Enquanto a granja se refere apenas à infraestrutura física, como galpões e telhados, o sistema de produção engloba a interação dinâmica entre animais, nutrição, ambiente e o manejo do produtor. Um sistema equilibrado garante que falhas em uma área, como a higiene, não anulem os investimentos feitos em instalações modernas, sendo o comportamento do dono o fator decisivo para o lucro.

Por que o sistema SISCAL é considerado mais vantajoso financeiramente para quem está começando?

O SISCAL é altamente vantajoso porque reduz os custos de implantação em cerca de 44% ao utilizar piquetes ao ar livre em vez de galpões fechados para as fases iniciais. Além disso, o custo para produzir cada leitão cai em torno de 30%, tornando-se uma alternativa estratégica para quem tem pouco capital mas deseja manter o controle técnico e a qualidade exigida pelo mercado.

Quais são os cuidados essenciais para manter o pasto dos piquetes sempre saudável?

Para preservar a pastagem, é fundamental escolher espécies resistentes ao pisoteio, como Tifton ou Estrela Africana, e utilizar o ‘destrompe’ no focinho dos porcos para evitar que cavem o solo. Também é necessário monitorar a inclinação do terreno (máximo 15%) e fazer o rodízio ou replantio caso o pasto comece a apresentar falhas, garantindo que o ambiente não se transforme em um lamaçal.

Como a estrutura das instalações deve mudar de acordo com o tamanho do plantel?

Em granjas pequenas, com até 60 matrizes, é possível concentrar a produção em um prédio único, desde que o fluxo entre gestação, maternidade e terminação seja rigorosamente organizado. Já para plantéis acima de 60 matrizes, a separação em prédios distintos torna-se indispensável para garantir a biosseguridade, facilitar a desinfecção e otimizar o manejo de cada fase de crescimento.

O que são os Dias Não Produtivos (DNP) e por que eles são perigosos para o lucro?

Os Dias Não Produtivos são os períodos em que a fêmea não está prenhe nem amamentando, ou seja, ela consome recursos como ração e medicamentos sem gerar novos leitões. Reduzir o DNP é uma das formas mais baratas de aumentar o lucro; um ajuste de apenas 10 dias no manejo pode resultar em quase um leitão a mais por porca ao ano, sem custos extras de alimentação.

Por que o sistema extensivo (‘porco caipira’) não é recomendado para escala comercial?

O sistema extensivo sem controle técnico costuma gerar animais com excesso de gordura e baixa produtividade, características que não atendem às exigências dos frigoríficos modernos. O mercado atual demanda carne magra e padronizada, o que exige genética selecionada e um sistema de produção controlado (confinado ou SISCAL) que monitore de perto a nutrição e o ganho de peso.

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