Índice
- Quem Precisa Comer Mais Que Pasto? (Categorias Prioritárias)
- Como Saber se a Vaca Está Magra Demais? (Olho no Escore)
- Proteína ou Energia: O Que Jogar no Cocho?
- O Medo da Ureia: Funciona ou Mata?
- Suplemento Líquido: Uma Alternativa Prática?
- Sal Mineral: Onde o Produtor Mais Erra
- A Estratégia das Águas: Suplementar Quando Chove?
- Cocho: Quantidade e Localização Fazem Diferença
- Glossário
- Como a tecnologia ajuda a transformar o manejo no cocho em lucro
- Perguntas Frequentes
- Qual categoria animal deve ser a prioridade absoluta na hora de suplementar o rebanho?
- Como diferenciar a necessidade de suplemento proteico da necessidade de suplemento energético?
- O que acontece se eu não fizer a adaptação gradual da ureia no cocho?
- Por que o gado no Pantanal costuma rejeitar o sal mineral comum em áreas de salinas?
- Vale a pena investir em sal mineral com vitaminas A, D e E para gado criado a pasto?
- Qual é a importância de manter o cocho de suplementação sempre coberto?
- Artigos Relevantes
Quem Precisa Comer Mais Que Pasto? (Categorias Prioritárias)
Seu João, lá da Nhecolândia, me perguntou outro dia por que a bezerrada do vizinho desmamava mais pesada, mesmo com o pasto parecido. A resposta estava no cocho. Não adianta querer tratar todo mundo igual quando o cinto aperta.
No campo, a gente sabe que o dinheiro não aceita desaforo. Se o pasto está curto ou fraco, você não pode deixar a “fábrica” parar. Quem são as prioridades? As vacas de cria — principalmente aquelas que estão para parir ou que já estão com o bezerro no pé —, as novilhas que vão entrar na reprodução e os bezerros de 3 a 5 meses.
Essas categorias são as mais exigentes. Se a vaca emagrece demais agora, ela não emprenha na próxima estação. É prejuízo dobrado.
Como Saber se a Vaca Está Magra Demais? (Olho no Escore)
Você já olhou para o gado no pasto e ficou na dúvida se ele aguenta o inverno ou a cheia? O segredo não é chutar, é avaliar o Escore de Condição Corporal.
A melhor hora para fazer isso é antes do parto. Naquela escala que a gente usa de 1 a 9, a vaca de cria precisa estar, no mínimo, com nota 5. Se ela parir abaixo disso, vai sofrer para dar leite e, pior, vai demorar muito para entrar no cio de novo.
Se a vaca estiver “sentida” (abaixo de 5), o suplemento tem que entrar para recuperar esse animal antes que seja tarde.
Proteína ou Energia: O Que Jogar no Cocho?
Essa é a dúvida de um milhão de reais. Muita gente gasta dinheiro com o suplemento errado na hora errada. No Pantanal, a regra muda conforme a água sobe ou desce.
1. Na Cheia (Água Alta): As partes baixas, onde tem o capim bom, ficam debaixo d’água. O gado vai para o “duro”, onde sobra capim-carona ou vermelho. Esse pasto enche a barriga, mas é fraco (tem menos de 7% de proteína).
- O que fazer: O gado não consegue aproveitar esse capim sozinho. Aqui entra a suplementação proteica. Ela ajuda o boi a digerir essa fibra dura.
2. Na Seca ou Ano Normal: As áreas baixas secam e liberam pasto de qualidade. O problema aqui geralmente é quantidade, principalmente se tiver muito boi no pasto (superpastejo).
- O que fazer: Se falta pasto, falta “combustível”. Aqui a necessidade costuma ser de suplementação energética para fechar a conta do consumo diário.
O Medo da Ureia: Funciona ou Mata?
Todo produtor conhece uma história de gado que morreu intoxicado com ureia. Mas também sabe que quem usa direito, ganha dinheiro. A ureia é uma fonte barata de nitrogênio que faz a flora do rúmen trabalhar dobrado, aproveitando aquele capim seco que não valeria nada.
Mas atenção: ureia não faz milagre sem pasto. O gado precisa ter “bucha”, precisa ter capim seco para comer, senão a ureia não funciona. E nunca dê ela pura.
Suplemento Líquido: Uma Alternativa Prática?
Para quem tem receio da mistura seca ou quer facilitar o manejo, o suplemento líquido (geralmente melaço + ureia) é uma opção interessante. O risco de intoxicação é menor porque a mistura já vem balanceada.
O consumo gira em torno de 1g por kg de peso vivo (um boi de 400kg consome 400g). Mas o gado é esperto: se o pasto estiver muito bom (nas vazantes, por exemplo), eles bebem menos suplemento. Se o pasto piora, eles procuram mais o cocho.
Sal Mineral: Onde o Produtor Mais Erra
Você sabia que o boi pode comer osso e pegar botulismo só porque você economizou no saco de sal? No Pantanal, o solo arenoso é pobre, pobre mesmo. Faltam principalmente:
- Fósforo (P)
- Cálcio (Ca)
- Cobre (Cu)
- Zinco (Zn)
Se faltar Fósforo, a vaca não emprenha e o boi quebra osso à toa. Mas cuidado com as “misturas milagrosas”.
A Estratégia das Águas: Suplementar Quando Chove?
Parece conversa de vendedor, mas os números não mentem. Pesquisas na Nhecolândia mostraram algo impressionante.
Quem deu suplemento mineral completo apenas na época das águas (quando o pasto está bom) teve um aumento de 14% na taxa de natalidade em comparação com quem deu só sal comum. Se der o ano todo, o aumento foi de 16,7%.
Ou seja, tratar bem da vaca quando o pasto está verde (suplementação estratégica) dá quase o mesmo resultado que tratar o ano todo, mas gastando menos.
Cocho: Quantidade e Localização Fazem Diferença
Não adianta comprar o melhor produto e colocar num cocho podre ou mal localizado. Nas invernadas grandes do Pantanal, o gado não pode andar léguas para lamber sal.
O ideal são pelo menos dois cochos por invernada, perto da água (baías, pilhetas). E tem que ser coberto.
Por que cobrir?
- Para não empedrar o sal (ninguém merece quebrar pedra no sol).
- Para evitar a “salmoura tóxica”. Se chover no sal com ureia e formar aquela aguinha, o bezerro que beber pode morrer.
Glossário
Escore de Condição Corporal (ECC): Método visual e tátil utilizado para avaliar o nível de reserva de gordura e músculo do animal, geralmente em uma escala de 1 a 9. É uma ferramenta essencial para o manejo reprodutivo, permitindo identificar quais vacas precisam de reforço nutricional para emprenhar.
Suplementação Proteica: Fornecimento de nutrientes ricos em nitrogênio que alimentam as bactérias do rúmen, permitindo que o gado consiga digerir capins secos ou fibrosos de baixa qualidade. É estratégica para evitar que o animal perca peso quando o pasto está ‘maduro’ ou seco.
Suplementação Energética: Aporte nutricional focado em fornecer calorias (carboidratos e gorduras) quando a quantidade de pasto disponível é insuficiente para manter o peso do animal. Serve como um ‘combustível’ extra para suprir a demanda diária de energia do rebanho.
Flora do Rúmen: Conjunto de microrganismos (bactérias, fungos e protozoários) que vivem no estômago do boi e realizam a fermentação do capim. É essa microbiota que transforma a fibra da pastagem em nutrientes que o animal consegue absorver.
Botulismo: Doença causada por toxinas de uma bactéria que pode levar à paralisia e morte do animal, frequentemente associada à ingestão de carcaças ou ossos no pasto. Esse comportamento de ‘comer ossos’ é geralmente causado pela falta de minerais, como o fósforo, na dieta do gado.
Peso Vivo (PV): Peso total do animal medido na balança antes de qualquer desconto de carcaça ou jejum. É a unidade de medida fundamental para calcular o consumo de suplementos e a dosagem de medicamentos na pecuária.
Vazantes: Áreas de drenagem natural típicas do Pantanal que retêm umidade e mantêm pastagens verdes de alta qualidade por mais tempo após as cheias. São regiões estratégicas para o pastejo devido ao alto valor nutritivo da forragem disponível.
Superpastejo: Manejo inadequado onde o número de animais no pasto é superior à capacidade de crescimento do capim. Isso resulta em pasto rapado, degradação do solo e queda drástica no desempenho produtivo do rebanho.
Como a tecnologia ajuda a transformar o manejo no cocho em lucro
Gerenciar a suplementação mineral e proteica exige um controle rigoroso para que o investimento no campo realmente se transforme em ganho de peso e fertilidade. O Aegro ajuda a centralizar essa gestão, permitindo que você acompanhe o custo exato de cada lote e o consumo de insumos em tempo real. Isso evita desperdícios com suplementos desnecessários e garante que as categorias prioritárias, como as vacas de cria, recebam o aporte nutricional correto no momento estratégico, otimizando o fluxo de caixa.
Além disso, a organização das atividades operacionais, como o cronograma de adaptação à ureia e a reposição dos cochos em invernadas distantes, torna-se muito mais simples com o planejamento digital. Em vez de lidar com anotações dispersas, você utiliza o software para monitorar o desempenho da fazenda e gerar relatórios financeiros precisos, facilitando a prestação de contas e a sucessão familiar com base em dados reais de produtividade.
Vamos lá? Quer modernizar a gestão do seu rebanho e ter total controle sobre os custos da sua pecuária? Experimente o Aegro gratuitamente e veja na prática como tomar decisões mais seguras para aumentar a rentabilidade da sua fazenda.
Perguntas Frequentes
Qual categoria animal deve ser a prioridade absoluta na hora de suplementar o rebanho?
As prioridades estratégicas são as vacas de cria (especialmente no pré-parto ou com bezerro ao pé), as novilhas de reposição e os bezerros de 3 a 5 meses. Garantir o aporte nutricional dessas categorias evita que a ‘fábrica’ de bezerros pare, assegurando que as fêmeas mantenham o escore corporal necessário para emprenhar novamente na próxima estação.
Como diferenciar a necessidade de suplemento proteico da necessidade de suplemento energético?
A escolha depende da qualidade e quantidade de pasto disponível. O suplemento proteico é indicado quando há capim seco ou ‘duro’ (fibroso), pois a proteína ajuda os microrganismos do rúmen a digerirem essa fibra. Já o suplemento energético deve ser usado quando o pasto tem qualidade, mas a quantidade é insuficiente para suprir a demanda calórica do animal, como em situações de superpastejo.
O que acontece se eu não fizer a adaptação gradual da ureia no cocho?
O fornecimento súbito de altas doses de ureia pode causar intoxicação grave e morte rápida dos animais, pois o rúmen não está preparado para processar o nitrogênio em excesso. É fundamental seguir um cronograma de adaptação de três semanas (10%, 25% e 40% na mistura) para que a flora ruminal se ajuste com segurança ao novo componente.
Por que o gado no Pantanal costuma rejeitar o sal mineral comum em áreas de salinas?
Em regiões de salinas, a água e as pastagens já possuem altos níveis de sódio, o que faz com que o gado não sinta necessidade de lamber o sal comum. Nesses casos, o produtor deve misturar atrativos como melaço ou farelos (milho/soja) ao suplemento mineral para estimular o consumo de micronutrientes essenciais, como o fósforo, que continuam sendo deficientes no solo.
Vale a pena investir em sal mineral com vitaminas A, D e E para gado criado a pasto?
Geralmente não, pois é um investimento que não traz retorno prático nesses sistemas. O gado criado a pasto já obtém vitamina D através da exposição solar e as vitaminas A e E diretamente do consumo de forragem verde, tornando a suplementação vitamínica no cocho um gasto desnecessário que poderia ser direcionado para minerais como o fósforo.
Qual é a importância de manter o cocho de suplementação sempre coberto?
A cobertura protege o suplemento contra a chuva, evitando que o sal empedre e, principalmente, prevenindo a formação da ‘salmoura tóxica’ em misturas com ureia. Quando a água acumula no cocho com ureia, o animal pode ingerir uma dose letal em poucos goles, transformando o suplemento em um veneno perigoso para o rebanho.
Artigos Relevantes
- Brachiaria: O Guia Completo para Pastagem, Palhada e Integração Lavoura-Pecuária: Este artigo detalha a base forrageira que sustenta a pecuária a pasto mencionada no texto principal, ajudando o produtor a entender como manejar a Brachiaria para manter os níveis de proteína e energia. Ele complementa a discussão sobre suplementação ao focar na fonte primária de alimento antes que o uso do cocho seja necessário.
- Fazenda Quatro Maravilhas: Melhorando a Fazenda na Amazônia com Plantação, Gado e o Aegro: Este estudo de caso oferece uma aplicação prática de como o software Aegro ajuda na gestão da pecuária, conectando-se diretamente ao encerramento do artigo principal. Ele ilustra como a tecnologia facilita o controle de custos de suplementação e a produtividade em sistemas reais.
- Drenagem Agrícola: Guia Completo para Manejar o Excesso de Água na Lavoura: O artigo principal cita o Pantanal e os desafios das cheias e vazantes no manejo do gado. Este conteúdo sobre drenagem oferece uma perspectiva técnica valiosa sobre como lidar com solos encharcados e excesso de água, situações que impactam diretamente a disponibilidade de pasto de qualidade.
- Capim-Rabo-de-Raposa: Guia Completo de Identificação e Manejo na Lavoura: A presença de plantas invasoras é uma consequência comum do superpastejo mencionado no texto principal. Este guia ajuda o produtor a identificar e manejar gramíneas indesejadas que competem com o pasto bom, garantindo que a suplementação não seja desperdiçada em animais que comem forragem de baixa qualidade.
- Plantas de Cobertura: O Guia Completo para Proteger e Enriquecer seu Solo: O artigo principal destaca que a ureia não funciona sem ‘bucha’ ou palhada. Este guia sobre plantas de cobertura expande o conhecimento sobre como produzir essa palhada e melhorar a saúde do solo, o que reflete diretamente na qualidade mineral da pastagem disponível para as vacas de cria.

![Imagem de destaque do artigo: Suplementação de Vacas de Cria: Guia para Prenhez [2025]](/images/blog/geradas/suplementacao-vacas-cria-pastagem.webp)