Índice
- Torta de Mamona: Ouro para o Solo ou Veneno para o Gado?
- A Torta de Mamona Serve Só de Adubo ou Dá pra Dar no Cocho?
- Potencializando a Lavoura: A Torta como Adubo Orgânico
- O Que Fazer com a Casca da Mamona?
- Alergia na Lida: Proteja Quem Trabalha
- Números Que Importam na Sua Decisão
- Glossário
- Veja como o Aegro ajuda a transformar resíduos em rentabilidade
- Perguntas Frequentes
- Qual é a principal diferença entre a torta e o farelo de mamona?
- Por que a torta de mamona pode ser aplicada no solo sem passar pelo processo de compostagem?
- É seguro utilizar a casca da mamona na alimentação de bovinos e ovinos?
- Quais são os perigos da utilização da torta de mamona em jardins residenciais com pets?
- Como o produtor pode se proteger das alergias causadas pelo manuseio da mamona?
- A torta de mamona pode ser usada na ração animal se for tratada?
- Artigos Relevantes
Torta de Mamona: Ouro para o Solo ou Veneno para o Gado?
Você já olhou para aquela pilha de resíduo depois de extrair o óleo da mamona e pensou: “Tem dinheiro parado aqui”? Essa é uma dúvida que bate na porta de todo produtor que quer tirar o máximo da lavoura.
Afinal, a conta tem que fechar. Se sobra material rico em nutriente, jogar fora é rasgar dinheiro. Mas usar do jeito errado pode matar sua criação. Vamos entender o que fazer com os dois principais subprodutos dessa cultura: a torta e a casca.
A Torta de Mamona Serve Só de Adubo ou Dá pra Dar no Cocho?
Sabe aquela conversa de vizinho de cerca dizendo que deu torta de mamona pro gado e “não deu nada”? Cuidado. O barato pode sair muito caro.
A torta é o que sobra depois que a gente prensa a semente para tirar o óleo. Ela é rica em nitrogênio e proteína bruta. Olhando só a tabela nutricional, parece a ração perfeita. Mas o problema mora no detalhe.
Por que a torta é perigosa?
O “caroço” do problema tem nome: Ricina. É uma proteína extremamente tóxica que fica na parte branca da semente (endosperma). Quando se tira o óleo, a ricina não sai junto; ela fica todinha concentrada na torta.
Além da toxicidade, tem a questão do óleo que sobra.
- Torta (feita na prensa mecânica): Ainda tem entre 7% e 12% de óleo.
- Farelo (feito com solvente químico): Tem bem menos óleo, cerca de 1%.
Esse óleo residual funciona como um laxante forte. Se o animal comer, vai ter distúrbio digestivo na certa.
⚠️ ATENÇÃO: Nunca tente “acostumar” o rebanho com torta tóxica. O animal até cria uma resistência se comer pouquinho, mas se um dia ele comer além da conta, ele morre. O risco não vale a pena.
Para usar na ração, só se for detoxificada. Existem processos para tirar a toxicidade e a alergia, mas hoje em dia isso ainda custa caro e gasta muita energia. A indústria ainda busca um jeito barato e confiável de fazer isso.
Potencializando a Lavoura: A Torta como Adubo Orgânico
Seu João, lá do interior da Bahia, usa torta de mamona na horta e diz que as plantas “pulam” do chão. Ele não está errado.
Como adubo, a torta é excelente. Ela tem muito nitrogênio e outros nutrientes. E tem uma vantagem grande sobre outros restos de cultura: você não precisa compostar antes de usar.
Por que pode aplicar direto?
A maioria dos restos vegetais (palha, galho) precisa curtir (compostar) porque tem muito carbono e pouco nitrogênio. Se jogar direto, “rouba” nitrogênio da terra no começo.
A torta de mamona é diferente. A relação Carbono/Nitrogênio dela é baixa. Você pode incorporar no solo sem medo de queimar as plantas por falta de nitrogênio.
Cuidado com o cachorro e o gato!
Aqui mora o perigo doméstico. O cheiro da torta de mamona atrai muito os animais, principalmente cães e gatos. Se você adubar os vasos de casa ou o jardim e deixar acessível, eles podem comer e se intoxicar.
O Que Fazer com a Casca da Mamona?
Diferente da torta, a casca (que sai no beneficiamento do fruto) vale menos dinheiro, mas tem utilidade na fazenda. O segredo é saber onde ela rende mais.
1. Casca como adubo (Fonte de Potássio)
A casca é pobre em nitrogênio, mas é rica em potássio. O ideal é devolver essa casca para a própria lavoura de onde a mamona saiu. Assim, você repõe o que a planta tirou do solo.
Só tem um ponto: ao contrário da torta, a casca precisa ser misturada ou compostada se for usada em grande quantidade (como em vasos ou hortas), senão ela dá deficiência de nitrogênio nas plantas.
2. Casca na alimentação animal (Ruminantes)
Dá para usar casca na ração de boi, cabra e ovelha? Dá sim. Depois de seca ao sol, a casca não tem mais substâncias tóxicas. Ela entra como um alimento “volumoso” (fibra), fonte de energia.
⚠️ ATENÇÃO: O perigo aqui não é a casca, é o que vem misturado. Se ficarem pedaços de semente (amêndoa) no meio da casca, aí tem toxina. Tem que garantir que é só casca mesmo.
3. Casca para queimar (Gerar calor)
Se o preço estiver muito baixo e não compensar o transporte, a casca vira combustível.
- Ela queima bem em caldeiras e fornos.
- Pode ser usada solta ou prensada em briquetes.
- O poder de fogo (calorífico) é de 16 kJ/g (quase igual ao da madeira).
Alergia na Lida: Proteja Quem Trabalha
Você já viu funcionário começar a espirrar, coçar o rosto ou ficar com o olho vermelho logo depois de mexer com a mamona? Isso não é frescura, é alergia séria.
A mamona tem um conjunto de proteínas (chamado CB-1A) que causa uma das alergias mais fortes que a gente conhece.
Quem corre risco?
- Quem trabalha na extração do óleo.
- Quem manipula a torta (poeira).
- Vizinhos de fábricas de processamento.
A alergia pode ser leve (espirro, coceira) ou forte (inchaço, eczema na pele). Os sintomas podem demorar até 1 hora para aparecer depois do contato.
💡 DICA DE SEGURANÇA: O risco é respirar o pó ou o contato com a pele. Quem mexe com isso precisa de proteção (máscara, luva, roupa adequada).

Curiosamente, essa alergia não afeta os animais quando a torta (se for detoxificada) é misturada na ração. A digestão do bicho lida bem com essa proteína alérgica. O problema é para o ser humano que respira o pó.
Números Que Importam na Sua Decisão
Para fechar, vamos falar de eficiência. Quanto de torta você vai ter na mão depende da sua semente e da sua prensa.
📊 RENDIMENTO MÉDIO:
Se você tem 1 tonelada de semente com 48% de óleo, veja o que sobra de torta dependendo da eficiência da sua extração:
- Extração Baixa (sobra 16% de óleo na torta): Você produz cerca de 620 kg de torta para cada tonelada de semente.
- Extração Média (sobra 10% de óleo na torta): Você produz cerca de 570 kg de torta.
- Extração Alta (sobra 6% de óleo na torta): Você produz cerca de 550 kg de torta.
Quanto melhor sua prensa, mais óleo você vende (que é o nobre) e menos óleo sobra na torta (que é o resíduo).
A conta final é simples: A torta paga parte do custo se virar adubo de qualidade. A casca economiza potássio ou lenha. No campo, nada se perde, tudo se transforma em lucro ou economia — desde que você saiba manejar os riscos da toxicidade.
Glossário
Torta de Mamona: Resíduo sólido resultante da extração mecânica do óleo das sementes, caracterizado pelo alto teor de nitrogênio e potencial de uso como adubo orgânico de liberação rápida.
Ricina: Proteína altamente tóxica presente no endosperma da semente de mamona que pode causar o óbito de animais se ingerida. É resistente à extração do óleo, permanecendo concentrada nos subprodutos.
Farelo: Subproduto da extração de óleo que utiliza solventes químicos em vez de apenas pressão mecânica. Possui teor de óleo residual muito baixo, geralmente em torno de 1%, sendo mais seco que a torta.
Relação Carbono/Nitrogênio (C/N): Índice que indica a velocidade de decomposição da matéria orgânica no solo. Uma relação baixa, como a da torta de mamona, significa que o material apodrece rápido e libera nutrientes prontamente para as plantas.
Detoxificação: Processo industrial ou químico aplicado para eliminar ou inativar substâncias tóxicas e alérgenos de um produto. No caso da mamona, é o tratamento necessário para tornar a torta segura para o consumo animal.
Alimento Volumoso: Tipo de alimento para gado rico em fibras e com baixo valor energético por volume, como pastagens, silagens e cascas. Serve para dar saciedade e manter o bom funcionamento do rúmen nos animais.
Poder Calorífico: Capacidade de um material em gerar calor durante a queima em fornos ou caldeiras. É a medida usada para comparar a eficiência da casca de mamona em relação à lenha ou ao carvão.
Endosperma: Tecido de reserva da semente que envolve o embrião, onde se concentram o óleo e as proteínas (incluindo as toxinas). É a parte ‘branca’ e interna da semente da mamona.
Veja como o Aegro ajuda a transformar resíduos em rentabilidade
Para que o aproveitamento desses subprodutos realmente se transforme em lucro, é fundamental ter um controle rigoroso sobre os custos e o estoque da fazenda. Ferramentas como o Aegro permitem que você registre a produção de torta e casca, monitorando quanto de adubo mineral está sendo economizado e qual o impacto real dessa estratégia no seu fechamento de caixa. Isso ajuda a garantir que a conta da lavoura feche no azul, facilitando a visualização de cada centavo reaproveitado.
Além disso, o planejamento das atividades de campo e o manejo nutricional do solo tornam-se muito mais simples quando centralizados em um só lugar. Com o Aegro, você consegue programar a aplicação desses resíduos orgânicos com precisão e registrar o histórico de adubação por talhão, garantindo que o solo receba os nutrientes necessários no momento certo para aumentar a produtividade sem desperdícios.
Vamos lá?
Quer simplificar a gestão da sua fazenda e ter total controle sobre seus custos e insumos? Experimente o Aegro gratuitamente e veja na prática como tomar decisões mais seguras e lucrativas.
Perguntas Frequentes
Qual é a principal diferença entre a torta e o farelo de mamona?
A principal diferença reside no método de extração e no teor de óleo residual. A torta é obtida por prensagem mecânica e mantém entre 7% e 12% de óleo, funcionando como um laxante se ingerida; já o farelo é extraído com solventes químicos, resultando em apenas 1% de óleo e um material mais seco.
Por que a torta de mamona pode ser aplicada no solo sem passar pelo processo de compostagem?
Diferente de resíduos como palha ou galhos, a torta de mamona possui uma relação Carbono/Nitrogênio (C/N) baixa. Isso significa que ela não ‘rouba’ o nitrogênio do solo para se decompor, permitindo que os nutrientes sejam liberados e aproveitados pelas plantas quase imediatamente após a incorporação.
É seguro utilizar a casca da mamona na alimentação de bovinos e ovinos?
Sim, a casca seca é considerada um alimento volumoso seguro e rico em potássio para ruminantes. O cuidado crucial é garantir que não existam sementes ou pedaços de amêndoas misturados à casca, pois é na semente que a ricina (toxina letal) está concentrada.
Quais são os perigos da utilização da torta de mamona em jardins residenciais com pets?
A torta de mamona possui um odor que atrai muito cães e gatos, o que aumenta o risco de ingestão acidental. Como o produto contém ricina, uma proteína extremamente tóxica, o consumo pode causar envenenamentos graves, sendo fundamental enterrar bem o adubo ou isolar a área dos animais.
Como o produtor pode se proteger das alergias causadas pelo manuseio da mamona?
Para evitar reações alérgicas severas causadas pela proteína CB-1A, como coceira, espirros e inchaços, é indispensável o uso de EPIs. Recomenda-se o uso de máscaras de proteção respiratória para evitar a inalação da poeira da torta, além de luvas e roupas de manga longa para minimizar o contato direto com a pele.
A torta de mamona pode ser usada na ração animal se for tratada?
Sim, mas apenas se passar por um processo rigoroso de detoxificação que elimine a ricina e os alérgenos. Atualmente, esses processos industriais ainda possuem um custo elevado e alto consumo de energia, o que torna o uso da torta mais comum e economicamente viável como adubo orgânico de alta qualidade.
Artigos Relevantes
- Adubo Orgânico na Lavoura: Guia Completo para Aumentar a Fertilidade do Solo: Este artigo aprofunda o conceito de adubação orgânica citado no texto principal, oferecendo critérios técnicos para o cálculo de dosagem e explicando o processo de mineralização. Ele complementa a discussão sobre a torta de mamona ao situá-la dentro de uma estratégia mais ampla de aumento da fertilidade do solo e uso de resíduos.
- Guia de Fertilizantes: Como Escolher o Melhor Adubo para sua Lavoura: Enquanto o artigo principal foca em um resíduo específico, este guia expande a visão do produtor sobre as diferenças entre fertilizantes minerais e orgânicos. Ele ajuda a fundamentar a decisão de quando utilizar a torta de mamona versus adubos industriais, baseando-se na nutrição das plantas e manejo da adubação.
- Adubação: O Guia Completo para Nutrir sua Lavoura e Aumentar a Produtividade: Este guia completo conecta o uso da torta de mamona ao planejamento macro da fazenda, abordando a necessidade da análise de solo mencionada indiretamente no texto principal. Ele oferece a estrutura necessária para que o produtor integre subprodutos da mamona em um cronograma nutricional eficiente e lucrativo.
- Ureia Agrícola: Como Aplicar e Evitar Perdas: Como a torta de mamona é destacada por ser extremamente rica em nitrogênio, este artigo sobre a ureia oferece um contraponto técnico valioso sobre a principal fonte mineral desse nutriente. A leitura permite comparar a eficiência de liberação e os riscos de perdas entre uma fonte orgânica (mamona) e uma sintética (ureia).
- Plantas de Cobertura: O Guia Completo para Proteger e Enriquecer seu Solo: O artigo principal menciona que a torta de mamona enriquece o solo e a casca auxilia na ciclagem de potássio; este candidato expande esse tema ao tratar de adubação verde e saúde do solo. Ele oferece uma visão sistêmica de como proteger a terra, complementando o uso de fertilizantes orgânicos com práticas de manejo direto.

![Imagem de destaque do artigo: Torta de Mamona: Como Usar como Adubo com Segurança [2025]](/images/blog/geradas/torta-de-mamona-adubo-gado-riscos.webp)