Índice
- Variedades de Manga: Como Escolher a Certa e Não Errar no Plantio
- Afinal, o que é Variedade e Cultivar?
- Indianas ou Indo-chinesas: Qual a diferença na prática?
- As “Pratas da Casa”: Conheça as variedades nacionais
- Por que só dá Tommy Atkins e qual o perigo disso?
- Como nascem as novas variedades? (Melhoramento Genético)
- Copas e Porta-Enxertos: O Casamento que Define a Produção
- Para Mesa ou Indústria? Escolhendo o destino da fruta
- Glossário
- Como a tecnologia potencializa a escolha da variedade certa
- Perguntas Frequentes
- Qual a principal diferença prática entre as mangas de origem indiana e as indo-chinesas?
- Por que a variedade Tommy Atkins ainda domina o mercado se possui muita fibra?
- Qual a importância de escolher bem o porta-enxerto (cavalo) para o pomar?
- Quais variedades são mais indicadas para quem deseja produzir para a indústria de sucos?
- É arriscado plantar apenas uma variedade de manga em toda a propriedade?
- Como o clima da região influencia na escolha da variedade ideal?
- Artigos Relevantes
Variedades de Manga: Como Escolher a Certa e Não Errar no Plantio
Você já parou para pensar por que, às vezes, o vizinho colhe mangas bonitas e resistentes, e no seu talhão a fruta sofre com qualquer chuvinha ou praga? Muitas vezes, o problema não está no manejo, mas lá atrás, na escolha da muda.
Escolher a variedade errada é como comprar um trator sem saber se ele aguenta o terreno: o prejuízo é certo. Vamos conversar direto ao ponto sobre as variedades de manga, o que funciona aqui no Brasil e como você pode usar isso para lucrar mais.
Afinal, o que é Variedade e Cultivar?
A confusão é comum, mas a explicação é simples. Pense na variedade como uma família. É um grupo de plantas que se parecem muito na aparência (fenótipo) e mantém essas características firmes.
Já a cultivar é, basicamente, uma variedade cultivada. É aquele grupo de plantas que a gente planta na roça e sabe que vai nascer tudo igualzinho, com as mesmas características de cor, tamanho e sabor. Na prática do dia a dia, a gente acaba chamando tudo de variedade mesmo.
Indianas ou Indo-chinesas: Qual a diferença na prática?
Uma dúvida que sempre aparece é sobre a origem e o tipo da manga. Isso muda o jeito de lidar com a planta. Basicamente, dividimos em dois grupos:
- Grupo Indiano:
- Semente: Mono-embriônica (nasce só uma planta do caroço).
- Fruta: Cheiro forte, muito aromática.
- Casca: Varia do rosa ao vermelho intenso.
- Ponto fraco: Pegam antracnose (aquela mancha preta) com facilidade.
- Grupo Indo-chinês (ou Filipínico):
- Semente: Poliembriônica (nascem várias plantinhas do mesmo caroço).
- Caroço: Longo e achatado.
- Fruta: Menos cheirosa e casca geralmente verde-amarelada quando madura.
- Ponto forte: Aguentam melhor a antracnose.
As “Pratas da Casa”: Conheça as variedades nacionais
Quem é do campo sabe que o que vem de fora nem sempre se cria bem aqui. Temos variedades nacionais que são verdadeiros tesouros. Vamos ver as principais:
- Espada: A mais antiga e comum. Árvore forte que produz muito. O fruto é verde ou amarelo-esverdeado, pesa entre 200 e 300g. É aquela manga comprida de base tortinha.
- Rosa: A queridinha do Nordeste. Tem formato de coração e pesa em média 350g. A cor vai do amarelo ao rosa-avermelhado.
- Bourbon: Muito forte em SP e no Mato Grosso. O fruto tem aquele biquinho curvo e pesa umas 300g.
- Ubá: O orgulho de Minas Gerais. Fruta pequena (100 a 150g), mas com uma polpa excelente para a indústria de suco.
- Coquinho: Pequenina (120 a 150g), amarela-clara. O grande valor dela em São Paulo é servir de porta-enxerto (o “cavalo” da muda).
No Nordeste, ainda temos a Carlotinha (parecida com a Coquinho) na Bahia e a Itamaracá (pequena, até 200g) em Pernambuco.
Por que só dá Tommy Atkins e qual o perigo disso?
Você vai no mercado e 8 de cada 10 mangas são vermelhonas. É a tal da Tommy Atkins. Mas por que ela domina 80% dos plantios?
O motivo é comercial:
- Ela aguenta desaforo de pragas e doenças.
- Dura muito tempo na prateleira depois de colhida (ótima para exportar).
- Tem a casca vermelha que o comprador estrangeiro adora.
O problema? Ela não tem cheiro e tem fibra demais.
Como nascem as novas variedades? (Melhoramento Genético)
Muita gente acha que variedade nova aparece do nada, mas tem muita ciência — e paciência — por trás.
A forma mais comum de conseguir uma variedade nova é a Seleção. Funciona assim: o produtor ou pesquisador anda no meio do plantio, vê uma planta diferente, mais produtiva ou saborosa, que nasceu de polinização aberta (natural), e começa a multiplicar ela.
- Vantagem: É barato e simples.
- Exemplo: A famosa Haden veio assim, e dela saiu a Tommy Atkins.
Outra forma é a Hibridação, que é cruzar o pólen de um “pai” com a flor de uma “mãe” para juntar o que cada um tem de melhor. Dá trabalho porque a manga tem baixo pegamento de fruto, mas países como Israel e Índia fazem muito isso.
No Brasil, a biotecnologia (uso de laboratório e marcadores moleculares) ainda está engatinhando se comparada aos EUA ou Índia, mas já ajuda a identificar materiais e limpar mudas.
Copas e Porta-Enxertos: O Casamento que Define a Produção
Não adianta ter uma copa (a parte de cima que dá fruto) excelente se a raiz (porta-enxerto) não aguenta o tranco do seu solo.
- Para Copa (o que você vai colher):
- Nacionais: Espada, Rosa, Bourbon, Ubá.
- Estrangeiras: Tommy Atkins, Haden, Kent, Keitt, Palmer, Van Dyke.
- Para Porta-Enxerto (a raiz forte):
- No Nordeste: O pessoal usa muito a Espada, Rosa, Fiapo, Carlotinha e Itamaracá.
- No Sudeste: As preferidas são Ubá, Coquinho e Espada.
- No Mundo: A Indiana “Amrapali” e a Filipina “Carabao” são famosas por aguentarem bem.
Para Mesa ou Indústria? Escolhendo o destino da fruta
Antes de plantar, você tem que saber pra quem vai vender. Não adianta plantar manga de fibra se seu cliente quer comer de colher. As variedades se dividem pelo uso:
- Para Indústria (Suco/Polpa): Ubá é a rainha aqui.
- Para Mesa (Consumo in natura): Haden, Tommy Atkins, Kent, Palmer.
- Para os dois (Dupla aptidão): Algumas variedades, dependendo da qualidade da safra, servem para os dois mercados.
Glossário
Cultivar: Grupo de plantas selecionadas ou melhoradas pelo homem que apresentam características genéticas uniformes e estáveis. Garante que a produção seja padronizada e previsível em termos de qualidade de fruto e comportamento no campo.
Mono-embriônica: Semente que produz apenas um embrião resultante de fecundação, gerando uma planta com genética diferente da planta-mãe. É comum em mangas de origem indiana e exige enxertia para manter as características da variedade desejada.
Poliembriônica: Semente que gera vários embriões, onde os embriões não-sexuais são clones idênticos à planta-mãe. Essa característica é muito valorizada na produção de porta-enxertos por garantir mudas mais uniformes e vigorosas.

Antracnose: Doença fúngica que causa manchas escuras e podridão em frutos, flores e folhas, sendo favorecida por alta umidade. É o principal desafio fitossanitário da manga no Brasil, impactando diretamente o valor comercial da safra.
Porta-enxerto: Também chamado de ‘cavalo’, é a base da muda (sistema radicular) que recebe a variedade produtiva. Ele define a resistência da planta a doenças de solo, a adaptação ao clima local e a longevidade do pomar.
Fenótipo: Conjunto de características visíveis e mensuráveis da planta, como cor, tamanho do fruto e produtividade. Resulta da interação entre a genética da variedade e as condições de manejo e ambiente da propriedade.
Hibridação: Processo de cruzamento controlado entre variedades diferentes para criar uma nova planta que reúna as melhores qualidades de cada progenitor. É uma ferramenta essencial do melhoramento genético para obter variedades mais produtivas e resistentes.
Marcadores Moleculares: Ferramentas biotecnológicas que permitem identificar genes específicos no DNA da planta ainda na fase de muda. Ajudam pesquisadores a selecionar materiais promissores com rapidez, sem a necessidade de esperar anos pela primeira frutificação.
Como a tecnologia potencializa a escolha da variedade certa
Escolher a variedade ideal para o seu clima e mercado é o primeiro passo para o sucesso, mas a rentabilidade real depende de um acompanhamento rigoroso de cada talhão. Ferramentas de gestão como o Aegro ajudam o produtor a monitorar de perto a incidência de pragas, como a antracnose, e a planejar as aplicações de defensivos de forma estratégica. Isso evita desperdícios e garante que o manejo seja feito no tempo certo, preservando a saúde das mudas e a qualidade dos frutos.
Além disso, centralizar o controle de custos e as atividades de campo em um só lugar permite identificar qual variedade oferece o melhor retorno financeiro. Com dados precisos na palma da mão, fica muito mais simples tomar decisões baseadas em números reais, reduzindo os riscos de mercado e garantindo que a produção seja, acima de tudo, lucrativa.
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Perguntas Frequentes
Qual a principal diferença prática entre as mangas de origem indiana e as indo-chinesas?
As mangas indianas geralmente possuem casca avermelhada, aroma intenso e são monoembriônicas (uma planta por semente), mas são mais sensíveis a doenças como a antracnose. Já as indo-chinesas têm casca verde-amarelada, são poliembriônicas e apresentam maior resistência natural a fungos, sendo excelentes para regiões com maior umidade.
Por que a variedade Tommy Atkins ainda domina o mercado se possui muita fibra?
O domínio da Tommy Atkins deve-se à sua excelente resistência ao transporte e longa vida de prateleira, fatores cruciais para a exportação e logística de supermercados. Além disso, sua cor vermelha vibrante atrai visualmente o consumidor, compensando comercialmente a presença excessiva de fibras e o aroma menos pronunciado.
Qual a importância de escolher bem o porta-enxerto (cavalo) para o pomar?
O porta-enxerto é responsável pelo sistema radicular e pela adaptação da planta ao solo; uma escolha errada pode comprometer a longevidade da árvore. Variedades rústicas como a Coquinho ou a Espada são frequentemente usadas como base para garantir que a planta resista a pragas de solo e produza bem por 30 ou 40 anos.
Quais variedades são mais indicadas para quem deseja produzir para a indústria de sucos?
A variedade Ubá é considerada a ‘rainha’ para a indústria no Brasil, especialmente em Minas Gerais, devido ao seu excelente rendimento de polpa e sabor marcante. Outras variedades locais também podem ser utilizadas, desde que apresentem boa doçura e facilidade no processamento industrial.
É arriscado plantar apenas uma variedade de manga em toda a propriedade?
Sim, a monocultura de uma única variedade, como a Tommy Atkins, aumenta o risco de prejuízos totais caso surja uma praga ou doença específica que a atinja. Diversificar o plantio com variedades nacionais como a Palmer, Rosa ou Espada ajuda a equilibrar o risco e atender a diferentes nichos de mercado, do consumo in natura à indústria.
Como o clima da região influencia na escolha da variedade ideal?
O clima define a pressão de doenças e a produtividade; em regiões muito úmidas, variedades suscetíveis à antracnose exigirão gastos elevados com fungicidas. O ideal é buscar cultivares que já se adaptaram às condições locais ao longo do tempo ou que possuam características genéticas de resistência adequadas ao seu bioma.
Artigos Relevantes
- Porta-Enxertos na Citricultura: Guia para Escolher a Base do Pomar: Este artigo complementa perfeitamente o conteúdo principal ao aprofundar a lógica técnica da enxertia, mencionada na seção sobre ‘copas e porta-enxertos’. Ele oferece uma visão detalhada sobre como a base da planta influencia o vigor e a resistência, preenchendo a lacuna técnica sobre o funcionamento do ‘cavalo’ no pomar.
- Doenças do Feijão: Como Identificar e Controlar as 11 Principais: A antracnose é citada no artigo principal como o principal desafio fitossanitário da manga; este candidato expande esse conhecimento ao detalhar os sintomas e métodos de controle dessa doença fúngica. Ele auxilia o produtor a compreender melhor o patógeno, fornecendo uma base prática para o manejo de doenças mencionado no texto de manga.
- Laranja Pêra: O Guia Completo da Variedade Mais Importante do Brasil: Assim como a Tommy Atkins domina o mercado de manga, a Laranja Pêra domina a citricultura brasileira; este artigo serve como um estudo de caso comparativo sobre a gestão de variedades comerciais dominantes. Ele adiciona valor ao discutir o manejo de uma cultivar padrão de mercado, abordando produtividade e desafios similares aos da mangicultura.
- Café Arara: O Guia Completo Sobre a Variedade Resistente e Produtiva: Este artigo oferece um exemplo prático de sucesso no melhoramento genético para resistência a doenças, tópico discutido na seção de ’novas variedades’ da manga. Ele demonstra como uma cultivar moderna pode equilibrar produtividade e sanidade, servindo de inspiração para a diversificação de variedades sugerida no texto principal.
- Variedades de café mais produtivas: como escolher a ideal para sua fazenda?: Este conteúdo complementa a jornada do usuário ao fornecer um framework estratégico de como escolher cultivares baseado no sistema produtivo e clima. Ele expande a lógica de tomada de decisão apresentada no artigo de manga, ajudando o produtor a estruturar critérios de seleção que vão além das características do fruto.

![Imagem de destaque do artigo: Variedades de Manga: Como Escolher a Melhor e Plantar [2025]](/images/blog/geradas/variedades-manga-tipos-plantio-escolha.webp)