Variedades de Banana: Como Escolher e Plantar [2025]

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Índice

Qual variedade plantar? Entenda o que o mercado pede

Você já viu vizinho plantar uma roça inteira de banana e depois não ter pra quem vender ou a planta não aguentar o clima? Isso acontece muito quando a gente escolhe a muda “por ouvir dizer”. No Submédio do Vale do São Francisco, a escolha certa define o lucro.

Seu foco é mercado interno? A rainha por aqui é a Pacovan (do grupo Prata). É a mais plantada. Tem também a Prata Comum e a Prata Anã (que é mais fácil de cuidar por ser baixa).

Agora, se você pensa em exportação, o buraco é mais embaixo. O mercado internacional quer as “casca-verde” (Cavendish). As principais são:

  • Nanica e Nanicão
  • Grand Naine
  • Williams

💡 DICA DE QUEM JÁ FEZ: Se for plantar banana Maçã, lembre que ela tem porte baixo (cerca de 4 metros), mas é sensível. Já as variedades de cozinhar (Terra, Terrinha, D’Angola) têm seu mercado certo, mas em menor escala.


Como escolher e tratar a muda (O segredo do pegamento)

Muita gente perde dinheiro antes mesmo de plantar. Sabe por quê? Porque pega muda de bananal velho e doente. Uma regra de ouro: nunca tire muda de bananal com mais de 4 anos. A planta-mãe tem que ser forte, ter cacho pesado e estar livre de broca e nematoide.

Na hora de comprar ou selecionar, existem 4 tipos de muda, mas nem todas são iguais:

  1. Chifrinho: Pequena (25-35 cm), demora mais a pegar.
  2. Chifre: Média (50-60 cm), folhas fechadas.
  3. Chifrão (A melhor opção de campo): Tem até 1,5m, rizoma pesando mais de 3kg. É a que vem com mais força.
  4. Muda de laboratório (Meristema): Perfeita para áreas novas, pois vem 100% limpa de doenças.

⚠️ ATENÇÃO: Não leve a muda direto pra cova! Você precisa limpar ela. Descasque o rizoma (a batata) superficialmente e corte o caule deixando 2/3 do tamanho. Isso elimina ovos de pragas. Se possível, banhe em solução nematicida.


Onde plantar e qual o espaçamento certo?

Uma dúvida que sempre aparece na roda de conversa: “Se eu apertar mais o plantio, colho mais?”. Cuidado. O espaçamento depende do tamanho da sua planta.

Se você plantar tudo junto demais, uma faz sombra na outra e a produção cai. Veja a regra prática:

  • Bananas baixas (Nanica, Nanicão): Use 2m x 2m ou 2m x 2,5m.
  • Bananas altas (Prata, Pacovan): Elas precisam de espaço. Use 3m x 3m ou até 3m x 4m.

Para preparar a cova, abra buracos de 40cm x 40cm x 40cm. A adubação e o calcário dependem da análise de solo, mas aqui vai um pulo do gato sobre o calcário:

💡 DICA TÉCNICA: A bananeira precisa de muito magnésio. Por isso, na hora de comprar o calcário, peça o Dolomítico (rico em magnésio). O calcário comum pode não resolver a deficiência que aparece depois que você joga muito potássio.


Água e Manejo: Quanto a planta bebe de verdade?

No calor de rachar do Vale do São Francisco, errar na água é fatal. Mas quanto jogar? Estudos em Petrolina (PE) com a Pacovan mostraram a conta exata.

📊 NÚMEROS QUE IMPORTAM:

  • Meses quentes: A touceira bebe cerca de 108 litros por dia (12 mm).
  • Meses frios: O consumo cai para 45 litros por dia (5 mm).

Isso num plantio 3x3 irrigado por microaspersão. As raízes vão buscar água até uns 60 cm de profundidade, então molhar só a superfície não resolve.

Como conduzir a touceira? O sistema é o clássico “Mãe, Filha e Neta”.

  1. Mãe: Está produzindo o cacho agora.
  2. Filha: Está pronta para soltar cacho assim que a mãe for colhida.
  3. Neta: Está crescendo para o futuro.

Tire os brotos excedentes a cada 3 meses.

Outro trato essencial é o corte do mangará (o coração). Corte quando o eixo tiver uns 20-25 cm abaixo da última penca formada. Isso evita que doenças subam pelo umbigo e atinjam as bananas.


Inimigos da lavoura: Nematoides e o Moleque-da-bananeira

Você já viu uma bananeira bonita cair do nada com o vento? Geralmente a culpa é do nematoide (especialmente o Radopholus similis). Ele ataca a raiz e a planta perde sustentação.

Como a gente não vê o bicho (ele fica na terra), o controle é preventivo:

  • Use mudas sadias (lembra do tratamento que falei antes?).
  • Faça rotação de cultura se possível.
  • Variedades Prata e Prata Anã aguentam mais o tranco que a Nanica.

E o Moleque-da-bananeira? Esse besouro fura o tronco. Para saber se precisa aplicar veneno, a gente faz a contagem. O nível de perigo é quando você acha 5 ou mais besouros por isca.

Como fazer a isca (“Tipo Queijo” ou “Telha”):

  1. Pegue um pedaço do tronco de uma bananeira recém-colhida (uns 50 cm).
  2. Corte ao meio no sentido do comprimento.
  3. Passe inseticida recomendado e coloque no pé da planta, com a parte cortada virada para o chão.
  4. Use de 20 iscas por hectare para monitorar, ou 80 a 100 se for para controlar a praga mesmo.

⚠️ ATENÇÃO: A Sigatoka-negra, que destrói bananais em outros lugares, não é problema grave no nosso semiárido. O clima seco joga a nosso favor e o fungo não se cria.


A hora certa da colheita

“Colho agora ou deixo encher mais?” Essa decisão muda o preço final. O ponto ideal depende de pra onde vai a fruta. Mas, na prática visual, olhe se as quinas da banana sumiram e ela está ficando arredondada.

O ciclo da Pacovan no Vale é assim:

  • Primeiro corte: 11 a 13 meses após o plantio.
  • Próximos cortes: A cada 6 a 8 meses.

Cuidado no corte: Se a bananeira for alta, não tente fazer sozinho ou o cacho bate no chão e mancha. Um operário corta o tronco a meia altura (deixando ele dobrar devagar) e o outro aparo o cacho no ombro (pela ráquis).

Depois de colher, não jogue o cacho de qualquer jeito. O atrito deixa a banana preta e o comprador desvaloriza. Forre o chão onde vai despencar e forre o caminhão. Banana machucada amadurece antes da hora e estraga a carga.


Glossário

Meristema: Tecido vegetal composto por células jovens com alta capacidade de divisão, utilizado em laboratório para produzir mudas clonadas com garantia de sanidade. Proporciona um plantio uniforme e livre de pragas e doenças desde a origem.

Rizoma: Caule subterrâneo da bananeira, conhecido como ‘batata’, responsável pelo armazenamento de nutrientes e pela emissão de raízes e brotos. É a estrutura fundamental para a propagação vegetativa e deve passar por limpeza rigorosa antes do plantio.

Calcário Dolomítico: Insumo utilizado para corrigir a acidez do solo que possui altos teores de magnésio em sua composição. É indispensável na bananicultura para suprir a alta demanda desse nutriente e equilibrar a absorção de potássio pela planta.

Microaspersão: Método de irrigação localizada que lança gotículas de água sobre o solo, proporcionando uma distribuição eficiente na área das raízes. No semiárido brasileiro, é essencial para manter o suprimento hídrico constante exigido pela cultura.

Moleque-da-bananeira: Besouro cujas larvas cavam túneis no rizoma da planta, comprometendo a sustentação e o transporte de seiva. O manejo exige o uso de iscas atrativas feitas com o próprio tronco para monitorar e controlar o nível de infestação na lavoura.

Mangará: Parte terminal da inflorescência da bananeira, popularmente chamada de ‘coração’, que contém as flores masculinas. A sua remoção é um trato cultural que favorece o ganho de peso dos frutos e melhora a sanidade do cacho.

Nematoides: Organismos microscópicos que vivem no solo e parasitam as raízes, causando ferimentos que prejudicam a nutrição e podem provocar o tombamento das plantas. O controle é majoritariamente preventivo, focado no uso de mudas limpas e tratamento do rizoma.

Veja como o Aegro ajuda a profissionalizar sua produção

Escolher a variedade certa e investir em mudas de qualidade é o primeiro passo, mas para garantir o lucro real, é preciso saber exatamente quanto cada planta custa ao final do ciclo. Ferramentas como o Aegro facilitam essa gestão, permitindo que você registre os custos com mudas e insumos de forma simples, ajudando a identificar qual talhão está trazendo mais retorno financeiro e evitando desperdícios no orçamento.

Além disso, com a rotina pesada de monitoramento de pragas e manejo rigoroso da água no semiárido, a organização operacional faz toda a diferença. O Aegro permite que você agende as vistorias das iscas de pragas e as manutenções da irrigação diretamente pelo celular, garantindo que o cronograma de manejo da touceira seja seguido à risca para evitar perdas de produtividade e manter a qualidade que o mercado exige.

Vamos lá?

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Perguntas Frequentes

Como escolher entre as variedades Pacovan e Cavendish para o meu plantio?

A escolha depende do seu objetivo comercial: a Pacovan (grupo Prata) é a preferida para o mercado interno brasileiro devido à sua alta aceitação e resistência. Já as variedades Cavendish (Nanica, Grand Naine) são ideais para exportação, pois atendem aos padrões estéticos e de transporte exigidos pelo mercado internacional.

Por que é arriscado retirar mudas de um bananal com mais de 4 anos?

Bananais mais velhos têm maior probabilidade de estarem contaminados por pragas silenciosas, como nematoides e o moleque-da-bananeira. Ao retirar mudas dessas áreas, você corre o risco de levar doenças para o novo plantio, comprometendo a produtividade e a longevidade da lavoura desde o início.

Qual a principal vantagem das mudas de laboratório (meristema)?

As mudas de laboratório são produzidas em ambiente controlado, garantindo que estejam 100% livres de patógenos e pragas. Além da sanidade superior, elas proporcionam um crescimento mais uniforme no campo, facilitando o manejo e garantindo que todas as plantas entrem em produção em períodos próximos.

Por que o calcário dolomítico é mais indicado para a bananeira do que o calcário comum?

A bananeira é uma planta que exige grandes quantidades de magnésio para se desenvolver e produzir frutos de qualidade. Como o calcário dolomítico contém magnésio em sua composição (ao contrário do calcário calcítico comum), ele ajuda a equilibrar o solo, especialmente quando há altas doses de potássio, que podem dificultar a absorção de magnésio pela planta.

Como o sistema ‘Mãe, Filha e Neta’ ajuda na produtividade do bananal?

Este sistema organiza a sucessão das plantas na mesma touceira, mantendo apenas três gerações por vez. Isso evita a competição excessiva por água e nutrientes entre muitos brotos, garantindo que a planta ‘mãe’ tenha força para o cacho atual, enquanto a ‘filha’ e a ’neta’ se preparam para as colheitas futuras de forma ordenada.

Qual a função da isca de tronco no controle do Moleque-da-bananeira?

A isca de tronco serve para monitorar a população do besouro (moleque-da-bananeira) na área. Ao cortar pedaços do tronco e espalhar pelo chão, você atrai os insetos; se encontrar uma média de 5 ou mais besouros por isca, é um sinal de alerta de que o nível de infestação está alto e exige controle imediato para evitar danos ao rizoma.

Como identificar visualmente que o cacho de banana está pronto para a colheita?

O ponto ideal de colheita é percebido quando os frutos perdem as ‘quinas’ (arestas) e adquirem um formato mais arredondado e cheio. Além disso, a mudança de cor do verde escuro para um tom levemente mais claro e o desaparecimento dos restos florais na ponta da banana são indicativos de que a fruta atingiu o desenvolvimento necessário para ser colhida.

Artigos Relevantes

  • Calcário Calcítico, Magnesiano e Dolomítico: Qual Usar na Sua Lavoura?: Este artigo aprofunda tecnicamente a recomendação central do conteúdo principal sobre o uso de calcário dolomítico para a bananeira. Ele explica detalhadamente a relação entre cálcio e magnésio no solo, ajudando o produtor a entender por que a deficiência de magnésio mencionada no texto original ocorre e como corrigi-la de forma eficiente.
  • Monitoramento de Pragas: O Guia Prático para Tomar a Decisão Certa na Lavoura: O artigo principal introduz a prática de iscas para o ‘moleque-da-bananeira’, e este candidato complementa essa informação ao fornecer um guia estruturado sobre os níveis de controle e tomada de decisão no Manejo Integrado de Pragas. Ele ajuda o leitor a profissionalizar o monitoramento sugerido, transformando a contagem de besouros em uma estratégia de gestão agrícola baseada em dados.
  • Nematoides do Milho: Como Identificar e Combater esse Inimigo Silencioso: Como o texto principal identifica os nematoides como os responsáveis pelo tombamento silencioso das bananeiras, este artigo sobre nematoides expande o conhecimento sobre o comportamento desses parasitas no solo. Ele oferece estratégias de manejo de sanidade do solo que são diretamente aplicáveis à prevenção do Radopholus similis na bananicultura.
  • Produção de Mudas Cítricas: Guia Completo das Etapas e Legislação: Este guia sobre mudas cítricas complementa perfeitamente a seção sobre a escolha de mudas de laboratório (meristema). Ele fornece uma visão sobre o rigor técnico e legislativo necessário na produção de mudas profissionais, reforçando o alerta do artigo principal de que o lucro do bananicultor começa com a sanidade da planta-mãe e do viveiro.
  • Mancha de Mirotécio no Café: Guia para Identificar e Proteger suas Mudas: Este artigo foca na proteção fitossanitária de mudas durante a fase inicial de desenvolvimento, o que é um ponto crítico discutido no texto principal sobre o tratamento do rizoma. Ele agrega valor ao detalhar medidas preventivas contra fungos em mudas jovens, um conhecimento essencial para quem investe em variedades sensíveis como a banana Maçã.