Trigo Safrinha no Brasil Central: Guia para o Sucesso [2025]

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Índice

Vale a pena apostar no Trigo no Brasil Central?

Muita gente ainda torce o nariz quando falamos de trigo fora do Sul do país. “Será que aguenta o calor?”, “E o solo do Cerrado?”. Mas quem já pôs na ponta do lápis sabe: o trigo no Brasil Central pode ser uma excelente opção para a segunda safra, desde que você respeite o zoneamento.

Não adianta teimosia. Para o trigo de sequeiro, o Ministério da Agricultura (Mapa) é claro: o ideal são altitudes acima de 800 metros em MG, GO e DF. Se você está no MT ou na Bahia, dá para arriscar acima de 600 metros.

Agora, o pulo do gato está no solo. Esqueça terra arenosa. O solo precisa ter textura média a argilosa. Se tiver mais de 70% de areia, o risco não compensa.

Para quem vai investir no trigo irrigado, a regra é mais flexível:

  • MG, GO e DF: Altitudes acima de 500 metros.
  • MT e BA: Altitudes acima de 400 metros.

Qual a data limite para não perder a safra?

Você já viu vizinho plantando tarde e perdendo tudo para a chuva na colheita ou para a seca no enchimento de grão? O segredo do sucesso com o trigo aqui na nossa região é acertar a “janela” de plantio. É isso que define se você vai ter lucro ou dor de cabeça com doenças.

Para o trigo de sequeiro, o calendário é apertado. O indicado vai de 21 de janeiro a 28 de fevereiro.

  • A dica de ouro: Tente plantar entre 20 e 28 de fevereiro. Nessa época, o risco de brusone diminui um pouco, embora a doença sempre dependa das chuvas na época que o trigo solta a espiga.

Já para o trigo irrigado, a janela muda. O Mapa indica de 11 de abril a 31 de maio.

  • O melhor momento: De 10 a 20 de maio. É aqui que você consegue o maior potencial de rendimento de grãos.

⚠️ ATENÇÃO: Se você plantar o irrigado muito cedo (abril), o risco de brusone explode. O calor e as chuvas desse período são um prato cheio para o fungo.

Sobre a densidade: Não jogue dinheiro fora com semente demais. O indicado para sequeiro é até 350 sementes aptas por metro quadrado. Se atrasar o plantio para março ou abril, reduza a quantidade de sementes em 20%. Menos plantas competem menos por água.


Como evitar o “chochamento” e acertar no Adubo?

Sabe aquela frustração de ver a lavoura bonita, mas na hora de colher o grão está leve ou a espiga falhada? Aqui no Cerrado chamamos isso de “chochamento”. Muita gente culpa a seca, mas o problema pode estar escondido na falta de um nutriente: o Boro.

O Boro é vital para formar o pólen. Sem ele, a flor aborta e não vira grão. O calor e a falta de água pioram isso. Se a sua análise de solo mostrar Boro abaixo de 0,3 mg/dm³, você precisa corrigir no plantio.

A receita prática:

  • Aplique de 0,65 kg/ha a 1,30 kg/ha de Boro no sulco.
  • Pode usar Bórax (dura 2 anos no solo) ou FTE (dura 3 anos).

E o Nitrogênio (N)? Não adianta adubar igual milho.

  1. Trigo de Sequeiro: Aplique 20 kg/ha de N em cobertura no perfilhamento. Se o solo estiver com boa umidade e as plantas vigorosas, pode subir para 40 kg/ha no início do perfilhamento.
  2. Trigo Irrigado: Como produz mais, pede mais comida. Use doses maiores, mas cuidado para a planta não crescer demais e tombar.

💡 DICA DE QUEM JÁ FEZ: Se você carregar a mão no Nitrogênio no trigo irrigado, prepare-se para usar redutor de crescimento. Planta muito alta e pesada vai pro chão na primeira ventania.


Trigo tombado é prejuízo: quando usar Redutor?

Imagine a cena: lavoura linda, espigada, e perto da colheita… acama tudo. Colher trigo deitado é um pesadelo que ninguém quer viver. O redutor de crescimento funciona como um “seguro” contra o acamamento, especialmente no trigo irrigado ou em solos muito férteis.

Quando aplicar? O momento certo é na fase de alongamento, quando você consegue ver o primeiro nó no colmo principal.

A dose certa (Trinexapaque-etíl):

  • Geral: 0,4 L/ha.
  • Trigo irrigado (alta produtividade, acima de 5 t/ha): 0,5 L/ha.

⚠️ ATENÇÃO: Nunca aplique redutor se a lavoura estiver sofrendo com seca. Se faltou água no final do perfilhamento, esqueça o produto. Você vai travar a planta e perder produtividade.


Irrigação: Como manejar água sem chamar a Brusone?

Uma dúvida que sempre aparece nas rodas de conversa: “Se eu irrigar, a brusone aumenta?”. A resposta curta é: depende de como você irriga.

A brusone não vem do vizinho que plantou trigo de sequeiro. Ela depende do clima na sua lavoura. Se a espiga ficar molhada por muito tempo no calor, a doença ataca.

O manejo inteligente: Em áreas de pivô, evite molhar o trigo durante o dia. Programe irrigações noturnas. O objetivo é atender a sede da planta, mas manter a espiga seca enquanto tem sol. Isso, somado ao uso de fungicidas preventivos, é a melhor defesa.

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Quanto de água usar? Nossos solos seguram pouca água. Logo após o plantio, garanta uma lâmina de 40 mm a 50 mm (dividida em 3 ou 4 vezes) para nascer tudo igual. Depois, use um tensiômetro (tipo vacuômetro) para saber a hora de ligar o pivô. Não vá no “olhômetro”.

Quando cortar a água? Não desperdice energia. Pare de irrigar quando:

  1. Mais de 90% das plantas estiverem com o “pescoço” (pedúnculo) amarelo.
  2. O grão estiver em massa dura (você aperta com a unha, fica a marca, mas não esmaga).

📊 NÚMEROS QUE IMPORTAM: Os solos do Brasil Central retêm apenas 50% da água disponível em tensões baixas. Isso significa que a reserva acaba rápido. Monitorar com equipamentos (ou softwares da Embrapa/Universidades) não é luxo, é necessidade.


A qualidade do nosso trigo é boa mesmo?

Muita gente ainda acha que trigo bom é só o do Sul ou o importado da Argentina. Mas a realidade no campo mostra outra coisa. Na verdade, o clima seco do Brasil Central na hora da colheita é uma grande vantagem.

No Sul, muitas vezes chove na colheita, o que piora a qualidade. Aqui, a colheita geralmente é seca e com muito sol. O resultado?

  • Grãos mais duros.
  • Maior peso do hectolitro (PH): rende mais farinha na indústria.
  • Glúten forte: As cultivares indicadas para o Cerrado têm genética de alta força de glúten.

Glossário

Brusone: Principal doença fúngica do trigo no Cerrado, causada pelo fungo Magnaporthe oryzae, que ataca diretamente a espiga e impede a formação dos grãos. Seu desenvolvimento é favorecido por condições de alta umidade e temperaturas elevadas durante o período de espigamento.

Perfilhamento: Fase do desenvolvimento vegetativo onde a planta emite ramos laterais a partir do caule principal, aumentando o potencial de produção de espigas por área. É o estágio fisiológico ideal para a aplicação de adubação nitrogenada de cobertura.

Acamamento: Fenômeno em que as plantas de trigo tombam ou se dobram antes da colheita, geralmente devido ao crescimento excessivo, ventos fortes ou excesso de nitrogênio. O problema dificulta a operação das colhedoras e pode comprometer drasticamente a qualidade e o PH dos grãos.

Redutor de Crescimento: Regulador vegetal sintético aplicado para inibir o alongamento exagerado dos entrenós do colmo, mantendo a planta mais baixa e robusta. É uma tecnologia essencial no trigo irrigado para prevenir o tombamento da lavoura em áreas de alta fertilidade.

Tensiômetro: Equipamento que mede a tensão com que a água está retida no solo, funcionando como um ‘sensor de sede’ da planta. No Brasil Central, é fundamental para o manejo de precisão da irrigação via pivô central, evitando o estresse hídrico ou o excesso de umidade.

Peso do Hectolitro (PH): Índice que mede a densidade e a qualidade física dos grãos, representando o peso de um volume de 100 litros de trigo. É o principal critério de comercialização e classificação do trigo pela indústria moageira brasileira, pois indica o rendimento de farinha.

Trinexapaque-etíl: Princípio ativo amplamente utilizado como regulador de crescimento que atua reduzindo o nível de giberelinas na planta. Sua aplicação visa equilibrar o crescimento vegetativo com a resistência estrutural do colmo do trigo.

Como a tecnologia ajuda a garantir o sucesso do trigo no Cerrado

Para dominar as janelas apertadas de plantio e o manejo rigoroso de nutrientes como o Boro, a organização é o fator decisivo entre o lucro e o prejuízo. Ferramentas como o Aegro auxiliam o produtor a planejar e acompanhar todas as operações em tempo real, garantindo que o redutor de crescimento ou a irrigação noturna sejam executados no momento exato, sem depender apenas da memória ou de anotações dispersas.

Além disso, o controle financeiro detalhado permite monitorar o impacto de cada insumo e o custo da energia na irrigação, centralizando os dados para uma análise de rentabilidade precisa ao final da safra. Com processos digitalizados e relatórios automáticos, fica muito mais simples prestar contas e tomar decisões seguras sobre a viabilidade do trigo como uma excelente opção de segunda safra no Brasil Central.

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Perguntas Frequentes

Por que a altitude é um fator tão determinante para o cultivo de trigo no Brasil Central?

A altitude elevada compensa o calor característico da região, proporcionando as temperaturas mais amenas que o trigo necessita para se desenvolver bem. No cultivo de sequeiro em MG, GO e DF, o ideal são áreas acima de 800 metros, enquanto no trigo irrigado essa exigência cai para 500 metros, permitindo que o clima mais fresco da altitude equilibre o metabolismo da planta.

Qual a relação entre a data de plantio e o risco de Brusone na lavoura?

O plantio fora da janela recomendada — como plantar o trigo irrigado muito cedo (abril) — aumenta drasticamente a exposição da cultura ao calor e à umidade, condições ideais para o fungo da brusone. Ao seguir o calendário técnico, como plantar o irrigado entre 10 e 20 de maio, o produtor evita o período crítico de infecção e protege o potencial produtivo da espiga.

Como identificar e prevenir o problema do ‘chochamento’ nos grãos?

O chochamento ocorre quando a espiga falha ou os grãos ficam leves, frequentemente devido à deficiência de Boro, nutriente essencial para a formação do pólen. Se a análise de solo indicar níveis abaixo de 0,3 mg/dm³, é fundamental aplicar entre 0,65 kg/ha e 1,30 kg/ha de Boro no sulco de plantio para evitar o abortamento das flores.

O uso de redutor de crescimento é recomendado para qualquer tipo de manejo?

O redutor é indicado principalmente para o trigo irrigado de alta produtividade ou em solos muito férteis, onde as plantas tendem a crescer excessivamente e tombar (acamar). A aplicação deve ser feita no aparecimento do primeiro nó do colmo, mas nunca deve ser realizada se a lavoura estiver sob estresse hídrico, pois isso pode travar o desenvolvimento da planta e reduzir a produtividade.

Por que a irrigação noturna é preferível no manejo do trigo no Cerrado?

Irrigar à noite atende às necessidades hídricas da planta sem manter a espiga molhada durante as horas mais quentes do dia, o que reduz o risco de doenças como a brusone. Além disso, o monitoramento com tensiômetros ajuda a aplicar a lâmina exata de água, evitando desperdício de energia e garantindo que o solo mantenha a umidade necessária em regiões onde a retenção hídrica é baixa.

O trigo produzido no Brasil Central possui boa aceitação na indústria de panificação?

Sim, a qualidade do trigo do Cerrado é excelente e muitas vezes superior ao de outras regiões devido à colheita ocorrer em período seco. Isso resulta em grãos com maior Peso do Hectolitro (PH), glúten forte e baixa umidade, características altamente desejadas pelos moinhos para a produção de farinha de alta performance.

De que forma a gestão digital auxilia no controle da safra de trigo?

Sistemas de gestão como o Aegro permitem que o produtor organize as janelas apertadas de plantio e monitore a aplicação precisa de insumos críticos, como Boro e Nitrogênio. Além disso, a ferramenta centraliza os custos operacionais e de irrigação, facilitando o cálculo da rentabilidade real e a tomada de decisões estratégicas para as próximas safras.

Artigos Relevantes

  • Brusone no Trigo: Identificação, Diferenças da Giberela e Controle: Como a brusone é apontada no artigo principal como o maior risco fitossanitário para o trigo no Cerrado, este texto é indispensável. Ele aprofunda o manejo técnico e a identificação do fungo, ajudando o produtor a evitar perdas catastróficas mencionadas na seção de janelas de plantio.
  • Guia Completo da Adubação de Trigo: Do Plantio à Colheita: Este artigo complementa a discussão sobre Boro e Nitrogênio do texto principal ao fornecer um guia completo de NPK. Ele oferece a base nutricional necessária para atingir os altos potenciais produtivos citados para o trigo irrigado no Brasil Central.
  • Qualidade do Trigo: 3 Fatores que Definem o Preço da sua Safra: O artigo principal encerra destacando a excelente aceitação industrial do trigo do Cerrado; este candidato explica tecnicamente os fatores de classificação, como o PH, que definem o preço final. Ele conecta a vantagem climática da colheita seca com a rentabilidade financeira da safra.
  • Lavoura de Trigo: 5 Passos Essenciais para Garantir uma Safra de Sucesso: Este conteúdo reforça a importância do zoneamento agrícola (ZARC) e do manejo do solo, temas centrais para o sucesso na região central. Ele oferece uma visão sistêmica em 5 passos que organiza as recomendações práticas de altitude e textura de solo discutidas no texto principal.
  • Plantacao do trigo 2025: Enquanto o artigo principal foca em janelas e altitudes específicas do Cerrado, este guia traz o passo a passo operacional do plantio e preparo do solo. Ele preenche a lacuna técnica sobre como executar a semeadura para garantir a emergência uniforme recomendada no manejo de irrigação.