Tipos de Feijão Mais Vendidos: Guia para Lucrar [2025]

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Índice

Qual Feijão o Mercado Realmente Quer Comprar?

Você já parou para pensar por que, às vezes, o vizinho vende a saca mais rápido que você? Muitas vezes, o segredo não está só na qualidade, mas no tipo de grão que se planta.

Aqui no Brasil, a conversa é reta: o Feijão Carioca é rei. Ele manda em cerca de 70% do mercado. Se você quer liquidez, é o caminho mais seguro.

Mas atenção, porque o Brasil é grande e o gosto muda:

  • Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro: O povo lá prefere o feijão Preto.
  • Interior de Minas e Goiás: Em alguns lugares, o queridinho é o Roxinho.

O problema é que, muitas vezes, o consumidor quer esses grãos especiais (como o Roxinho), mas não acha na prateleira ou o preço está lá nas nuvens. Ficar de olho nessas oportunidades regionais pode valer a pena se você tiver comprador certo.


Usar Semente de Verdade ou “Grão do Paiol”?

Vamos falar o que acontece na prática? A maioria dos produtores sabe que a semente certificada é garantia de vigor. Mas, na hora de fechar as contas da safra, muita gente acaba usando o próprio grão colhido ou comprando o famoso “grão de saco branco” para plantar.


Quero Produzir Semente Para Venda: O Que a Lei Exige?

Seu João, lá do Paraná, achou que para vender semente bastava ensacar o melhor talhão da fazenda. Quase levou uma multa pesada. Produzir semente é coisa séria e tem lei para isso.

Para entrar nesse jogo formalmente, você precisa seguir a Lei de Sementes e Mudas (Lei nº 10.711). Não tem atalho.

O que você precisa ter:

  1. Inscrição no Renasem: É o Registro Nacional de Sementes e Mudas, do Ministério da Agricultura.
  2. Responsável Técnico (RT): Um agrônomo que assine pela produção.
  3. Estrutura: Vínculo com certificadora, laboratório de análise e um amostrador oficial.

Sopa de Letrinhas: Genética, Básica, C1, C2, S1 e S2

Uma dúvida que sempre aparece na roda de conversa: “Qual a diferença entre semente C1 e S2? Posso plantar qualquer uma?”

Vamos descomplicar essa escadinha da produção:

  1. Semente Genética: É a mãe de todas. Fica lá na pesquisa (Embrapa, empresas), puríssima.
  2. Semente Básica: É a filha da Genética. A pesquisa multiplica ela para ter volume.
  3. Semente Certificada (C1 e C2): Aqui entra o produtor de sementes. A C1 é filha da Básica. A C2 é filha da C1. * Essas precisam de certificação oficial do Ministério ou credenciados.
  4. Sementes S1 e S2: São sementes não certificadas, mas fiscalizadas. A S1 vem da Certificada ou da Básica. A S2 vem da S1.

Como Saber se a Semente é Boa Mesmo? (Padrões de Qualidade)

Você já perdeu produtividade por estande falhado? A culpa quase sempre é da qualidade da semente. Para garantir que o lote presta, o produtor de sementes tem que vigiar duas frentes: o campo e o laboratório.

1. No Campo (Inspeção)

A lei pede, no mínimo, duas vistorias do agrônomo (Responsável Técnico). Mas quem é macaco velho sabe: só duas não garantem nada. Quanto mais o agrônomo andar no meio do feijão, menos surpresa ruim você tem na colheita.

O que ele olha?

  • Se a área está isolada (para não misturar com o feijão do vizinho).
  • Se tem planta daninha proibida.
  • Se foi feito o roguing (limpeza de plantas estranhas).

2. No Laboratório (A Prova Real)

Depois de colher, a semente vai para a análise. Os números mágicos para as categorias comerciais (C1, C2, S1, S2) são:

  • Germinação: Mínimo de 80%. Se nascer menos que isso, o lote é reprovado.
  • Pureza Varietal: 98%. De cada 100 sementes, 98 têm que ser exatamente daquela cultivar.
  • Pureza Física: Sem torrão, pau, pedra ou casca.
  • Doença: Tolerância ZERO para Mofo-branco (Sclerotinia sclerotiorum). Se achar uma semente contaminada, condena o lote todo.

O Que é Roguing e Por Que Fazer?

Sabe aquela planta que cresce muito mais alta que as outras, ou aquele pé que floresceu antes de todo mundo? Isso é problema.

Roguing nada mais é do que a limpeza dessas “ovelhas negras” da lavoura. É arrancar na enxada ou na mão as plantas que não deviam estar ali.

O que você deve arrancar sem dó:

  • Plantas de ciclo diferente (madurou cedo ou tarde demais).
  • Plantas muito altas ou baixas fora do padrão.
  • Flor ou vagem de cor diferente.
  • Plantas doentes.

Fazer isso garante que, na hora da colheita, seu saco de semente seja uniforme e puro. O comprador (e a lei) agradecem.


Glossário

Renasem: Registro Nacional de Sementes e Mudas, sistema do Ministério da Agricultura que habilita legalmente pessoas e empresas a produzir, beneficiar e comercializar sementes no Brasil. É o documento que garante a procedência e a fiscalização do material de multiplicação vegetal.

Sementes Salvas: Grãos reservados pelo próprio produtor de sua colheita para serem utilizados como material de plantio na safra seguinte. Embora permitida para uso próprio sob certas regras, essa prática pode reduzir o vigor da lavoura e o investimento em novas tecnologias genéticas.

Pureza Varietal: Índice que indica o percentual de sementes que realmente pertencem à cultivar desejada, sem a presença de outras variedades misturadas. Garante que a lavoura cresça de forma uniforme, facilitando o manejo e a colheita.

Roguing: Operação de inspeção e eliminação manual de plantas indesejadas, doentes ou fora do padrão varietal dentro de uma área de produção. É fundamental para manter a pureza genética e a sanidade do lote de sementes que será comercializado.

Mofo-branco (Sclerotinia sclerotiorum): Doença fúngica severa que ataca diversas culturas e produz estruturas de resistência que sobrevivem por anos no solo. No feijoeiro, sua presença em sementes é extremamente controlada devido ao alto risco de contaminação de áreas limpas.

Estande de Plantas: Refere-se à quantidade e à distribuição de plantas estabelecidas por metro linear ou área após a emergência. Um estande uniforme, sem falhas, é o primeiro passo para garantir que a lavoura atinja seu potencial máximo de produtividade.

Veja como o Aegro pode ajudar a superar esses desafios

Produzir com qualidade e seguir as exigências legais exige um olhar atento tanto para o campo quanto para o financeiro. Quando surge a dúvida entre investir em sementes certificadas ou utilizar o grão do paiol, o Aegro ajuda a clarear essa decisão ao centralizar o controle de custos de produção. Com ele, você consegue comparar o investimento inicial com a produtividade final, garantindo que a sua escolha seja baseada em números reais e não apenas em suposições.

Além disso, para manter o rigor das inspeções de campo e o sucesso do roguing, o aplicativo do Aegro permite que o gestor ou agrônomo registre todas as vistorias e atividades operacionais diretamente pelo celular, mesmo sem internet. Isso facilita o cumprimento dos padrões de qualidade e gera um histórico confiável da lavoura, essencial para quem busca profissionalizar a sucessão e o crescimento da fazenda.

Vamos lá?

Quer ter o controle total da sua produção e tomar decisões mais lucrativas no campo? Experimente o Aegro gratuitamente para organizar suas finanças e atividades operacionais em um só lugar.

Perguntas Frequentes

Qual é a variedade de feijão com maior facilidade de venda no mercado brasileiro?

O feijão Carioca é a escolha mais segura para quem busca liquidez, pois domina aproximadamente 70% do mercado nacional. Entretanto, é importante considerar nichos regionais, como o feijão Preto, que é preferência no Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul, ou variedades como o Roxinho, valorizadas em partes de Minas Gerais e Goiás.

Quais são as exigências legais para produzir e vender sementes de feijão?

Para atuar formalmente, o produtor deve seguir a Lei nº 10.711, possuindo inscrição no Renasem (Ministério da Agricultura) e o acompanhamento de um Responsável Técnico (agrônomo). É necessário ainda ter vínculo com certificadoras e laboratórios de análise, exceto para agricultores familiares e assentados, que possuem regras simplificadas para trocas entre si.

Qual a diferença prática entre as sementes certificadas C1 e S2?

As sementes C1 são descendentes diretas da Semente Básica e passam por um rigoroso processo de certificação oficial. Já a S2 é a última categoria na escala de multiplicação fiscalizada; a descendência de um plantio com sementes S2 deve obrigatoriamente ser destinada ao consumo (grão) e nunca mais ser utilizada como semente para novos plantios.

O que acontece se um lote de sementes apresentar mofo-branco na análise?

A legislação brasileira é extremamente rigorosa quanto à sanidade, estabelecendo tolerância zero para o fungo Sclerotinia sclerotiorum (mofo-branco). Se uma única semente contaminada for encontrada durante a análise laboratorial, todo o lote é automaticamente condenado e não pode ser comercializado como semente.

Como o processo de roguing ajuda a garantir a pureza da lavoura?

O roguing consiste na eliminação manual de ‘plantas fora de tipo’, como aquelas com altura, cor de flor ou ciclo de maturação diferentes do padrão da variedade plantada. Ao retirar essas plantas e as que apresentam sinais de doenças, o produtor garante que o lote final seja uniforme e mantenha a qualidade genética exigida pelo mercado e pela lei.

Quais são os índices mínimos de germinação e pureza para uma semente de qualidade?

Para ser comercializado legalmente nas categorias C1, C2, S1 ou S2, o lote de sementes de feijão deve apresentar no mínimo 80% de germinação em laboratório. Além disso, a pureza varietal deve ser de pelo menos 98%, garantindo que o comprador receba de fato a genética da cultivar que adquiriu, sem misturas físicas ou de outras variedades.

Artigos Relevantes

  • Sementes Salvas: O Que Muda com a Nova Lei? Guia Completo para o Produtor: Este artigo é o complemento ideal para a seção ‘Semente de Verdade ou Grão do Paiol’ do texto principal, pois detalha as especificidades da legislação de 2021 sobre o uso de sementes para uso próprio. Ele ajuda o produtor a entender os limites legais entre salvar sementes legitimamente e incorrer em irregularidades, um ponto crucial tocado brevemente no texto original.
  • Sementes Piratas: O Guia Completo Sobre Riscos e Como Evitar Prejuízos: Enquanto o artigo principal menciona o ‘grão de saco branco’, este guia aprofunda os riscos fitossanitários e econômicos dessa prática, como a introdução de pragas na lavoura. Ele oferece uma visão mais técnica sobre os perigos da semente pirata, reforçando a importância do Renasem e da certificação citados no texto principal.
  • Sementes Certificadas: Novas Regras para Proteger sua Lavoura: Este artigo expande a discussão sobre a ‘sopa de letrinhas’ (categorias C1, C2, S1, S2), trazendo atualizações e novas regras para proteger a lavoura. Ele é fundamental para o produtor que deseja profissionalizar sua produção de sementes de feijão, conectando-se diretamente com as exigências da Lei nº 10.711 mencionadas no texto base.
  • Sementes de Alta Qualidade: Como Garantir o Sucesso da Lavoura: O texto principal define índices de 80% de germinação e 98% de pureza; este artigo complementa essa informação ao explicar os atributos fisiológicos e físicos que compõem esses números. Ele oferece ao leitor uma compreensão mais profunda sobre como verificar a qualidade do lote, indo além dos padrões mínimos exigidos por lei.
  • Germinação de Sementes: O Guia Completo para Garantir o Estande da Lavoura: O artigo principal define ‘Estande de Plantas’ em seu glossário como o primeiro passo para a produtividade. Este guia prático ensina como garantir esse estande através do manejo da germinação, conectando a teoria da qualidade da semente com a prática de campo necessária para que o feijoeiro atinja seu potencial máximo.