Variedades de Abacaxi: Guia para Lucrar na Produção [2025]

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Índice

Aqui na lida do campo, a gente sabe que escolher a variedade errada de abacaxi é pedir para perder dinheiro antes mesmo de colocar a muda na terra. Não adianta ter o melhor adubo e o trator mais novo se a planta não entrega o que o mercado quer comprar.

Hoje vamos conversar direto ao ponto sobre as variedades (cultivares) disponíveis, qual serve para mesa, qual serve para indústria e como fugir das doenças escolhendo a muda certa.

Variedades para Consumo Fresco (Mesa)

Você já deve ter percebido na feira ou no supermercado: o consumidor compra com os olhos e volta a comprar pelo sabor. Se o fruto for azedo ou pálido, ele não leva na próxima.

A grande mudança no mundo aconteceu a partir de 1996. Antes, o Smooth Cayenne reinava absoluto. Mas o mercado internacional mudou e a cultivar MD-2 (conhecida como Gold, ‘Extra Sweet’ ou ‘Golden Ripe’) tomou conta. Ela domina lá fora porque é muito doce.

Aqui no Brasil, a realidade é outra. As rainhas do mercado fresco são a Pérola e a Jupi.

O que o mercado de mesa exige?

Para você vender bem o seu abacaxi de mesa, a variedade precisa ter:

  • Doçura alta: Alto teor de sólidos solúveis (açúcares).
  • Acidez controlada: De baixa a média. Ninguém quer fazer careta ao comer.
  • Cor atraente: Polpa amarela a laranja chama mais atenção que a polpa branca.

A Briga: Pérola vs. Jupi

Muitos produtores me perguntam: “Qual a diferença real entre elas?”. Na qualidade da fruta e na planta, elas são muito parecidas. O “pulo do gato” está no formato.

  • Pérola: Tem formato cônico (afunila na ponta). É a mais tradicional no consumo interno.
  • Jupi: Tem formato cilíndrico (mais reto).

Variedades para a Indústria (Processamento)

Uma dúvida que sempre aparece é: “Posso vender Pérola para a fábrica?”. Poder até pode, mas a indústria tem seus preferidos. A máquina não descasca igual a gente descasca com a faca em casa.

Para virar suco, fatia em calda ou pedaço, a indústria busca eficiência. O desperdício da casca tem que ser mínimo.

O padrão industrial

A variedade campeã aqui é a Smooth Cayenne. Por que ela é a preferida?

  1. Formato Cilíndrico: Encaixa melhor nas máquinas de descascar, gerando menos perda.
  2. Polpa Firme: Aguenta o tranco do processamento.
  3. Sabor Forte: Tem acidez de média a elevada e alto teor de açúcar. Isso dá “corpo” ao suco.
  4. Cor: Amarelo-alaranjada forte.

📊 NÚMEROS QUE IMPORTAM: Embora a Pérola e a Jupi dominem a mesa, a Smooth Cayenne ainda é a líder absoluta quando o assunto é processamento industrial no Brasil, seja para fatias ou suco concentrado.


Variedades Resistentes à Fusariose

O maior pesadelo do abacaxicultor brasileiro tem nome: Fusariose. Você cuida, aduba, e de repente a planta morre ou o fruto apodrece.

A boa notícia é que a gente não precisa depender só de veneno. A partir de 1999, instituições sérias como a Embrapa e o IAC (Instituto Agronômico de Campinas) desenvolveram híbridos resistentes.

Por que plantar variedades resistentes?

Aqui a conta é simples. O controle genético (usar uma planta que já nasce forte contra a doença) é:

  • Mais eficiente: Funciona melhor que proteger flor ou passar fungicida.
  • Mais barato: Você gasta menos com defensivos.
  • Mais limpo: Menos químico na lavoura e no meio ambiente.

As novas opções no mercado

Além das clássicas, hoje temos opções criadas especificamente para o nosso clima e doenças:

  • IAC Gomo de Mel
  • BRS Imperial
  • BRS Vitória
  • IAC Fantástico
  • BRS Ajubá

💡 DICA DE QUEM JÁ FEZ: Para quem planta na Região Sul, a BRS Ajubá tem se mostrado uma excelente opção. Nos testes, ela produziu frutos mais pesados do que a própria cultivar Pérola. Vale a pena testar uma área se você está no clima mais frio.


Anomalias e Cuidados no Manejo (Fasciação)

Você já deve ter visto aquele “abacaxi monstro”, achatado, parecendo um leque ou uma crista de galo. Isso se chama fasciação.

Muita gente acha que é só azar, mas tem manejo envolvido aí. Acontece muito na cultivar Smooth Cayenne, mas o produtor tem culpa no cartório às vezes.

Onde o produtor erra?

A fasciação (deformação do fruto e coroa múltipla) costuma aparecer quando:

  1. Excesso de Nitrogênio: Você pesou a mão na ureia ou outro nitrogenado na hora errada.
  2. Calor na indução: A diferenciação floral coincidiu com as horas mais quentes do dia.

Além da fasciação, existem outras anomalias como o fruto sem coroa (“macho”) ou com “pescoço de garrafa”.

⚠️ ATENÇÃO: Nunca tire mudas de plantas com deformações. Embora nem toda deformação seja genética (às vezes é clima ou adubo), a planta tende a repetir o defeito da “mãe”. Se a planta é torta ou o fruto saiu deformado, descarte a muda. O risco de você multiplicar um problema genético na sua roça é alto.


Tabela Rápida para Tomada de Decisão

Para facilitar sua vida, montei esse resumo comparativo baseado no que a pesquisa indica:

CritérioMelhor EscolhaCaracterísticas Principais
Consumo Fresco (Mesa)Pérola / JupiMuito doce, pouca acidez. Pérola é cônica; Jupi é cilíndrica.
IndústriaSmooth CayenneFormato cilíndrico (menos perda), polpa firme, acidez mais alta.
Exportação GlobalMD-2 (Gold)Padrão mundial desde 1996, muito doce (“Extra Sweet”).
Região SulBRS AjubáProduz frutos mais pesados que a Pérola no clima sulista.
Resistência à DoençaHíbridos (BRS/IAC)BRS Imperial, Vitória, Gomo de Mel. Menor custo com fungicidas.

Outras Variedades Locais

Não podemos esquecer das riquezas regionais. Na Amazônia e Norte do Maranhão, existem variedades locais plantadas em pequena escala que funcionam muito bem por lá, como:

  • Primavera
  • Roxo de Tefé
  • Gigante de Tarauacá
  • Turiaçu

O segredo, produtor, é olhar para o seu vizinho de porteira e para o seu comprador. Se você tem contrato com a indústria, vá de Smooth Cayenne. Se vende na banca da cidade e a fusariose está atacando, experimente os híbridos da Embrapa. A melhor variedade é aquela que paga a conta no final da safra.


Glossário

Cultivar: Termo técnico para designar uma ‘variedade’ de planta que passou por seleção ou melhoramento genético para garantir características específicas e uniformes. Na abacaxicultora, a escolha da cultivar define a aptidão do plantio para o mercado de mesa ou industrial.

Sólidos Solúveis (Grau Brix): Índice que mede a concentração de açúcares dissolvidos na polpa do fruto. É o principal indicador de doçura e qualidade sensorial utilizado por compradores e indústrias para classificar o abacaxi.

Fusariose: Principal doença fúngica do abacaxizeiro no Brasil, causada pelo fungo Fusarium guttiforme, que provoca o apodrecimento do fruto e a morte da planta. O uso de cultivares resistentes é a estratégia mais econômica e eficaz para seu controle.

Híbridos: Plantas resultantes do cruzamento controlado entre duas variedades diferentes para gerar uma nova linhagem com características superiores, como produtividade e resistência a pragas. Exemplos citados incluem os materiais desenvolvidos pela Embrapa e IAC.

Fasciação: Anomalia fisiológica que causa uma deformação no fruto e na coroa, deixando-os achatados e com aspecto de ’leque’ ou ‘crista de galo’. Geralmente é desencadeada por estresse climático ou desequilíbrio nutricional, especialmente o excesso de nitrogênio.

Indução Floral: Técnica de manejo que utiliza reguladores de crescimento para forçar a floração uniforme de todas as plantas da lavoura ao mesmo tempo. Permite ao produtor planejar a data da colheita e escalonar a produção para atender às janelas de mercado.

Diferenciação Floral: Estágio fisiológico em que a planta deixa de produzir folhas e começa a formar as partes que darão origem à flor e, posteriormente, ao fruto. É uma fase sensível onde temperaturas extremas podem causar anomalias no formato do abacaxi.

Veja como o Aegro pode ajudar a superar esses desafios

Como vimos, escolher a variedade certa é apenas o primeiro passo para o sucesso. Para garantir que essa decisão se transforme em lucro, ferramentas como o Aegro ajudam a monitorar o custo de produção de cada talhão em tempo real. Assim, você consegue comparar a rentabilidade entre a Pérola e a Smooth Cayenne, por exemplo, sabendo exatamente qual delas entrega o melhor retorno financeiro para o seu negócio.

Além disso, para enfrentar o desafio da fusariose e do manejo de adubação, o Aegro permite registrar todas as atividades e monitoramentos pelo celular, direto do campo. Isso evita erros na aplicação de nitrogênio e ajuda a manter o histórico sanitário da lavoura organizado, facilitando a vida do gerente e garantindo que o sucessor tenha dados precisos para planejar as próximas safras com segurança.

Vamos lá?

Que tal modernizar a gestão da sua fazenda e ter o controle total da sua produção de abacaxi na palma da mão? Experimente o Aegro gratuitamente e veja como tomar decisões mais lucrativas hoje mesmo.

Perguntas Frequentes

Qual é a principal vantagem prática de escolher a cultivar Jupi em vez da Pérola?

Embora ambas sejam excelentes para o consumo in natura e possuam sabor e doçura semelhantes, a principal diferença está no formato do fruto. A Jupi é cilíndrica, o que facilita o acondicionamento em caixas e o trabalho de descascamento, enquanto a Pérola tem formato cônico, afunilando na ponta.

Por que a Smooth Cayenne é a preferida da indústria em vez das variedades de mesa?

A indústria prioriza a eficiência e o rendimento. O formato cilíndrico da Smooth Cayenne gera muito menos desperdício nas máquinas de descascar automáticas, e sua polpa firme aliada a uma acidez mais elevada garante que o produto (suco ou fatias) mantenha a estrutura e o sabor marcante após o processamento.

O investimento em híbridos resistentes à fusariose realmente compensa?

Sim, o uso de variedades resistentes como a BRS Vitória ou BRS Imperial é considerado um controle genético altamente eficiente. Além de reduzir drasticamente os gastos com fungicidas e mão de obra para aplicação, essas plantas garantem maior segurança ao produtor, evitando perdas severas na lavoura onde a pressão da doença é alta.

Como posso evitar a fasciação e outras deformações nos frutos da minha lavoura?

O manejo correto é fundamental: evite o excesso de adubação nitrogenada (como a ureia) e procure não realizar a indução floral em períodos de calor extremo. Além disso, é crucial nunca retirar mudas de plantas que apresentaram deformações, pois você pode estar multiplicando um problema genético em sua propriedade.

Existe alguma variedade de abacaxi recomendada especificamente para climas mais frios?

Sim, a cultivar BRS Ajubá tem se destacado na Região Sul do Brasil. Em testes de campo, ela demonstrou uma excelente adaptação ao clima frio, produzindo frutos que chegam a ser mais pesados e produtivos do que a tradicional variedade Pérola naquela região.

O que o mercado internacional busca em um abacaxi para exportação?

O padrão ouro para exportação global hoje é a variedade MD-2 (Gold). O mercado externo exige frutos com polpa de cor amarelo-intenso, baixíssima acidez e um teor de açúcar muito elevado (Extra Sweet), características que tornaram essa cultivar a líder absoluta nas gôndolas de países desenvolvidos desde os anos 90.

Artigos Relevantes

  • Melhoramento Genético de Plantas: O que é e por que é crucial para sua lavoura: Este artigo fornece a base teórica fundamental para entender como os híbridos de abacaxi (como os da Embrapa e IAC) são desenvolvidos. Ele complementa o texto principal ao explicar as técnicas de seleção que garantem a resistência a doenças e o aumento da produtividade, validando a recomendação do uso de tecnologia genética na lavoura.
  • Laranja Pêra: O Guia Completo da Variedade Mais Importante do Brasil: Como o artigo principal foca em variedades específicas de frutas para o mercado brasileiro, este guia sobre a Laranja Pêra oferece um paralelo essencial na fruticultura de larga escala. Ele expande a compreensão do produtor sobre como gerenciar cultivares líderes de mercado, abordando desafios de manejo e fitossanidade comuns a pomares comerciais.
  • Melhoramento Genético do Milho: Guia Completo de Híbridos e Transgênicos: Este conteúdo aprofunda a distinção entre variedades e híbridos, um ponto crucial tocado no texto principal ao falar sobre a resistência à fusariose. Ao detalhar o funcionamento do vigor híbrido e da biotecnologia, o artigo ajuda o produtor de abacaxi a entender por que o investimento em mudas melhoradas é tecnicamente superior ao uso de mudas comuns.
  • Fusariose no Café: Guia Completo para Identificar e Manejar a Doença: Considerando que a fusariose é citada como o maior pesadelo do abacaxicultor, este artigo sobre a mesma doença no café oferece uma visão complementar sobre o comportamento do patógeno Fusarium. Ele ajuda o leitor a entender a agressividade do fungo e a importância de um manejo fitossanitário rigoroso para evitar a morte de plantas.
  • Variedades de café mais produtivas: como escolher a ideal para sua fazenda?: Este artigo complementa a lógica de tomada de decisão do produtor, focando em como escolher a cultivar ideal baseada no sistema produtivo da fazenda. Assim como no abacaxi divide-se entre mesa e indústria, este texto reforça a importância de alinhar a escolha genética aos objetivos comerciais e às condições climáticas da propriedade.